Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Retificação de mapas

O Gustavo é um dos 17 leitores desse blog que me faz a seguinte pergunta:

Abro um espaço pra uma questão: como fica a coisa da retificação de mapa frente isso tudo? Eu me pergunto. Sou bolado porque ao questionar minha queria mãe sobre o meu nascimento, apenas ouço que foi “na hora do jornal nacional”. Creio que em 1979 o jornal era no mesmo horário de hoje, mas ajuda pouco. Enfim, idéia para algum post: como se posiciona frente a essa questão? Análise de mapa, ok, mas e a retificação? Necessária?

Não fosse essa pergunta, nunca teria criado aqui o marcador de tópico “retificação”. Longe de mim sugerir com isso que a retificação é inútil; ao contrário, ela é, mas com ressalvas e questões metodológicas que devem ser discutidas em primeiro lugar.

Atrás da idéia de retificação há a fantasia de haver um horário no qual o mapa funcione perfeitamente, para todas as técnicas de previsão que você use. Esse seria “o verdadeiro horário de nascimento”. Para nos dar um exemplo perfeito de que isso é mentira, indico o astrólogo sideral Brigadier Firebrace, que acompanhou sua neta desde o nascimento e concluiu que às vezes o melhor horário de nascimento para o mapa pode ser até de um momento no qual a criança estava no útero de sua mãe! Frente a isso, conclui-se que não há o verdadeiro horário de nascimento, mas sim o melhor horário, aquele cujos achados terão grande correspondência temporal com os eventos.

Outra fantasia comum sobre a retificação tem a ver com uma técnica de previsão chamada direções primárias. Criou-se em torno dessa técnica uma aura de extrema precisão, como se ela representasse um evento único. Na verdade, você pode experimentar à época de uma direção dois ou mais eventos que tenham o mesmo simbolismo dela. Quando isso ocorre, qual evento merece ser alinhado com a direção? Se os dois acontecem em meses diferentes, qual deles é o mais correto para corrigir o mapa?

Por exemplo. Em outubro eu viverei a direção primária do sol em trígono com o Júpiter. O sol rege a casa 5 (prazer, sexo), é almuten da 1 (o nativo) está na casa 12 (hospitais) e júpiter rege as casas 9 (provas, universidade, viagens) e 12, estando na casa 7 (parcerias). Esse período tem correspondência com minha inserção em hospitais, além de viagens para fazer concursos de residência médica, as quais serão feitas ao lado da minha namorada, que também é médica. Serão muitas provas, muitas viagens, muito trabalho. Afinal de contas, eu devo alinhar essa direção com qual evento? O dia em que peguei no meu carimbo de médico pela primeira vez? O dia em que viajei para fazer a prova? O dia em que cheguei no hotel? O dia que fiz a primeira, segunda, terceira ou melhor prova? Perceba que há muitos eventos importantes que caracterizam uma época de minha vida, e todos eles podem ser simbolizados por essa direção. Essa época pode durar uns quatro meses ou mais. Frente a isso, é interessante dar uma margem de influência das direções de cerca de três meses a meio ano.

A única técnica antiga que precisa de uma grande precisão são as direções primárias. Trata-se de uma técnica que depende do rápido movimento de rotação da Terra. O ascendente percorre um grau em quatro minutos. Como um grau equivale a um ano, eis a criação do enigma da retificação. Se meu horário de nascimento for de 7:00 na certidão, mas o melhor horário for 7:08, então eu estou lidando com um atraso de dois anos nas direções! Normalmente, o que a enfermagem (que anota o horário de nascimento) faz é arredondar a hora de nascimento, em torno do que foi dito: uns oito minutos de erro. Enfermeiros e médicos estão mais preocupados com as condições de nascimento do bebê do que ficar olhando para um relógio na parede…

O autor desse artigo se apresentou despreocupado com a retificação do mapa natal, mas ele mesmo disse que quatro minutos de atraso pode invalidar as direções! Pois eu ainda mantenho minha postura. Não me preocupo com a retificação tanto assim, e mostrarei o porquê fazendo uma exposição das técnicas medievais.

Na minha prática, eu uso três técnicas:

  • Profecções;
  • Firdaria (Períodos Planetários);
  • Revolução Solar.

As técnicas acima dependem apenas da certeza de que estamos lidando com o ascendente correto da pessoa, coisa que não muda dentro de duas horas, o tempo que o horizonte leste permanece com o mesmo signo. Se a pessoa nasce 7 horas da manhã, mas duvida se nasceu às 7:30, eu faço dois mapas, cada um com um horário diferente. Se o ascendente não mudou, isso me dá segurança para não me preocupar em retificar muito o mapa, salvo se os planetas mudem de casa.

Eu posso garantir que, na minha prática, 70% dos mapas que recebo não sofrerão mudanças drásticas com a retificação de horário. Os Saturnos, Martes, Sóis e Luas continuarão nos mesmos signos e casas, regendo as mesmas casas das figuras. É apenas disso que a astrologia medieval precisa. Cá entre nós, com três técnicas de previsão você já sabe muito bem o que a pessoa viverá.

Caso a troca de horário faça com que um planeta entre na casa seguinte ou na anterior, o bom e velho sistema signo=casa nos ajuda a desvendar eventos importantes, porque mesmo que o ascendente seja a 29 graus de Touro, os planetas no signo de gêmeos ainda pertencerão ao segundo signo-casa, e assim sucessivamente. Esse antigo sistema de casas nos dá um pano de fundo seguro para interpretar o mapa. Caso você rejeite o sistema de signos inteiros e use os sistemas de casas mais recentes, como Alchabitius, Placidus e Koch, pode interrogar os eventos que o consulente sofreu na sua vida e perceber como eles se correlacionam com o mapa em diferentes horários.

Enfim, retificação é chato, mas a Astrologia Medieval tem a grande capacidade de ser precisa em sua imprecisão.

3 Comments»

  Anonymous wrote @

Está escrito!Valeu pela consideração à minha humilde observação!De cá, tem um fiel leitor do seu blog.Sds;Gustavo C.

  licia wrote @

Caro Dr. RFoi plantada, por um amigo Físico, em minha cabeçinha avoada, uma dúvida acerca da astrologia, vou lança-la aqui sem pudor e se o digno senhor puder responder, ficarei gratíssima e um tanto menos angustiada! Lá vai a dúvida : a astrologia divide os signos zodiacais em 12 grupos básicos q se relacionam com as constelações de aquario peixes aries touro e por ai vai, né não. O signo solar de uma pessoa seria a posição do sol na data natal da pessoa relativa a constelação . uma pesoa de signo solar touro teria nascido quando o sol passava pela constelação de touro. Pois bem, esse amigo me mostrou uma carta astronomica das contelações, essas 12, e as respectivas passagens do sol , num programa elaborado pela universidade federal do rio grande do sul UFRGS. Mas por eles as constelações tem tamanhos diferentes na abobada celeste , logo o sol ficaria mais tempo sobre umas contelações de q sobre outras. Por exemplo , em escorpiaão o sol só ficaria 7 dias, e tava ai a provocação , como pode isso se os signos tem divisões igualitarias de 30 dias ou algo próximo? É claro q o amigo físico quiz mostrar a mim q a Astrologia não se corresponde a Astronomia e portanto nao tem base "científica", mesmo q não se correspondam, mesmo q seja simbólica , qual a base q determina a divição dos signos em 30 dias ou 30 graus na eclíptica, se não é as constelações no céu que denominam os signos solares? busco esa responta na internet e não a encontro! Se puderes dar uma luz a essa alma angustiada juro q vou correndo até meu amigo Físico pra levar a "boa nova" !abrLí

  Dr. R wrote @

Lícia,A resposta a sua pergunta é difícil. Os signos tem 30 graus provavelmente porque os gregos tinham uma noção de perfeição diferente da nossa. Hoje em dia, nossa perfeição é sinônimo de precisão – logo os signos tinham que ser desiguais. Para os gregos, não.E tem mais uma coisa. Signo é uma idéia derivada da constelação homônima. Ele há de funcionar diferente da constelação porque no ocidente, os signos estão atrelados às estações do ano, que não sofrem nenhum ajuste com precessão equinocial. A primavera sempre começou 21 de março, isso não muda com a precessão. Ou seja, os signos do zodíaco se baseiam num referencial terrestre, mesmo sendo inspirados num conceito sideral. Estas constelações foram escolhidas com base no trajeto que o Sol faz por elas ao longo do ano, do ponto de vista da Terra. Mas a relação com as constelações pára por aí, e os signos são simplesmente signos e ponto.


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