Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

zodíaco sideral por Ibn Ezra

Cito abaixo um trecho do Liber Nativitatibus de Ibn Ezra, astrólogo Judeu do século XII:
“Logo, faça outra figura diminuindo 8 graus a posição do Ascendente e não te importes se o novo ponto estiver no mesmo signo ou em outro. No grau em que ele cair, aponta-o na segunda figura, pondo ali a Primeira Casa. Do mesmo modo, subtrai 8 graus da cúspide de cada casa, fixando assim as casas da segunda figura. Ainda do mesmo modo, subtrai a mesma quantidade [8 graus] a cada planeta, à Cabeça e à Cauda do Dragão e à posição de todos os aspectos, estabelecendo o resultado na segunda figura. Estas são as duas figuras necessárias somente no caso atual.”

Ibn Ezra nos pede para que façamos duas figuras natais em dois tipos de zodíaco, com oito graus de diferença (chamado na Índia de ayanamsa) entre os dois. Isso significa que no zodíaco tropical, o mais comumente aplicado no ocidente hoje, o ponto Vernal – 0 graus de Áries – seria o grau 22 de Peixes nesse zodíaco proposto por Ezra.
A descoberta deste texto é sincrônica ao momento em que me indago se poderíamos ter achados mais razoáveis do que o zod. tropical fazendo mapas no sideral. O momento pede cautela e a pesquisa de outros autores que confirmem esse procedimento. Infelizmente, não temos um autor contemporâneo a Ezra que possa nos ajudar nesse intento. Resta-nos os trabalhos de um astrólogo turco do primeiro século D.C. chamado Vettius Valens.
Nascido na cidade bíblica de Antioquia, Valens escreveu sua Antologia – tratado de astrologia com mais de 300 páginas em fonte pequena – em grego, “língua intelectual” do período em que viveu. Comentários de Robert Hand e Robert Schimidt afirmam que o autor usava dois zodíacos diferentes cujos pontos vernais se localizavam a 8 e 10 graus do nosso zodíaco tropical. Além disso no Primeiro Livro da Antologia, quando Valens descreve as características dos signos, leva em conta as estrelas das constelações das quais os signos se originaram. Frente a esse achado, Hand especula se Valens usou durante sua vida o zodíaco sideral.
Não se sabe se Valens usou o zodíaco sideral ou tropical porque na sua época a diferença entre os dois zodíacos (ayanamsa) era muito pequena. O estabelecimento do ponto Vernal em 8 e 10 de Áries não guarda relação, portanto, com o ritmo precessional de 72 segundos por ano. Na verdade, haviam três zodíacos disseminados entre os astrólogos da Mesopotâmia e Grécia, com seus respectivos pontos Vernais em 0, 8 e 10 de Áries. O zodíaco de Hiparco – com Ponto Vernal em 0 de Áries – tornou-se popular por ser o escolhido por Ptolomeu no seu Tetrabilos.
A grande dúvida que paira sobre a prática astrológica de Ezra é a seguinte: estaria ele usando um segundo zodíaco sideral, ou apenas outro tipo de zodíaco fixo tropical? Para sabermos isso, é preciso conhecer em que grau estava o equinócio vernal na época em que ele escreveu, no século XII. Se hoje temos um ayanamsa de 26 graus, à época de Ezra temos grosseiramente a metade desse valor, 12 a 13 graus, dando uma diferença de quatro graus se comparado ao valor que ele cita no seu texto, 8 graus.
Não se sabe se Ezra estaria aplicando nessa “segunda figura” um ayanamsa grosseiramente calculado (posto que ele não possuía computadores e era um astrólogo itinerante) ou apenas montando duas figuras em dois zodíacos fixos. Só a prática confirmará, mas este trecho de sua obra já nos é suficiente para concluirmos que um estudo dos resultados do zodíaco sideral é importante.

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