Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Seu mapa astral errado (e não é por causa do Serpentário)

A astrologia que praticamos hoje se baseia em mapas cujas posições planetárias são mega precisas.

Qualquer programa de astrologia decente tem uma precisão razoável porque a maioria se baseia nas efemérides suíças.
Nem sempre foi assim.
Na idade média, os astrólogos usavam tábuas astronômicas do Império Sassânico chamadas Zijs. A Zij mais famosa é a Zij al Shah, tábua usada por Abu Mashar, Masha’Allah, dentre outros.
Essas tábuas tiveram uma ampla distribuição pela idade média, então havia um certo consenso entre os diferentes autores que todos estavam se referindo ao mesmo tipo de zodíaco e de movimento planetário.
Esse consenso, porém, foi quebrado com o advento de métodos de cálculo mais avançados, como a trigonometria esférica e os logaritmos.
O que isso tem a ver com você, que deseja apenas fazer um ou dois reles mapas natais? Tudo a ver.
As tábuas Zijs chegavam a resultados que, comparados às nossas modernas efemérides, seriam dados como errôneos.
Os erros chegam a ser grosseiros. Planetas podem estar no signo anterior ou seguinte à sua posição calculada pelas efemérides modernas.
Primeiramente, há que se entender como se chegavam aos resultados das tábuas.
Os Zijs eram calculadas com base no movimento médio dos planetas. Por exemplo, Júpiter fica um ano em cada signo.

A natureza celeste, porém, é mais irregular do que se parece, e nem sempre a afirmação acima é correta.
As pequenas diferenças entre o movimento médio e o real se acumulam com o passar do tempo e geram um grande erro séculos depois, sem uma correção adequada.
Os astrônomos, ao calcularem os Zijs, estavam cientes dessas correções e, mesmo as levando em conta, ainda assim as posições estão erradas se compararmos com as posições que acharíamos nas efemérides modernas.
Tudo isso sem contar os famosos ‘anos anômalos’, nos quais o movimento do planeta é mais lento e deve receber uma correção extra.
São muitas correções necessárias, e mesmo assim acredito que os astrólogos medievais não levavam em conta algumas delas. Naquela época, não eram tão importantes mas, como falamos de séculos, os erros se acumulam.
Todos os argumentos acima são suficientes para jogar fora quase tudo que foi produzido pelos astrólogos desse longo período, do período clássico da Astrologia à idade média.
Isto porque, quando um astrólogo medieval delineava e registrava os ‘efeitos’ de uma Vênus em Aquário na Casa 11, ao calcularmos o mesmo mapa com efemérides modernas, poderíamos encontrar Vênus em Peixes ou Capricórnio, e numa outra Casa!
Todavia, se realmente nada pudesse ser aplicado hoje, não haveria um crescente interesse em Astrologia Medieval em pleno século XXI.
Se você já fez astrologia medieval com algum astrólogo, ou se alguém já calculou uma horária para você, sabe que as técnicas são usadas ainda hoje e funcionam.
Se uma técnica foi capaz de prever o futuro em vários casos, ela pra mim já funcionou. Só que (talvez) as técnicas poderiam funcionar mais.
Muitas coisas que lemos nos livros não são verdadeiras quando aplicamos nos mapas de hoje. Isso pode se dever a mais de um fator, mas eu cito os dois possivelmente mais importantes:
  • O contexto cultural diferente pode alterar radicalmente a interpretação de um aforismo medieval.
  • Os cálculos astronômicos diferentes alteram o modo como se lê o mapa, e portanto não podemos fazer deduções com base nos textos que usavam outros métodos de cálculo.
Isso tudo nos mostra que o entendimento da astrologia hoje não será completo enquanto não calcularmos as posições planetárias como eram calculadas nos mapas antigos.
Esse é um passo arrojado para as mentes dos astrólogos que valorizam a evolução científica. Para eles, usar os zijs hoje seria uma involução.
Nem todo mundo pensa assim, pois, como disse nesse post, um astrólogo indiano chamado Narasimha Rao está para lançar um programa de astrologia que usa os métodos de cálculo do Surya Siddhanta, um tratado astronômico medieval indiano.
Pelos cálculos do SS, alguns planetas estariam em posições radicalmente diferentes, e isso muda absurdamente a interpretação.
Felizmente, os zijs tiveram sua construção inspirada nos cálculos indianos do Surya Siddhanta, e dentro em breve talvez poderemos usar o Jagannatha Hora para fazer pesquisas dentro da astrologia medieval também.
Está para nascer um programa de astrologia ocidental que inclua métodos arcaicos de cálculo além das efemérides mega precisas.

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