Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Voltando a um assunto interessante

Acho que já fiz uns dois ou três posts sobre o tema que repetirei hoje porque o tema é difícil e exige algumas boas doses de revisão. Claro que sempre há o acréscimo de coisas que não foram ditas anteriormente, então eu enfatizarei as minhas indagações novas.

Os autores medievais levavam em conta uma série de pontos para se julgar apenas um assunto do mapa. Eles queriam descrever o tema à exaustão e hoje ainda somos gratos aos Astrólogos Medievais pelo grande “presente” que eles ofertaram para a posteridade, um presente principalmente para Astrólogos com um componente obsessivo o bastante para desejar saber as minúcias da vida de alguém.

Com este mesmo espírito detalhista, hoje mesmo, enquanto estava no ônibus, peguei o meu Liber Astronomiae e abri aleatoriamente no capítulo sobre a morte. Só para estudar esse tema, Bonatti dá os seuintes pontos:

  • Planetas na Casa VIII (e eu acrescentaria o oitavo signo também)
  • Regentes da Casa VIII (Bonatti enfatiza o Regente Domiciliar da VIII e seu Al-mubtazz, mas eu também colocaria o regente dos termos da cúspide da Casa VIII e os regentes da Triplicidade do oitavo signo)
  • Planetas (ou o regente) do oitavo signo a partir do Sol (se o mapa for diurno). Se o mapa for noturno, o mesmo procedimento acima a partir da Lua.
  • Casa IV, seu regente e planetas que ocuparem este signo.
  • Regentes da Triplicidade da Casa IV (que indicam o fim da vida, principalmente o primeiro).
  • Parte da Morte e seu Regente

Após citar tudo que seria necessário para prever as circunstâncias do morrer, Bonatti finaliza o preâmbulo com a mesmo tipo de frase que ele sempre usa em todos os capítulos do nono livro de Astrologia Natal:

“Porque se todos os significadores mencionados ou a maioria deles estiverem em boa condição e bem dispostos, livres de impedimentos (a saber, retrogradação, combustão, conjunção com maléficos e seus aspectos) ou se um dos benéficos estiver no oitavo domicílio, o nativo terminará sua vida em sua própria cama.(…)

(…)Mas se os locais e os significadores mencionados (ou a maioria deles) estiverem impedidos ou se um dos maléficos estiver no oitavo domicílio, ele morrerá de morte má, horrível e estranha.”

Bonatti sempre dá a mesma estrutura a quase todos os capítulos de Astrologia Natal do seu compêndio. Ele inicia o Capítulo descrevendo o tema que abordará, em seguida cita os pontos (Planetas, Partes, Casas) que tenham relação com o assunto e finaliza citando o que acontece se todos os pontos (ou a maioria deles) estiverem bons ou ruins na figura natal.

A lista a ser analisada no capítulo de morte é a mais exaustiva da qual eu já tomei conhecimento num livro de Astrologia Medieval, mas o que mais me intriga não é o seu tamanho, e sim o que Bonatti diz logo em seguida:

“E se Saturno for o mais forte nos locais mencionados e ele for o Al-mubtazz sobre o local que significa a morte do nativo, [isso significa que a morte] será por humores frios e secos.”

Após Saturno, Bonatti diz o que seria se fosse Júpiter esse tal “planeta mais forte” e vai até finalizar a lista com a Lua.

O que se entende por “força” no texto de Bonatti é confuso porque o latim do texto não distingue “força” de “autoridade”, mas estas duas qualidades se referem a conceitos completamente diferentes dentro da Astrologia Clássica. Se Bonatti estivesse se referindo ao conceito de “força” como nós o conhecemos em textos anteriores (Sahl e Mashallah), a frase acima significaria que Saturno é o planeta mais forte (angular ou sucedente e oriental) dentre todos aqueles da lista de pontos com relação à morte e por isso é o planeta com maior testemunho para descrever as circunstâncias em torno da morte e o próprio ato de morrer.

Por outro lado, se Bonatti estivesse se referindo ao conceito de “autoridade” como é descrito por autores anteriores, Saturno descreveria a morte se fosse o planeta com maiores dignidades sobre todos os pontos que descrevem o ato de morrer, independente de Saturno estar forte ou não. Note também que Bonatti diz que Saturno descreverá a morte se for o “planeta mais forte” de todos os investigados ou se for o “Al-mubtazz sobre o local que signifique a morte do nativo”. Aqui nesse ponto, é interessante citar um autor bem mais velho que Bonatti, Dorotheus de Sidon. Dessa vez, passaremos a um assunto menos mórbido e mais atraente (pelo menos para alguns), o casamento:

Mas se você encontrar o Regente do Lote (do Casamento) se regozijando na sua luz (ou seja, distante do Sol o bastante para não se queimar e ao mesmo tempo com muita luz), aspectando seu próprio local (ou seja, o Regente do Lote do Casamento aspectando o signo do Lote!) enquanto os benéficos o aspectam, e seu local for forte num ângulo ou naqueles que sucedem aos ângulos, então esse nativo se casará com uma boa mulher isenta de culpa, virtuosa, louvável nessas coisas, e ele (o nativo, claro) será nobre na sua condição e nos seus benefícios.

E se [o regente do Lote do Casamento] for Saturno, então esse beneficio e o bem serão oriundos de heranças de propriedades do pai da sua mulher ou dos seus parentes, mas a despeito disso, o nativo as terá.

O mesmo Saturno, mas dessa vez se referindo a Casamentos em geral… Neste trecho elucidativo, Dorotheus mostra que as coisas boas do Lote do Casamento só serão mostradas se o regente do lote estiver angular ou sucedente e brilhando no céu. O Regente do Lote descreve a causa dos bens proporcionados pelo Casamento, mas ele deve ser planeta com maior autoridade sobre o lote. Note que Dorotheus enfatiza que deve ser o Regente e não outro planeta que aspecte o Lote.

Tendo em vista essa passagem, devemos chegar a um consenso. Afinal de contas, o planeta mais poderoso descrevera um assunto ou o planeta com maior autoridade? Enquanto escrevo estas linhas, creio que devamos iniciar qualquer estudo com os planetas que possuem autoridade no assunto – ou seja, os planetas que tenham relação de regência importante sobre a Casa ou Lote que estudo. Se estes regentes mais autoritários estiverem aflitos, ainda temos esperança olhando os planetas que estiverem em aspecto ou em conjunção com a Casa\Lote. Nesse caso, veja o que Dorotheus diz:

Se ambos os Regentes da Triplicidade do Lote da Fortuna não aspectarem ao Lote mas sim benéficos (que não tenham autoridade sobre o Lote da Fortuna), então o nativo tem um bom sustento de estranhos junto com louvor e recomendações

Perceba que a falta de autoridade dos planetas sobre o tema implica em estranheza, alienação. De qualquer forma, os planetas indicarão coisas boas e ruins a depender da sua qualidade.

5 Comments»

  yuzuru wrote @

Muito chique o senhor, com uma das 500 cópias de Bonatti, no onibus, a 200 dolares a copia, mais remessa e impostos:-)queria ser tao chique, mas tenho qeu esperar o dolar baixar ou Ben dykes fazer uma edicao de bolso…

  gjiada wrote @

I always read and study (astrological)books in the bus too, especially in the past. The journey took at least 30 minutes so I could study a lot.Now I go in another quartier and the tube is faster :(And unfortunately Dykes’book is so expensive, and I’m very envious of people could afford to buy it🙂

  Dr. R wrote @

Why are you complaining? I suppose you were rich, hehehe.It was hard to buy the BOA. Dykes dvided the payment in four months, in the former price (most expensive)… And I was studying medicine yet! Rs.

  Madame Celeste, wrote @

Olá, Conheci seu blog por acaso e gostei muito. Vou visitá-lo sempre. Abraços

  rodolfo_veronese wrote @

obrigado, basta acompanhar que vem mais coisas por aí…


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