Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Os indicadores de Abu ma´Shar na Revolução do ano

No 9º livro do seu tratado sobre revoluções solares, Abu Ma’Shar descreve como calculamos os nove indicadores. A função deles está insinuada no livro II, sobre Profecções:
“mas se o planeta configurado com o Regente do Ano significar algo bom ou ruim, então ele demonstra sua própria significação quando ele reger alguma época do ano, e especialmente se ele estiver associado com o Regente do ano por aspecto àquela época, ou ao signo no qual o Regente do ano estiver, seja de acordo com a natividade ou com a revolução, ou será configurado com o signo da revolução ou ao Ascendente ou seu regente, ou ao Regente da disposição do dia

Ou seja, se um planeta significar alguma coisa, resta sabermos quando ele vai acontecer no ano, o que é um assunto deveras difícil. Felizmente, temos em mente as palavras do mestre: quando o planeta representante do evento que eu busco aspectar o regente do ano (via trânsitos no céu) ou ingressar no signo natal ou revolucional do regente do ano, ou aspectar o tal “regente da disposição do dia”, o evento pode acontecer.

Como você pode ver, a coisa é complicada de se entender a priori e há várias possibilidades, o que torna a análise da revolução tão difícil. Isso, por si só, seria suficiente para que muitas pessoas desacreditassem da astrologia, mas o fato de um saber ser difícil não significa que ele esteja errado ou seja falso. As verdades podem ser singelas, os meios de se chegar a elas nem sempre. O caminho largo conduz à perdição e o estreito e pedregoso, à salvação…

De qualquer forma, resta saber o que seria o tal “regente da disposição do dia”. Supõe-se que seja um dos nove indicadores, do Livro IX do tratado.

Os nove indicadores: NÃO, você não usará todos.

Os nove indicadores são nove técnicas diferentes que, como o nome diz, indicariam quando os eventos podem acontecer durante o ano. Eles não são um set diferente de técnicas a serem aplicadas na revolução, mas sim as mesmas técnicas usadas para definir o ano, só que numa escala menor. Por exemplo, a profecção mensal seria um dos nove indicadores, bem como a diária: isso seria a aplicação da já conhecida profecção anual, mas numa escala de tempo menor. Diferenciando-se disso,  cinco primeiros indicadores citados pelo autor fogem um pouco desse padrão e são técnicas que não possuem paralelo no estudo da revolução do ano. Neste artigo, vamos conhecer a primeira dessas cinco.

Como essas técnicas definiriam quando acontecem as coisas de um período de 365 dias, obviamente elas não competem em eficácia e duração com o que já sabemos de astrologia medieval, as Firdarias, profecções anuais e direções primárias. Entretanto, são malditas NOVE técnicas para estudar apenas um mísero período de 365 dias, técnicas que podem entrar em contradição entre si – e com certeza, entrarão, mais cedo ou mais tarde.

Antes de citar o primeiro indicador, a minha opinião sobre o que acho de usar várias técnicas pra se achar um resultado: Um saco. Se pudesse usar apenas uma técnica para prever e acertar tudo, eu usaria, mas lamento dizer-lhe que astrologia é difícil, e que estamos desafiando uma ordem natural de séculos, que é não saber do futuro.

Quando o divino, para o aprendiz, é enfadonho para o mestre.

Quando a gente só sabia de astrologia moderna e estava ciente apenas dos trânsitos e das progressões secundárias, ficávamos muito entusiasmados de ver que os eventos das nossas vidas batiam direitinho com elas, e nos chateávamos quando isso não acontecia. Só que você já leu esse blogue e outras coisas de astrologia, e hoje sabe que existem mais técnicas astrológicas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia. Partindo desse princípio, a todo momento, somos regidos por vários planetas ao mesmo tempo.

Para você saber do que estou falando: no momento, eu vivo a Firdaria Mercúrio/Vênus, o Dasha Lua/Saturno, o dasha alternativo Vênus/Sol e o meu regente do ano da profecção é Vênus. Eu já citei cinco planetas, e a astrologia medieval e indiana usam apenas 7. Ou seja, em se tratando de planetas, só com as técnicas citadas eu cobriria uns 75% do meu mapa… No entanto, nem todos os eventos representados por esses planetas vão acontecer. São tantas as “influências” no momento em que você lê esse texto que nós podemos encontrar justificativa para qualquer evento que aconteça em  nossas vidas.

Há anos atrás, quando você conhecia apenas trânsitos e progressões, não podia nem vislumbrar uma época em que tomaria conhecimento da existência de mais trinta técnicas preditivas que dividem sua vida de várias maneiras em períodos de tempo e os relacionam a signos ou a planetas. A essa altura, percebe que as variações entre essas técnicas são tantas, que você pode explicar qualquer coisa que aconteça na sua vida. Só que, ao fazer isso, se tiver honestidade intelectual o suficiente, sente o incômodo de enganar a si mesmo, sentindo que emprega um esforço vão. Se você for como eu, verá que explicar os eventos que já aconteceram na sua vida escolhendo os dashas que quiser é algo sem graça e inútil.

Saber todas essas técnicas só seria interessante se pudéssemos usá-las para prever as coisas antes delas acontecerem, e não tentar explicá-las depois do acontecido, como é muito comum. Só que isso demandaria uma quantidade de tempo enorme para dominar todas essas técnicas. E, convenhamos, usar várias técnicas sem entendê-las direito é como ter mas mãos vários instrumentos de um cirurgião sem ter feito residência médica em cirurgia.

A diferença entre o modo como um ignorante lida com  astrologia e com cirurgia é que, com os instrumentos cirúrgicos em mãos, você vai perceber que não sabe nada de clínica cirúrgica, enquanto com as técnicas astrológicas, ao invés de admitir sua ignorância, vai dizer que elas não funcionam… Mas o pior é que algumas pessoas acham de verdade que essas técnicas funcionam, mesmo não sabendo usá-las…

Existe um tipo de estudante de astrologia que supõe saber, mas só sabe depois que o evento acontece… São os “capitães retrospectiva“, os heróis da astrologia que acham a solução pra tudo… Depois que aconteceu. E, tendo um vasto arsenal de técnicas, não há desafio nenhum em entender o que se passou na sua vida se praticamente todos ou quase todos os planetas estão ativados ao mesmo tempo por várias técnicas preditivas.

A filosofia indiana é sábia ao afirmar que os extremos são iguais. No caso, saber demais pode ser tão inútil quanto saber de menos. 

Por isso, é preciso urgentemente dar ordem ao caos de informações simultâneas. Sugiro que você reduza drasticamente os itens da sua “maleta de ferramentas de técnicas astrológicas”, de modo a saber bem cada ferramenta que usa.

O conselho acima é bonito, mas soa contraditório no contexto, momentos antes de introduzir mais NOVE técnicas preditivas do Abu Ma’Shar… Sugiro ao leitor que não use todas elas. Abu Ma’Shar fazia tanto porque tinha mais tempo livre que a gente e não queria ser degolado pelos califas se errasse uma previsão. Como esse não é o seu caso, receio que seria necessária uma grande motivação para estudar todas essas técnicas.

Depois de conhecer dezenas de técnicas preditivas indianas e medievais, qualquer coisa nova apresentada a mim é vista com um certo enfado. Já estudei astrologia suficiente para perceber que não existe técnica milagrosa e que devemos apenas praticar bem feito uma ou duas técnicas preditivas para chegarmos a bons resultados. Vou fazendo o que posso, entre um trabalho e outro, estudando aos poucos essas técnicas e vendo se elas “batem” com os eventos que aconteceram durante o ano. Como já sou vacinado, tenho certeza que umas 70% das vezes terei amargas decepções, mas isso não é motivo para que eu desista de estudá-las. Aliás, no momento em que escrevo essas linhas, estou um pouco assombrado diante da visão de ter que desbravar esses indicadores de Abu Ma’Shar, ciente que talvez muitos deles não funcionarão, de que nenhum autor estudou o suficiente para publicar a respeito e igualmente ciente de essas técnicas não estão representadas nos softwares de astrologia.

Uma pessoa se transforma num expert na sua área quando tem mais de dez mil horas de prática naquilo. Portanto, se você tiver que analisar cinco técnicas preditivas, não vai se especializar em nenhuma. Escolha a técnica que você achar melhor, desenvolva-a e pense que um mundo melhor se faz com trabalho aliado a conhecimento, e não apenas com o último. Enciclopedistas não estão nas trincheiras da história. Só depois de analisar muitos casos, comece a olhar para as outras técnicas. Analise tudo, e retenha o que for bom. (Sábio conselho bíblico).

Reiterando, o objetivo dessas técnicas é específico: saber quando acontecerão os eventos prometidos pela revolução solar.  Antes mesmo de estudar esses nove indicadores, tenho certeza de que muitos deles entrarão em contradição entre si, um a indicar acidente enquanto o outro indica casamento, enfim, uma mixórdia de significações que gera náusea em quem estuda.

Os primeiros cinco indicadores são diferentes de tudo que nós vimos no estudo das revoluções solares. Eu vou apresentar apenas o primeiro. Os outros você pode saber lendo o livro do Abu Ma’Shar. Senão o post fica comprido demais.

Primeiro indicador: o regente da semana da revolução

Nesta técnica, a primeira semana de vida da pessoa é regida pelo seu regente do ascendente natal. Se o Ascendente for Touro, e a pessoa nasceu numa terça feira, Vênus, regente de Touro, rege a sua primeira semana até o final da próxima segunda, quando a sua “semana pessoal” acaba. Na terça seguinte, uma nova semana começaria, e dessa vez seria regida pelo planeta seguinte a Vênus na ordem caldaica, que é a ordem abaixo:

  1. Saturno
  2. Júpiter
  3. Marte
  4. Sol
  5. Vênus
  6. Mercúrio
  7. Lua

Se você ainda não teve o insight, eu lhe digo que a ordem é crescente, e o parâmetro que cresce, à medida em que se progride a lista, é velocidade média dos planetas em relação a um observador terrestre. Júpiter é mais rápido que Saturno, e por isso está abaixo; por conseguinte, o grande benéfico é mais lento que Marte, etc. A Lua é o mais rápido.

Ainda seguindo o exemplo (do Ascendente em Touro nascido numa terça-feira), a segunda semana após o nascimento começaria na terça seguinte, e é regida pelo planeta seguinte ao regente do ascendente na ordem caldaica. No exemplo em questão, a segunda semana seria regida por mercúrio, pois ele sucede Vênus na lista. A terceira semana, seria regida pela Lua. A quarta, por Saturno, a quinta por Júpiter, a sexta por Marte e a sétima pelo Sol. Ao final da sétima semana, quando todos os planetas já regeram uma semana cada, adivinha o que acontece? Sim, Sherlock, a oitava semana é regida de novo pelo planeta que começou a sequência, a saber, o regente do Ascendente. Só que as pessoas vivem muito mais do que apenas oito semanas, e descobrir o planeta que rege a semana do aniversário anos depois é a nossa missão nesta técnica.

Se você lida muito com matemática, já está equacionando como descobrir o regente da semana; se não for seu caso, está aqui:

A técnica para saber o regente da semana.

Em primeiro lugar, essa técnica não está presente em nenhum software de astrologia. Temos de calcular à mão, mas eis o método:

  1. Parece besteira, mas não é. Fique atento ao dia exato em que a revolução vai acontecer. Nem sempre ela é no mesmo dia do seu aniversário, podendo ser antes ou depois. Esse ano, minha revolução ocorreu em 26 de março, sendo o meu aniversário dia 27. 
  2. Construa uma correspondência entre planetas em números, na ordem caldaica mencionada neste artigo, mas começando a contagem a partir do regente do ascendente natal da pessoa. Por exemplo, se a pessoa tiver ascendente Áries, Marte (regente de áries) = 1, Sol = 2, Vênus = 3, Mercúrio = 4, Lua = 5, Saturno = 6 e Júpiter = 7. Para um ascendente capricórnio, saturno seria o número 1, e os outros planetas seguiriam na ordem caldaica mencionada acima.
  3. Com esse site aqui, veja quantos dias há entre a data de nascimento e a data da revolução. Adicione + 1 à quantidade de dias (pois devemos incluir o primeiro dia). 
  4. Pegue essa quantidade de dias e divida por 49. 
  5. Pegue os decimais do resultado, multiplique por sete, despreze os decimais e some 1 novamente.  
  6. Atribua o número obtido a um planeta, que será o regente da semana. (Se a divisão tiver resto 0, o número é 7. Somando 1, temos o primeiro planeta da ordem novamente).  

Futuramente, se você quiser escolher uma semana do ano da pessoa ao acaso para ver qual é o regente dela, basta você seguir os passos acima, com a diferença, no passo 3, de ver quantos dias há entre o nascimento e a data cujo regente semanal você quer saber, ao invés da data do aniversário. Essa é a maneira mais rápida, se você não tiver paciência de contar os regentes na ordem caldaica do aniversário da pessoa até a data que deseja analisar.

Vamos por em prática a técnica. Usando minha revolução, meu sol voltou a 6°Áries em 26/03/2012 (Passo 1).

  • Meu Ascendente é Áries e, portanto, a ordem seria Marte (regente de áries) = 1, Sol = 2, Vênus = 3, Mercúrio = 4, Lua = 5, Saturno = 6 e Júpiter = 7. (Lembre-se: a ordem caldaica nunca muda, mas sim o planeta que começa a sequência).
  • Passo 3: a diferença em dias entre 27/03/1982 e 26/03/2012 é:Eu somo 1 e o resultado fica 10958 dias.
  • Passos 4, 5 e 6: 10958 dividido por 49 é igual a 223,632653. Multiplicando a fração 0,632653 por 7, temos 4,428571. Desprezando a fração decimal do último número e somando 1, chegamos ao número 5, que no meu caso representa a Lua, que seria a regente da semana.  
Curiosamente, a Lua é a regente do Ascendente da minha Revolução Solar esse ano. Isso pode acontecer em muitos casos: o regente da semana pode ser o regente do ano pela profecção, ou o regente do ascendente. Nesses casos, nada de novo no front: você tem apenas um planeta pra analisar ao invés de dois.

Isso mostra que nem sempre temos de analisar meticulosamente trocentos planetas. Às vezes, apenas um planeta rege todas os “cargos” importantes para o ano e, quando isso acontece, significa que o ano terá muitas coisas do mesmo planeta – ou uma suficientemente intensa. Por exemplo, se Vênus for ao mesmo tempo regente do ano pela profecção, regente do ascendente da revolução e regente da semana de aniversário, trata-se de um evento muito importante durante o ano com os significados de Vênus. Se o planeta em questão estiver forte e bem posicionado, bom pra você. Senão, espere uma pequena tragédia.

Como usar o regente da semana?

Segundo Abu Ma’Shar, o planeta que reger a semana em que ocorre a revolução seria importante o ano inteiro. Quando ele entrar em contato com algum planeta importante do ano, pode indicar um evento, e nós descobriríamos esse evento pela natureza do planeta com o qual ele fizer contato, pelo que ele rege e/ou pelo que aspecta na revolução.

A importância do evento reside na importância do planeta. Se o planeta não for o regente do ano da profecção, ou o regente do Ascendente da Revolução, ou se não estiver configurado com os mesmos, nem pense que ele indicará algo grande. Nem tudo que esté escrito na Revolução pode acontecer, mas com certeza tudo que acontece está escrito.

Vamos exemplificar. Se o regente do ano (da profecção ou do ascendente da revolução) for aspectado por Vênus na revolução, isso pode ser algum evento ligado a relacionamentos. Se Vênus rege a casa 7 da Revolução, a pista fica ainda mais quente de que seja isso mesmo. Se quisermos saber o dia em que um evento com essas características acontecerá durante o ano, consultamos as efemérides e vemos quando Vênus vai aspectar de novo qualquer ponto que represente o nativo esse ano (o regente do ano, o regente do Ascendente ou o regente da semana de aniversário), mas de preferência o mesmo planeta com o qual ela estava em contato na revolução. Também podemos ver quando Vênus entrará no signo de um dos regentes que representam o nativo no ano, pois isso pode deflagrar um outro evento.

A exceção fica por conta da Lua. Abu Ma’Shar não recomenda que nos utilizemos dela, se calhar dela ser regente do ano da profecção, e talvez possamos estender isso ao seu papel de regente da semana de aniversário, e as razões para isso são mais práticas do que parecem.

No Capítulo em que Abu Ma’Shar recomenda que não usemos a Lua como regente do ano da profecção (e possivelmente como qualquer outro tipo de regência durante o ano), a coisa não faz muito sentido: afinal de contas, mesmo sendo um luminar, ela é um planeta que aprendemos a intepretar da mesma forma que os outros… Ao menos, num mapa estático. Porém, quando o assunto é delimitar eventos durante o ano, usá-la seria um inferno: sendo a Lua muito rápida, fica difícil saber em qual época do ano os eventos indicados por ela acontecerão, porque em 28 dias ela dá a volta completa no zodíaco, entrando em contato com todos os planetas de todas as formas possíveis. A solução para isso é simples: usamos o regente do signo da Lua na revolução. Se a Lua estiver no seu próprio signo, usamos o planeta que a aspecta com maior proximidade na revolução.

Talvez essa técnica possa ser usada de outras formas. Podemos fazer uma agenda astrológica com as semanas (uma vez sabendo a primeira do ano, fica fácil) e analisarmos como está o regente da semana atual no céu. Talvez os eventos não sejam mostrados apenas pelo regente da primeira semana do ano, mas pelo regente da semana em que ocorre o evento. Isso renderia uma observação do céu semanal, mas nada que seja muito trabalhoso numa era de softwares de astrologia – e de pessoas interessadas em pesquisá-la.

Conclusão

Com tantas técnicas, você pode concluir que um evento pode ocorrer em qualquer época do ano, mas essa seria a impressão de quem as usa para justificar os eventos depois deles terem ocorrido. Se você quer prever eventos, a experiência adquirida no trabalho com essas técnicas pode lhe ensinar que, apesar de haver nove indicadores, o uso sistemático de duas ou mais técnicas combinadas pode gerar ênfase.

É isso que devemos procurar: Tudo que é consistente se repete, seja no tempo, seja em dois espaços diferentes (ou seja, duas técnicas preditivas diferentes). A inconsistência de ter várias técnicas com planetas diferentes regendo o mesmo momento gera nada, como se a pessoa fosse puxada em direções diferentes por forças diferentes, gerando uma força resultante de valor zero.

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