Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Insights sobre o papel de um regente.

Existem alguns assuntos cruciais dentro da Astrologia Tradicional, daqueles que ninguém tem um consenso muito claro. O papel do regente de um signo é um deles.

Eu vou repetir aqui o que falei em vários artigos. O que eu sempre entendi acerca da teoria que Masha’allah defende nos seus livros? Um esquema no qual o planeta que rege o signo tem que aspectá-lo para representar seus assuntos. Se Marte não aspecta Escorpião, então tudo aquilo que o Escorpião representa passa por necessidades (do inglês “needy“). A solução para essa falta de aspecto entre o regente e a Casa é usar um outro planeta que tenha autoridade sobre a cúspide da Casa (uma regência menor, seja de termo, triplicidade ou até mesmo face) e ao mesmo tempo que a aspecte. A teoria é muito bonitinha, mas observar isso fica difícil.

Eis que descubro o tratamento que Vettius Valens dá aos regentes. O terceiro livro da Antologia de Valens discorre sobre mil e uma maneiras de saber quantos anos a pessoa viverá. O primeiro método consiste em encontrar o Predominador, que pode ser um Luminar ou o Ascendente. O Predominador nada mais é do que o Hyleg da Astrologia árabe, mas Valens dá a ele um tratamento levemente diferente. Uma vez encontrado o Predominador, Valens dizia que devemos ver se o regente dos termos do Predominador o Aspecta e se ele está forte na figura. Caso positivo, esse regente dá ao nativo os anos que ele representa (mercúrio 76, Vênus 84, etc.). Na Astrologia Árabe, não é bem assim que funciona: o Hyleg-Predominador também deve ter aspecto de um regente, mas pode ser qualquer regente dos mais fortes – domicílio, exaltação, triplicidade, termo. Mesmo assim, a maioria dos autores davam preferência ao regente do termo, da mesma forma que Valens.

Voltando a Valens, ele nos dá as instruções para casos nos quais o planeta regente dos termos não aspecta o Prdominador. Quando isso acontece, o Predominador está a mercê do que encontrar no seu caminho, mesmo com um regente forte na figura. Nesse caso, qualquer planeta maléfico em aspecto com o Predominador por direções primárias pode matar a pessoa antes dos anos prometidos pelo planeta. Em outras palavras: na ausência de aspecto entre o luminar/Ascendente e o seu regente, os anos de vida prometidos pelo regente não valem de nada. Valens chamava o regente dos termos do Predominador de “Senhor do Mapa”. Nessas situações, Valens dizia que o mapa não tinha um Senhor.

Onde quero chegar com essa discussão? Sobre o papel de um regente, independentemente do ponto analisado. Qualquer coisa dentro do mapa terá um regente porque qualquer coisa do céu se projeta sobre o zodíaco.

Quando um regente aspecta seu signo, as coisas que estão dentro do signo tem um vir-a-ser claro. Se Saturno rege a minha Casa X e ao mesmo tempo lança raios para essa Casa, Saturno tem um projeto definido sobre o que essa Casa terá ao longo da vida. Pouco-a-pouco, Saturno modelará a Casa X para se manifestar de acordo com o que ele representa no meu mapa. No meu mapa, Saturno na Casa VII pode indicar que a minha carreira estará ligada à minha parceira.

Se não houvesse aspecto entre Saturno e a Casa que ele rege, eu não teria um projeto de vida claro para a Casa X. Minha carreira, minha mãe – ou qualquer coisa representada pela Casa X – estariam a mercê de coisas boas ou ruins que encontrassem pelo caminho, tomando as formas dessas coisas. Nesse caso, o “projeto” que Saturno descreve no meu mapa para a minha carreira não valeria de nada. Se seguirmos o raciocínio de Valens, uma Casa, planeta ou Parte que não aspecta seus regentes é como uma pessoa sem um projeto de vida claro. Ela é abalada por tudo que acontecer a ela, tanto para o bem quanto para o mal. A realização final prometida pelo seu regente não está garantida, e o ponto analisado ganha os contornos daquilo que encontrar pelo caminho.

Esse papo está muito metafísico porém ele comporta todo o raciocínio que Valens usa para o predominador e seu regente. Talvez você ainda não tenha percebido, mas estamos falando de algo com implicações práticas na delineação. Essa teoria dos regentes não é somente para o Predominador. Ela abarca qualquer ponto que se projete no Zodíaco, seja ele um planeta, uma Casa ou uma Parte Árabe.

Como seria uma pessoa com o Ascendente sem o aspecto do seu regente? Seria alguém que, a cada mudança nas técnicas preditivas, mudasse radicalmente o seu foco de vida. Isso porque o regente do Ascendente não pode ditar a forma que sua vida tomará. Para ilustrar isso, nada melhor do que considerar dois casos de exemplo: um com o regente do Ascendente em aspecto ao Ascendente, e outro não.

No primeiro caso, o regente do Ascendente promete uma manifestação da pessoa. Quando o Ascendente, por técnicas preditivas, sofrer mudanças, essas mudanças não serão tão radicais se entrarem em conflito com o que foi prometido pelo regente do Ascendente. No caso de não haer aspecto entre o Ascendente e o seu Regente, a cada mudança que o Ascendente sofrer em técnicas preditivas, a pessoa reorienta toda a sua vida para as coisas indicadas pelo planeta que aspecta o Ascendente na técnica preditiva.

Recentemente fiz um mapa de uma mulher cujo regente da Casa X (marte) estava em aversão – ou seja, não aspectava o signo da X. Tomei a iniciativa de falar da sua carreira antes que ela me dissesse algo (coisa que qualquer Astrólogo deve fazer para evitar “previsões” após o fato). Disse a ela que sua carreira não tinha um foco definido e que não sabia o que fazer da vida, fazendo escolhas conforme as circunstâncias.

Após essa introdução, ela me confirmou que no ano do término da sua faculdade de medicina, estava completamente perdida e resolveu fazer uma residência médica em clínica médica. Segundo ela, foi um ano terrível, porque estava fazendo uma coisa que odiava. Nesse momento de crise, ela decidiu que faria outra especialização. Esses problemas se deram na Firdaria Mercúrio Marte, sendo mercúrio o significador profissional dela e marte o regente da X. Uma pessoa que vai experimentando as coisas até encontrar uma que goste é uma boa descrição para um regente em aversão ao seu domicílio. Nesse processo de experimentar coisas, ela pode encontrar uma que lhe cause sofrimento.

Todo esse nosso papo aqui já foi uma reflexão profunda de outros Astrólogos. Um deles – não me lembro quem – trouxe de volta as mesmas metáforas que os gregos usavam para explicar a Astrologia: um signo que não é aspectado pelo seu regente é como um barco à deriva, sem destino certo. Pode ser que um bom vento leve o barco a uma ilha paradisíaca; ou a uma tempestade tropical.

1 Comment»

  Gi wrote @

E no meu mapa, claro, é Saturnoe Marte. ;-0 E oprimeiro só aspecta planetas transpessoais como Júpiter e Plutão. O segundo tem a recepção de Júpiter. Até hoje, não consigo entender as minhas casas 5 e 6. Talvez porque elas não tenham significado certo na minha vida e “tomam a forma” dos acontecimentos de acordo com os trânsitos e a posição de Saturno nas diversas técnicas de previsão. Cada um tem seus problemas, mas ter um Saturno aspectando 5 e 6, sinceramente, é horrível. ;-0


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