Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Sobre as Grandes Conjunções (Júpiter-Saturno) – Parte 2

Continuando nossa análise das grandes conjunções, que começou aqui nesse link.

Falávamos do movimento médio e das suas implicações na escolha das conjunções, mas não entramos na interpretação destas.
Antes de interpretarmos (bota ‘antes’ nisso…) há que se fazer mais uma consideração:

Qual mapa devemos usar para interpretar uma conjunção Júpiter-Saturno?

Devido à lentidão dos trânsitos Júpiter-Saturno, era difícil saber a hora exata em que uma conjunção ocorria usando apenas tábuas de posições.
Hoje em dia, com nossos programas turbinados, basta calcular a conjunção exata de Júpiter com Saturno, mas essa não poderia ser a abordagem medieval pelo motivo já explicitado no parágrafo anterior.
Como a tradição conta com muitos exemplos de interpretação usando o método medieval, é preferível nos apegarmos a ela do que construirmos algo completamente novo, com o qual não sabemos lidar. Nosso Empirismo anda de mãos dadas com a experiência prévia dos autores como ponto de partida.
O importante é que funcione.
Os astrólogos medievais não usavam a hora exata da conjunção, mas sim dois momentos significativos, sendo o mais comum o primeiro da lista:
  1. Fazer a carta de ingresso para o Sol no primeiro minuto do primeiro grau de Áries (00°Ar01′) no ano em que a conjunção ocorrer.
  2. Fazer a carta do eclipse mais próxima da exatidão da conjunção.
O procedimento número 1 é o preconizado por figuras como Guido Bonatti, Masha’Allah e o ‘pica das galáxias’, ‘príncipe dos astrólogos’ Abu Ma’Shar. É quase uma unanimidade…
…Quase. O procedimento número 2 é muito interessante e tem despertado meu interesse. Ele é preconizado por uma figurinha pouco expressiva da história da Astrologia, mas que tem sido um cara muito estudado nos últimos anos: al-Battani.
al-Battani registrou a sua versão da história do islã à luz da Astrologia. O cara mostra até o que seria um mapa do profeta Maomé! Curiosidades à parte, Al-Battani promove uma reflexão sobre o método ideal para as conjunções.
Segundo al-Battani, a carta de ingresso do Sol no primeiro minuto de Áries nunca foi preconizada por Ptolomeu;

Durante muito tempo, qualquer coisa que estivesse além de Ptolomeu não era respeitada e, baseado nessa cultura de ‘preciosismo Ptolomaico’ que al-Battani rejeitou o uso das cartas de ingresso.
Quem faz Astrologia hoje (e tem honestidade intelectual consigo mesmo) não dá mais a mesma importância a tudo que venha de Ptolomeu. É importante MAS há autores muito bons, com métodos diferentes. Portanto, não vai considerar o que al-Battani disse como algo ‘escrito em pedra’, a verdade absoluta. Até porque as Cartas de Ingresso funcionam, e como!
Mas, quanto ao que ele disse sobre Ptolomeu, tem toda razão:
Ptolomeu nunca citou o uso da carta de ingresso no primeiro minuto de Áries.
O método Ptolomaico de previsões mundiais se baseava nos eclipses (Tetrabiblos, livro 2, capítulo 1)
Consideremos o que Ptolomeu disse não como uma lei a ser seguida, mas um conselho: por que não usarmos também as cartas de eclipse?
A conclusão no momento é que as cartas de eclipse e de ingresso, que são usadas anualmente, também devem ser usadas para entendermos como uma Conjunção Júpiter-Saturno funcionará.
Depois de escolhermos a técnica correta, resta saber como interpretar. Antes de interpretar o que vai acontecer, porém, ainda resta uma pergunta cabal para Astrologia Mundial: o mapa se referirá a qual país ou região? Esse é o objetivo do próximo post, junto a outros tão importantes quanto.

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