Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

o que os planetas representam em cada situação?

Com alguns anos estudando astrologia, é interessante que sempre voltamos aos princípios básicos.

Não importa a técnica que você usar, se não souber o que os planetas representam no contexto da técnica, palavra alguma sairá da sua boca na hora de dar o prognóstico. E essa é a parte mais misteriosa da astrologia. Curiosamente como disse, a parte mais simples dela também.
Quanto à manifestação do símbolo, os mestres são lacônicos. Os símbolos planetários podem se manifestar numa profusão de possibilidades tamanha, que só resta o astrólogo entremear cada prognóstico com a expressão ‘pode ser’.
Alguns tentam fugir desse dilema tentando especificar a manifestação do planeta pelas casas que ele rege. Assim, se Júpiter estiver relacionado à casa 5, há uma chance maior do evento estar relacionado a crianças, pois Júpiter as representa naturalmente. Mesmo assim, isso esbarra numa série de poréns, e só resta ao astrólogo colar mais um ‘pode ser’ no início da frase.
Longe de ser a solução ideal, só nos resta escolher aquilo que o planeta tem mais a ver com o tema interpretado. Assim, se a Casa 4 rege o reino emocional (pelos indianos), o que seria Júpiter ligado a essa casa? Como eu disse, pode ser muitas coisas. De qualquer forma, o fato das possibilidades serem grandes não implica serem a maioria falsas. Muitas delas podem ser completamente verdadeiras.
O astrólogo tem que saber o que os planetas representam em várias dimensões da vida. Conhecendo de antemão essas categorizações, ele as adapta à casa na qual recai a influência do planeta. Assim, será mais fácil descrever o que o planeta representa.
Em primeiro lugar, é necessário distinguir a dimensão-tema que a casa indica. Uma única casa pode ser abordada sob várias dimensões. Tomemos por exemplo a casa3. Numa dimensão mais abstrata e subjetiva, ela representa as habilidades técnicas da pessoa e sua capacidade de competição (pela astrologia indiana). Numa dimensão mais relacional, ela representa o irmão imediatamente mais novo do nativo.
O que seria júpiter influenciando a casa 3? Se você não souber a dimensão mais etérea do planeta, pode errar feio. Num sentido mais abstrato, Júpiter na 3 ou a aspectando dá habilidades técnicas jupiterianas. Uma delas pode ser a capacidade de aconselhamento e de ver as coisas num sentido mais geral. Perceba que estamos abordando uma dimensão muito subjetiva da Casa 3, coisa incomum de ser ver por aqui, num blogue tradicionalmente ligado à astrologia medieval.
Quanto à capacidade de competir, esse indivíduo não será competitivo – preferirá o ‘fair play’ se a competição for indispensável. Somente planetas benéficos nas casas de competição e luta – a 3 e a 6 – representam que a pessoa é santa. Isso está presente em mapas de diversos mestres indianos e santos cristãos.
A astrologia medieval e indiana é muito objetiva. Elas tentam ver no mapa as coisas mais palpáveis a olho nu, embora também haja dentro da indiana a preocupação de se conhecer o indivíduo internamente – sendo uma preocupação pouco comum dos autores modernos, embora os princípios mais subjetivas de cada casa já estejam sinalizadas na obra de Parasara.
De fato, o mapa natal representa não somente as pessoas ao redor do nativo, suas circunstâncias de vida. Ele representa a subjetividade do nativo, sua mente e seus costumes – mesmo que você não aborde isso numa consulta, isso está lá, escondido no mapa.
Para que o astrólogo saiba o que cada planeta pode representar em cada dimensão que ele estudar na vida da pessoa, um conhecimento prévio das manifestações planetárias é essencial. Existem vários livros com esse papel, mas eu citaria três, com seus respectivos links:
  1. Graha Sutras: um livro baseado no capítulo sobre os planetas, do Brihat Parasara Hora Sastra. Ensina-nos a identificar o que cada planeta representa na maioria das dimensões de vida terrestre – emoções, manifestações terrestres, elementos, etc.
  2. Introductions to Traditional Astrology – A introdução dá as descrições dos planetas conforme a Grande Introdução de Abu Ma’shar. Compilado por Benjamin Dykes.
  3. The Book of Instruction in the Elements of the Art of Astrology – escrito por Al-Biruni, é o livro medieval com a maior lista de características dos planetas em várias dimensões da vida. Recomendadíssimo. Há uma versão em português com somente as Características dos Planetas que pode ser baixada de graça na barra “BOX” lateral a essa coluna, no blogue, ou clicando-se aqui.

1 Comment»

  Mateus L wrote @

Belo post irmão! É difícil encontrar alguém que fala de astrologia tão bem e com tanta prudência como você!

No que diz respeito à “De fato, o mapa natal representa não somente as pessoas ao redor do nativo, suas circunstâncias de vida. Ele representa a subjetividade do nativo, sua mente e seus costumes – mesmo que você não aborde isso numa consulta, isso está lá, escondido no mapa.”
Eu acredito que as circunstâncias da vida surgem por causa dos costumes e subjetividade do nativo. Exemplo: Eu já vi em alguns blogs de astrologia védica (somostodoum, por exemplo) e em alguns outros blogs caseiros que a posição de jupiter em câncer indica família rica. Mas júpiter não fica 1 ano em câncer? então num período de 1 ano só nascem pessoas ricas?
E essa idéia de que a passagem de um planeta por um signo é tão demorada que é impossível relativizar afirmações externas ao nativo é praticável com todos planetas menos a lua, que permanece apenas 2 dias num signo. mercúrio e venus já permanecem de 15 a 20 dias, então afirmações como a de que venus em libra ou touro traz beleza, já é difícil de sustentar, por exemplo, embora muita das vezes sejam verdade. Fala mais de harmonia mental e gosto por coisas que lhe dê a sensação de estar em uma situação agradável, que pode ser tanto beijar muito na boca e sentir os amantes ao seus pés, como cuidar de um só amante que lhe trate muito bem.

Essas afirmações são muito perigosas.
Eu por exemplo tenho regente da casa 5 na 12 e os sábios indianos falavam que isto significa um desperdício da última vida. Bela afirmação não?
Será que eu fui o que? Um ladrão ou um estuprador? Pelo amor de Deus, não? Quem é ele pra afirmar que em outra vida eu fui algo ruim?
Muita pré-potência, não acha?


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