Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Discussões que me cansam um pouco.

Estou no Orkut há quatro anos e sempre as mesmas discussões retomam a cena. A pessoa que propõe a velha questão, vestida de um novo fórum, costuma se enraivecer porque os veteranos insistem em não discutir tudo de novo, apenas indicando os links de fóruns antigos que tratam as mesmas coisas que ela sugere. Eis as mesmas questões que sempre pipocam:

  • A velha e nauseabunda questão de destino versus livre arbítrio.
  • A mais que comentada questão de mapas de homossexuais.

Sou dono de uma comunidade do Orkut, e graças a Deus isso me isenta um pouco de responder a muitas perguntas. Fico no glorioso papel de moderador e só respondo quando estou com muita vontade mesmo. Como esse blog é o meu espaço, vou comentar aqui definitivamente (ou não…) o que penso sobre os dois temas. Para discutir os dois, entretanto, cabe uma exposição sobre o modo como eu vejo a Astrologia.

Em primeiro lugar, sou médico, abarrotado de plantões e que nem sempre tem tempo de responder dúvidas dos leitores, ou até mesmo fazer as benditas interpretações que eles me pedem. Peço desculpas, mas essa é a minha vida. Pois bem, a minha carreira como médico faz com que eu não dependa da Astrologia para viver. Essa não dependência talvez gere uma postura mais contemplativa sobre disciplina astrológica do que a militância como Astrólogo sobre a regulamentação da Astrologia ou acerca da sua utilidade. Se ela é útil ou não, pouco me importa. Apenas gosto de estudá-la. Gosto de fuçar livros antigos e ver como questões importantes até hoje eram representadas. Todo esse meu procedimento não tem utilidade alguma, mas eu adoro! Não me importo nem um pouco com a utilidade da Astrologia. Se o mapa mostra um posicionamento planetário difícil, acho que a Astrologia é completamente incapaz de ajudar a pessoa sobre o que aquele posicionamento representa. Se marte na Casa XII representa o uso abusivo de drogas, creio sinceramente que a única maneira da pessoa se curar dessa enfermidade é se internar numa clínica de dependentes. Na minha visão, o céu não interfere na Terra, e vice-versa. Os problemas que acontecem na dimensão terrestre devem ser resolvidos com elementos da esfera Terrestre. O céu não possui causalidade alguma sobre a Terra, apenas representatividade.

Finalizando o tema da utilidade da Astrologia, se uma pessoa me pergunta qual seria a utilidade de se prever o futuro, eu responderia com a maior sinceridade que não há a princípio utilidade alguma nisso, mas é uma coisa que me encanta por ver que funciona. Como desacreditamos da Astrologia por muitos séculos, desaprendemos a como tirar proveito dela. Talvez o tempo nos mostre como pode ser útil.

Agora que tocamos na questão da utilidade, queria comentar outro tema importante que é o do livre-arbítrio. Em 99% dos mapas nos quais previ coisas antes delas acontecerem, meus clientes não fizeram nada para que as previsões não se realizassem. Talvez porque muitas das previsões consistiam em desejos que essas pessoas tinham de realizar projetos – o mapa apenas confirmou o livre-arbítrio delas em seguir determinado rumo. Em muitos casos, porém, o mapa representou eventos difíceis ou trágicos. Da mesma forma, as pessoas não me perguntavam o que deveriam fazer para se livrar desses eventos. Até hoje não tenho uma resposta para esse tipo de pergunta, e confesso que o Astrólogo não é a melhor pessoa para respondê-la. Isso porque a vida do consulente não é minha, eu não sei os recursos que a pessoa tem em mãos para resolver essas questões! Não cabe a mim, enquanto Astrólogo, ditar soluções!

Portanto, caro leitor, essa dúvida sobre destino versus livre-arbítrio, a meu ver, é uma neurose obcessiva do ocidente, completamente inútil se observarmos o que realmente acontece nas vidas dos nossos consulentes! Se você tem o desejo de fazer alguma coisa, o mapa mostrará todo a trajetória desse desejo, se ele resulta em concretização ou não, etc. Isso independe da pessoa ser influenciada pelo Astrólogo, uma vez que alguns mapas são interpretados por terceiros que não entram em contato com os donos do mapa, mas sabem os passos que elas tomarão. Isso é um argumento em réplica àqueles que criticam a Astrologia por “ditar o destino” das pessoas, principalmente as histéricas.

Sobre a homossexualidade.

Tudo que está na Terra tem uma representação celestial. Isso inclui a sexualidade, porém na prática, vejo que a minha capacidade de prognosticar temas sexuais se resume em descobrir se a pessoa é devassa ou não. Nunca consegui ver de antemão se a pessoa era gay ou hetero, mas vi em muitos casos pessoas que tinham uma vida sexual “agitada” com posicionamentos planetários que representavam isso. Trata-se de uma confirmação dupla: pela tradição e pela experiência. Confesso que muitas configurações que indicam homossexualidade não constam em mapas de gays. O contrário também acontece: existem heterossexuais com mapas de configurações indicando homossexualidade. Das duas, uma: ou ainda não encontramos um autor que nos ensinasse a ver isso no mapa, ou nunca saberemos.

Na comunidade Astrológica, não é de bom tom dizer que o mapa representa homossexualidade. Muitos astrólogos combatem ferrenhamente essa idéia. Eu não posso dizer que isso é verdade ou mentira pois não disponho de dados o suficiente. Minha saída pela tangente, contudo, é temporária. Sou um grande empirista. Se descubro que alguma coisa é factível, não me envergonho de dizê-la, a despeito de deixar um acadêmico ruborizado.

O tema “homossexualismo no mapa” sempre esbarra em outra questão extra-astrologia: sexualidade é algo em constante transformação ou estático? Pode um heterossexual se tornar homossexual no futuro, para em seguida ser novamente heterossexual, ou a sexualidade é algo irrevogável, ainda que tardio? A resposta a perguntas como essa dependem da perspectiva do praticante. A astrologia sempre foi uma disciplina interpretada ou explicada com base na filosofia contemporânea aos seus praticantes, por isso não é possível imaginar a Astrologia Clássica e Medieval sem Sêneca, Platão e Aristóteles. Da mesma forma, acho que os praticantes de hoje tem de ser honestos com seus leitores e afirmar que suas posições sobre a capacidade da Astrologia – incluindo o tema sobre a homossexualidade – são embasadas numa certa escola filosófica ou sociológica, como Foucault, Deleuze, etc.

1 Comment»

  Lívio Nakano M.D. wrote @

Acho natural que aconteça, de certos temas recorrerem em discussões. É o tal de "ruído de fundo", reflexo de certas angústias em comum com os internautas, em especial os com tendência à trolagem.É interessante a questão do "livre arbítrio" e a capacidade de se intervir (ou não) em alguma configuração celeste. Como tais configurações apresentam manifestações "polimorfas", eventualmente, pode situar aí alguma chance de "escape" de determinadas apresentações – mas ainda estou engatinhando demais nesse assunto para poder elaborar algo mais trabalhado.


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