Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Expliquem essa, ateus! Ateísmo à luz da astrologia

Como haveria de ser, a religião também tem uma representação astrológica. Mas o ateísmo também…

O cientista Richard Lynn fez uma afirmação polêmica quando disse que os ateus costumam ser mais inteligentes que os religiosos. Só que Lynn usou para isso (provavelmente) testes de quoeficiente de inteligência (o famoso Q.I.), que tenta mensurar a inteligência lógico-matemática, a mais valorizada pela sociedade: o filho do seu vizinho pode ser uma anta para entender conceitos filosóficos, mas se ele destrinchar com mestria uma equação polinomial é considerado mais inteligente do que o nerd que anda triste pelos cantos, aos 15 anos lê e entende Nietzsche e está com a cabeça cheia de dúvidas existenciais, conceitos elaboradíssimos, mas que tira notas medíocres em matemática…

O que Lynn poderia dizer, com toda a certeza, é que há uma associação entre inteligência lógico-matemática e ateísmo. Baseado nisso, podemos começar a estudar o tema à luz da astrologia – essa abominação para ateus e cristãos!

Jaimini, um astrólogo indiano, atribui a lógica como sendo inteligência de Marte. A lógica é uma inteligência cortante: como uma lâmina, ela separa: se uma coisa é amarela, não pode ser vermelha. Não há espaço para paradoxos. Rigor conceitual: inteligência maléfica, não no sentido de causar mal, mas sim no sentido do rigor e do desconforto que a lógica proporciona em muitos casos nos quais ela é aplicada. Se quero o resultado amarelo, o vermelho tem de ser desprezado. Jaimini, entretanto, não fala nada sobre religião ou ateísmo, embora as primeiras demonstrações registradas de ateísmo muito provavelmente tenham sido na Índia: afinal de contas, numa região com uma pluralidade espiritual imensa, também havia lugar para os ateus…

Vejamos o que os astrólogos do ocidente pensam sobre ateísmo. Primeiro, vamos “bater na trave”, apenas bordejar o que seria um sinal de ateísmo, mas não é. Quando se trata de religião, se evoca o eixo de casa 3 e 9. Mas isso requer um grande esclarecimento.

Anthony Louis, um astrólogo de inspiração helênica cujos posts eu gosto muito de ler, defende que há uma chance muito boa da pessoa se identificar com o ateísmo quando:

  1. Houver uma relação forte entre Mercúrio e/ou Saturno, signos de ar e o Ascendente.
  2. Júpiter também precisaria estar severamente aflito e/ou cadente, pois o grande benéfico tem uma clara relação com fé e espiritualidade, gurus e instituições religiosas. 
  3. Uma casa 9 aflita, embora isso não seja o principal. 

Perceba que não há uma associação clara entre casa 9 e ateísmo – embora possamos colocá-lo no âmbito das crenças, que seriam representadas pelo eixo 3-9, o ateísmo se comporta astrologicamente muito mais como uma postura de personalidade que leva a inexistência de uma crença – muito embora haja pessoas que encarem o ateísmo como uma religião – melhor dizendo, um clubinho, frequentado pelo créme de la créme com QI alto (grande merda…).

(E há um exemplo interessante de astrologia mundial sobre Júpiter em detrimento, que vou deixar para o post prometido dos planetas em detrimento.)

Robert Zoller diz, em seu curso, que pessoas com maléficos na casa 9 (principalmente marte) tendem a odiar religião organizada. Em muitos casos, isso pode ser interpretado como ateísmo, mas em tempo algum ele cita o termo. Meus ex-sogros eram espíritas, mas odiavam ir ao centro e faziam culto em casa: ou seja, eram religiosos, mas odiavam a sua congregação por questões pessoais, o que se configuraria no caso de odiar uma organização religiosa (sendo que ambos tinham Ascendente Peixes e o regente da 9 era marte…).

Billy Graham, um dos maiores evangelistas de todos os tempos, norte americano, tem marte na 9 regendo o Ascendente Áries… Não podemos dizer que esse homem odiava a organização do cristianismo, pois ele foi uma das maiores molas propulsoras no século XX para a formação de congregações evangélicas no mundo todo. Seu marte na 9 funciona mais como aquilo que já ouvi nas comunidades de orkut: uma pessoa que fazia guerras santas – cruzadas – pela sua religião. E, de fato, Billy Graham promovia reuniões em grandes estádios de futebol, que chamavam de cruzadas evangelísticas!

Portanto, já vimos que maléficos na 9 ou a regendo não adianta muito para dizer que uma pessoa é atéia. Qual seria a melhor representação planetária de ateísmo?  Atualmente, estou mais inclinado a considerar o ateísmo como Anthony o faz. Resta então, saber para que serviria a Casa 9, e porque não podemos generalizar que sua aflição indicaria ateísmo.

Ainda não sei o porquê mas, na definição de Anthony, a casa 9 não é citada como a coisa mais importante. Apesar da Casa 9 ser chamada de “Deus” por alguns autores, ela não seria a mais adequada para representar a relação do indivíduo com o conceito de uma divindade.  Precisamos chegar ao cerne do que seria a representação da Casa 9 em qualquer contexto. E temos uma valiosa opinião de um jovem astrólogo jyotisha, longe da turba enfurecida que tende a abominar astrólogos indianos que não professem o hinduísmo: Ernst Wilhelm.

Para Ernst Wilhelm, a casa 9 funciona como representante da integração cultural de um indivíduo ao local onde mora. Na maioria das sociedades, isso passa principalmente pela religião predominante e é incorporada na família – a menor e a mais primária das células sociais. Uma pessoa com maléficos na 9 ou a regendo pode ter problemas ao se integrar com a cultura da sua família e/ou cidade.

O cúmulo da falta de adaptação à cultura local seria a infração às leis, e por isso que a casa 9 está muito ligada à justiça. Bem antes, porém, de se ferir as leis, existem várias normas que a pessoa pode infringir. São normas que não estão escritas, mas que a família e a sociedade local seguem – os tabus. Teoricamente, você tem o direito de ser o que quiser, mas se nasceu numa família evangélica clássica, terá sérios apuros se for ateu ou desejar estudar astrologia.

O que uma pessoa que nasceu evangélica e virou atéia, uma pessoa que nasceu em família católica e  virou hinduísta e uma pessoa que nasceu entre céticos e se interessou por Astrologia tem em comum? Em todos os casos, a pessoa diferirá radicalmente do contexto cultural onde está inserido. E aqui entra uma constatação interessante: você pode ter a religião mais bela e tolerante do universo, mas se ela não for a religião predominante da sua cultura, provavelmente você tem maléficos associados à casa 9, mesmo se você for o mais temente a Deus dos mortais… Porque a casa 9 em bom estado indica uma bela integração cultural, sem grandes questionamentos ao longo da vida. Se você mudou de religião, seu caminho espiritual com certeza teve algum percalço ou experiência desagradável, e isso, meu caro, é representado por maléficos…

É pelo que foi desenvolvido no parágrafo anterior que não podemos esperar que a Casa 9 de um ateu dinamarquês da mesma forma que um ateu brasileiro. A religião predominante no Brasil é o cristianismo, enquanto a religião predominante na dinamarca é… bem, o ateísmo quase que predomina. Um ateu dinamarquês está plenamente adaptado ao seu contexto cultural, que é ateu. Já um ateu brasileiro… Se ele nasceu numa família verdadeiramente cristã, ele vai sofrer inúmeros preconceitos por ser ateu, e até chegar a essa conclusão, deve ter passado um profundo questionamento e/ou sofrimento existencial. Adivinha: qual dos dois deve ter maléficos na casa 9?

Portanto, acredito que realmente não devemos associar imediatamente ateísmo a uma Casa 9 aflita. No Brasil, a maioria dos ateus pode ter uma Casa 9 com maléficos (ou regida por eles), mas isso não pode ser generalizado pelas razões supracitadas. O que se tem mais certeza é que há uma grande chance da pessoa com maléficos na 9 ter uma identidade religiosa totalmente atípica para o meio onde ela estiver inserida. O próprio Billy Graham, sendo missionário por diversas vezes, teve de estar pregando o evangelho em meios culturais onde nunca tinha se ouvido falar no cristianismo antes.

Penso que, astrologicamente, existam graus de ateísmo. Se a pessoa não tiver todos os sinais de que ela poderia ser um ateu, talvez seja algo intermediário, como uma agnóstica. Talvez os ateus mais “militantes” possuam todos os “sinais” que Anthony dá em seus mapas. Portanto, precisamos ser bastante diligentes nessa análise – como em todas, em se tratando de astrologia.

Assim que puder me sentar com calma e copiar fontes bibliográficas, o post dos planetas em detrimento sairá. Ele será mais elaborado e, por isso ainda não está pronto.

6 Comments»

  Ronny wrote @

Interessante tópico, devo dizer que o que você explicou respondeu uma das minhas dúvidas mais antigas. Uma curiosidade de quando comecei a me interessar por astrologia foi entender como se dá, em termos astrológicos, o agnoticismo (ou mesmo o ateísmo) de uma pessoa. Até então tudo que tinha lido levava a crer que poderia haver indícios de maléficos relacionados a casa 9. Isso faz muito sentido se for analisado da forma em que disse, sobre mudanças do caminho espiritual e a integração cultural. Veja o meu exemplo, sou de uma família religiosa, católica – que não é assim tão “fervorosa” e não frequenta mais igrejas ou culto – depois de certa idade comecei a odiar as religiões mais populares, e as igrejas também, porém nunca detestei as pessoas que frequentam e crêem, e nessa época já me interessava muito em outras crenças politeístas, até que cheguei a astrologia. Hoje em dia não tenho mais ódio às religiões, e nem sou ateu, aliás, descobri que estes são até mais fanáticos que certos evangélicos, sou mais agnóstico bem na minha… creio mesmo na astrologia e ponto. Não posso dizer que sofri muito com essa “escolha”, mas certamente sou o mais atípico dos que me cercam, hehehe… Tenho saturno na casa 9 (aquário), domiciliado, fora Júpiter aflito por estar combusto na 5.

  Márcio wrote @

Tenho Marte e Saturno conjuntos na casa 9 em Escorpião, com ambos em trígono ao ASC em Peixes, considerando o zodíaco tropical.
Apesar de ser de família católica, frequentava a igreja protestante luterana (uma das igrejas com o menor número de adeptos do país e talvez a que menos cresce, justamente por ser altamente rigorosa, exigindo teste de conhecimentos da doutrina pra ser adepto), a ponto de participar dos eventos que ela organiza. Essa experiência me deu uma noção bastante precisa do que significa “ser cristão”, algo que envolve, entre outras coisas, a crença verdadeira na redenção de Cristo na cruz como meio ÚNICO E SUFICIENTE para alcançar a salvação. Imagino que isso seja algo bem mais profundo do que a maioria das pessoas pensa. Eu acho um disparate, portanto, alguém se denominar cristão e ir a centros espíritas, por exemplo. Pra mim, ou isso não passa de uma fé em nível somático, onde a pessoa busca apenas “se sentir bem” ou coisa do gênero, ou é apenas ignorância mesmo.

Hoje, porém, não sou mais cristão, e estou mais ou menos igual ao Ronny.
Não sou e nem nunca fui ateu. Talvez isso se deva ao fato de Júpiter reger o meu ASC e estar angular, ainda que em queda, fazendo conjunção à Parte do Espírito. Será?

Tenho algumas dúvidas.

1. Então aquilo que nós atribuímos a Mercúrio, os védicos atribuem a Marte?
2. Qual seria a diferença entre a “lógica marcial” e a “lógica mercurial” para os védicos?
3. Sempre pensei que a lógica tivesse a natureza da melancolia (fria e seca). O ultramelancólico Saturno não deveria ser o “planeta da lógica”? Isso é até algo corroborado por aqueles estudos de Gauquelin, que indicam que cientistas de sucesso costumam ter Saturno perto do MC.

  Marco Vidal wrote @

Nesse contexto, poderia-se considerar o Sol como um planeta maléfico, como fazem os védicos?

Tenho um Sol em Leão na Casa 9 (cúspide também em Leão) e o regente do Ascendente é Júpiter em Câncer, no mesmo signo da Lua.

Seriam dois testemunhos a favor de uma pessoa bastante religiosa, não? Interessante é que isso não acontece. Nasci em uma família católica “não praticante” e quando cresci, abandonei totalmente. Hoje acredito em Deus, mas é uma crença bem particular, individual da minha percepção de mundo, sem nenhuma ligação a alguma religião em particular. Não frequento templos.

  Rodolfo Veronese wrote @

1. Então aquilo que nós atribuímos a Mercúrio, os védicos atribuem a Marte?

Já pensei nisso, mas hoje eu acho que não. Qualquer processo intelectivo os medievais associavam a mercúrio. Todavia, cada planeta representa um tipo de inteligência – e é isso a que Jaimini se refere.

Em outras palavras, Marte seria o modo de pensar lógico, mas existem outros. E Mercúrio seria, além de um tipo de inteligência, a vida mental como um todo – isso no ocidente, porque na Índia eles associam a Lua a esse papel.

2. Qual seria a diferença entre a “lógica marcial” e a “lógica mercurial” para os védicos?

Acho que a resposta acima define bem o que queria dizer. E, na minha opinião, quando eu falo em lógica, sempre pra mim será marte. Quando eu falar em intelectualidade e afins (de um modo genérico), será mercúrio.

3. Sempre pensei que a lógica tivesse a natureza da melancolia (fria e seca). O ultramelancólico Saturno não deveria ser o “planeta da lógica”? Isso é até algo corroborado por aqueles estudos de Gauquelin, que indicam que cientistas de sucesso costumam ter Saturno perto do MC.

Pois é… Para se exercer uma prática científica, requer muito mais do que lógica. Na verdade, a lógica entra – muito pouco – no final desse processo, que seria a análise dos dados, coletados meses ou ANOS a fio: um processo chato, sem muito mérito, tedioso: coisas representadas por Saturno. Lembrando que o Sol sobe no palco e canta na festa, mas quem fritou os salgadinhos e lavará a louça é Saturno….

  Rodolfo Veronese wrote @

<>

Com Júpiter no oitavo signo a partir do Ascendente, não… Mas você se dá ao misticismo, mesmo que isso seja apenas ler um blogue de astrologia. Aliás, muito comum isso com quem tem Júpiter na 8, eu incluso…

Se o seu Ascendente fosse de ar e ele tivesse uma associação forte com mercúrio e/ou Saturno, nem isso ocorreria.

  Mel wrote @

Oi Rodolfo, leio o blog há algum tempo, mas não havia comentado ainda.
Também tenho Sol em Leão na 9 e Júpiter, regente do ascendente, está na 12, mas já no 1º signo (Sagitário). Com certeza “uma bela integração cultural, sem grandes questionamentos na vida” é tudo que eu não tenho! Assim como o Marco Vidal, sou de uma família católica não praticante e aos 14 anos já não engolia mais nem a religião católica, nem qualquer instituição religiosa. O pior é que eu estudava em uma escola católica e ainda tinha amigas que iam a igreja todo domingo e ficavam tentando me doutrinar…
Não sou do tipo que não acredita em nada, acredito de formas diferentes e algumas pessoas não aceitam isso muito bem. Mas outras questões culturais também eram problemáticas e até algumas politicas, enfim, minhas opiniões sempre contrariavam alguém.
Um exemplo de conflito cultural: numa época em que todo mundo adora expor sua vida abertamente, eu preferia ficar na minha, e por isso meus queridos colegas me chamavam de antissocial.


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