Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

As subdivisões de um signo – os modos de usar

Neste artigo, vou falar das subdivisões de um signo. Um signo tem 30°, sendo esses graus divisíveis de várias formas.

Eu diria que a subdivisão do zodíaco mais conhecida do mundo são os ‘decanatos’, que são dadas pela divisão do signo em três partes iguais, de 10°. No ocidente, os decanatos são também chamados de ‘faces’ e representam coisas bem superficiais. O decanato do Ascendente pode indicar alguma coisa ligada à aparência do nativo, ou dizer misteriosamente e sinteticamente a vida da pessoa como um todo, o que ninguém consegue entender direito como usar. Um planeta em seu próprio decanato é uma das coisas mais fajutas e menosprezadas dentro da astrologia medieval, porque ninguém sabe a serventia mas se tem a segurança de que a utilidade é muito pequena… Na índia, o modo de usar é diferente… Neste artigo, você terá a oportunidade de perceber como os decanatos – e outras divisões – são vistas na Astrologia Indiana, mas pra isso eu preciso começar citando algumas informações em paralelo.

Agora estou lendo o Sarvarth Chintamani (SC) – um clássico muito citado entre os autores. O escritor do SC se chama Vyankatesh Sharma, viveu no século XIII. Os autores da idade média na Índia tem um estilo peculiar e que influenciou tudo o que se seguiu em termos de Astrologia, mas tem peculiaridades. Eles se baseiam somente no mapa natal (Rasi) e usam as divisões dentro do contexto dele. Isso é bem diferente do que vemos hoje na Astrologia Indiana, embora ambas as épocas tenham muitas coisas em comum, de tal forma que é impossível dizer que a Astrologia Medieval indiana é demasiadamente distinta da contemporânea. De qualquer forma, eu gostaria de apontar o que considero a diferença mais importante, que é o modo como eles lidavam com as subdivisões do zodíaco – aí que voltamos ao assunto mais importante…

Atualmente, a maioria das escolas de Astrologia na Índia usam as subdivisões do zodíaco em mapas a parte. Essa é uma interpretação possível dos manuscritos, porém a tendência de um astrólogo ocidental é interpretar de outra forma. Em contrapartida, os autores medievais indianos não procedem da mesma forma. Receio que o leitor esteja achando meio complicado, então proporcionarei um exemplo, mas é importante atentar para o fato de que não estou me referindo à astrologia Ocidental, mas sim a Astrologia Indiana.

Suponha que o seu sol esteja no segundo decanato de áries. Tradicionalmente, esse decanato é atribuído ao signo de Leão (regido pelo Sol). O sol no seu próprio decanato é muito bom, a depender do assunto que ele reger no mapa. Para os indianos, porém, os decanatos são específicos para perceber questões importantes para os irmãos do nativo. Para a maioria dos jyotishas da Índia, portanto, esse Sol dirá coisas importantes para os irmãos do indivíduo cujo mapa se analisa.

Os decanatos são apenas uma das maneiras de dividir o zodíaco, mas existem outras, sendo que cada uma delas se referirá a temas específicos. Essas atribuições são dasas por Parasara no seu tratado Brihat Parasara Hora Sastra (BPHS). Por exemplo, para se estudar melhor os filhos do nativo, é necessário dividir cada signo em sete partes iguais e ver como os planetas se dispõem nessas divisões. Cada divisão se referirá a um signo. O problema é que não se sabe exatamente o que se fazer com essa informação – cada escola terá um modo diferente de se lidar com as subdivisões. Abaixo, cito algumas:

  • Navamsa = Signo dividido em nove partes. Indica o dharma (os deveres do nativo e seu papel na sociedade). Pelo casamento ser considerado um dharma na Índia, ele é usado para prever a(s) data(s) do(s) casamento(s). Também é usada de um modo muito mais genérico, como por exemplo saber a forma que um objeto possui, sua classificação no mundo (se é animal, vegetal ou mineral). É tão importante que requer um estudo à parte.
  • Drekkana = Signo dividio em três partes. São os nossos famosos Decanatos, usados pela maioria dos autores clássicos para estudar a vida dos irmãos do nativo. Varahamihira usa os Decanatos para outras coisas, mas isso não encontra eco na maioria dos autores.
  • Chaturthamsa = Signo dividido em quatro partes. Estuda os imóveis, as propriedades do nativo.
  • Dwadasamsa = Signo dividido em doze partes. São citados pelos gregos e medievais do ocidente como dodecatemoria e dwadasamsa, respectivamente. Indicam o destino específico dos parentes do nativo, de um modo geral – pai, mãe, tios, avós.

A maioria das escolas de astrologia da índia hoje em dia pegam essas subdivisões e criam mapas paralelos ao mapa natal baseados nelas. Isso mesmo, para cada maneira de dividir o zodíaco, eles erguem um mapa diferente. Voltando ao exemplo dos decanatos, o sol no segundo decanato de áries (cujo signo é leão) seria colocado num mapa a parte, no qual ele estaria não no signo de áries, mas sim em Leão.

Eu vejo que a abordagem de se criar mapas paralelos ao natal, mas baseados nas suas informações, não está explicitamente descrita em nenhum grande tratado clássico de astrologia. Isso é uma dedução lógica dos autores que se seguiram aos clássicos, mas é importante ressaltar que essa conclusão não é compartilhada pela maioria deles. Os autores medievais da Índia parecem não usar mapas divisionais como se faz hoje em dia, e é aí que entra o autor do Sarvartha Chintamani. Eu citarei um exemplo de dentro do texto:

“Se o regente do Signo Navamsha ocupado pelo Regente da Casa 2 for localizado com um maléfico ou estiver no signo de um maléfico, há doença nos olhos”

Explicando: O autor quer que nós observemos se o Regente da Casa 2 (que representa os olhos) está numa divisão zodiacal de maléficos, ou se o planeta regente dessa subdivisão estiver aflito por maléficos. A divisão usada nesse caso é aquela na qual cada signo é dividido em nove partes iguais, que é chamada pelos indianos de Navamsa.

O sloka (aforismo) acima possui algumas “brechas” que suscitam dúvidas. O autor quer que nós analisemos o regente da Casa 2 no mapa natal ou na navamsa? Lembre-se que a prática comum hoje é criar um mapa para cada subdivisão (lembre-se do exemplo dos decanatos acima para entender o que estou falando), mas isso é uma interpretação dos autores modernos. Se nós pensarmos do modo tradicional para nós, astrólogos ocidentais, unicamente mapa natal deve ser usado: devemos usar o regente da casa 2 no mapa natal, e receio que esse ponto de vista seja compartilhado pelos astrólogos medievais da Índia. Parece que a grande diferença entre a astrologia ocidental e a indiana – além do zodíaco sideral versus o tropical – não resida nas técnicas de intepretação (que considero muito similares), mas nos elementos nas quais cada uma se baseia além dos planetas e dos signos. Há quem defenda que ambas têm a mesma origem, mas a geografia as diferenciou.

A Astrologia Ocidental não teve a mesma progressão que a Indiana, elas evoluíram por vias diferentes (embora seja claro que a Astrologia Indiana teve uma evolução muito mais avançada pelo número de elementos que ela possui ser superior), mas compartilham de uma raiz comum, que surgiu mais ou menos no primeiro século da era cristã com as rotas comerciais criadas por Alexandre. Essa é a perspectiva dos historiadores da ciência, embora seja objeto de discórdia com os indianos, que consideram sua astrologia muito mais evoluída e se acham no direito de afirmar que eles são os criadores desta ciência… Muito controvertido… De qualquer forma, enquanto os Ocidentais se baseiam unicamente no mapa natal, os indianos criam mapas baseados no mapa natal para analisar outros assuntos que circundam a vida do nativo.

Toda essa discussão deve ser pautada pelo pragmatismo. Sendo os mapas divisionais descritos por maharishis (os grandes sábios iluminados da Índia) ou não, é evidente que eles funcionam. Eles ganharam tanta importância que são mapas usados para corrigir o horário de nascimento! Enquanto um astrólogo ocidental usa eventos para corrigir o mapa segundo sua técnica preditiva predileta, os indianos usam os mapas divisionais para corrigir o horário de nascimento consoante a sincronicidade dos eventos com a estrutura desses mapas, uma abordagem que acho muito mais segura.

Atualmente, algumas escolas analisam os mapas divisionais com regras específicas que diferem do mapa natal, mas a escola que sigo com maior fidelidade considera que não há diferenças no modo como se deve interpretar, mas sim no significado das casas em cada mapa divisional. Assim sendo, todos os Ascendentes desses mapas representam como o nativo lida com aquele assunto do mapa em questão. O regente do ascendente da Dwadasamsa (vide acima), por exemplo, indica a atitude do nativo em relação a família. A casa 2 da Dwadasamsa dirá respeito aos recursos do nativo com relação a família, e assim sucessivamente.

De qualquer forma, Sarvartha Chintamani e os outros autores medievais indianos provocarão frustração a quem pensar que esses mapas divisionais são antigos e citados por eles. Em seus textos, eu não vi uma única linha a respeito. As subdivisões do zodíaco per se são antiquíssimas, mas o modo como devem ser usadas varia conforme a época. Eu gostaria de conhecer um manuscrito beeem velho com o desenho dos mapas além do mapa natal, mas ainda não tive a oportunidade.

1 Comment»

  Anonymous wrote @

Hari Om,Rodolfo , eu nao creio que os astrologos antigos usavam mapas divisionais e talvez alguns bem antigos nem usavam mapas desenhados como usamos, mas isso nao quer dizer que exista alguma incompatibilidade com pensamento antigo, em parte vai ser bom e ruim, o mapa separado ajuda ao astrologo moderno a esquecer a origem do planeta no mapa rashi, e ao mesmo tempo ajuda a visualizar o todo de rela;óes dentro do varga, por exemplo sanjay cita que no dashamsha nao devemos esquecer se um planeta veio de um signo feminino ou masculino no rashi, o vicio de olhar o mapa divisional ajuda a vc esquecer estas rela;óes.A razáo de eu achar que os astrologos antigos nao usavam mapas desenhados eh que eles nao tinham computadores para dar tudo mastigado, entao usavam mais o cerebro e com isso eram mais eficientes. evencioOm Tat Sat


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