Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Alemanha x Argentina: métodos de previsão

Acredite, a data original da publicação foi no dia da final da copa, umas 14 horas antes da partida. Tive de fazer uma pequena alteração e o blog colocou a data para o dia quinze, dois dias depois.
Existem muitos métodos de se estudar o progresso de uma equipe esportiva. Seria interessante citar e descrever alguns para análise, aqueles que mais aparecem nos grupos de astrologia da internet.
Aqui eu não presumirei saber algo que desconheço. Com tanta coisa a se estudar na astrologia, eu sempre negligenciei o estudo dos esportes. O que vou apontar aqui neste artigo são hipóteses para se estudar seleções e suas possibilidades de vitória nas copas. E como o número de técnicas é tão grande ou maior que o número de escolas de astrologia, com certeza há um método bom que não será citado nesse artigo. Deixo a sugestão para os leitores. 

O estudo dos trânsitos

Esse método é o mais humilde. Ele presume desconhecer um mapa que represente a seleção ou o país. Mas ele estuda os trânsitos dos momentos passados, quando a seleção foi campeã, e procura ver se os trânsitos atuais são parecidos. Como a copa é um evento que ocorre de 4 em 4 anos, ela se sincroniza bem com trânsitos de Júpiter, cuja revolução ocorre em 12 anos. Sem contar que Júpiter representa vitórias e eventos esportivos – o que pode ser encontrado já na obra de Rhetorius (século VI d.C.).
Baseando-nos nos trânsitos de Júpiter, vejamos quais estavam ativados quando o Brasil, Argentina e Alemanha foram campeões.
O Brasil venceu as copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Em 58, Júpiter estava em Libra; em 62, Peixes; em 1970, novamente em Libra; em 94, escorpião e, em 2002, Câncer.
Perceba que não há padrão claro dos trânsitos de Júpiter. Portanto, esse método não é muito satisfatório. Enfatizo isso porque tem gente usando esses ciclos para dizer que a Argentina será campeã. Vejamos o porquê:
A Argentina venceu as copas de 1978 (Júpiter em Câncer) e 1986 (Júpiter em Peixes). Baseado nisso, há quem defenda que ela tem chances de vencer essa copa, porque temos no momento Júpiter em Câncer da mesma forma que em 1978.
Vejamos o caso da Alemanha. Ela foi campeã nas copas de 1954 (Câncer), 1974 (Peixes) e 1990 (Câncer). Por esse mesmo critério, a Alemanha tem as mesmas chances que a Argentina, pois ao que parece Júpiter em Câncer tende a beneficiar as duas seleções. Mas beneficiou o Brasil também em 2002, então tecnicamente isso é uma besteira.
Pelo fato da Argentina ter ganhado apenas duas copas, sua amostragem é menor do que a da seleção brasileira ou alemã e, portanto, qualquer coisa similar que se repita nos céus já aparenta falsamente ser um sinal celeste de vitória da seleção do Plata. Não, meus caros: se for pra Argentina ser campeã, não será explicado pelos trânsitos. Como vimos, a julgar apenas pelo Júpiter em Câncer, qualquer seleção – inclusive a nossa, já (humilhantemente) eliminada – poderia ganhar.

O método do mapa de nascimento do país.

Para repúblicas Sul Americanas, cujas independências ocorreram no século XIX, é mole encontrar um “mapa natal”, que seria geralmente a data da sua independência. Mas em se tratando da Alemanha, qual seria? A data da queda do muro de Berlim? Da unificação alemã? Do Sacro Império Romano-Germânico?
Percebe-se que, quanto mais velho um país, mais mapas seriam possíveis. Você pode estudar todos os mais prováveis, e ver se a maioria deles corrobora com a vitória da seleção. É bem trabalhoso.
Você pode ter êxito com essa técnica? Claro que sim. Muitos usam e fazem previsões corretas para astrologia política, sendo a maioria dos praticantes da mesma astrólogos modernos. Não é uma técnica tradicional strictu-sensu: essa coisa de se fazer mapa de nascimento de um país data do século XIX e vem como inspiração o livro de Astrologia Mundana de Raphael (que pode ser encontrado na Amazon para download em ebook). Como não gosto de técnicas modernas, não me aventuraria muito nessa seara. Prefiro astrologia mundana do estilo Abu Ma’Shar, no máximo William Ramsey.
Não vou puxar a brasa para a sardinha dos medievais: é possível acertar com essa técnica, mas fica bastante complicado definir o começo de um país. Além disso, ela não é medieval e eu não costumo gostar de astrologia feita a partir do século XVIII. Por isso, paro por aqui. Existem duzentos blogues de astrologia moderna. Se eu divulgar a técnica deles, quem divulgará as técnicas tradicionais?

O método de cartas de ingresso

Esse método é o segundo mais humilde. Ele presume desconhecer quando a Alemanha ou a Inglaterra, o Brasil, a CBF, a FIFA ou qualquer país/entidade nasceu – DANE-SE se a Alemanha nasceu com a Unificação Alemã ou com a queda do Muro de Berlim. Entretanto, ao contrário dos trânsitos, aqui temos a análise de um mapa cujo cálculo é fácil: a carta de ingresso do Sol em 00ºÁries01′.
A desvantagem clara desse método é quando duas seleções de países vizinhos disputam o campeonato. O Ascendente da carta de ingresso da Alemanha para esse ano não difere muito do Ascendente para a França, pois as latitudes das suas capitais são relativamente próximas. Isso não constitui um problema muito grande no final dessa copa, quando a França foi eliminada e restam apenas dois países separados por milhares de quilômetros de distância… Se fosse na copa de 1990, seria mais complicado definir o campeão por essa técnica, já que a final foi entre Inglaterra e Alemanha, e ambos os países não são tão distantes assim para se mudar muito o Ascendente anual.
Outra desvantagem é não saber direito quais casas usar. Em astrologia mundial, as casas podem ter diferenças de significação, se comparadas com o estudo de mapas natais. Seria preciso muita cautela. Esportes seriam representados pelas casas 5 ou 3, sendo a primeira mais preferida, por ser uma casa relacionada a entretenimento. A casa 3 teria a ver com esportes porque um dos seus significados seria de equipes, mas isso não é ratificado pela astrologia medieval ocidental, e sim pela jyotisha. Enfim, não sei qual casa usar. Espero que tolerem minha incerteza, e ofereçam sugestões.
Em astrologia mundial, os critérios de seleção do regente do ano são diferentes daqueles empregados nos mapas natais. Normalmente é um planeta angular e com dignidade nos ângulos (na verdade, é bem mais complicado que isso, mas não vem ao caso). Um regente do ano benéfico e em boa condição significa um período de euforia para o país. Em se tratando de países sul-americanos, isso tem muito a ver com futebol, dado o grande alinhamento entre esse esporte e a política.




A Carta de Ingresso para Berlin esse ano mostra a casa 3 em Sagitário e Júpiter no meio do céu em Câncer, exaltado. Uma das interpretações para isso seriam equipes (casa 3) exaltadas. O regente da 5 é Saturno, prestes a receber o aspecto da Lua em queda, que transfere para Saturno a luz de Vênus e de Júpiter. O regente do ano significa o bem estar da população e, nesse ano, é também o “significador do Rei” – no caso, Júpiter em Câncer.

A carta de ingresso da Argentina tem o regente da 3 em queda e em signo de Júpiter, com seu dispositor no Ascendente, que é o regente do ano por estar ali e exaltado. Júpiter no Ascendente dá muita euforia para a população, e a causa são eventos das casas que ele rege, e do que ele significa essencialmente: casa 9 (estudos, religião, filosofia) e 6 (trabalho). Mas Júpiter naturalmente significa esportes, pela sua associação com os pés (vide Rhetorius).

Em ambos os mapas, Júpiter é regente do ano. No primeiro mapa, significa ao mesmo tempo a presidente da Alemanha e seu povo. No mapa argentino, sua posição é mais conectada à população. Conclusão: ambos tem o mesmo regente, ambos indicam um período de euforia para a população, e apenas uma delas será campeã. Adiantou muito? Usando os meus critérios, não. Ou se aprende a usar cartas de ingresso de uma outra forma, ou simplesmente elas não adiantam muito em Copas do mundo…

Mapa com a hora e local da partida.

Consiste em se levantar uma horária para o momento em que a bola começa a rolar. Mas fica bem difícil definir qual casa representa qual seleção (principalmente se a seleção não for “da casa”). O que se faz por aí é atribuir a casa 1 a quem inicia a partida, ou quem é o time da casa (se isso for possível):
Quem vai dar a partida seria representada pelo Ascendente, que é regido por Saturno, retrógrado na casa 11, indicadora de títulos. Saturno sobrepuja a lua numa quadratura à direita da mesma. Coincidência ou não, a Lua rege a 7 – a casa do adversário. 

Lua é recebida por Saturno, o que indica uma vitória do time lunar… isso se saturno não retornasse a luz à lua, indicando que a recepção não é efetiva. Entretanto, o retorno é lucrativo para a Lua, pois ela não está cadente, nem combusta. O que o retorno de luz indicaria numa partida de futebol? Talvez que a seleção indicada por Saturno comece ganhando e depois a lua diminua a diferença. Não sei.
As configurações mostram uma luta em campo, onde a seleção representada por Saturno sobrepuja fortemente a outra, indicada pela Lua. O time indicado pelo planeta mais lento será superior em técnica e dominará o time lunar. Se a Alemanha iniciar a partida, será ela a campeã. Caso contrário, a Argentina.

Horária de um torcedor

Essa é a técnica com menos dúvidas na interpretação. Se torço para o Brasil, faço uma horária para o momento em que indago se a seleção ganhará, e atribuo a ela a casa 1 do mapa. Como o Brasil foi pro saco e tenho mais empatia para a Alemanha, a casa 1 será dela nessa figura:


Na figura, o regente do Ascendente (Alemanha) está na casa 7 (argentina), em detrimento, e é recebido por Vênus, que rege a seleção da argentina. Ter o significador da equipe pra qual eu torço na casa do adversário, e sendo recebido por ele, pra mim soa que a Alemanha terá a faca e o queijo na mão para ganhar essa Copa: a Argentina lhe facilitará, não propositadamente, óbvio. Não será uma goleada como foi com o Brasil mas provavelmente não irá para os pênaltis.
A menos que as regras para esportes sejam muito diferentes das regras para qualquer outro assunto, a recepção é um sinal de benesse para o significador recebido. Com isso, Alemanha vence a Argentina. 

Conclusão

Os métodos menos confusos são a horária de um torcedor e, em segundo lugar, o mapa da hora e local da partida. Todos os outros não produzem resultados binários (sim/não), e isso é tudo que mais precisamos para uma questão como essa.
O regente do ano das cartas de ingresso mostram que tanto a Alemanha quanto a Argentina passam por um momento de euforia. Cá entre nós, mesmo que a Argentina não ganhe, só de chegar à final no país do seu principal rival já é um motivo de grande euforia. Portanto, o regente do ano dá uma resposta mais qualitativa (como está o povo argentino) do que binária (vai ganhar a copa ou não?).
Infelizmente, os métodos mais precisos pecam por não serem previsíveis a longo prazo. Ou seja, não posso fazer, antes da copa começar, uma sondagem de todas as partidas fazendo mapas para a hora delas. Existe uma coisa chamada “saldo de gols”, que define o destino dos times, e não se pode prever o número de gols de um time numa partida. Igualmente, não posso fazer horárias seguidas perguntando coisas como meu time ganhará as oitavas/quartas/semi-final/final?
Anotem pra depois jogar na minha cara: eu previ que a Alemanha vence a partida de hoje. Tanto a horária de um torcedor quanto o mapa da hora da partida mostram superioridade de uma das equipes sobre a outra, nada de empate – embora o mapa da partida seja um pouco mais equilibrado do que a horária. Como estamos falando de duas equipes fortes, isso tem de ser adaptado – não seria um vergonhoso 7 a 1 Alemanha, como foi com a selecinha brasileira.

4 Comments»

  Márcio wrote @

Eu tentei usar a técnica do Frawley, que dá as casas 1 e 10 ao favorito e as casas 4 e 7 ao “azarão”. No caso, a técnica cai bem, já que a Alemanha era, claramente, a favorita.
O problema da técnica é que ela dá importância muito grande à Lua (“the flow of events”), e quando Câncer cai em um dos ângulos (principalmente na 1 ou na 7) muita entropia é gerada. E infelizmente é exatamente o que acontece no mapa da partida. Quando isso acontece, Frawley recomenda manter a Lua com o seu papel original de ser o “fluxo dos eventos” e usar o dispositor dela pra representar o time. Acontece que nesse caso a Lua está em signo de Saturno, que tb rege a casa 1! Preferi deixar quieto. rs
Esse aspecto da Lua com Saturno numa orbe de mais de 5º até me fez levantar a hipótese de que, mantendo a Lua como o fluxo dos eventos, ela daria a vitória à Alemanha com um gol no final, mas confesso que não tinha certeza nenhuma disso. Em compensação, a presença de Plutão (sim, Plutão! – segundo Frawley, ele é danoso ao favorito se estiver na casa 1 ou até na casa 2) no ASC fez a balança também pender um pouco pro lado dos Argentinos. Em todo caso, preferi ficar quieto. Rs

  Márcio wrote @

Ah! E a final de 1990 também foi entre Alemanha e Argentina, assim como em 1986.

  Márcio wrote @

Alemanha e Inglaterra fizeram a final em 1966. No caso, também pode-se dar como exemplo a final de 1974 entre Alemanha e Holanda, que são fronteiriços.

  Rodolfo Veronese wrote @

oi Márcio, obrigado pelos comentários, vou corrigir meus erros. Fazer postagem contando com a memória dá nisso…

Esse estado de entropia com a Lua regendo casas importantes é uma porcaria mesmo. Na maioria dos casos eu uso a lua como significadora particular de uma casa apenas se essa casa estiver envolvida na questão. Caso contrário, eu a uso dessa forma mesmo, como flow of events ou como co-significadora do querente.

Eu tenho o sports astrology aqui, mas ainda não o li, então usei uma técnica de horária baseada em coisas que a tradição mostra, mas colocando times ao invés de exércitos ou disputas judiciais rsrsrs


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