Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Pra você não se assustar muito com astrologia indiana

Eu estou meio perdido para tentar passar ao leitor o que aprendo. Talvez por isso tanto tempo sem postar aqui…
Eu vou tentar passar brevemente um resumo do que você deve esperar da astrologia indiana. Sem dúvida ela é a astrologia mais complexa que surgiu na face da Terra, mas você precisa começar direitinho senão será tão medíocre quanto qualquer outra.
A maioria dos elementos da astrologia indiana funcionam de um modo muito similar aos da astrologia ocidental. A diferença reside nos meios. Por exemplo, os aspectos: eles são computados de forma diferente. Você pode não entender como eles são computados e ainda assim praticar
astrologia, desde que você aceite as coisas como elas são sem questionar muito. Na verdade, qualquer livro introdutório decente tende a explicar os rudimentos da teoria.
Por exemplo, existem dois tipos de aspecto:
  • Aspecto por signo
  • Aspecto planetário
Os aspectos por signo são “tudo ou nada” e recíprocos. Capricórnio aspecta Leão e vice versa (taí a reciprocidade) sendo o aspecto de 100%, ou seja, ou se aspecta completamente ou não. É tudo ou nada. Se um planeta não estiver em Leão, mas em Câncer, este signo não aspecta Capricórnio e logo o aspecto é de 0%.
Os aspectos planetários não são recíprocos e podem ser parciais. A parcialidade do aspecto é numericamente observável – o aspecto completo recebe 60 pontos (virupas) e os parciais uma medida inferior a essa. Quando digo que o aspecto não é recíproco, podemos ter casos nos quais Júpiter aspecta a Lua, porém a Lua não aspecta Júpiter.
Os aspectos planetários são usados principalmente na astrologia de Parasara, em técnicas preditivas. Os aspectos de signo na astrologia Jaimini e para vermos ‘yogas’. O yoga é uma combinação de planetas que indica algum traço comportamental ou mundano da vida da pessoa, e por isso os yogas são vistos por aspectos de signo, pois são tudo ou nada: ou a pessoa é assim, ou não é.

No exemplo da foto você pode ver o meu mapa calculado sob diferentes subdivisões do zodíaco. No canto inferior direito pode ver que estou vivendo o Dasha da Lua. Os dashas são divisões do tempo cuja administração é atribuída a um planeta do mapa natal. O planeta administra um determinado período de tempo e é pela avaliação da sua condição que avaliaremos como estará o indivíduo naquele tempo.
Na tabela ‘aspects to Bhava Chalita‘ podemos ver os aspectos que os planetas fazem às cúspides das casas. Como esses aspectos são avaliados numericamente, dá pra ver que estamos falando de aspectos planetários. A Lua é um planeta que aspecta fortemente a cúspide da casa 8, com quase 60 pontos (52 no total). Isso significa que ela influencia grandemente a Casa 8 e terá um papel importante sobre ela durante todo o período em que o Dasha da Lua estiver ativo.
Nós vamos analisar a Casa 8 como um exemplo porque a Lua aspecta ela com mais força do que as outras, entretanto, a influência da Lua se estenderá a qualquer casa que ela aspecte, em maior ou menor grau.
A Casa 8 não fala necessariamente de morte, mas sim de vitalidade. Se estiver bem disposta, a pessoa tem muita vitalidade, a capacidade de resistir a doenças e a riscos de vida. A casa 8 também fala de crises e transformações, que podem ser excelentes ou péssimas para a pessoa em qualquer sentido, do material ao espiritual. Independentemente da qualidade das transformações, o indivíduo quase sempre não está preparado para elas e, com isso, ele tem de se adaptar rapidadamente. É uma casa de estresse devido a isso.
A qualidade das transformações é indicada pela disposição da Lua. Se a Lua estiver em boa dignidade, as transformações serão boas e trarão ganhos, ainda que a pessoa não as espere nem esteja preparado para elas. Se ruim, o indivíduo, além de não estar preparado, sofrerá despesas, prejuízos e terá grande estresse na adaptação.
Agora, a questão que mais diferencia a astrologia indiana da ocidental são as diferentes dignidades que um planeta pode ter. É que se divide um signo de várias formas diferentes e se alocam signos a cada uma dessas divisões. Os mapas que você vê na figura – além do número ‘1’ – são todos oriundos dessas divisões.
O mapa que está com o número ‘1’ no seu centro é o mapa natal que é criado da mesma forma que o mapa ocidental. Ele é exatamente o mesmo, sem tirar nem por. Os outros mapas, porém, são criados baseados na posição dos planetas do mapa ‘1’ (chamado de Rasi, ou seja, ‘signo’). O mapa natal indica o corpo físico do nativo ou de qualquer pessoa que o mapa represente. Como sabemos, cada casa do mapa natal indicará um tipo de pessoa. Assim, o mapa natal tem importância principalmente para a saúde do indivíduo e de todos os seres humanos que ela representa – os pais, os filhos, irmãos, etc.
Agora, vamos dar exemplos de como as divisões funcionam. Se um mapa tiver no seu centro o número ’40’, isso significa que ele é criado baseado na divisão do signo em 40 partes iguais, alocando-se a cada uma dessas partes um outro signo. Assim, a Lua no mapa ’40’ está em Capricórnio porque o signo natal dela, Touro, ao ser dividido em 40 partes iguais (30°/40) faz com que o pedacinho no qual cai a Lua seja regido por Capricórnio. É simples assim.
Cada maneira de dividir um signo tem um significado, que é deduzido pela natureza do número. Geralmente, uma pista para saber o que o número representa é subtrair dele múltiplos de 12. O resto inferior a 12 revelará a casa que mais tem a ver com a divisão e da qual ela extraiu seu significado. Por exemplo, no mapa 40, a casa que mais tem a ver com ele é a casa 4, pois 36 (12×3) – 40 = 4. No mapa 45, é a casa 9, pois 45 – 36 = 9.
Avaliando o simbolismo do mapa 45 (ashkhavedamsa), ele representa ‘coisas auspiciosas e inauspiciosas’. Se o planeta estiver em muito mal estado nesse mapa, então a pessoa passa por eventos muito trágicos de acordo com a natureza do planeta e o que ele representa. Caso contrário, os eventos são muito bons. A casa 9 – da qual a divisão origina seu significado – representa, dentre outras coisas, a sorte que uma pessoa tem na vida.
No mapa 45 (o último do canto direito da tela), a Lua está em Escorpião. Recentemente, tenho considerado que a queda da Lua não está no signo inteiro de Escorpião, mas sim no terreno que vai de 0° a 3°. Desse intervalo em diante, a Lua está em signo de planeta naturalmente neutro para ela (marte, regente de Escorpião). Temporariamente, a relação da Lua com Marte vai depender da distância em que marte estiver em relação à Lua no mapa natal.
No mapa natal, marte está a seis signos de distância da Lua, uma posição inímica. Portanto, sendo marte naturalmente neutro em relação à Lua e temporariamente inímico, ao combinarmos as duas relações nós concluímos que marte é inimigo da Lua e esta, portanto, se encontra em signo de planeta inimigo. No mapa 45, a Lua está, portanto, em signo de planeta inimigo.
Quando um planeta está em signo de um inimigo, ele não consegue produzir coisas auspiciosas conforme sua natureza. Segundo Parasara, um planeta em signo inimigo produz apenas 4 pontos de resultados positivos contra 56 de negativos. Não é de se esperar que a lua não seja trágica. Ao contrário: com essa disposição ruim, a Lua provavelmente representará um evento trágico.
Agora, resta saber que evento trágico será. No mapa natal a Lua rege a Casa 4 e é karaka da Mãe. São dois testemunhos a favor de questões maternas. A Lua está no segundo signo e isso fala a favor de responsabilidades. Talvez o nativo tenha que cuidar da mãe.
No mapa 45, a Lua está no quarto signo e, portanto, indica coisas que são prontamente realizadas, com o investimento ativo e rápido do nativo. A Lua nesse mapa não rege nenhuma cúspide de casa em particular, porém rege o décimo segundo signo a partir do Ascendente. Isso significa que há um elemento de sacrifício (12º signo a partir do Ascendente) ligado a atmosfera familiar (quarto signo).
Esse será o tal evento trágico que pode acontecer, provavelmente no Dasha da Lua, que vai de 2008 até o final de 2017. Nesses 9 anos, dos quais 3 são passados, ainda não ocorreu este tipo de evento. Existem maneiras de se refinar o tempo, mas elas são um pouco extensas para serem tratadas aqui.

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