Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Parasara: todos amam, poucos seguem.

Muitos Jyotishis tem a incoerência de dizer que seguem fielmente aquilo que Parasara publica no seu tratado de Astrologia, o Brihat Parasara Hora Sastra quando, na verdade, eles seguem apenas parte desse livro, além de deturparem alguns princípios pela simplificação. 
Para um autor dizer que “honra” Parasara seguindo integralmente seus preceitos, ele tem que integrar os seguintes itens na sua análise:
  1. Calcular as pontuações dos aspectos em virupas, e não estimá-los aproximadamente: deixar de ignorar os aspectos que não sejam completos (aqueles com 1/4, 2/4 ou 3/4 de aspecto);
  2. Calcular e interpretar o Shad Bala no seu contexto adequado;
  3. Calcular e interpretar todos os Avasthas (vou fazer um artigo a respeito) e empregá-los num contexto adequado;
  4. Calcular e interpretar os Upagrahas (planetas “imaginários” com ação secundária no mapa, como Gulika, Upaketu, etc.)
  5. Usar todos os mapas divisionais num contexto adequado e a depender da demanda preditiva (exemplo, usar Navamsa em questões de casamento, Dasamsa para grandes feitos da pessoa, etc.)
  6. Calcular o índice auspicioso/inauspicioso (Subha/Asubha) de um planeta.
Normalmente, as coisas acima são omitidas na análise dos astrólogos que dizem seguir Parasara. 

Se acaso o leitor pesquisar sobre os conceitos da lista, notará uma tendência em incluir matemática dentro da interpretação. Talvez por isso, muitos evitem lidar com os temas acima porque, na astrologia contemporânea, só se usa matemática para calcular as posições dos planetas. 

Incluir matemática na interpretação até hoje é mal-visto porque há a idéia errônea de que isso vise substituir o astrólogo por uma calculadora. A intuição, sentido que é menosprezado pela ciência moderna, encontra seu reino na astrologia, e tem uma certa aversão a números. Todavia, os números em Parasara têm um papel acessório, complementar.

Todos os escores que possam ser dados pelas técnicas acima não são capazes de gerar resultados padronizados. Eles apenas indicam estimativas que, para serem interpretadas, a figura do astrólogo é sinequanon. Portanto, esse temor do astrólogo ser substituído por um computador é incabível.

Se a maioria não segue Parasara na sua totalidade, aplicando os escores e todas as outras técnicas acima, quem ou o que influenciou e moldou a Astrologia Indiana como conhecemos hoje? Na verdade, a maioria dos Astrólogos hoje se inspiram (talvez sem saber) em Varahamihira, autor do Brihat Jataka.
Durante muito tempo, Varahamihira e os Astrólogos Medievais da Índia foram decisivos na transmissão escrita do conhecimento astrológico. Isto porque só houve uma edição escrita do BPHS no final do século XIX. Até então, a transmissão do BPHS era oral, mestre-discípulo, o famoso Parampara. 
Somente com a compilação do BPHS em texto é que ele pode ser mais divulgado. Portanto, há séculos esse livro não é tão popular como hoje, e cabe às gerações recentes desbravá-lo “nas trincheiras da prática astrológica”.
Além de ter sido compilado há pouco tempo, historicamente falando, o BPHS tem de vencer uma resistência natural do ser humano ao que seja mais complexo: as pessoas estão familiarizadas com uma versão mais simplificada da Jyotisha (astrologia indiana), que foi difundida na Idade Média, através de textos como o Brihat Jataka, o Jataka Parijata ou o Sarvartha Cinthamani, dentre outros. Aquilo que estes textos apresentam não se comparam em complexidade matemática ao BPHS.
Que fique bem claro que esses textos são muito úteis e nos trouxeram verdadeiras pérolas da Astrologia.”Sarvartha Cinthamani” significa, numa tradução liberal, “a jóia que desceu dos céus para resolver todos os problemas”. Varahamihira, autor do Brihat Jataka, simplesmente foi um dos astrólogos mais influentes da Índia. O Jataka Parijata é uma das melhores compilações de autores que o antecederam. Mas eles não incluem muitos elementos da teoria do BPHS. 
No próximo post, darei uma breve introdução aos Avasthas.

3 Comments»

  Guilherme Alves Pereira wrote @

Ótimo, isso é verdade. Eu inclusive vou me policiar agora pra não dizer que sigo Parasara, geralmente eu procuro confirmar as coisas pelo BPHS… pra ver se já havia sido mencionado pelo Parasara apenas e não cair em invencionismos. Isso é bom pelo fato de que acabamos perdendo menos tempo insistindo em técnicas e conceitos que são aparentemente fracos ou sem um fundamento muito concreto.

  Anonymous wrote @

aonde eu encontro uma literatura sobre isso? b.suffer@gmail.com

  Rodolfo Veronese wrote @

Pesquise e/ou compre o Brihat Parasara Hora Sastra, o livro no qual eu me baseei para escrever esse artigo.


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