Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

As Revoluções Solares segundo Abu Ma’shar.

Voltando um pouquinho antes de Morin e Cardan, temos o primeiro estudo consistente sobre Revoluções Solares na obra de Abu Ma’shar. O Project Hindsight publicou a tradução para o inglês do manuscrito em grego, comparando com o a cópia em Latim, mas tanto o latino quanto o grego estão incompletos se comparados aos originais em árabe.

(Pausa para reclamação. Quem souber traduzir manuscritos árabes pode contribuir muito mais para a Astrologia do que o hermético Project Hindsight… Aliás, a Biblioteca de Sirvienta e o Gracentro estão com um trabalho fantástico).

Voltando ao texto em inglês acessível a nós, pobres mortais iletrados, eu diria que ele é deveras elucidativo. Claro que me dá vontade de sair escrevendo aqui os exemplos de aplicação das técnicas em mapas que interpretei. Eu sempre começo a interpretar mapas depois do fato, para em seguida partir para o prognóstico propriamente dito nos mapas dos meus clientes. Essa é a minha maneira de ganhar segurança.

(E tem astrólogo por aí que não consegue interpretar técnicas preditivas nem mesmo depois do evento acontecer! Eu não sei o que seria pior do que isso… Como o próprio Dane Rudhyar, que foi a um congresso e não conseguiu sequer interpretar um mapa na frente do auditório – André Barbault foi testemunha ocular!)

Depois dessa digressão-denúncia-babado-quente, vamos voltar à questão dos exemplos. Delinear um exemplo depois dele ter acontecido dá a ilusão de que conseguiríamos prever antes do evento acontecer se soubéssemos da técnica previamente, contudo só saberemos da veracidade da técnica se delinearmos um mapa prognosticamente, e posso garantir que já estou praticando isso nos mapas dos meus clientes, ainda sem um retorno porque eu a descobri recentemente.

Todas as técnicas que Abu mashar prega no seu texto são extremamente práticas. Nada de psicologuês como “um ano com signos cardinais nos ângulos indica o início de atividades, ainda que no plano mental”. Afinal de contas, estamos sempre com atividades mentais novas… Quem não tem essa renovação, precisa de um parecer psiquiátrico/psicológico porque deve estar com idéias fixas, como o esquizofrênico que constantemente fica a pedir ao médico para examinar seus pulmões.

Símbolos vazios.

Engana-se quem pensa que qualquer planeta da Revolução representará um evento que indubitavelmente acontecerá. Os planetas que “acontecem” serão somente aqueles com um papel importante no ano ou no período estudado. Abaixo, mostro os planetas mais importantes do ano:

  1. Regente dos termos da direção primária do Ascendente, também chamado de “Divisor”
  2. Planeta que aspecta o Ascendente em direção primária, também chamado de “Participante”
  3. Regente do Ano da profecção
  4. Planetas que dipõem a Firdaria.
  5. Planetas que fazem aspecto ou conjunção com os regentes acima no Mapa Natal e na Revolução.

Qualquer planeta que se encontre fora da lista acima representará eventos fracos. Na melhor das hipóteses, eles representarão NADA, levando até mesmo a pecha exagerada de “símbolos vazios”. Como diria Freud, às vezes, um charuto é apenas um charuto. Outrossim, às vezes Marte na Casa V é apenas Marte na Casa V. Não representa nada; não acontece nada. Irritante esse raciocínio, não? Queremos sempre dar significado a tudo, mas às vezes precisamos acreditar também no caos.

Da lista acima, os três primeiros itens são importantíssimos. O divisor dá a tônica do período pela Casa onde está e pelas Casas que rege; o participante especifica onde essa tônica vai acontecer. O regente do ano especifica mais ainda. Os restantes são desdobramentos dos três primeiros e não devem preceder em importância. Claro que, como falamos de duas figuras (o Mapa Natal e a Revolução Solar), os ditos “planetas eleitos” tem uma disposição dupla – uma em cada mapa – que deve ser “misturada”. É o tipo da coisa que você faz melhor à medida em que a sua experiência
aumenta. Dependendo do seu nível, fica mais evidente depois que o evento acontece (não vou mentir…).

Abu Ma’shar dá um belo exemplo mas, não se engane: um exemplo é sempre didático, como a vida não é:

Quando a distribuição e seu Regente estiverem num bom local (isto é, se os termos do Ascendente dirigido e o seu Regente estiverem numa boa Casa) no mapa natal e no trânsito (Revolução Solar), e a estrela distribuidora (Planeta Regente dos Termos mencionado) for benéfica, isso indicará a mais grandiosa fortuna. E quando o ano chegar ao Quarto Local (ou seja, quando o Ascendente por Profecção chegar à Casa IV) sem o olhar de um maléfico (aspecto tenso de Marte ou Saturno), ou quando acontecer do Regente dos Tempos (O regente do Ano da Profecção) estiver no Quarto Local do Mapa Natal num signo com o qual ele tiver alguma relação (presumo que seja alguma relação forte de regência) e o distribuidor for um benéfico e estiver no próprio termo da distribuição, incorrupto na natividade, enquanto a Lua olhar para o lote da Fortuna e viajar junto com Júpiter e se ambos estiverem incorruptos, aquele com a mudança de ano terá grande fortuna através de heranças ou depósitos a ele confiados.

O que Abu Ma’shar ensina? Combinemos significados de dois símbolos! Se o divisor estiver maravilhoso e a profecção for de Casa IV- ou se o Regente do Ano for de Casa IV – o ano promete coisas maravilhosas de Casa IV. Um dos significados da Casa IV são heranças.

Se o exemplo acima puder ser generalizado, vamos aplicar isso mais uma vez no meu mapa, para o ano que vem. Nada de pós-visões!

O Ascendente está dirigido aos termos de Mercúrio em Touro, meu segundo signo natal. Os termos de Mercúrio ainda estão angulares, quase sucedentes. A disposição de Mercúrio no mapa natal não é legal: no décimo segundo signo. Sua conjunção com a Parte do Espírito diz muito sobre o que faço para me destacar – Astrologia inclusa. Mercúrio fala simultaneamente de coisas boas e ruins.

Na Revolução Solar que vem por aí, os termos de Mercúrio em Touro caem na Casa VII: uma sugestão de que este ano buscarei amigos e parcerias. Enquanto isso, Mercúrio cai na Casa VI e está em combustão aplicativa com o Sol. Felizmente há uma recepção que pode abater a malícia da combustão: Sol recebe Mercúrio em sua exaltação. Como está cadente, o Sol indica atrasos na realização. Mercúrio – significador da Casa XII – compromete esse ano sua disposição ao Sol (o Almuten Ascendentis natal) o que indica isolamentos, intrigas, calúnias ou qualquer outro significado da Casa XII natal. Contraditoriamente, mercúrio enquanto significador das Ações do nativo se beneficia com a fama solar e sugere um ano de destaque na escrita e na carreira. Soma-se a isso que o Sol rege a Casa X a partir do Ascendente Escorpião e testemunha o décimo signo com aspecto de trígono. (Contradições são comuns na vida, e aqui não é diferente).

Enquanto tudo isso acontece, o planeta que aspecta ao Ascendente dirigido – chamado de Participante – é Júpiter. Júpiter está na Casa VII, prometendo Casamentos e associações generosas, que podem andar para trás em alguns momentos devido à retrogradação do astro. Júpiter também é significador do oitavo signo, do Lote das Dívidas e do Lote do Pai por todos eles estarem em co-presença (conjunção) com Júpiter no signo de Escorpião. Por ser um benéfico acrônico (retrógrado), Júpiter promete o livramento parcial de aflições (Oitavo Signo) ligadas ao Pai e às suas dívidas.

Mercúrio e Júpiter podem ser delineados sob a perspectiva de qualquer Casa do mapa natal. Basta derivar as Casas que você entenderá o que ele representa sgundo a perspectiva de pessoas diferentes com as quais você esteja envolvido. Claro que Júpiter se manifesta mais em Casas com as quais ele tenha alguma relação de regência. No meu mapa natal, Júpiter rege as Casas IX e XII, além de ser exaltado na Casa IV. De todas elas, eu diria que a Casa Iv é a mais importante porque Júpiter a aspecta e está conjunto ao Lote do Pai e em oposição à Lua Natal (regente domiciliar da Casa IV). As outras duas Casas (XII e a IX) são menos importantes porque Júpiter está em aversão à IX e Mercúrio está co-presente na XII e, como sabemos, posição tende a ser mais importante que regência.

Chegamos ao ponto no qual a delineação pode estar certa por vias tortas. Muitos erros da Astrologia consistem em escolher os símbolos certos e extrair deles interpretações erradas. O ano pode ser Jupiteriano, mas para quem? Se escolhermos a perspectiva errada, podemos interpretar os planetas certos de um modo errôneo. Júpiter para mim se refere a Casamento; para o meu irmão, filhos; para minha família, imóveis. Não é porque o ano é Jupiteriano que teremos todas essas coisas. Dependerá da referência (Casa) que estiver mais forte no ano. O que está implícito no trecho de Abu Ma’shar é que existe uma técnica que pode ajudar a interpretar o símbolo com a referência certa: as profecções. Nesta técnica, a cada ano as Casas e os planetas mudam de signo, chegando a outros locais e planetas, que terão a disposição temporária do ano para aqueles assuntos. Neste ano, como o Ascendente chegará ao Quarto Signo, a probabilidade de que Júpiter e Mercúrio se manifestem com relação aos temas de família é muito maior do que ao meu irmão.

Na Revolução Solar, eis que Júpiter também está no quarto signo a partir do Ascendente Revolucional… Podemos fazer inferência à família se considerarmos que Júpiter natal está na Casa VII, que é a Casa IV derivada a partir da Casa IV natal, representando o imóvel dos pais. Ter Júpiter na Casa IV esse ano sugere que a motivação da família será a construção de um imóvel, o que tem sido verdadeiro e poderá se concretizar quando a profecção ativar signos de Júpiter (a primeira ativação está prevista para o dia 27 de agosto. Júpiter na RS está oriental ao Sol, em movimento direto, na maior velocidade que poderia ter em se tratando de um planeta superior ao Sol – em sextil e à direita do luminar. Peca por ser um planeta diurno em mapa noturno, embora esteja abaixo do horizonte em signo e em quadrante masculino, o que seria o melhor local para um planeta diurno se posicionar dentro de um mapa noturno. Se Júpiter estivesse bom em ambas as figuras, o ano seria muito melhor para a família. Como o Júpiter natal apresenta problemas, muitos deles são mitigados na Revolução Solar, implicando a conclusão de que nada ocorrerá com atrasos, mas também sem nenhum evento espetacular.

Perceba que não é necessário delinear todos os planetas da Revolução: Selecionamos os mais importantes. É bem verdade que há outros planetas da lista de cinco itens que não foram delineados, mas a lógica de delineação é a mesma.

Se der tempo, postarei em seguida como Abu mashar lidava com as conjunções entre planetas natais e revolucionais – os chamados “ingressos”.

5 Comments»

  Gi wrote @

Rodolfo, eu não consigo entender direito tudo isso. Quando eu conseguir um mínimo de paz na vida, gostaria de encontrá-lo, talvez num grupo de estudos, alguma coisa. Você e Yuzuru trabalham com essas direções que não têm no Astro. Um coisa que não entendo: vale fazer pela progressão do Astro? Por lá, meu ascendente está em Libra, andou um signo, já que o natal é em Virgem; estános termos de Vênus. Daí eu vejo Vênus na RS e na progressão normal utilizada pela moderna? No caso ela está em Câncer na 11. Dá para eu trabalhar dessa forma até partir para algo mais detalhado? Infelizmente, estou de casa em casa até alugar um quarto e o meu disquete ficou com problemas e não consigo mais abrir aquele mapa ótimo que você me deu, com minhas firdarias e outras posições. Outro detalhe que me intriga é a tal da profecção. Na minha cabeça, ela está agora na casa 11 já que farei 34 anos em abril (xará ariana?!). A Lua rege essa casa e estou justamente nessa Firdaria. Enfim, me corrija se eu estiver errada e diga se posso trabalhar com as direções indicadas pelo site Astro. Inté!ps: meu interesse por astrologia e a Medieval vem aumentando gradativamente e tenho muito interesse em estudar mais e mais. Aprender árabe no meio disso tudo que é minha vida não sei se será possível, mas eu garanto meu total interesse. /Se no início pudesse ter um grupo de estudos ou no futuro um curso baratinho… ;-)) Não sinto a mínima vontade de estudar com esses ditos feras. Comprei um livro e tal mas muito superficial; não dá para jogar $ fora na altura do campeonato!!

  Gi wrote @

Adendinho: acesso minha Firdaria pelo site linkado n Yuzuru. De tanto ver, já decorei quase tudo. ;-))

  Gi wrote @

Vixe Maria, me confundi: a regência do termo do ascendente progredido (direção básica!) é de Júpiter. o danado tá cadente na rs desse ano. Ao menos, dispõe Martee Vênus em Peixes (retrógrada até segunda ordem) na IV, angulares mas sem estarem próximas do ângulo FC.

  Dr. R wrote @

Oi Gisele, “progressão” é uma técnica diferente e receio que dê resultados diferentes ou errôneos se aplicada conforme o tipo de raciocínio acima.Estou dando aulas de Astrologia quinzenais a uma Astróloga que deseja aprender Astrologia medieval. com um interesse de mais pessoais, talvez possa até mesmo dar aulas num espaço maior.

  Gi wrote @

Ué, então não é válida a outra do Astro? Não entendo mais nada.Poxa, Rodolfo, eu tenho muito interesse nas aulas, mas a vida continua um caos. Com certeza, como te falei, vou querer quando tudo aquietar. SAbe-se lá quando. Ninguém trabalha de graça, claro, mas queria tanto me reunir em grupos..


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