Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Julgando horárias para si mesmo

O maior cliente das horárias que faço sou eu mesmo. Tenho um grande banco de dados com todas as minhas perguntas, o que me permite analisar as teorias astrológicas que funcionam e as que não funcionam pelo estudo retrospectivo dos mapas que levantei.

Essa é a melhor consequência de se praticar horária: quando você souber o desfecho da pergunta, saberá a verdade da astrologia e desmentirá qualquer regra furada criada em dois mil anos de tradição.
O grande problema de se fazer horárias para si é a ansiedade. Enquanto a questão não se resolver, talvez você fará a mesma pergunta mais de uma vez. E aí que você pode se deparar com um funcionamento fascinante do céu: quase todas as vezes em que eu levantei um mapa novamente para uma questão já levantada antes, o segundo mapa geralmente deu a mesma resposta. Só que nem sempre foi assim… e controvérsias surgiram…
Masha’Allah dizia que não é bom que o astrólogo faça mapas para si mesmos, mas eu acredito que isso tenha uma razão mais lógica. Na época de Masha’Allah, o astrólogo tinha o céu do momento memorizado na sua cabeça. Essa memorização trazia o perigo do astrólogo manipular o melhor momento de se fazer uma pergunta para se obter o melhor resultado, estragando o fator ‘aleatoriedade’ que garante o sucesso de qualquer oráculo. Eu nunca levei essa regra a sério porque tenho uma amnésia celeste constante e sempre tenho de ver o céu do momento em programas de computador…
E quando houver controvérsia, qual deles será o correto? O primeiro ou o segundo mapa? Esta é uma questão cansativa e, a meu ver, desnecessária. Tanto na primeira quanto na segunda, se você não usou um horário fundamentado, a chance do mapa dar errado é maior.
Atenção: As regras abaixo são aplicáveis apenas às horárias que você julgará para si. Para horárias solicitadas por clientes, mantém-se a regra tradicional do horário em que o astrólogo toma conhecimento da pergunta.

O instante da pergunta precisa ser bem fundamentado e a melhor maneira de você escolhê-lo, se fizer uma pergunta que você mesmo responderá, é anotar o horário em que o problema surgiu de um modo mais concreto.
Por exemplo: se você estiver se divorciando e precisar alugar um apartamento, certamente vai colocar como o instante da pergunta o momento em que ela surgiu na sua mente. Essa abordagem pode funcionar muito mas, se você quer algo mais palpável, experimente a data e a hora em que a questão surgiu por você e o ex-parceiro numa discussão, ou a hora do primeiro contato com a corretora.
Um outro exemplo é quando você está com vontade de comprar um carro. Vai pensar nisso a cada minuto se for um apaixonado por carros, então perderá completamente o referencial de um horário fidedigno. A melhor coisa seria o horário em que vai à concessionária de veículos ver um carro em potencial. Essa abordagem é melhor porque há uma atitude palpável, que é a ida à concessionária e o contato com o vendedor. Além disso, pode especificar a pergunta ao carro que está vendo no momento, a menos que sua pergunta seja “um dia terei um carro?” – coisa aliás que não recomendo. Para perguntas inespecíficas assim, é melhor estudar o mapa natal…
Nessa técnica, é importante que a aleatoriedade esteja sempre presente. horários rotineiros ou agendados tem uma chance muito maior de não representarem fidedignamente a questão.
Muitas pessoas lhe pressionarão a julgar o horário em que eles fizeram a pergunta a si mesmos, mas essa abordagem é errada a meu ver. Isso surgiu no orkut brasileiro, não corresponde à prática tradicional e caso o cliente insistir no horário dele, você pode sugerir que ele mesmo interprete a horária…

4 Comments»

  Lívio Nakano M.D. wrote @

Me pergunto por quais técnicas que não funcionaram pela tua experiência pessoal, já que mencionou ;-)Dentro da "aleatoriedade", não é também tanto ou até mais aleatório, o momento que tenha tempo para se sentar e levantar a carta ?

  Giuseppe Amado wrote @

Oi Rodolfo,Sempre leio seu blog. Acho que quase desde 2005/2006. Parabéns.O questionamento sobre julgar horárias para si acho bem pertinente. Até pouco tempo tinha essa dificuldade e o "orkut brasileiro" me atrapalhou bastante no início.Após apanhar bastante, hoje faço o seguinte: só levanto a carta quando tenho tempo para lê-la em frente a um computador. Ou seja, somente quando posso me concentrar na leitura do mapa horário, fazer consultas a livros, etc. Mesmo que a questão tenha surgido semana passada.Na emergência, utilizo um programa astrológico no meu celular Android. Mesmo assim, só levanto o mapa se tiver um momento de calma para ler e tiver certeza que casas posso atribuir os elementos da questão.Evito também memorizar o posicionamento dos astros no céu, justamente para manter a aleatoriedade. Estas são os meus direcionamentos atualmente. Tem funcionado super bem.AbraçoGiuseppe

  Rodolfo Veronese wrote @

@Lívio: aprendi coisas muito simples e muito importantes na horária, como o funcionamento de planetas retrógrados. A tradição astrológica tem ruídos de comunicação e pelo estudo das horárias nós separamos o joio do trigo. Nessa experiência, porém, tenho percebido que a tradição mais correta está em três autores: Abu Ma'Shar, Masha'Allah e Sahl bin Bishr. O resto é deturpação ou repetições do que está acima, mesclado com confusões.Se você me perguntar o que deu errado, eu diria que confesso não me lembrar do que deu errado, mas sim do que deu muito certo até hoje, que é a técnica de Masha'Allah. Essa técnica é simples e ignora a priori regências de casas. Se o significador do ascendente se aplica a um benéfico a questão tem uma resolução positiva. Caso seja um maléfico, a questão só se resolve se ele reger a casa de interesse mas, mesmo assim logo após o início ela é destruída.Sobre a segunda pergunta: o problema de se abrir a horária no horário em que se está livre dá margem a redução da aleatoriedade. Se você sempre estiver livre depois das sete da noite o sol estará sempre abaixo do horizonte e vc terá sempre os mesmos planetas regendo o ascendente em determinada época do ano. É preciso deixar o céu livre para agir criativamente na simbolização da sua questão.

  Rodolfo Veronese wrote @

@Giuseppe: o seu procedimento é um pouco comum para mim, pois sempre temos mais idéias de lançar horárias quando estamos a frente do computador.minha sugestão para se analisar o horário do evento concreto serve apenas para tornar a horária mais fácil de ser julgada. A minha experiência mostra que horárias do momento em que ocorre a consciência do problema que impele a pergunta são muito mais fáceis de serem lidas do que horárias feitas para o momento em que você estiver livre ou puder sentar para interpretá-la.Agora eu tenho o Jyotish Tools no meu celular android, que faz horárias usando as coordenadas do GPS do local onde estou, instantaneamente… Não tenho mais desculpas, rs.


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: