Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Conceitos fundamentais de Astronomia.

Mais cedo ou mais tarde eu teria de escrever sobre conceitos de Astronomia aqui, pois começaria a ficar bem difícil de explicar algumas coisas sem essa introdução.


A Esfera Celeste

O céu é desenhado como uma esfera; no centro dela, está o nosso planeta, pois a Astrologia tem uma observação geocêntrica do céu.

Os planetas e as estrelas estão em algum lugar da “parede” dessa esfera… Sendo assim, devemos criar uma maneira de mensurar a posição destes pontos. Nesse sentido, existem três sistemas de coordenadas mais populares:

  • em relação ao horizonte do observador,
  • em relação ao Equador Celeste,
  • em relação ao Zodíaco.

O céu poderia ser medido apenas com um desses sistemas porém a relação entre dois deles será importante em algumas técnicas, principalmente quando falamos de direções primárias. É fundamental conhecer os nomes dados às distâncias dos três sistemas para você saber onde está pisando. De qualquer forma, dentro da Astrologia o sistema baseado no horizonte do observador não é muito usado e não discorrerei sobre ele nesse artigo.

Cada um desses sistemas depende de um círculo que corta a esfera celeste ao meio. Deste círculo, partem outros infinitos, paralelos ao primeiro, para cima ou para baixo daquele, que apresentam tamanhos menores do que o círculo inicial, que também é chamado de grande círculo.

Como os três sistemas medem da mesma forma, os grandes círculos de cada um cortam a esfera celeste ao meio. Até aí tudo bem. Seria muito fácil se os três grandes círculos fossem alinhados, mas não… E aqui começa a jornada do homem rumo ao entendimento de um bicho de sete cabeças chamado trigonometria esféricaOs grandes círculos de cada sistema cortam o céu ao meio, mas de pontos e ângulos diferentes. Para você ter uma idéia do que falo, olha o diagrama abaixo:


A esfera acima é o céu. Na figura, o céu visível é mostrado pela cor preta; tudo que está em verde não era visível no momento do mapa em questão, o que nos faz concluir que a linha do horizonte é a linha verde-clara entre as duas zonas preta e verde-escura. Essa linha verde-clara é o Grande Círculo do horizonte, que depende da latitude terrestre do observador.
Talvez você esteja percebendo uma linha rósea no meio do desenho. Ela é nada mais do que o Grande Círculo do Zodíaco, ou simplesmente Zodíaco ou Eclíptica. Aqui, o zodíaco está aparentemente perpendicular ao horizonte mas cuidado! Na Latitude em que esse mapa foi feito, calhou do Horizonte ser perpendicular ao Zodíaco, mas isso depende da latitude do local e em outros locais o ângulo entre o horizonte e o zodíaco não será o mesmo.

Os 360 graus zodiacais são chamados de Graus de Longitude Zodiacal.

Finalizando, temos uma linha oblíqua, de cor azulada, que assim como as outras, também corta a esfera ao meio. Trata-se do Grande Círculo do Equador, ou simplesmente Equador. A Terra gira em torno de um eixo que sai nos pólos norte e sul. O Equador fica na metade desse eixo, perpendicular a ele, e também se projeta no céu.

Os 360 graus do Equador são chamados de graus de Ascensão Reta. Guarde bem esse termo porque ele “pipocará” em vários artigos.

Em outro artigo, falaremos melhor da “Ascensão Oblíqua”, mas ela já pode ser adiantada por aqui. Essa distância era chamada pelos antigos de “Ascensões da Região” e, como o nome bem diz, dependia da latitude do observador, que era chamada naquela época de “clima”. Nada mais é do que a distância do planeta contada de zero de Áries até o grau do horizonte. Devido a isso, a Ascensão Oblíqua tende sempre a ser menor do que a Ascensão Reta. A diferença entre ambas é chamada de “diferença ascensional”. O desenho abaixo, de Rique Pottenger, pode ser útil para entender essas distâncias:


Assim como no zodíaco, os 360 graus do Equador são contados a partir do Grau zero de Áries, chamado de Ponto Áries ou Ponto Vernal, que marca a interseção dos dois Grandes Círculos. Devido a isso, zero de Áries sempre tem também 0 graus de Ascensão Reta.

Talvez você esteja percebendo também uma distanciazinha pequena entre o Grande Círculo do Zodíaco e o Grande Círculo do Equador. Essa distância é determinada por um ângulo, chamado de obliquidade da Eclíptica, que poderia ser chamado também de “Ângulo do Grande Círculo do Zodíaco em relação ao Grande Círculo do Equador“. Esse ângulo, ao contrário do ângulo entre o horizonte e o Zodíaco, é constante em qualquer lugar do mundo. Ele mede aproximadamente 23 graus. e pode ser percebido com maior facilidade no ponto Áries.

Diante de tudo que foi exposto, já deu pra perceber algumas coisas estranhas. Vou começar a dissipar confusões mostrando o mesmo mapa acima, mas desenhado da forma mais comum de ser encontrada por aí. A única observação necessária para entender que ambas as figuras retratam o mesmo momento é que na figura anterior, o Ascendente está no meio da figura. No mapa abaixo, ele está à esquerda como sempre.Trata-se do meu mapa natal, que volta e meia sempre retorna aos posts desse blog, mas aposto que na figura acima ele estava irreconhecível para você…


Os mapas que vemos na Prática Astrológica omitem algumas informações do céu em prol de outras. Essa omissão implica uma percepção distorcida dos céus. É o caso da minha figura natal. Parece que todos os planetas estão colados ao zodíaco, mas isso não é verdade aqui e nunca será em mapa nenhum. A distorção fica maior em se tratando das estrelas fixas: Note na esfera abaixo o quão distante Formalhault está a direita da linha rosa do Zodíaco. Quando aprendemos sobre as estrelas fixas, porém, as pessoas dizem que a estrela Formalhaut fica atualmente no início do signo de Peixes. Isso somente é verdade se projetarmos uma linha imaginária da estrela até o zodíaco:

A tal “linha imaginária” que liga Formalhaut ao Zodíaco (linha rosa) aqui é chamada de “linha Z” e tem cor vermelha. Graças a essa linha, sabemos que Formalhaut fica no Zodíaco na altura do Signo de Peixes. Da mesma forma, outras linhas imaginárias (“E” e “H”) podem ser usadas para sabermos a quais graus do Equador e do Horizonte Formalhaut se alinha.

Parece que os Astrólogos Clássicos e medievais estavam mais interessados em medir as posições dos Astros dentro de apenas dois Grandes Círculos, a saber: o Zodíaco e o Equador mas, como todo o sistema de coordenadas, eles são bidimensionais e, por serem assim, podem ser construídos como um gráfico abcissa/ordenada. A diferença aqui, em se tratando dos céus, é que esse gráfico bidimensional simples é projetado numa esfera. Até agora, falamos apenas da reta de medida horizontal desses gráficos. Agora está na hora de apresentar as “ordenadas” desses gráficos:

A distância que um planeta possui da linha do zodíaco é chamada de latitude zodiacal. No exemplo da estrela Formalhaut, a Linha Z é a latitude zodiacal da estrela.
Da mesma forma, a distância que um planeta tem em relação à linha do Equador Celeste é chamada de Declinação. No exemplo de Formalhaut, a Declinação seria a Linha “E”.


O Sol sempre tem latitude zodiacal zero
porque ele está sempre dentro da linha do Grande Círculo do Zodíaco. Afinal de contas, a idéia do zodíaco foi derivada da observação do Sol ao longo do ano, sendo o zodíaco o caminho percorrido pelo Sol. Por outro lado, a Declinação do Sol oscila ao longo do ano, o que
produz a sensação de termos dias mais longos que as noites e
vice-versa, a depender da estação do ano.A Latitude Zodiacal e a Declinação dos outros planetas, porém, varia, enquanto a Latitude Zodiacal e a Declinação de uma estrela fixa tende a ser constante – não a toa elas serem chamadas desse modo!

Latitude: uma complexidade desnecessária?

A medida da “Latitude” foi alvo de uma das maiores complicações da Astrologia no Renascimento. Placidus de Tito criou um sistema de direções primárias que lidava com a latitude dos planetas em relação ao horizonte local, o que complicou enormemente o já complicado cálculo das primárias. Antes de Placidus, a maioria dos Astrólogos não se importava com a latitude zodiacal de um planeta nos cálculos das direções primárias.

Falar sobre a latitude das direções é um tema complicado para uma introdução como essa, mas agora você já tem conhecimento suficiente para entender algumas objeções minhas às direções primárias criadas por Astrólogos Renascentistas ou da Baixa Idade Média: a maioria desses Astrólogos levaram em conta a latitude e a declinação dos planetas no cálculo das direções. O princípio que uso para refutar tais idéias é simples: o principal sistema de referência da Astrologia é o zodíaco.

No exemplo de Formalhaut, quando quisemos determinar a longitude zodiacal dessa estrela, traçamos uma linha imaginária que passava perpendicular ao início de Peixes. Graças a essa linha, sabíamos que Formalhaut estava na altura do início de Peixes. Qualquer planeta que passasse por aqueles graus estaria em conjunção corpórea zodiacal com a estrela, independentemente das latitudes do planeta e da estrela.

Se Formalhaut fosse um planeta, sua projeção no início de Peixes faria aspecto com a projeção de outros planetas no zodíaco (não uso aspectos com estrelas fixas, apenas a conjunção!). Os aspectos dos planetas nada mais são do que ângulos que acontecem não entre os corpos dos planetas, mas sim entre as suas projeções no zodíaco porque, como você viu muito bem com a estrela Formalhaut, dificilmente um planeta estará exatamente conjunto ao Grande Círculo zodíacal. Por essa e outras razões que as direções primárias ptolomaicas são mais simples do que as placidianas, pois elas não levam em conta a latitude e a declinação dos planetas e estrelas em seu cálculo.

Placidus propôs chamar as direções Ptolomaicas de direções in zodiaco
porque elas lidam com a projeção do corpo do planeta em um determinado
grau zodiacal. As direções placidianas que levavam em conta o corpo do
planeta – aonde quer que ele estivesse – eram chamadas de direções in mundo.


Ignorar a latitude no cálculo não implica desprezá-la completamente
. Dorotheus de Sidon, em seu Carmen Astrologicum, diz que a latitude zodiacal de um planeta serve para sabermos a força de uma direção. Se o significador fosse dirigido a um promitor com a mesma latitude que ele, o efeito seria mais intenso. O trecho de Dorotheus, porém, não é suficiente para concluirmos que a latitude zodiacal de um planeta deveria ser levada em conta no cálculo das primárias. Para mim, além de serem mais simples, as direções ptolomaicas aparentam também ser as mais certas, mas isso vai requerer mais experiência da minha parte.

Nesta introdução à Astronomia, vimos que as estrelas fixas e os planetas nunca ficam exatamente no zodíaco; isso é uma ilusão que o desenho da maioria dos mapas lhe propõem. É claro que alguns planetas não se distanciam muito do zodíaco e não tem uma latitude tão absurda quanto a da estrela Achernar, que está no exemplo acima. Achernar tem latitude zodiacal e declinação absurdas!

4 Comments»

  yuzuru wrote @

Vc definiu a OA como “Nada mais é do que a distância do planeta contada de zero de Áries até o grau do horizonte.”Mas no seu exemplo, o corpo está justamente atravessando o horizonte. Entao, talvez valha a pena notar que é um caso especifico, nao o caso geral.De resto, astrologos modernos vao e voltam e gritam, mas quantos sabem o basico de trigonometria esferica ? Basicamente só os que aprenderam a fazer a carta 30 anos atras quando nao havia computador (e mesmo esses eu suspeito). Astrologia tradicional rules !

  yuzuru wrote @

Num comentario totalmente nao relacionado ao seu post, desenvolvi uma nova teoria sobre o tao horrivel mercurio retrogradoDurante mercurio retrogrado discutem mais porque nao leram, e ficam falando nao sobre o que está escrito, mas sobre o que acham que leram.que acha ? Na ultima semana tenho visto isso direto.

  rodolfo_veronese wrote @

Vou colocar a definição de Rique Pottenger, que era o cara envolvido no cálculo do Astro Computing Services:Now the Right Ascension of the planet minus the Ascensional Difference gives the Oblique Ascension, the distance along the Equator from the 0 Aries point to the intersection of the Horizon and the Equator when the body is on the Horizon. This calculation is just as valid when the planet is not on the Horizon at birth, and in that case the distance between the oblique ascension of the planet and the oblique ascension of the Ascendant is the arc of direction for when the planet will be conjunct the Ascendant.

  rodolfo_veronese wrote @

Sobre mercúrio retrógrado:Essa coisa de discutir sobre o que se acha que foi lido acontece comigo. Inclusive, acho que está acontecendo na definição da Ascensão Oblíqua, rs.Mercúrio retrógrado na minha vida sempre se mostra como mensagens falsas. Todo mundo no Orkut achava que apaguei um tópico, mas ele foi mandado automaticamente para o SPAM. E o tópico era sobre mercúrio retrógrado, rs.


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