Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Como descobrir o que os planetas representam

Recentemente, uma colega me abordou pedindo-me sugestões sobre o que o marte dela representaria. Dúvidas como essa são mais frequentes do que imaginamos, principalmente se estamos aprendendo, ou melhor, reaprendendo: isto é, quando já sabemos astrologia e começamos a conhecer uma perspectiva alternativa desse saber, como a Astrologia Helênica ou Medieval.

A seguir, eu sugiro algumas coisas que se mostraram proveitosas para começar a entender o que seu marte – ou qualquer outro planeta cujos significados você duvida – representa na sua vida, à luz da Astrologia Clássica.

Primeira sugestão: Ler Paulus Alexandrinus, Firmicus Maternus e o Liber Hermetis

A tradução de Paulus Alexandrinus (feita pela editora ARHAT) contém o posicionamento de quase todos os planetas em cada casa, diferenciando os “efeitos” se o mapa for diurno ou noturno. A mesma coisa fazem Firmicus Maternus e o Liber Hermetis. Rhetorius também vale a pena, mas como ele quase que repete inteiramente Maternus, é melhor ler primeiro quem o influenciou.

Particularmente, gosto de Paulus mais do que os outros, porque ele mostra que a astrologia clássica pode ser menos sombria do que parece: Paulus costuma mostrar interpretações mais positivas de planetas que costumam ser taxados de portadores de mau agouro, como Saturno. No caso do meu Saturno de Casa 7, Paulus diz que a pessoa pode viver muito e terminar a vida com muitas propriedades. Isso não quer dizer que ele seja ruim para todas as outras coisas, mas isso mostra que a leitura de um símbolo pode ser mais multifacetada do que apenas trazer desgraças.

Paulus Alexandrinus você tem que comprar pra ler. Firmicus Maternus tem duas traduções: uma de Jham Rhys Bram, que tende a ser menos técnica porque ela é uma latinista, e não astróloga. Outra, de James Herschel Holden, um dos maiores astrólogos-tradutores dos EUA. O Liber Hermetis tem na minha página do Scribd (o texto da época do Project Hindsight) e você pode comprar as duas edições em PDF no site do Robert Zoller.

Segunda sugestão: deduzindo os “efeitos planetários” pelos anos dos planetas

Cada planeta possui uma idade na qual seus significados podem se manifestar. Vamos colocar, na ordem caldaica, as idades mais prováveis.

  1. Saturno: 30 anos / 43 anos e 6 meses / 57 anos
  2. Júpiter: 12 anos / 45 anos e 6 meses / 79 anos
  3. Marte: 15 anos / 40 anos e 6 meses / 66 anos
  4. Sol: 19 anos / 69 anos e 6 meses / 120 anos
  5. Vênus: 8 anos / 45 anos / 82 anos
  6. Mercúrio: 20 anos / 48 anos / 76 anos
  7. Lua: 25 anos / 66 anos e 6 meses / 108 anos

Deve-se memorizar os anos menores e os maiores, pois os médios são obtidos pela média aritmética dos dois extremos. Por exemplo: os anos médios de saturno são:

 

Anos médios = anos menores + anos maiores/2
30 + 57 = 87
87/2 = 43,5

 

Pode haver anos nos quais poucas coisas significativas aconteçam, mas não se iluda: sempre acontece algo, porém coisas muito importantes só costumam acontecer quando mais de uma técnica preditiva apontar o mesmo resultado. Por outro lado, em certos anos planetários, nem todos os eventos terão relação com a simbologia do planeta, mas serão deduzidos por intermédio de outras técnicas preditivas (como revoluções solares e profecção).

Vou mostrar alguns exemplos da minha vida.

 

19 anos de idade (2001): Sol. Foi o ano em que comecei com meus estudos de medicina, mas somente ao final do ano pois, além de ter passado para o segundo semestre, as universidades entraram em greve. Enquanto esperava ser chamado para a faculdade, iniciei uma atividade física intensa, visando perder peso – e perdi 10 quilos, chegando ao meu peso ideal. Note que, em meu mapa, o Sol rege a casa 5, que indica lazeres, e está no meu ascendente (por signos inteiros). Modernamente, a Casa 5 tem muita relação com esportes e esse ano corrobora o significado. Planetas no primeiro signo acabam se relacionando com o corpo.

Através da técnica dos anos planetários, temos uma noção mais clara de que, em meu mapa, o Sol tem significados muito positivos, pois foi um período muito bom em termos de saúde e vitalidade.

20 anos de idade (2002): Mercúrio. Comecei a ganhar dinheiro ainda que pequeno, sendo monitor de biologia celular e molecular. Mercúrio sempre está envolvido em momentos nos quais ganho dinheiro, e isso se deve ao fato dele estar, em meu mapa, no local de aquisição, a saber, o 11º signo a partir do Signo da Fortuna. Também foi um período no

25 anos (2007): Lua. Muitas coisas aconteceram nesse ano – certamente, nem todas foram representadas pela Lua. Quebrei a perna, minha então futura esposa veio estudar no Rio – o que propiciou a consolidação da nossa relação. Além disso, comecei a ganhar mais dinheiro como acadêmico de medicina e meus pais se mudaram porque estavam com dívidas e resolveram vender a casa onde morei quase a vida inteira.

De todos os significados, os dois últimos é que mais se aproximam da determinação local da lua em meu mapa: ela rege a casa 4 (família e imóveis) está no segundo signo, nos ângulos de júpiter (duas coisas que indicam questões financeiras) e do lote das dívidas (que indicaria o endividamento familiar).

Vettius Valens diz que o signo de Touro (signo lunar) geralmente está envolvido em quedas e acidentes, mas passaria despercebido esse risco se não utilizarmos a revolução solar de 2007: nela, ambos os maléficos fazem quadratura a Touro, sendo este também o signo do lote da fortuna, um ponto que tem se demonstrado muito importante para saúde.

Além disso, os anos em que a Casa 2 está envolvida de alguma forma podem ser muito tenebrosos, e isso me lembra do astrólogo Manillus, de chamar a Casa 2 de “Portal de Hades”: tenho visto que, quando a casa 2 está envolvida, vislumbramos o inferno em nossas vidas, mas lembre-se de que você está nos umbrais do inferno, e não dentro dele.

Terceira sugestão: usar as ascensões dos signos

Essa requer que você saiba as ascensões para a região onde você nasceu. Ben Dykes e o Project Hindsight dão tabelas de ascensões para cada latitude que você pode conseguir nos respectivos sites.

As ascensões indicam quanto tempo um signo leva para ascender, sendo essa uma informação dependente da região de nascimento. Ou seja, se você julgar que Libra é de ascensão longa em qualquer lugar do mundo, vai errar feio: somente no hemisfério sul Libra demora mais pra ascender, e mesmo assim isso vai variar de a depender da latitude.

Quando os anos correspondentes ao valor da latitude forem completados, os significados do signo e dos planetas dentro dele podem vir à tona. Se o signo estiver vazio, lembre-se de que ele pode conter lotes natais.

Por exemplo: se em sua cidade, a Ascensão de Libra for 32,33, isso indica que aos 32 anos e meio pode acontecer um evento com a qualidade dos planetas que estiverem dentro dele.

Esse tipo de técnica é bom parra se ter noção de como os planetas se manifestam em conjunto. Por exemplo, com 32 anos de idade (2014), Libra será ativado em meu mapa e, com isso, os ocupantes de libra, marte e saturno, entrarão em atividade conjunta: algumas coisas que acontecerão esse ano serão simbolizadas não somente por marte, nem somente por Saturno, mas pela combinação de ambos.

Quarta sugestão: estude mais astrologia clássica. Estude mais seu mapa

A quarta e última é um conselho sobre as anteriores. Se você não souber os princípios astrológicos, não vai conseguir associar os eventos que ocorreram à nenhuma simbologia. A mesma coisa ocorrerá se não estudar seu próprio mapa a fundo.

No meu caso, eu passei anos sem entender como meu mercúrio poderia ter alguma utilidade, pois ele está no décimo segundo signo e em queda – duas coisas terríveis para astrólogos medievais, principalmente os seguidores de Robert Zoller. Só que, adicionando os detalhes que adquiri estudando astrologia helênica, os temas de mercúrio passam a representar a realidade que vivi de um modo muito mais fidedigno. Isso requeriu saber o que o local de aquisição significava e, ao mesmo tempo, identificar que, no meu mapa, mercúrio está no local de aquisição.

Ter um banco de dados cheio de mapas é importante para aprender astrologia, mas seu próprio mapa pode ser seu melhor professor, porque só você sabe em detalhes o que acontece em sua vida, um privilégio que nunca terá com clientes. Ao seguir esses quatro conselhos, pode aprender astrologia usando somente seu mapa natal.

 

1 Comment»

  AugustoCrowley wrote @

Adorando seus textos, grande abraço, e valeu pelas dicas!


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