Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Desafios do ensino da Jyotisha no Brasil

Quem já leu Parasara, pode ter uma noção que a quantidade de conhecimento da Astrologia Indiana é vastíssima. Isso gera algumas dificuldades para sua transmissão no Brasil. 

Um bom curso de Jyotisha tem de ser extensivo. Dois anos seria um tempo razoável – não para que o aluno domine o conhecimento, mas para que seja apresentado ao material mais relevante e possa entender os conceitos para, daí sim, praticar com segurança.
No Brasil, porém, ainda não temos uma cultura difundida de cursos de extensão em Astrologia. Carlos Holanda mudará esse panorama ao criar em conjunto com a Universidade Cândido Mendes (no Rio de Janeiro) o primeiro curso universitário de Astrologia, com uma base filosófico-histórica invejável e nunca antes vista no Brasil. 
Desejo ao Carlos sorte e, mais do que isso, sagacidade, para criar métodos que mantenham a persistência do aluno brasileiro em levar o curso até o fim. Isto porque a Astrologia, no Brasil, ainda é um bem supérfluo, e seu interesse flutua conforma crises financeiras – sejam elas pessoais ou coletivas.
A maioria dos alunos não usam o que aprendem para fins profissionais, embora muitos deles – eu incluso – tenham plena capacidade de cobrarem pela sua prática. Por não terem a visão de potencial mercadológico desse saber, um curso como esse é encarado como hobby e é a primeira coisa a ser evadida pelo aluno em caso de uma crise financeira.
Diante de tudo que foi exposto, a Astrologia indiana ainda tem de ser dada em doses homeopáticas ao aluno brasileiro, já que há uma probabilidade de evasão alta caso se crie um curso de extensão. 
Para a realidade brasileira, a plataforma de ensino da Jyotisha tem de ser semelhante àquela do “iTunes”, no qual o consumidor paga pela música que ouvir e, no seu próprio passo, ouve todas as músicas do álbum quando desejar, ao invés de comprar de imediato um pacote completo de músicas (embora nada impeça dele comprar o álbum completo de uma vez se quiser).

Por que tanto tempo assim para uma “adivinhação”?

Para quem acha que estou superestimando o tempo de aprendizado da Jyotisha, precisa comparar com cursos no exterior, como o de Sanjay Rath, cuja duração é de quatro anos. Jyotisha não é um saber ordinário.
Como acontece com toda pessoa que se aproxima de um saber desconhecido, criam-se ilusões acerca da Astrologia Indiana. A primeira ilusão é achar que basta aprender o que cada planeta, casa e signo representam para em seguida misturar isso intuitivamente na leitura e já ser considerado um Astrólogo.
De fato, se o currículo do curso somente englobasse esses três elementos, três meses seria um tempo razoável. O grande problema é que não funciona assim. 
Aqui, eu vou apresentar o que seria um esboço de um curso de Astrologia Indiana, sem levar em conta o viés espiritual desta – coisa pela qual muitos me apedrejarão:
  • Grahas: O que eles representam, as muitas dimensões de suas ações, suas funções enquanto karakas e regentes de Casas, sua função no esquema de seis forças (Shad Bala), Drist (aspectos) e o modo de trabalhar com eles, os vários tipos de Avasthas.
  • Rasis e Bhavas: Significados dos bhavas em várias dimensões da existência (física, social, psicológicas). Os Rasis e sua função; O contraste e a diferenciação entre as funções dos Rasis (Signos) e Bhavas (Casas); os sistemas de Casas que levam em conta os quadrantes; o sistema de Signos Inteiros.
  • Mapas divisionais: abordar as diversas maneiras de se trabalhar com eles (incluindo as escolas que entram em conflito umas com as outras), como calculá-los (não dando tanta ênfase à matemática, pois temos computadores capazes de calcular os mapas em milésimos de segundos).
  • Grahas interagindo com Bhavas e divisões: Como conjugar o conteúdo das duas partes acima para esboçar uma interpretação.
  • Yogas: Nabhasa Yogas, Yogas com resultados específicos (em temas como casamento, filhos, etc).
  • Técnicas preditivas: Vimshottari Dasha, Dashas Acessórios, Yogini Dasha, Kalachakra Dasa: Como usá-las?
Se fizesse um curso de Astrologia Indiana que pudesse abarcar toda a teoria básica dada no Brihat Parasara Hora Sastra, considero que um ano, com aulas semanais ou quinzenais, seja o mínimo. Mesmo assim, o aluno sairia dessa maratona ainda um pouco confuso sobre como aplicar tudo isso, requerendo mais um ano de prática diária.
Mesmo assim, não seria dada Muhurta, Jaimini, nem Tajika, pois cada uma dessas consome um tempo importante que distrairia o aluno do foco em Parasara.
Somente levando-se em conta todos os itens acima é que o aluno terá um alicerce razoável de Jyotisha – disse razoável. Só que, por incrível que pareça, Parasara não é a melhor maneira de começar

Jaimini, simples e genial.

Se alguém me perguntasse hoje: Rodolfo, estou começando do zero a aprender astrologia e queria aprender um estilo coeso e que vise resultados práticos nas previsões, sem muito foco no comportamento. Pelo subtítulo, você já deduziu que eu indicaria a esse neófito o aprendizado de Jaimini.
Jaimini é conciso e belo. Pode ser dado num curso no formato que eu disse acima (tipo “iTunes”), mas, melhor ainda – pode virar um livrinho muito útil e conciso, daqueles que você pode levar a qualquer lugar consigo.
Jaimini não depende de uma interpretação matemática como Parasara, o que o torna muito mais acessível para quem nunca teve de lidar com Jyotisha. 
Existem várias técnicas de Parasara que levam em conta pontuações, escores que medem a capacidade de um planeta em diversos contextos. O aluno tem ao menos de aprender como se chega a esses escores, o que pode assustar os desprovidos de treinamento matemático quotidiano. 
Em Jaimini, nada disso é usado, se assemelhando nesse sentido à Astrologia Ocidental, pois considera apenas aspectos e posicionamentos de planetas em relação a Casas – sendo essas Casas contadas não em relação ao Ascendente (Lagna), mas sim em relação ao Atmakaraka e aos Padas (chamados por outros de Arudhas). Por exemplo, planetas na primeira casa dos Padas ou do Atmakaraka dizem muito a respeito da profissão da pessoa – talvez a maneira mais fácil de se deduzir a profissão de alguém pelo mapa natal.

Contrastando os resultados proporcionados pelas técnicas com a simplicidade delas, Jaimini é a Astrologia mais genial, pois gera resultados complexos com análises simplificadas.
Eu tenho muita vontade de escrever um livro sobre Jaimini, mas isso vai depender de uma série de coisas, principalmente de fortificar meu mercúrio em queda, que é péssimo para por as coisas em prática. Mas é uma idéia que sempre me vem à mente.
Talvez você esteja pensando que eu seja alguém muito experiente em se tratando de Astrologia para escrever um livro. De fato, não sou, mas se não divulgar o que sei, o conhecimento não ganha adeptos e não se enriquece para representar a realidade brasileira. Vamos nos esforçar para que a Jyotisha não represente apenas tigres e elefantes, mas tamanduás-bandeira, onças pintadas…

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