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Interpretando os planetas em relação às casas

Quando começamos a estudar mais a fundo a astrologia natal, os planetas recebem muitas informações complementares. Com o tempo, essas informações podem tomar o lugar do que seria mais importante, que são as características essenciais dos planetas. Assim a astrologia fica empobrecida, se comparada ao potencial que ela possui.

As casas caem em signos, e os signos, como sabemos, são regidos por planetas. O que significa ‘reger’? Ao invés de descrever o termo, vou dar exemplos de como uma regência funciona. Assim você descreverá o conceito a sua maneira.
Só o fato de um planeta reger uma casa já porta consigo uma informação importante a ser interpretada, independentemente da casa que o planeta ocupar. O grande problema é que as pessoas – eu incluso – tendem a pular essa etapa e a ver onde o ‘regente da casa tal’ se encontra no mapa. Isso empobrece a interpretação e omite pistas preciosas.
A etapa importante que nós costumamos omitir vem a seguir:
  • Primeiramente, devemos pegar os significados essenciais do planeta que tenham a ver com a casa que ele rege. Por exemplo, se júpiter reger a casa 2, com certeza ele faz menção a dinheiro na sua forma mais ‘pura’, pois ele é significador essencial de dinheiro. A mesma coisa acontece com Júpiter regendo a 5 faz menção clara a crianças porque ele é significador essencial de crianças.
Se o planeta não possui nenhum significado claramente relacionado a casa, devemos proceder da seguinte forma:
  • As experiências que o planeta representa serão vivenciadas pelo nativo através das casas que o planeta reger.
  • Além disso, o planeta se torna um descritor das coisas que a casa representa.
Por exemplo: marte regendo a casa 5 significa primeiramente que o nativo experimentará conflitos, viagens, rapidez, cortes, feridas e cirurgias dentro do tema ‘crianças’. Trata-se de uma pletora de significações a serem confirmadas. Ele não experimentará tudo isso: é necessário vermos no mapa o que será mais comum pela posição de marte.
Se marte estiver em bom estado zodiacal (domiciliado ou exaltado ou em seus termos ou em sua triplicidade), o sujeito experimentará vitória nessas coisas. Caso contrário, derrotas e prejuízos.
Além de tudo que foi dito acima sobre marte, chegamos ao segundo ponto acima, que consiste em usar os adjetivos de marte para definir tudo aquilo que representa a casa 5: as crianças, o poder, a criatividade, a sexualidade, todas essas coisas serão marciais: rápidas, agressivas, até mesmo cruéis.

Não estou sendo inovador nessa abordagem. Basta ler alguns autores como Dorotheus e Rhetorius que o leitor perceberá a estrutura subjacente que me inspirou a escrever esse artigo.

A segunda etapa desse artigo para mim é a mais importante. Consiste em apontar um outro erro comum do iniciante: o que a casa representa, qual é o propósito dela. Isso é mais complexo do que parece, e tem relação direta com a primeira parte do artigo. Você entenderá.
Tomemos a casa 6 como exemplo. Esta casa rege servos, acidentes e trabalho. Tem, portanto, uma íntima associação com o antigo conceito de escravidão e de luta pela sobrevivência. O propósito da casa 6 é que o nativo consiga sobreviver às adversidades da vida, que ocasionalmente vem sob a forma de doença e de trabalho. Era também uma casa muito ligada a inimigos, que também são um obstáculo a sobrevivência. Pelo que dá pra se perceber, não se trata de uma casa ruim se conseguirmos vencer os seus desafios, só que, na maioria das vezes, alguma coisa dela nos vence, ainda que temporariamente…
Ainda na casa 6, vamos dar um exemplo simples, a saber, a Casa 6 sendo regida por mercúrio:
Mercúrio significa essencialmente algumas coisas que fazem parte do território da casa 6, mas o que vou dizer se aplica a qualquer planeta: todos os planetas regem alguma parte do corpo, e essa parte do corpo pode sofrer se o planeta reger a casa 6 e se encontrar em mal estado. No caso, mercúrio rege a garganta e, em mal estado, indica lesão nessa região.
Existem coisas que não tem nada a ver com Mercúrio, mas que fazem parte da casa 6: no caso, a luta pela sobrevivência, os inimigos. Como devemos interpretar? Abaixo, temos as duas soluções:
  • A pessoa pode ter inimigos, servos e trabalhos mercuriais: pessoas efeminadas, fofoqueiros, pessoas de profissão mercurial como contadores, hackers, etc. Como trabalhos, podemos dizer que a burocracia é algo mercurial, a escrita, as documentações em geral, os papéis e títulos.
  • A pessoa pode sofrer adversidades devido a tudo que seja mercurial: documentos, estudos, provas, professores, contadores, cartas, intrigas, pessoas efeminadas, músicos (se mercúrio estiver com Vênus) etc.
Essas duas soluções servirão para praticamente interpretarmos os planetas que regerem qualquer casa do mapa natal.
uma vez interpretando o planeta regendo uma casa, você precisa saber se ele é competente para realizar o propósito dela. Eu diria que o seu grande problema será saber qual seria o propósito da casa. uma vez compreendendo, os planetas que regem a casa vão se esforçar para ajudá-la:
Nenhum planeta machuca a casa que ele rege, mas é evidente que o planeta maléfico regente da casa faz os temas dela ficarem cercados de estresse e temor. Isso porque, com um maléfico regendo a casa, o nativo tem que se esforçar e vivenciar as experiências do maléfico para cumprir o propósito dela!
Veja o que diz Sahl:
Se um maléfico reger a casa objeto da questão, o nativo temerá o desfecho da pergunta

Se eu quiser um relacionamento, fizer uma horária e Saturno reger a casa 7, então a pessoa fica numa situação de querer se relacionar mas tem ao mesmo tempo medo de sofrer, de se sujeitar, da vida ficar restrita… Conheço vários casos assim e eu sou um deles…
Entenda por propósito como ‘a expressão mais construtiva da casa para que seus temas funcionem bem ou sejam algo bem resolvido’. Muitas vezes não temos noção dos propósitos, sendo esse conhecimento praticamente ausente dos livros de astrologia medieval. Nesse caso, os indianos ajudam – e muito! – nesse entendimento. Por exemplo, o propósito principal da casa 7 é satisfazer os desejos através de relacionamentos. É uma casa ‘kama’, que em Sânscrito significa ‘desejo’.
Quanto às casas ‘maléficas’ (casas 6, 8 e 12), não há conselho melhor do que esse:
O propósito de uma casa que rege assuntos difíceis ou sombrios é fazer com que a pessoa passe por eles sem muito sofrimento e que os resolva bem.

A casa 12 é um exemplo dos mais clássicos. Ela rege para os indianos inimigos secretos também, mas principalmente dívidas e sacrifícios. Todos nós temos que renunciar alguma coisa em nossas vidas mais cedo ou mais tarde, mas muitas vezes não experimentamos essa renúncia voluntariamente: vem sob a forma de perda, débito.
Se a pessoa tem maléficos regendo essas casas, as perdas são cercadas de muito temor. Isso é o normal para se esperar de humanos, mas e as pessoas que tem uma capacidade fantástica de superação? E aquelas que enfrentam esses momentos com serenidade? Os benéficos regendo essas casas indicam serenidade e confiança na hora do temor e a pessoa experimenta alívio e paz.
Pegue o seu mapa e olhe quais planetas regem quais casas e faça o exercício do que ensinei aqui. Aprenda as significações essenciais dos planetas antes para fazer esse exercício. O site do astrólogo Paulo Silva tem várias listas com as manifestações dos planetas e que podem lhe ajudar nesse sentido. O site do Cielo e Terra está em italiano, mas o Google Translator lhe auxiliará, é um site muito bom também para esse intento.

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