Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Os cinco elementos na Astrologia indiana.

No ocidente, nós usamos os quatro elementos de Empédocles para se referir a todo e qualquer fenômeno do mundo sublunar (em outras palavras, a Terra). Na astrologia indiana, não é diferente.

Não sei como seria na Jyotisha ainda a relação conceitual entre planetas e elementos, mas no ocidente funciona da seguinte forma: os planetas e signos contém em si os arquétipos: as formas e idéias de todas as coisas. Quando os planetas agem no mundo sublunar, através da Lua, eles dão formas aos elementos e criam todas as coisas usando como matéria crua dos elementos.

Os elementos são uma maneira de descrever os objetos, pessoas e idéias.

Quando dizemos que uma coisa é do elemento água, não quer dizer necessariamente que tenha muita água em sua composição (nesse caso, quase tudo na Terra contém água), mas sim que se comporta como o elemento água. Em verdade, o certo seria dizer até mesmo para a água das nossas bicas que ela se comporta como o elemento água – assim, não se confunde a água propriamente dita com o elemento.

Na filosofia indiana, ao invés de quatro elementos, há cinco: tirando os luminares, cada um dos cinco elementos é relacionado a um planeta tradicional. No Srimad Baghavatan, temos uma clara e útil descrição de como cada elemento se comporta. Como não tenho o texto original, vou apresentá-lo de forma resumida.

Na lista a seguir, os elementos se apresentam na ordem de geração, isto é, o elemento anterior dá a gênese ao subseqüente. Assim, Éter dá origem a Ar, etc.

Éter (Akasha)

para nós, é o elemento mais incompreendido, mas é muito simples: ele representa o espaço. Através do Éter, todas as coisas ganham espaço pra acontecer. Ele é representado pelo planeta Júpiter.

Éter gera ar.

Ar

No Ocidente, ar seria comunicação e teria muita similaridade com uma pessoa do signo de Gêmeos, que gosta de se comunicar e tem vários interesses paralelos e desconexos. Entretanto, o ar na jyotisha ganha uma conotação mais de movimento que te impulsiona a um alvo, tal qual o vento soprando nas velas de um barco.

Sem o vento numa mesma direção, o barco não vai a lugar nenhum. Nesse sentido, o elemento ar é presidido por Saturno.

O Éter representa o idealismo, as idéias filosóficas que nos inspiram, os princípios religiosos que norteiam a conduta. Éter gera automaticamente ar, que é a persistência no caminho proposto pela filosofia. Se o ar estiver fraco, a pessoa não consegue persistir num mesmo caminho. Mesmo a vida tendo propósito (Júpiter), ela não consegue se manter nele.

Ar gera fogo.

Fogo

O Fogo ilumina, amadurece, seca e dá fome. Para persistirmos no mesmo caminho, é necessário enfrentarmos os obstáculos que nos aparecem. Com isso, nós amadurecemos: o que não é o amadurecimento senão fazer a coisa certa?

Para fazermos a coisa certa, porém, às vezes temos de ser secos e termos apetite para persistir na busca. O fogo rege tudo isso, e é presidido por Marte (claro).

Por estar ligado a amadurecimento, marte rege a força do caráter. Ser maduro consiste em ter um caráter forte para persistirmos nos princípios éticos, mesmo que haja obstáculos contra isso no caminho.

Fogo gera água (Believe or not!).

Água.

Quando matamos a fome, a saciedade é uma consequência lógica. O elemento água rege a saciedade, e faz um binômio muito evidente com o fogo.

Se a pessoa tiver o elemento água forte, mas o fogo fraco, ela fica saciada com qualquer coisa. Representa os acomodados. Se, por outro lado, o fogo for muito forte e a água fraca, a pessoa é insaciável: ver isso é uma boa maneira de começar um estudo dos vícios de uma pessoa, pois os viciados em substâncias – de nicotina e álcool e café (sim, café) a drogas ilícitas – nada mais são do que isso.

Água nutre, regenera, une e diferencia (no sentido de gerar várias coisas diferentes, dada a sua fertilidade). Portanto, coisas que colam, grudam, alimentam e nos recuperam são regidos pela água, e isso vale tanto num sentido figurado quanto concreto: colas em geral são regidas pela água. A água é presidida por Vênus.

Água gera Terra.

Terra

A Terra contém coisas, as compartimentaliza: paredes, potes e limites são regidas por ela. Além disso, ela faz um movimento contrário a água: enquanto esta diferencia e tolera as diferenças, a terra quer igualar a todas, é totalitária. Pessoas com muita terra e pouca água/ar não são muito diferenciados e podem ser intolerantes. George Bush Junior, por exemplo, tem terra proeminente no seu mapa e teve o caminho idêntico a seu pai: geriu uma guerra no mesmo lugar que o pai e tem até o mesmo nome que ele!

O risco é da Terra nunca mudar de rotina e, nesse sentido, ela se parece muito com a Terra que conhecemos no Ocidente: entediante. Todavia, há diferenças: como o elemento em questão é regido por mercúrio, Terra também tem uma porção intelectual importante. Só que o intelecto desse elemento é mais para resolver questões práticas, pois mercúrio é o gestor, não um filósofo. Entretanto, a terra dos indianos tem muitas questões que a aproximam da concepção que temos do elemento ar no ocidente.

Por servir para questões práticas, uma pessoa com elemento Terra forte pode aprender várias habilidades pela sobrevivência: aqui temos novamente a aproximação da Terra com Mercúrio e o signo de Gêmeos (que, apesar de ser de ar, é regido por um planeta do elemento terra): os múltiplos interesses, todos desconexos entre si.

Se uma pessoa conquistou várias habilidades e recursos materiais (terra), ela precisa dar um sentido a elas e, com isso, a Terra gera o Éter. Assim, o ciclo se fecha: Quando temos recursos pessoais e materiais e criamos uma rotina prática, urge a busca de um sentido maior.

A seguir, vamos apontar as relações entre Vênus, Mercúrio e Júpiter, cujos significados, se indevidamente diferenciados, podem confundir.

Júpiter, Vênus e Mercúrio.

Intelectualmente falando, temos de diferenciar Mercúrio de Júpiter: ambos são planetas intelectuais mas, se fossem pessoas querendo uma universidade, Júpiter faria ciências sociais, filosofia, letras, história, enquanto mercúrio faria medicina, administração ou qualquer coisa teórica que vise a praticidade lucro e/ou bem estar material.

Sim, Júpiter faria letras. Ao contrário do que se pensa, Júpiter pode ser um excelente gramático, e não mercúrio: afinal de contas, sejamos sinceros: escrever bem é ótimo, saber literatura idem, mas todos nós cometemos erros de português vez ou outra e isso não aflige nossa vida de modo algum (além de outras pessoas repararem e te estratificarem socialmente por isso). Somente erros muito crassos de linguagem podem prejudicar a comunicação escrita a ponto de gerarem prejuízo material.

Vênus e Júpiter são brâmanes, enquanto mercúrio é um comerciante: os dois primeiros são conselhereiros e se preocupam com a questão essencial do viver bem. Enquanto isso, Mercúrio só se preocupa com modos de ganhar mais dinheiro e tirar proveito das coisas.

Mesmo sendo conselheira, Vênus não é tão intelectual como os dois últimos: ela nos auxilia no processo de tomar a decisões que sejam melhores para nós numa esfera mais mundana: “este emprego ou aquele? Morar neste bairro ou no outro?”

Júpiter significa, portanto, a teoria visando entender e dar propósito, enquanto mercúrio indica questões teóricas visando a manutenção de um sistema, seja ele físico (o corpo) ou social (uma empresa ou governo).

Resumo dos cinco elementos

Ordem de criação: Éter (Júpiter) => Ar (Saturno) => Fogo (Marte) => Água (Vênus) => Terra (Mercúrio) => Éter…

 

Os cinco elementos são a base para quase tudo que se faz em Jyotisha. Se você não souber qual planeta rege determinado objeto, basta ver como esse objeto se comporta e ver com qual elemento ele se parece. Evidentemente, algumas coisas fogem desse modelo: Marte indica produtos da terra, como petróleo, minerais e pedras preciosas: esperava-se que mercúrio indicasse essas coisas. Júpiter é quem indica crianças, e não Vênus: entretanto, se Vênus estiver em mal estado, pode esperar algum problemas com os órgãos geradores e a pessoa não tem filhos.

 

Mesmo que você não use os elementos de uma forma mais materialista, eles ainda são muito úteis no âmbito do comportamento. Mais adiante, vou escrever como perceber os elementos que são mais fortes e os mais fracos no seu mapa (e não tem NADA a ver com contar planetinhas nos signos, como se faz no ocidente…)/

 

 

 

1 Comment»

  Márcio wrote @

Interessante.
Os védicos fazem alguma relação séria entre os planetas e os sete chacras principais? A gente vê esse tipo de coisa na internet, mas é difícil ver se é algo tradicional ou se é apenas invenção de moda.


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