Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Aprendendo coisas ‘da terra’ (mas com estrangeiros)

Dentro da Astrologia Védica, existe uma vertente que é especializada em prever eventos numa frequência anual, usando a posição natal do sol. Isto nada mais é do que a famosa revolução solar, que os indianos chamam de Tajaka, Tajika ou Varsha Pala (esta última significa ‘ingresso anual’). Os leitores que desconhecem astrologia védica e estudam somente a medieval, porém, terão um susto ao perceber que o ramo ‘Tajaka’ da indiana tem mais coisas em comum com a nossa Astrologia Clássica do que poderia supor. As similaridades são tantas que pode-se chegar ao absurdo de aprender astrologia clássica do ocidente estudando essa técnica… indiana.

Sim, a Tajaka tem sua profecção, que é chamada de Muntha. Além dessa, existe uma profecção específica dos indianos, ensinada por Parasara, chamada de Sudarsana Chakra, que é a profecção do Ascendente, Sol e Lua em conjunto. Esses dois métodos se destinam ao mesmo propósito, que é refinar quando acontecerão eventos prometidos por períodos de tempo maiores que um ano.

Tanto a Saudarsana quanto a Muntha nada mais são do que profecções anuais, e a muntha se parece mais ainda com a profecção ocidental por também ter um ‘regente do ano’. A diferença é que os indianos tem critérios de escolha claros para o regente do ano – que eles chamam de ‘Varsheswara‘ – enquanto o critério de escolha para o RA da profecção tende a ser mais simples – muito mais simples.

Eu diria que a descoberta dessa diferença de critérios de escolha não fará com que eu use a profecção de outra forma que não seja a antiga, pois não gosto de misturar duas escolas de astrologia diferentes, por mais que sejam parecidas. Contudo, a Tajaka é tão similar ao que fazemos na Astrologia Medieval, que é inevitável não aprender com ela: talvez os critérios de escolha do Varsheswara nos ajudem a equacionar o problema de perceber qual é o planeta mais forte para uma casa em particular, seja ela qual for. Abaixo, eu vou colocar alguns critérios e tentar adaptá-los para a astrologia medieval:

Uma casa tem vários significadores. Então é preciso ver qual deles é o mais forte e que influenciará o destino das coisas indicadas pela casa. Assim sendo, abaixo há um algoritmo que nos ajuda a perceber como se dá esse processo.

  1. Separe todos os regentes da cúspide da casa (exaltação, domicílio, triplicidade, termo, face) e seus significadores (exemplo: marte para irmãos na casa III, júpiter para filhos na V, etc.)
  2. Agora veja aqueles que aspectam a casa. Ignore os que não aspectam a priori.
  3. O planeta que aspectar a casa e que estiver mais dignificado será o significador da casa.
  4. Se dois planetas tiverem um mesmo número de dignidades, aquele que aparecer o maior número de vezes na lista de regentes da cúspide da casa e de significadores será o significador eleito.
  5. Se nenhum dos candidatos fizer um aspecto benéfico na casa, pode-se aceitar um aspecto ‘maléfico’ (quadratura e oposição).
  6. Se nenhum dos candidatos aspectar a Casa, escolheremos o candidato com o maior número de dignidades.
  7. Se nenhum dos candidatos aspectar a casa ou tiver dgnidade essencial, devemos escolher o candidato que seja do mesmo séquito que o mapa (júpiter, sol e saturno são diurnos, lua, vênus e marte noturnos, mercúrio a depender de quem ele aspectar ou se associar).

Vamos delinear um mapa aleatório:



Vamos usar dessa vez o zodíaco tropical e analisar a Casa 3 (irmãos) desse nativo. O sistema de Casas é Alchabitius.
Casa 3 (20°Gêmeos35′)
  1. Domicílio = Mercúrio
  2. Exaltação = 0
  3. Triplicidade = Saturno – Mercúrio – Júpiter
  4. Termo = marte
  5. Face = Sol
  6. Significador de irmãos = Marte
Podemos incluir na lista em questão outros pontos ligados ao irmão, como o Lote dos irmãos (Ascendente + Júpiter – Saturno), mas isso só serve para aumentar nossa certeza.
Saturno está exaltado – tem dignidade, se comparado aos outros planetas da lista – e aspecta a cúspide da casa 3 com aspecto benéfico (trígono). O sol também está dignificado, mas ele aspecta com sextil, mais fraco que o trígono. Isso é suficiente para mostrar Saturno como significador dos irmãos. E o que isso implica? Sempre que eu estudar as técnicas de previsão e Saturno for evidente, eu sei que haverá algum conteúdo de casa 3 associado, principalmente irmãos.

No ano de 2005, meu irmão teve que tomar decisões importantes na sua vida acadêmica, e isso veio acompanhado de uma pequena crise, que terminou bem. A Firdaria que estava ativada no meu mapa era Mercúrio-Saturno. Mercúrio é o regente da Casa 3 com maior dignidade na cúspide da Casa 3, enquanto Saturno é o significador dos irmãos como visto acima. Isso mostra a aplicação da técnica. Mercúrio, enquanto regente da 3 no exemplo sempre será importante para a Casa 3, mas Saturno delimita com maior precisão quando os eventos podem ocorrer.


No comments yet»

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: