Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

As grandes conjunções (Júpiter-Saturno) Parte 3: a mudança de triplicidade

As Grandes conjunções (conjunções entre Júpiter e Saturno) constituem um elemento da Astrologia Persa que foi incorporado às práticas astrológicas ocidentais no medievo.
Elas não são oriundas do Tetrabiblos mas, a despeito da falta de respeito que tudo não-ptolomaico tem na astrologia, se mantiveram bem aceitas por séculos, talvez devido à eminência de um dos seus divulgadores, Abu Ma’shar.
As grandes conjunções são utilizadas para prever alterações na ordem mundial. Elas marcam o nascimento de profetas, ideólogos (como Karl Marx), e subseqüentemente, toda a alteração que essas novas religiões e ideologias causam na humanidade.
Mas não é só isso. Ao mudar os princípios que regem a humanidade, altera-se todo o jogo de forças geopolíticas; logo, as Grandes Conjunções também indicam mudanças no poder mundial, a queda de ‘dinastias’ e o surgimento de outras, etc.

Nas democracias, as ‘dinastias’ não vigoram mais… ao menos, não como antes (lil’ bit sarcastic…). No Maranhão, temos a Dinastia Sarney, há anos no poder mas, em tese, a cada 4 ou cinco anos, sobe um governante escolhido pelo povo.
O conceito de dinastia, porém, pode ser usado em muitos estados modernos, como a China, a Coréia do Norte, e durante muito tempo pôde ser usado para o Egito, que está nos holofotes atualmente e merece um artigo à parte.
Para prever essas alterações importantes, devemos analisar a carta de ingresso do Sol no primeiro minuto do Signo de Áries (Abu Ma’shar, Masha’Allah, Bonatti, Ali aben Ragel, etc.) ou a carta do eclipse mais próxima da exatidão da conjunção (Al-Battani).
Júpiter e Saturno se unem a cada 20 anos, mas não é toda a conjunção que deve ser importante a ponto de se criar uma nova religião ou ideologia.

Para um observador mais distraído, essas conjunções não seriam as melhores indicações de mudanças na ordem mundial, por ocorrem dentro um ciclo historicamente muito curto, de apenas 20 anos.
Por conta disso, muita gente recorre aos ciclos dos planetas Urano, Netuno e Plutão, percebendo a simbologia de certas fases dos seus ciclos com os eventos históricos que ocorreram simultaneamente.
Não estou na posição de criticar quem realiza esse tipo de Astrologia, mas sim de estudar como as mudanças mundiais eram percebidas pelos Astrólogos antigos.
Nunca vi criticarem a astrologia medieval por não usar os planetas além de saturno nos eventos mundiais mas, se acaso fosse, os ignorantes costumam ser maiores críticos e alegariam que nela não existe modo de se acompanhar grandes ciclos da humanidade porque, como foi dito anteriormente, Júpiter e Saturno se unem no mesmo signo a cada 20 anos, sendo esse um tempo muito pequeno dentro da história da humanidade.
Os ignorantes também costumam errar nas suas críticas.
As conjunções Júpiter-Saturno obedecem a um padrão geométrico-zodiacal interessante, que os leitores puderam perceber na figura abaixo, num dos posts anteriores:

O que percebemos na figura acima é que as conjunções de fato ocorrem a cada 20 anos, porém:
  1. A conjunção seguinte ocorre no nono signo do qual ocorreu a anterior,
  2. A conjunção seguinte não ocorre na mesma longitude que possuía no signo anterior, mas aproximadamente 3º à frente. Por exemplo, se a conjunção ocorreu em 20ºPeixes, ela ocorrerá daqui a 20 anos em 23 de Escorpião, aproximadamente.
  3. Seguindo o padrão anterior, há cerca de 12 ou 13 conjunções seguidas em Signos do mesmo elemento.
  4. Ainda seguindo as premissas anteriores, a série de 12 a 13 Conjunções permanecem no mesmo elemento por aproximadamente 240 anos, quando passam ao elemento (triplicidade) seguinte.
A cada 240 anos, portanto, ocorre um fenômeno importantíssimo, chamado de mudança de triplicidade.
Os astrólogos antigos analisavam a mudança de triplicidade das conjunções Júpiter-Saturno para prever as mudanças do poder geopolítico e das ideologias da humanidade.
Essas conjunções, porém, podem ser calculadas por dois parâmetros, que já foram vistos por aqui:
  • Movimento médio, que não existe mas que é regular. Seria a ‘velocidade média’ dos planetas.
  • Movimento real, aquilo que você tem no céu e o que todos os programas contém.
Steven Birchfield alega que Abu Ma’shar usava movimento médio para definir qual conjunção de movimento real seria a mais significativa, mas Al-Battani considerou uma conjunção real que não coincidia com o signo indicado pelo movimento médio.
Trata-se de uma questão polêmica, e que não convém aqui julgar qual lado é o correto, mas eu creio que o movimento médio não seja importante, e sim o real, portanto de hoje em diante considerarei as mudanças de triplicidade não no movimento médio, mas no real.

O post está ficando longo demais e, portanto, dedicarei ao próximo um estudo das mudanças de triplicidade no zodíaco sideral e tropical, pricipalmente no século XIX e XX.

1 Comment»

  Vivi wrote @

Muito bom!mas não foi para isso que estou escrevendo… vc ainda está procurando aquele livro sobre harmônicas? Pq eu tenho um.Podíamos fazer um escambo.


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