Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

maléficos e benéficos

Eu sou uma pessoa otimista. Acho sinceramente que a maioria das questões que causam rixas entre os astrólogos não passam de mal entendidos. Também penso que podemos, numa interpretação astrológica, enfatizar as coisas boas. Só que isso não significa que devemos ignorar eventos que possam causar preocupação e dano ao consulente.

Uma dessas coisas que nos ajudam a distinguir se os eventos serão agradáveis ou desagradáveis é o conceito de benéficos e maléficos. Antes de rebatermos as críticas dos astrólogos medievais, vamos perceber que planetas são maléficos e quais são benéficos:
  • Posto da maneira mais simples possível, na Astrologia Medieval Ocidental Marte e Saturno são maléficos e o restante dos planetas são benéficos até que se provem o contrário na análise do mapa.
  • Os indianos colocam junto a Marte e a Saturno como maléficos, também aos nodos, o Sol e a Lua, caso esta se encontre minguante.
  • Na Astrologia medieval, o Sol pode ser considerado maléfico se estiver muito perto dos planetas. O Sol queima os planetas que estiverem a menos de sete graus dele. De longe, porém, o Sol não causa mal.
Até aí, nada demais. Já temos a lista de benéficos e de maléficos. Resta saber o que fazer com esses conceitos, e entendermos por que ele pode ser alvo de críticas.
Os astrólogos modernos criticam o pessimismo da leitura astrológica feita pelos astrólogos medievais. Aproveitando o ensejo, eles criticam o conceito de maléficos e benéficos como se fosse um instrumento para o sombrio astrólogo clássico vaticinar seus prognósticos sadomasoquistas.
Eu nunca tive meu mapa interpretado por um astrólogo medieval, mas creio que exista pessoas assim, meio sombrias mesmo, que só vêem desgraça no mapa. A questão é se esse tipo de pessoa está somente no meio astrológico clássico ou se também podemos ver gente que fala besteira usando Urano, Netuno e Plutão, Eris e os asteróides. Estou certo de que a segunda hipótese seja mais evidente na minha experiência. O sadismo do astrólogo independe da sua técnica.

Esquecendo o sadismo inerente ao astrólogo, há um certo entendimento errôneo da astrologia clássica que pode gerar o seguinte:

Quem não entende bem Astrologia Clássica, fica pessimista.
Quem a entende por completo, fica realista.
O conceito de maléficos e benéficos serve para nos mantermos alertas em relação às coisas que todo ser humano não gosta muito. Antevendo essas coisas, o consulente pode se preparar, mesmo que só emocionalmente, para os eventos.
A Astrologia Medieval não é somente um sistema para vermos o que é melhor em cada ser humano. Ela vê o ser humano e sua experiência de um modo completo, com toda a dose de dor a gozo que isso possa ter.
A vida, posta de um modo simples, tem momentos que são agradáveis, e outros que são difíceis. Sentimos dor, prazer, ódio, rancor, alegria, tristeza, paixão, etc. Temos riquezas, carros, casas confortáveis, mas também temos miséria, fome, doenças, feridas, carências de toda sorte.
Como a Astrologia concebida pelos antigos era um sistema de representação da REALIDADE, ele tem que representar todas essas facetas da vida, toda essa miríade de sentimentos, sensações, emoções, experiências, objetos.

A experiência milenar dos astrólogos de uma vasta área da Eurásia – da Índia à Europa medieval – fez com que a lista de correspondências planetárias se sedimentasse nos livros, com poucas variações. Com o passar do tempo, um certo maniqueísmo passou a dividir os planetas em duas categorias:

  • Os planetas que indicam experiências desagradáveis e/ou extenuantes, sentimentos intensos e que fazem o nativo se sentir mal, práticas moralmente condenáveis, lucros obtidos por meios escusos.
  • Planetas que indicam experiências agradáveis, fáceis, moderadas, que trazem bem estar, práticas moralmente aceitas.
Eu pergunto ao leitor se essa divisão não passa de uma dedução lógica do que desagrada os seres humanos ou não.

A crítica dos astrólogos modernos ao conceito de maléficos parece residir na estereotipia dos planetas. Para eles, seria possível sentir as mesmas coisas de um benéfico mas incorporadas num maléfico, e vice-versa; logo, o rótulo não procede.

Quanto ao que eles falam, não há nenhuma novidade… A própria astrologia medieval ensina que, se o maléfico estiver em bom estado, ele pode produzir vitória e ganhos à pessoa, porém os ganhos nunca serão produzidos de um modo suave. Da mesma forma, benéficos em mal-estado produzem problemas, só que eles virão por meios agradáveis. Seria aquela bela refeição, que vem envenenada…

Essa crítica à astrologia clássica, para mim, só mostra a falta de domínio que esses astrólogos tem dos significados dos planetas, uma das coisas mais básicas da astrologia. Embora eu concorde que dois planetas diferentes possam conseguir o mesmo objetivo, Vênus NUNCA produzirá a mesma coisa de uma forma igual a marte, e vice-versa. A mesma coisa com qualquer outra comparação de planetas que você realizar.

Ora, se maléficos podem fazer bem e benéficos podem fazer mal e, se os astrólogos medievais já sabiam disso, qual o propósito da divisão? Vou apresentar o exemplo do planeta marte e talvez será mais fácil distinguirmos.

De fato, marte pode indicar coisas muito boas. Uma delas é atividade física, esporte. Fazer atividade física é muito bom, mas eu pergunto ao leitor se inicialmente isso lhe será agradável. Decerto que não.
A atividade física, algo estritamente marcial (embora alguns defendam que seja jupiteriano) não causa mal ao ser humano, desde que seja feita moderadamente, de modo a não causar lesões musculo-articulares. Entretanto, se atividade física fosse algo prazeroso à primeira vez, decerto que não teríamos essa massa de sedentários que assolam os países industrializados.
Talvez as pessoas que criticam o conceito de maléficos não percebam que o astrólogo medieval não está alheio a sutilezas como a mencionada acima. Temos consciência disso e nos esforçamos em diferenciar as sutilezas. E todas essas críticas seriam menores ou desapareceriam se os astrólogos modernos soubessem de que nós temos consciência da seguinte diferenciação:
Os benéficos são sempre experimentados como coisas agradáveis, mas nem sempre essas coisas fazem bem, como o açúcar.

Os maléficos são sempre experimentados como coisas desagradáveis, mas nem sempre fazem mal, como atividade física e força de vontade.

Acredito que o melhor lado dos maléficos seja a insensibilidade que eles causam. Com o tempo, a pessoa pode sentir falta da atividade física que inicialmente causava tantas dores.

Marte e Saturno não serão ruins em qualquer mapa, mas até as coisas melhores que eles podem proporcionar vem acompanhadas de dor, sacrifício, conflito, dispêndio e energia e solidão.

Aqui, o conceito de benéficos e maléficos é usado não para discernir entre o mal e o bem, mas entre o agradável e o desagradável.

E é por isso que sou otimista, porque as palavras podem confundir se as pessoas usarem sentidos diferentes para elas num diálogo. Na astrologia medieval, os termos ‘maléfico’ e ‘benéfico’ são confundidos com suas acepções modernas da palavra. Qualquer pessoa hoje pensará que uma coisa maléfica faz muito mal, o contrário com uma coisa benéfica.

Na verdade, na astrologia clássica, essas duas palavras extrapolam o sentido moderno, porque podem representar não somente coisas que fazem bem ou mal ao ser humano, mas também coisas que consideramos agradáveis ou desagradáveis.

Júpiter e Vênus são coisas agradáveis, mas nem sempre são boas à saúde. O sabor de Júpiter é doce e, se ele estiver mal posicionado na figura, os doces podem fazer mal ao nativo.
Saber quando um planeta pode ser bom à pessoa depende de vários fatores, e graças a Deus todos eles passam longe de se ter intuição.

Benéficos regendo casas ruins da figura e mal posicionados e em aflição dos maléficos podem indicar coisas agradáveis que fazem muito mal, mesmo sendo experimentados de um modo bom ou por meio de uma pessoa que não seja (em tese) seu inimigo.

Maléficos regendo casas boas da figura e bem posicionados e sem aflição dos maléficos podem indicar benefícios por intermédio de faculdades pessoas que os separa da maioria, como conflitos, disciplina, solidão.

A astrologia representa a realidade. Muito cuidado com pessoas que não querem percebê-la, criando um mundo cor de rosa onde tudo são potenciais maravilhosos. Na maioria das vezes, um potencial é somente uma coisa que tem potencial de acontecer, mas que pode nunca surgir.

3 Comments»

  Ronaldo Lima wrote @

Olá, Rodolfo venho acompanhando os posts do seu blog e isso tem me ajudado bastante nos estudos astrológicos.Obrigado!E a propósito, como fica a classificação em benéfico ou maléfico caso o planeta em questão seja o regente de uma casa boa e de outra ruim? Depende do próprio estado e posicionamento dele ou o planeta passará a uma condição ambígua?

  Rodolfo Veronese wrote @

Demorei mas cheguei… Fico feliz por ser útil.Uma boa pergunta, Ronaldo. São duas coisas diferentes que acontecem com o mesmo objeto: a natureza de um planeta e a(s) casa(s) que ele rege.1)Quando queremos analisar uma casa, nos preocupamos com o papel do planeta enquanto regente dela, em descrevê-la, porque o regente é a causa da casa. Por exemplo: se Júpiter rege a 8, a pessoa pode morrer por coisas boas, significadas por Júpiter: dinheiro, crianças, magistrados, gurus… De qualquer forma, ele morrerá! Júpiter não livra a pessoa da morte, mas a experiência da morta passa pelo filtro de Júpiter! Assim sendo, a casa regida por benéficos não muda seus significados. A pessoa só sofrerá devido a coisas ditas boas ou agradáveis… De qualquer forma, morrer por coisas representadas por Júpiter ou Vênus pode ser bem agradável, não acha? A morte ganha uma qualidade mais suave, mais benéfica.2)Quando analisamos o envolvimento do planeta com outros planetas ou sua posição por casa, sua natureza essencial é levada em conta. Um planeta que se une a benéficos tem sua questão(a casa que ele rege) promovida, mesmo que os benéficos possuam regência sobre uma casa ruim da figura. Em astrologia horária, as coisas tendem a ser assim, simples. Em natal também, só que nesse caso há muitos planetas a serem analisados simultaneamente de modo a se avaliar qual o testemunho mais importante.

  Ronaldo Lima wrote @

Obrigado por responder, Rodolfo!


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