Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

minha vida sob os astros – a primeira parte.

O título desse post remete ao livro autobiográfico de Morin de Villefranche, embora eu queira abordar aqui minha relação com a astrologia, de modo que o leitor possa ter uma noção de como se deu minha trajetória até então.

O termo ‘trajetória’ soa um tanto pomposo, pois normalmente é usado nas biografias de grandes figuras. ‘Trajetória’ também é usado para se referir ao caminho percorrido pelos projéteis de armas de fogo, e por isso o termo me remete a um certo dinamismo. Talvez por isso é que seja freqüentemente usado nas biografias das personalidades de ascensão meteórica. Entretanto, é óbvio que todos tem sua trajetória, do lixeiro ao desembargador… E a minha dentro da Astrologia não é nada peculiar.
Eu comecei a estudar astrologia moderna mas, que eu me lembre, desde o início procurei aquilo a que se destinam todas as astrologias tradicionais, que é prever eventos. Eu queria prever as datas de casamento, dinheiro, filhos…
O termo ‘astrologia moderna’ é muito perigoso. Na minha definição, ‘astrologia moderna’ abarca tudo que se produziu de astrologia no século vinte e que não faça referência restrita aos clássicos da área, como Ptolomeu, Bonatti, etc.
Por dedução lógica, há que se concluir que o termo abarca um corpo teórico vastíssimo. É muita coisa dentro de um mesmo termo, havendo o risco de fazer injustiça a determinadas correntes da astrologia moderna ao se realizar algum juízo de valor. O termo é tão vasto que abarca correntes que até mesmo se antagonizam.
Por exemplo, se eu disser que astrologia moderna não tem como meta a previsão de eventos, cometo uma injustiça pois, dentro da astrologia moderna, muitos astrólogos modernos tem como meta das suas práticas prever o futuro.
(Se eu fosse sarcástico, diria que a prognose é a meta de qualquer astrólogo, se dividindo entre aqueles que admitem isso francamente e aqueles que disfarçam por considerarem o assunto um tabu…)
Infelizmente, as publicações mais disseminadas dentro do Brasil – a maioria delas sob o selo da editora Pensamento – são modernas e seguem uma linha que foge à prognose. A astrologia, para a maioria dessas publicações, se situa entre uma ferramenta para reconhecer padrões de comportamento, misturado a metas abstratas de desenvolvimento pessoal. E é aí que entra a minha crítica.
Não sou contra as pessoas que seguem essa linha da Astrologia, mas acho patético aqueles que ‘amputam’ teoricamente a ciência dos astros, limitando-a somente a esse tipo de papel e alegando que a prognose era um entendimento errado ou primitivo dos antigos.
Esse tipo de gente comete o erro de todas as civilizações que já ocuparam o planeta: a prepotência de se considerarem o ápice da história.

Astrólogos que criticam a Astrologia na sua função de prognose podem ser até mais radicais do que algumas pessoas e instituições que discordam da Astrologia, como vocês verão a seguir.
Eu sou de origem evangélica, ainda acredito em Deus e faço minhas orações em nome de Jesus. Por isso, sou alvo frequente de críticas da minha família às minhas práticas astrológicas. Há um ano, recebi um panfleto do meu irmão sobre a posição de um pastor acerca da astrologia.
Apesar de discordar das conclusões do panfleto, são louváveis algumas premissas que o pastor usou para construir sua tese. A que mais me chamou atenção é que ele admite a funcionalidade da Astrologia. Em tempo algum ele nega que a Astrologia não é capaz de prognose ou qualquer um dos seus papéis mais comuns, até mesmo o vago desenvolvimento pessoal.
O pastor conclui, a meu ver prematuramente, que a astrologia é um mistério divino e, como tal, não deve ser revelado aos homens. Obviamente, discordo dessa conclusão, pois o homem nunca se limitou a desbravar intelectualmente qualquer objeto de estudo por restrições divinas. Não haveria de ser na Astrologia que o homem cessaria sua busca intelectual.
Nenhum evangélico diz que se deve parar de estudar meteorologia, pois o conhecimento prévio das condições do clima é importante para várias atividades humanas.
A história mostra a relação da Igreja com a Ciência. O cristianismo, na figura da Igreja Católica Apostólica Romana, restringiu a produção de conhecimento ao longo da idade média, mas o fez de um modo regulatório, e não proibitório. De um modo que hoje podemos chamar de torpe, havia conhecimento, por mais que ele estivesse tingido de um verniz religioso!
Não existe conhecimento que não possa ser conhecido, e Deus (para quem acredita) nunca proibiu a busca humana pelo conhecimento, embora esse seja um tema sombrio até mesmo dentro da própria Bíblia, com passagens vagas e dadas a muitas interpretações.

Desprezando a associação de religião com ciência comum à modernidade, minha confrontação com a astrologia se dá no âmbito intelectual. Para mim é um estudo como outro qualquer. Não é religioso, não rezo mantras planetários porque não desejo a astrologia dessa forma. Assim como qualquer ser humano acharia um absurdo parar de se estudar medicina por restrição divina, da mesma forma seria interromper meus estudos astrológicos.
Comparando a posição desse pastor com a de muitos astrólogos modernos, é quase paradoxal que pessoas de dentro do meio astrólogico desconsiderem que a Astrologia é capaz de prognose, enquanto um pastor do Centro Oeste dos Estados Unidos, que não é um exemplo de mentalidade, em tempo algum desconsidera essa capacidade!
Voltando à astrologia moderna, ainda há que ser dita a razão pela qual migrei dela para a astrologia clássica e simultaneamente à astrologia indiana.
Sempre achei que a minha alma era simples e queria coisas simples, buscadas e encaradas de um modo simples. Não me considero intelectual e evito vôos mais altos nas minhas discussões por não ter feito nenhum tipo de début em ciências humanas que me possibilitasse dizer e me referir a conceitos com segurança.
Por ser simples, por me irritar com divagações e abstrações, não estava preocupado com crescimento pessoal, auto desenvolvimento ou qualquer nome que se dê a um movimento pouco conciso desenvolvido no século XX e que se embrenhou na astrologia moderna.
Por não me preocupar com essas coisas, logo veio a decepção, pois muitos livros de Astrologia Moderna eram repletos de conselhos e conceitos abstratos, difíceis de enxergar na vida das pessoas cujos mapas eu analisava. Dane Rudhyar é um exemplo claro dessa corrente. Para mim, ler esse autor é como entrar na faculdade de medicina: uma alegria ao começar, uma tortura durante e um alívio quando se termina!
Foi lendo Rudhyar e outros que comecei a estudar Astrologia e, por alguns anos, julguei que não havia mais nada além disso, a saber, auto conhecimento e desenvolvimento pessoal. Meus escritos dessa época refletem o meu pensamento.
O ‘ponto de mutação’ ocorreu em 2006. Algumas pessoas julgarão que eu experimentei uma espécie de retrocesso mas, para mim, foi como se saísse do belo mundo das possibilidades infinitas de um discurso capitalista patético para o mundo da realidade refletida no céu. Foi como se tivesse tomado a pílula vermelha, do matrix!
Àquela época, entrei em contato com um astrólogo medieval português chamado Paulo Alexandre Silva, com seu site Astrologia Medieval. Serei eternamente grato a ele por esclarecer minhas dúvidas e me mostrar que um outro caminho da Astrologia era possível. Um caminho que respondia às perguntas que sempre fiz, mais objetivo e pragmático. Foi assim que me lancei em 2006 na seara da Astrologia tradicional, no curso de astrologia medieval de Robert Zoller.
O artigo que mudou a minha vida astrológica era a ousada técnica de se prever o tempo de vida de uma pessoa pelo estudo do Hyleg e do Alcocoden. Quer dizer que Astrologia Medieval é capaz disso? Sim, e muito mais. Um novo universo se desbravava à minha frente.
Futuramente penso em incluir outro artigo com mais detalhes do meu desenvolvimento atual da astrologia.

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