Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Programas de astrologia: qual usar? – Parte 1

Acho que nunca fiz uma postagem sobre esse tema tão importante.

O programa de astrologia que você escolher dirá até onde você pode ir ou não na interpretação.
E por quê? Simplesmente porque você não terá condições mentais de calcular tudo que for necessário para todos os mapas sempre, se tiver uma prática mais intensa.
No seu caso, amador, mesmo se a prática não for intensa, há que se aprender com um número expressivo de mapas.
Assim sendo, que programa é o melhor?
O melhor programa de astrologia será aquele que lhe proporcionar de um modo mais fácil e rápido as técnicas que você usar no dia-a-dia.
Perceba que a resposta é super vaga. Até dentro da Astrologia Medieval, que é muito mais específica, os astrólogos podem usar técnicas diferentes, mudando a prioridade do programa a ser usado.
Por exemplo: se você não costuma usar direções primárias, o Solar Fire pode ser bom por outras razões. Por outro lado, se vc não vive sem direções primárias, pode usar o morinus, que é para direções primárias é o melhor disparado*.
*(muito embora você terá os dois no seu computador, porque se você puder pagar pelo solar fire, o morinus é grátis)
Eu já tenho minha opinião formada e já adianto que uso mais de um programa… Estudando astrologia indiana e medieval ao mesmo tempo, fica impossível abarcar tudo que preciso usar num único software.
Até existem programas de astrologia que incluem jyotisha e ocidental, mas ela acaba deixando a desejar numa delas.
Talvez você tenha achado minha definição do ‘programa ideal’ acima um tanto simplista: mas Rodolfo, e a precisão astrológica? Tem programas que calculam o ascendente com margem de erro maior, não?
Ok, seu inocente… Vamos primeiro desconstruir o mito da precisão.
Até o programa da esquina é preciso.
Os programas precisos lidam com efemérides baseadas nas observações da NASA. Todo programa que se preze hoje terá o cálculo das Swiss Ephemerides.
Até aí morreu o Neves, porque essas efemérides estão NA MAIORIA dos programas. Não é possível escolher o programa pela melhor efeméride, porque QUASE TODOS usam a mesma!
Em termos de cálculos, os programas vão se diferenciar é na qualidade dos cálculos que não estejam nas efemérides. Falo de direções primárias, progressões, etc.
Para esses casos também, o que tenho notado? Vamos usar o exemplo das Direções Primárias, a técnica mais cri-cri da astrologia.
Até meados de 2006, não havia programa gratuito que as calculasse com precisão. O Solar Fire e o Janus as calculavam de um modo moderno (e portanto errado). Havia o Placidus, mas era caríssimo.
Finalmente, depois de 2006, o Janus (que antes também calculava errado) mudou seus algoritmos para o cálculo correto (isto é, o cálculo ensinado nos livros de astrologia medieval) e, ao mesmo tempo, surgiu o Morinus que, desde a sua gênese, calculava as direções do modo corretíssimo.
Para comparar as direções primárias, é preciso comparar o que é comparável: não adianta você comparar as direções do Solar Fire com as do Morinus, porque elas se baseiam em cálculos diferentes!
Em se tratando de dois programas usando a mesma maneira de calcular, as diferenças entre os programas são muito, mas muito pequenas. Na maioria dos casos, desprezíveis.
Há que se ter um exemplo.
Em um programa de astrologia “A” você pode ter o Ascendente a 17° Áries 10’03”. Num programa B, o mesmo Ascendente com o mesmo horário e local pode ser encontrado em 17°Áries 07’14”.
Ainda no exemplo acima, dependendo da técnica que você usar, essa diferença pode ser importante para algumas técnicas, mas… até que ponto?
A diferença entre os dois ascendentes é de três minutos e onze segundos. Em direções primárias, um grau equivale a um ano. Um minuto, portanto, é 1/60 de 365 dias, totalizando seis dias e 2 horas.
Três minutos, portanto, equivalem a 18 dias e 6 horas. Ou seja: eu poderia errar 18 dias o evento devido a margem de erro dos dois ascendentes, certo?
ERRADO.

Em primeiro lugar: Uma direção começa quando o aspecto se completa e termina quando o ponto analisado passa ao próximo aspecto.

Por exemplo: o Ascendente pode começar uma quadratura com marte em 27 de janeiro de 2011. Em 18 de outubro de 2012, ele fará um sextil ao Sol. Assim sendo, tudo aquilo que a direção ascendente-marte representa está ativado até 18 de outubro de 2012.

Pensando dessa forma, uma direção pode durar anos. Uma direção primária não indica um dia específico no qual o evento acontecerá, mas sim uma época. Essa época pode abarcar diferenças significativas entre a data do evento e a data do início da direção.

Acreditar que uma direção indicará um dia e um evento específico foi uma fantasia aprimorada pelo desenvolvimento da matemática e sua introdução na astrologia.

As direções primárias são vendidas como a “técnica perdida secreta que vai abrir as portas do futuro”.

BA-LE-LA!

Nos dois ascendentes acima, o astrólogo poderia acertar a época do evento. Bastava simplesmente considerar outras técnicas em paralelo.
Se você quiser ser um bom astrólogo, não vai usar somente uma técnica, por mais que ela seja considerada a técnica mais precisa do mundo. A tendência é errar feio. E por quê?
Eu estudo astrologia há 7 anos. Já fiz muitos julgamentos de mapas e acompanhei muitos também. Em todos eles, descobri que não adianta ter precisão de nanosegundos, porque as técnicas são precisas quando usadas em conjunto.
Para você entender a razão, vamos aprender um pouco com os indianos a delimitar eventos. Felizmente eles são muito mais desenvolvidos nesse ramo do que nós e podem nos ensinar coisas maravilhosas.
A precisão de um evento não depende da precisão dos cálculos de uma técnica, mas sim na habilidade técnica do astrólogo em conjugar várias técnicas.
Essa habilidade leva em conta considerar a margem de erro de cada técnica, e portanto não conclui baseado apenas numa, mas vai pela síntese da maioria das evidências numa época que for a mais provável.
Para delimitar o dia de um evento com precisão, os indianos trabalham com uma hierarquia de técnicas. Eles não usam apenas uma técnica para prever o dia em que um evento acontecerá. A hierarquia mais comum está sintetizada abaixo:
  1. Vimshottari Dasha: Trata-se da técnica de períodos planetários mais comum entre os indianos, a mais recomendada por Parasara. Através dela, você saberá em que década a probabilidade de um evento pode ocorrer com a pessoa. Ainda dentro dessa técnica, você pode estreitá-la em dois ou três anos.
  2. Dasha acessório (Narayana, Kalachakra, etc.): Esse dasha serve para confirmar aquilo que você achou no Vimshottari. Não afina mais o período de tempo, apenas ratifica o achado anteriormente. Se pelas duas técnicas você percebeu que é possível o evento acontecer em determinado ano, tem mais certeza para prosseguir.
  3. Sudarsana Chakra (profecções): São as boas e velhas profecções, mas no estilo indiano. Aqui se ‘profecta’ sol, lua e ascendente, na faixa de um signo por ano. Elas refinam o que o VD e o Dasha acessório encontraram: indicam o ano em que o evento pode acontecer.
  4. Trânsitos: Os trânsitos indianos são bem mais simples do que os ocidentais em termos de quantidade de planetas usados. Utiliza-se apenas o Sol, Júpiter e Saturno e a Lua, sendo essa última mais usada no item 5 abaixo. Os trânsitos servem para duas coisas: confirmar o que as profecções indianas sinalizaram, apontando o ano (trânsitos de Júpiter e Saturno) e ao mesmo tempo são capazes de mostrar o mês em que um evento pode acontecer (trânsito do Sol, geralmente pelos trígonos do ponto que representa o evento).
  5. Dia védico (fase lunar ou tithi): Depois de encontrarmos o mês do evento pelo trânsito do sol, o dia do evento é encontrado ao se descobrir o planeta mais importante para o evento (cuja técnica foge do objetivo desse artigo): a fase lunar (tithi) que esse planeta reger indicará o dia mais certeiro.
  6. Dia da semana (planeta): Finalmente, o evento pode ocorrer num dia da semana indicado por um dos planetas envolvidos na promessa de evento no mapa natal.
Os seis itens acima são interdependentes. É necessário percorrer cada passo acima antes de ir ao próximo: de que adianta eu saber se morrerei numa quarta-feira? de que dia? de que ano?
Note que as pequenas discrepâncias de cada técnica são desprezíveis quando usamos mais de uma.
Eu falei tudo isso para mostrar que os erros de qualquer programa decente de astrologia se tornam desprezíveis com essa abordagem, sendo essa abordagem a mais correta para quem deseja aprender astrologia clássica e/ou indiana.
Suponha que o programa calcule o Vimshottari dasha com uma margem errada. O dasha pode começar dois ou três meses mais tarde. Ainda assim, os trânsitos podem nos mostrar o ano correto do evento. Depois dos trânsitos, as profecções confirmam de uma maneira que não depende de precisão matemática, pois é uma técnica simbólica e que não depende de equações, graças a Deus por isso!
Essa é a vantagem de se usar várias técnicas e ir estreitando o período de tempo, eliminando as hipóteses erradas. O trabalho de um astrólogo é similar ao de um detetive.
Nos próximos posts, começaremos a discorrer sobre os programas.

3 Comments»

  Lívio Nakano M.D. wrote @

No aguardo das sequências desse artigo

  Marcia wrote @

Olá! Achei interessante a parte que trata de diferenças mínimas de graus apresentadas por programas diferentes. No caso, comparei um mapa gerado pelo Pegasus, pelo mesmo mapa gerado no Kairon ( p/Mac). Aliás, existe algum programa bom para Mac ou vou ter que comprar um PC. Adorei seu blog, parabéns!

  DeodatoVieira wrote @

Gostei muito da explicação.

Na minha opinião, faltou apenas comentaro óbvio: Precisão de cálculo pode ser otimo para a engenharia, para a vida humana NADA é assim tão preciso mesmo. Os eventos ocorrem e tem vezes que as pessoas envolvidas nem chegam a perceber, só percebem mesmo DEPOIS, quando vivem as consequências dos eventos.

Isso além das diferenças de acerto de relógio… (eu mesmo não posso afirmar com exatidão a que horas nasci!).

Espero ANSIOSAMENTE pela segunda (terceira …) parte do artigo….


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