Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Tajaka: a mistura astrológica de duas culturas

A palavra ‘Tajaka’ pertence ao vernáculo Urdu, uma língua do Norte da Índia que possui muita influência do árabe na sua escrita e pronúncia.

‘Tajaka’ normalmente é referido como a astrologia transmitida pelos Persas aos indianos. De fato, as evidências são muito grandes para se descartar essa conclusão.

A Índia sofre invasões na Idade Média pelos árabes, com o intuito de conquistar territórios e propagar o Islã. Nesse encontro forçoso, nasce Tajaka, e a língua Urdu sofre grandes influências. As técnicas de astrologia árabe foram transmitidas e até hoje podem ser apreciadas na Tajaka com uma similaridade incrível ao que se lê nos autores do período árabe-medieval. Por exemplo, o conceito de ‘aplicação’ de um planeta recebe o nome de ‘ithasala yoga’, enquanto o original árabe recebe o nome de al-ittisal. Retirando o prefixo ‘al’ que faz parte da maioria das palavras do árabe quando citadas, a transliteração do termo para o sânscrito é fiel.

Tudo isso para dizer que é tentador concluirmos que Tajaka é astrologia medieval árabe pura e aplicada dentro do contexto muito específico da Astrologia Indiana, a saber, a Revolução Solar.

É curioso que as teorias árabes não se propagassem massivamente para outras áreas da astrologia indiana. Na verdade, a única coisa que ‘colou’ fora da Tajaka e que pertence à mesma são as famosíssimas Partes Árabes (que os astrólogos de inspiração clássica chamam de ‘Lotes’). Nesse caso, mais uma vez a semelhança dos termos é absurda: os árabes chamavam as Partes de Sahim, enquanto os indianos se referem a uma parte como Saham!

O indispensável Lote da Fortuna recebe na Índia o nome de Punya Saham.

A palavra ‘punya’ significa fortuna, no sentido de ação auspiciosa que acontece ao nativo, de um modo passivo. Punya pode ser encontrado em termos como poorvapunya, que é a sorte que o nativo recebe nesta vida pelas ações em vidas passadas.

As Sahams foram os únicos elementos da astrologia árabe que ‘extrapolaram’ com sucesso para a astrologia natal indiana. Eventualmente, até hoje pode se flagrar um ou outro autor indiano as usando para propósitos específicos. Um exemplo disso é a Jalapathana Saham, que nada mais é do que o ‘lote das viagens pelo oceano’, usado para prever quando uma pessoa terá uma viagem intercontinental. Esse lote é calculado da mesma forma que na Astrologia Árabe, mas ele não é o único.
Mas as diferenças entre Tajaka e Astrologia Árabe param por aí… Atualmente, as evidências apontam que os astrólogos árabes não usavam um zodíaco sideral, como os indianos advogam. Essa conclusão, porém, é insegura, pois à época de florescimento dos autores árabes havia muita coincidência entre o zodíaco sideral (móvel) e o tropical (fixo).
Podemos ver, na Tajaka, um vislumbre de como praticaríamos astrologia com um zodíaco sideral, porém apenas no contexto da revolução solar.
o documento é protegido por leis de copyright.

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