Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Conjunções Júpiter-Saturno.

As grandes conjunções Júpiter-Saturno indicam grandes mudanças na humanidade e nos países nos quais ela acontece. Abu Mashar diz que essas conjunções são mais importantes nos países representados pelo signo da conjunção, mas é claro que não nos restringimos somente a eles.

É preciso, porém, mostrar que as conjunções Júpiter-Saturno não são todas iguais. Existem conjunções mais importantes: são aquelas que ocorrem nas mudanças de triplicidade.

Parece complicado, mas não é. Se você notar a sequência das conjunções, elas apresentam um comportamento mais ou menos regular. As conjunções apresentam uma sequência de 12 a 13 vezes num mesmo elemento – chamado também de triplicidade – e em seguida passam para a triplicidade seguinte. A ordem é sempre a seguinte: fogo – terra – ar – água, bem como no zodíaco.

Teoricamente, as mudanças de triplicidade ocorrem a cada 240 anos. Teoricamente também, a conjunção volta ao mesmo elemento a cada 960 anos. Por que teoricamente? O que acontece nos céus não é nada regular.

Se você perceber, as conjunções tem um comportamento muito irregular em algumas épocas. Quando há a mudança de triplicidade, a conjunção seguinte tende a voltar ao elemento anterior. Por exemplo, no ano 26 antes de Cristo, a triplicidade mudou da Água para o Fogo. A grande conjunção ocorreu em Leão. A próxima conjunção a essa ocorreu no ano 7 depois de Cristo, e ela ocorreu no signo de Peixes, que pertence à triplicidade que imperava antes da conjunção ocorrer em Leão. Essa irregularidade é típica das mudanças de triplicidade da série de conjunções. Eu poderia citar diversos outros exemplos, mas esse é suficiente.

Os antigos Astrólogos tinham dificuldade no cálculo das conjunções com a mesma exatidão que temos hoje, então criaram um método que foge da realidade acima, mas que se baseia numa filosofia que valoriza a perfeição, mais do que a irregularidade. Eles criaram o conceito de “conjunções médias“.

Não se tratava de aproximação. Kusyar ibn Labban e Abu Mashar sabiam que as conjunções médias não correspondiam à realidade, mas eles queriam estabelecer um grau de prioridade: com tantas conjunções acontecendo numa ordem irregular, em qual delas devemos nos basear? Daí que o conceito de conjunção média foi importante, embora surreal.

Para encontrarmos as conjunções médias, deve-se estabelecer uma data em particular para começar a contar intervalos de 19,8613 anos, que separam as conjunções e que são contadas a partir de Áries. A próxima conjunção se encontra a 242,4214° de longitude da conjunção anterior, o que dá aproximadamente nove signos de distância.

Qual a consequência mais imediata de se traçar períodos regulares de conjunções sem se preocupar com o que realmente acontece nos céus? É evidente que as conjunções acabam por não coincidirem com o que se observa na realidade… Isso pode ser uma aberração, mas alguns astrólogos atualmente consideram que não.

Steven Birchfield considera que uma conjunção que marque a mudança de triplicidade só será importante se ela ocorrer tanto no zodíaco tropical quanto nas conjunções médias. Isso muda – e muito – o julgamento. Antes de conhecer o conceito de conjunções médias, eu concluí que a conjunção júpiter-Saturno em Libra no ano de 1981 seria uma mudança de triplicidade, pois antes dela as conjunções aconteciam em signos de terra. Segundo a ordem das conjunções médias, essa conjunção não seria tão importante porque ela não coincide com a mudança de triplicidade da série da conjunção média. Por essa série, a conjunção de 1981 não existiu. Pela média, houve uma conjunção em 1980, no signo de Leão. Ainda seguindo as conjunções médias, o ano de 2040 que será importante, por ter uma mudança de triplicidade do fogo para a Terra, dessa vez no signo de Virgem. Essa conjunção coincide com outra – no zodíaco tropical – que ocorrerá em Libra, e mais uma vez o que acontece no zodíaco sideral coincide com as conjunções médias…

O que fazer com toda essa informação? Agora que sabemos das conjunções médias, como devemos proceder? No presente momento, minha opinião é que o zodíaco sideral possa fornecer respostas muito interessantes para Astrologia mundial. Fora isso, de nada adianta saber dessa idéia se ela não funciona…

As conjunções que marcam as mudanças de triplicidade representam o nascimento de uma nova religião, ou mudanças sobre a religião anterior. Uma religião, mais do que uma prática espiritual, representa os princípios que norteiam uma nação e seus dirigentes. De acordo com a doutrina de Abu mashar, antes de uma dinastia nova assumir o poder, uma nova religião surge, que define os princípios da dinastia.

Antes do estado ser laico, havia uma grande ligação entre a religião e o estado. Até hoje, alguns países vivem em regime de Teocracia, mas de um modo geral os estados contemporâneos não possuem uma religião, mas sim princípios filosóficos, econômicos e científicos. Essa é a nova religião da maioria dos países, iniciada com o Iluminismo. Steven chama essa religião de Democracia moderna. (Eu a chamo de Capitalismo, mas isso seria errado porque o Socialismo Soviético experimentou princípios comuns ao capitalismo).

Para Abu Ma’shar, o nascimento de profetas é mostrado pela presença de Júpiter, Saturno ou Marte no eixo 3-9 do mapa da conjunção que marca a mudança de triplicidade. Alguns autores acham que temos de erguer um mapa exato para a conjunção, mas a maioria dos registros históricos consistiam em cartas de ingresso do Sol em 00°Áries para o ano em que ocorre a conjunção.

Eu confesso ao leitor que fiz mapas de ingresso do Sol em 00° Áries para Jerusalém, nos anos 25 e 7 antes de Cristo, mas não achei nenhuma evidência de um nascimento de um Messias. Nas Cartas de Ingresso dos anos em questão, não havia nenhum dos planetas citados nas Casas 3 ou 9, tanto no zodíaco sideral quanto no tropical. Isso me fez desanimar um pouco sobre os princípios que estava seguindo, com a esperança de que acharia algo significativo. O autor do blog Ars Astri (em latim, a arte dos astros) lança um mapa para a hora exata em que ocorre a conjunção em Peixes, no zodíaco tropical, no ano 7 antes de Cristo, como a representante do nascimento de um líder religioso (que Abu Ma’Shar chama de “profeta”). Nesse mapa, há de fato a presença de um dos planetas superiores no eixo 3-9, e o autor conseguiu até mesmo estimar uma data de nascimento de Jesus Cristo! Veja com seus próprios olhos no link.

Se o autor estiver certo, então devemos usar um mapa para o momento em que a conjunção fica exata (e não a carta de ingresso), e ignorar o fato de que a conjunção em Peixes não marca uma mudança de triplicidade. Isso foge um pouco dos princípios e mostra uma tendência a tentar explicar tudo que acontece, extrapolando um pouco com as regras. Se os princípios estiverem errados, então isso será uma oportunidade de aprendermos.

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