Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

E choveu no Rio de Janeiro…

Esse post é uma continuação do penúltimo, que foi sobre o uso das lunações na Astrometeorologia. Seguindo o link acima, você leu que, caso a técnica de Masha’Allah funcionasse, não choveria no Rio de Janeiro até o dia 30 de agosto – quando haveria a próxima Lua Nova, mas o contrário aconteceu… Sábado, 23 de Agosto, caiu uma chuva fina iniciada às cinco horas da manhã e que perdurou toda a manhã do mesmo dia. Diante desse fato, precisamos pensar melhor porque errei. Alguns erros do meu raciocínio foram apontados por Yuzuru. (Clique aqui para ver os posts sobre Astrometeorologia que ele escreveu no seu blog)

Como veremos a seguir, ele tinha razão. No momento, não darei atenção às outras ferramentas que ele citou no prognóstico do tempo, como as Estrelas fixas e a Casa IV. Aliás, esse é um bom momento para explicar o meu método de estudo: costumo ler livros antigos e testar o que eles sugerem. Para fazer isso, “dou a cara a tapa” e uso as técnicas registradas neles de um modo literal ou quase. Caso haja erros, em seguida verifico como foi o meu entendimento do texto e tento fazer de outro jeito. Finalizando, se tudo der errado, ignoro o autor e uso um mais recente… ou mais antigo, a depender da disponibilidade de textos. O texto no qual eu me baseio é uma compilação das obras de Sahl ibn Bishr e Masha’Allah e pode ser comprada no site de Benjamin Dykes.

Porque eu começo de livros muito antigos? Porque a maioria dos livros de Astrologia tradicional se baseiam em textos que os antecederam. Seguindo esse raciocínio, quanto mais antigo o texto, menor a possibilidade de erros de tradução ou interpretação sobre o texto-base. Na verdade, o processo não é tão simples assim e alguns autores, em alguns casos, colocam nos livros a sua experiência. Isso, contudo, não é a tendência geral até o Renascimento. Considero o fim da astrologia Medieval a obra de Bonatti e o mesmo tem tratados inteiros transcritos de obras mais antigas de Sahl ibn Bishr e Umar al Tabari.

Continuando acerca dos erros apontados por Yuzuru no meu raciocínio. Em primeiro lugar, Yuzuru, em comentário dentro do post, disse que eu não considerei algo extremamente importante na delineação da Astrometeorologia – a angularidade dos planetas. Esse conceito é imprescindível, uma vez que localiza a possibilidade de chuvas dentro do globo terrestre.

Se você não entendeu ainda, vou explicar. Máshá’Alláh dizia no seu tratado sobre o tempo que aspectos de Vênus com a Lua “produzem” chuvas. O que o autor judeu – e o escritor brasileiro que vos fala – não levaram muito em conta é que em todas as partes do mundo Vênus e a Lua estarão em aspecto na Lua nova! Configurações entre os planetas são universais! Isso é motivo para que chova no mundo inteiro ao mesmo tempo? (A pergunta é retórica com resposta NEGATIVA, pra quem não entende muito bem as artimanhas do discurso…). Sendo assim, devemos considerar, no mapa da cidade que habitamos, se estes planetas úmidos aspectantes da Lua estão angulares, pois isso indica que choverá onde habitamos. Observe o mapa da Lua Cheia de Agosto calculado para o Rio de Janeiro:


Neste mapa, Vênus, Mercúrio e Saturno estão conjuntos na Casa VII. Masha’Allah diz que a lua deve aspectar os benéficos para que haja chuvas mas isso não ocorre – perceba que a Lua está inconjunta aos planetas citados no início do parágrafo. No entanto, a chuva ocorreu. Acima de tudo, Vênus, Mercúrio e Saturno estão angulares. Isso foi suficiente.

Mais um detalhe. Masha’Allah atribui às configurações entre Vênus e maléficos a representação de um tempo ruim, “com corrupção do ar, mas com pouca chuva”. Em outras palavras: sabe aquele “chove não molha”? Pois é, Vênus-Saturno ou Vênus-Marte produzem isso… De fato, choveu durante a manhã toda de sábado, permanecendo até domingo nublado, com um bonito sol a passar pelas frestas das nuvens. Havia Sol mas a umidade e frieza do ar impediu os cariocas de se aproximarem das praias… Tempo medíocre.

Masha’Allah também enfatiza que a Vênus e a Lua em aspecto em signos aquosos produzem mais chuvas do que em outros signos. No exemplo acima, Vênus estava em Virgem e choveu. Não foi uma chuva torrencial, admito.

Sobre o dia em que a chuva ocorrerá.
Ainda no penúltimo post, transcrevi que Masha’Allah considerava o dia em que a Lua fizesse aspecto com os benéficos promotores de chuva como sendo o momento do seu início. Além disso, era necessário, segundo o autor judeu, “que a Lua estivesse num ângulo” no momento em que isso acontecesse. Ele só não explica que ângulos são esses… Do mapa da Lunação ou do momento da chuva? Para tirar essa dúvida, abaixo mostro o mapa do primeiro dia em que choveu após a lua cheia:

Nada como uma boa prática para nos dar a resposta. Na figura acima, a Lua está em 20 de Gêmeos no início da chuva de sábado. Ora, Gêmeos é o quarto signo a partir do Ascendente da Lunação (Peixes). Além disso, a Lua aqui manda trígonos para Vênus e Mercúrio, os benéficos que prometiam chuvas no mapa da Lua Cheia. Este mapa nos dá uma resposta temporária à nossa questão: A Lua precisa estar num dos ângulos da Carta da Lua cheia (ou da Lua Nova) e ao mesmo tempo aspectando um benéfico – o mesmo que prometia chuvas na lunação – para que a chuva aconteça no mesmo dia.

Daqui em diante, resta testar essas dicas em várias lunações. Vamos dar a cara a tapa e prever na lua nova de 30 de agosto se haverá chuvas até a próxima lua cheia:

Aqui temos um caso complicado para uma pessoa inexperiente como eu nesse ramo… A Lua é um planeta considerado frio e úmido, mas não há muita referência a ela como produtora de chuvas. Perceba que ela está angular nessa carta, fazendo trígono com Júpiter e ao mesmo tempo se aplicando a Saturno em conjunção… Nada de Vênus ou mercúrio nos ângulos…

Vai chover? Júpiter não é lá um planeta indicador de chuvas para Masha’Allah, tampouco ele cita sobre a Lua sozinha. O Sol é considerado um maléfico dentro da Astrometeorologia por não trazer chuvas, somente tempo quente e seco conforme a sua natureza. Saturno só traz tempo ruim se estiver configurado com benéficos, e aqui ele aspecta a Lua e Júpiter – planetas não muito relacionados a chuvas nos escritos.

O ângulo mais próximo ao qual a Lua entrará em conjunção é o meio do Céu em Escorpião. No momento em que isso ocorrer, ela fará sextil com Júpiter e com sua posição conjuncional (lunação) em Virgem. No momento, eu aposto que isso não é um sinal de chuvas. Talvez não chova até a próxima lua cheia, em setembro. Vejamos se eu me ferro novamente… Como diria Zoller, “lentamente aprendemos”.

4 Comments»

  cova-do-urso wrote @

Rodolfo,Gostei muito da sua explicação. Também aprendo consigo.AbraçoAntónio Rosa

  rodolfo_veronese wrote @

Este comentário foi removido pelo autor.

  Rodolfo Veronese wrote @

Caro António, seu comentário deu-me a chance de conhecer seu blog, que descobri ser uma excelente fonte de informação, além de ter links para outras fontes da mesma qualidade.Adicionarei seu blog à minha lista de linksRodolfo.

  cova-do-urso wrote @

Caro Rodolfo,Muito grato pelo linque. Tenho sido seu leitor habitual.António


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