Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Os vários avasthas

Parasara lista em seu livro cerca de cinco tipos diferentes de avasthas. Eu vou listar aqui aqueles com os quais eu já tive mais contato:

  • Jagraadi
  • Deeptaadi
  • Lajitaadi
  • Shayanaadi

Perceba que cada tipo de avastha tem o final “adi”. Na verdade, os tipos de avasthas não tem nomes específicos. Eles recebem o nome do primeiro da lista, e o final “adi” da palavra significa “e os outros”. Assim, quando se diz “Deeptaadi”, Parasara quer dizer “o avastha deepta e os outros”. Quais outros? Os avasthas que estão na mesma classificação que o deepta (kopi, vikala, etc.).

Para entender melhor essa denominação, eu poderia chamar os planetas além de saturno (Urano, Netuno e Plutão) de “Uranaadi”, que significaria siplesmente “Urano e os outros”. Se escrevesse em Sânscrito, poderia dizer que “eu não uso Uranaadi”.

O termo avastha pode ser traduzido livremente como “estado” ou “condição”. Eles captam a essência do que Bonatti, um astrógo ocidental que nada tem a ver com jyotisha, queria dizer no termo em latim “Esse”: O avastha é o estado do planeta. Só que, enquanto o termo “esse” se refere a uma síntese das inúmeras configurações nas quais um planeta pode se envolver simultaneamente, o avastha diz respeito a apenas UMA configuração.

Por exemplo: Se Vênus estiver retrógrada, em detrimento (escorpião), em quadratura com a Lua e conjunta a Saturno, Bonatti concluiria que a “esse” dela não é muito boa (mais pelo detrimento, pela retrogradação e pelo aspecto de Saturno). Enquanto isso, Parasara diria que Vênus tem, simultaneamente, um ou mais avasthas: por estar em conjunção com Saturno, ela está Vikala (impedida). Por estar em signo de água e impedida por maléficos, ela está sedenta (me esqueci do termo em sânscrito, depois volto aqui pra editar). Estar em aspecto com a Lua implica outro avastha (do tipo Lajitaadi), cujo nome também me esqueci, mas que não é bom, porque a Lua é inimiga de Vênus.

Ter muitas classificações serve para definir exatamente o que cada coisa indica quando ela ocorre, e uma mesma configuração pode representar ao mesmo tempo dois avasthas diferentes. Quando um planeta está em conjunção com o Sol, ele fica irritado (kopi) e agitado (kshodita). A questão que deve incomodar o estudante é: se uma única condição pode gerar dois avasthas ao mesmo tempo, porque não simplificar e unir os dois avasthas num único nome? Porque cada tipo de avastha reflete uma circunstância específica e – o mais importante – implica resultado diferente. Portanto, é possível que uma única configuração produza dois resultados em esferas diferentes de atuação, e que não se contradizem.

Por exemplo: Alguns eventos na sua vida podem te deixar com raiva e, ao tempo, agitado. O fato de estar com raiva não é contraditório à agitação que você sente. O fato é que eles acontecem simultaneamente. A mesma coisa acontece com um planeta em conjunção com o Sol: as coisas indicadas pelo planeta geram raiva e agitação simultaneamente, sendo cada um desses sentimentos indicados por um avastha diferente.

Apesar da resposta acima ser satisfatória, a principal razão para haver duas ou mais condições simultâneas é que cada tipo de avastha gera consequências numa instância de vida diferente. Os avasthas mais usados são o Deeptaadi e o Lajitaadi e, apesar de alguns deles estarem relacionados às mesmas configurações, eles significam duas coisas diferentes, e são usados de modos diferentes.

Estudando mais a fundo os Avasthas Deeptaadi e Lajitaadi

Quando se começa a estudar esses inúmeros avasthas, não é de se estranhar que eventualmente consideremos que devemos usar um deles em detrimento de outro, porque, como disse anteriormente, pode haver uma configuração planetária relacionada a dois avasthas diferentes. O caminho mais curto seria usar um avastha e ignorar o outro, mas isso não é lógico. Se devêssemos usar apenas um tipo de avastha, porque Parasara teria criado cinco tipos diferentes? A conclusão que chegamos é que cada tipo de avastha deve dizer respeito a uma coisa específica.

Os avasthas que importam na análise do mapa natal são três: Jagraadi, Deeptaadi e Lajitaadi. Está fora da lista o Shayanaadi, avastha usado para se saber como a pessoa experimenta os dashas, e que não tem muita importância natal.

Ernst Wilhelm, meu mestre, está incorporando com mais frequência na sua prática os avasthas Deeptaadi e Lajitaadi. Mais adiante, saberemos com maior exatidão a que se refere o Jagraadi. Portanto, vamos mostrar as diferenças entre o Deeptaadi e o Lajitaadi, e deixarmos para uma outra ocasião o Jagraadi.

Vamos abordar o assunto da forma mais prática possível. Se você quer saber se uma coisa vai acontecer ou não, qual tipo de avastha dentre os dois acima devo escolher: Deeptaadi ou Lajitaadi? Para ajudá-lo a responder essa pergunta, devemos explorar as diferenças entre ambos.

Os avasthas Lajitaadi mostram as coisas que ajudam ou prejudicam o nativo nos dashas. Portanto, ele tem uma importância prática maior e talvez seja o ideal para responder a pergunta acima. Todavia, não devemos desprezar os Avasthas Deeptaadi, porque eles mostram o estado subjetivo da pessoa em relação ao assunto estudado. Vamos diferenciar as duas instâncias nas quais cada um desses tipos de avasthas operam.

Imagine que você está num trabalho que te paga um bom salário, mas que você odeia. Tudo dá certo lá, mas você simplesmente não gosta do que faz. Agora imagine um trabalho no qual tudo dá menos certo do que o anterior, você ganha mal, mas adora o que faz. Com isso, já podemos diferenciar os dois tipos de avasthas: o primeiro trabalho tem condições propícias e tudo dá certo: certamente é representado por um bom Lajitaadi avastha. Todavia, como a pessoa odeia o que faz e não se sente bem lá, deve ter um Deeptaadi Avashta ruim. O exemplo seguinte seria o oposto, com um Lajitaadi ruim e um deeptaadi bom.

Com isso, temos claramente a diferença entre os dois tipos de avasthas, e eles nos auxiliam a responder perguntas do cliente. Se ele perguntar se o dasha atual será subjetivamente bom (questões como “vou me sentir melhor?”), devemos usar Deeptaadi. Se perguntar se as coisas darão certo, devemos usar Lajitaadi. O ideal é estudar ambos e dizer a situação completa ao cliente.

Além da diferenciação acima, temos também o uso específico que cada avastha pode ter em situações específicas. Como os deeptaadi dizem respeito a como a pessoa se sente, eles tem uma importância CAPITAL em astrologia médica. Afinal de contas, não importa o quanto as pessoas e circunstâncias te apoiem (Lajitaadi), você terá câncer independentemente delas. Nesse caso, os Lajitaadi podem apenas dizer se você terá coisas que te apoiem a fazer um tratamento resolutivo ou não.

Portanto, à medida em que dominamos os avasthas, temos os adjetivos e advérbios mais precisos para descrever as situações indicadas pelos planetas, e isso mudará radicalmente o desfecho da interpretação. Por isso que Parasara não usa de decorebas com seu estudante: a única memorização que devemos ter é dos avasthas, porque ela nos ajudará a entender como se chega ao resultado de QUALQUER combinação astrológica.

A astrologia de Parasara é um conjunto de regras e mensurações que, após dominadas, nos ajudam a entender a complexidade de qualquer configuração astrológica. A astrologia praticada na Índia, atualmente, tem muito pouco de Parasara, ao contrário do que a maioria leiga pode pensar. Podemos contar nos dedos os autores que efetivamente usam tudo que o Maharishi propõe. Eu diria que Visti Larsen, Sanjay Rath e Ernst Wilhelm são os únicos dois quais posso me recordar. Fora esses autores, a astrologia que se pratica na Índia é profundamente influenciada pelos autores indianos medievais, que perderam em grande parte o contato com todos os conceitos que aparecem no BPHS (Brihat Parasara Hora Sastra). Vale a pena lembrar que, até o século XIX, não havia um texto escrito do BPHS, sendo ele em grande parte transmitido por tradição oral mestre discípulo.

Os avasthas podem ser estudados nos livros e cursos de Ernst Wilhelm, ou lendo diretamente o Brihat Parasara Hora Sastra (o que confesso não ser recomendável para o estudante neófito).

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