Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Previsões, iniciativa, ceticismo e narcisismo.

Às vezes, nós fazemos previsões que dependem da iniciativa do cliente para que se realizem, e portanto fica sempre a dúvida: será que o astrólogo sugestionou o cliente? Ou será que, mesmo que o astrólogo não tivesse dito nada a respeito, a coisa aconteceria?

É por essas e outras que o astrólogo ganha mais respeito prevendo sobre o destino dos “colaterais” do consulente. Ao invés de usar o mapa do consulente para prever fatos na sua vida, podemos prever algum evento ligado ao pai, à mãe do cliente e aos irmãos do consulente. O cliente não tem 100% de intromissão na vida dessas pessoas, por mais ligado que esteja a elas e, portanto, as pessoas não poderão confabular que o querente foi sugestionado.

Técnicas como essa são vistas no Prasna Marga, livro de astrologia horária indiana, com o intuito de proporcionar segurança ao consulente. Antes de se responder a pergunta do cliente, o astrólogo seria capaz de dizer o tipo de pessoa pela qual o querente passou na rua até chegar ao astrólogo. Se o astrólogo acertasse, isso seria como uma demonstração de que ele é capaz de responder às questões do cliente. Hoje em dia, uma técnica como essa não seria muito útil, porque as estradas estão abarrotadas de pessoas. A probabilidade da pessoa se deparar com vários tipos diferentes é enorme.

Além de passar segurança aos clientes, as técnicas mencionadas seriam maneiras de se provar aos céticos de que astrologia funciona. Todavia, lembre-se de que 90% dos céticos são convictos das suas incertezas da existência de Deus e de outros sentidos pré-estabelecidos da existência. Portanto, esteja sereno em suas convicções e, se alguém afirmar categoricamente que astrologia não funciona, não perca seu tempo com eles. Se você sabe que a pessoa não mudará sua opinião e que suas afirmações são apenas para ofender, para que perder seu tempo?

Quando buscamos a aprovação de uma pessoa cética, isso nem seria um sinal de insegurança e/ou fragilidade daquilo que acreditamos; é sinal de uma coisa que antecede a todas as outras: baixa estima. .

Tenho dificuldade de me posicionar perante as outras pessoas, e por isso um blog como este me é muito importante para que posicione adequadamente minhas idéias. O leitor já deve ter percebido que eu tenho idéias muito rígidas sobre alguns temas. Pois o fato de ser inseguro e de ter baixa estima não faz com que eu seja sugestionável o bastante para aceitar as idéias dos outros e de flexibilizar as minhas.

Todo ser humano tem alguma crença, mesmo que seja acreditar que não existe sentido e que o homem deve criá-lo. Todos nós acreditamos em alguma coisa, mas podemos ter medo de afirmar isso perante os outros. Essa insegurança, porém, não é capaz de mudar o que realmente acreditamos. Ela apenas nos coloca em situação de submissão aos de espírito mais forte, que impõe suas opiniões em discussões, geralmente improdutivas.

Em 90% das discussões que se vê por aí, as duas partes não se ouvem e continuam as mesmas quando a discussão acaba. O tipo mais comum de discussão é normalmente improdutivo e demonstra apenas a vaidade dos seus participantes. Ninguém aprende nada com o outro. As discussões apenas se resumem a uma mídia para o marketing pessoal. E não pensem que eu nunca participei de uma pois, como ser humano, mesmo com baixa estima, posso ser muito vaidoso.

Discussões podem ser muito improdutivas quando exigem evidências que você não pode oferecer, mas cuja ausência não é suficiente para abalar suas convicções. Quantas vezes acreditamos em algo que não tem evidência alguma! Todavia, se você percebe que a coisa funciona, mesmo sem uma evidência, não importa o que os outros digam.

Mesmo que não tenhamos evidência da nossa crença, ela pode estar certa. Em algumas discussões improdutivas, cobrarão evidências de você, mas nem sempre as terá. Como um exemplo antigo, falo da aspirina.

Durante mais de 70 anos, as pessoas usavam AAS sem saber qual seria o mecanismo de ação. No entanto, era indiscutível sua ação em cefaléias e outras enfermidades menores. Somente na década de 70 é que se descobriu que a Aspirina atuava nas prostaglandinas.

O fato de não se saber como ela atuava não impediu que médicos e farmacêuticos a usassem frequentemente. Com a Astrologia e outras linguagens simbólicas, acontece a mesma coisa, com o agravante de que talvez nunca saberemos como ela funciona – nada além da hipótese Junguiana de sincronicidade.

Astrologia não precisa do crivo da ciência. Não precisamos coletar evidências e apresentá-las a uma junta de cientistas. Antes, é a “ciência moderna”, uma mocinha de apenas trezentos anos, que precisa provar ser capaz de resistir às intempéries da humanidade, provando ser capaz de se manter, com suas próprias pernas e aridez conceitual. Vejamos se ela sobreviverá ao desencantamento que proporcionou ao mundo nesses últimos séculos.

Impérios e religiões desapareceram, mas a Astrologia vem e volta. Ela assiste à queda de impérios, religiões, filosofias e saberes, impassível. Ela mesma, eventualmente, pode cair. Mas o fato de um saber de mais de cinco mil anos ser retomado de forma muito similar à concepção original reflete a força que ele tem, essa capacidade de superar o julgamento que as pessoas fazem das coisas antigas.

Normalmente, tudo que é antigo tende a ser datado e sua utilidade circunscrita ao período em que foi criado, sendo relegado ao estigma da obsolescência. Foi assim com o arado puxado por animais, a locomotiva a vapor, a fita cassete. Estranhamente, a técnica astrológica está aí, quase intacta, com os estudantes que pretendem ler e praticar aquilo que postulam os autores do período medieval e clássico, seja da Índia, seja do Oriente Médio ou do Império Bizantino.

 

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