Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Polêmicas da Revolução Solar

Interpretar um mapa isoladamente é difícil. Quando você resolve juntar dois mapas, impossível. Por essa razão que considero a revolução solar como a técnica mais difícil que já estudei.

Chega-se às vezes a uma ilusória percepção de que se têm livros o suficiente, até que novos erros gritantes de interpretação sugerem a necesidade de mais material didático. O livro XXIII de Morin de Villefranche é excelente, porém infelizmente ainda não o comprei. Ele reúne métodos cuidadosos de percepção de padrões repetidos do mapa natal na revolução solar.

Morin não lê a revolução solar como um mapa natal isolado. Na concepção do autor (pelas minhas palavras), ela é como se fosse um parasita do mapa natal, vivendo em função dele. Alguns autores modernos hão de ler a revolução isoladamente, como se fosse um mapa natal mesmo. Como um bom homem cheio de planetas em Libra que regem meu ascendente, oscilo entre esses dois extremos e tento chegar a uma técnica mais equilibrada.

Existe muita controvérsia em torno dessa técnica. Eu me atrevo a dizer que talvez ela seja a que possui o maior número de abordagens diferentes. Essa inconsistência faz com que muitos desistam dela, embora seja muito antiga. Já li num fórum que em certos anos de vida a revolução solar não traz nada de significativo. Eu seja, para esse autor, quando a RS não traz nenhuma repetição dos temas do mapa natal, ela não diz nada, porque não se pode prever algo que não está na natividade.

O astrólogo acima é um fiel seguidor de Morin de Villefranche. Era isso que o francês dizia: precisamos perceber repetições do mapa natal na RS e nas Revoluções Lunares. Quanto maior a similaridade, maior a probabilidade dos eventos prometidos no mapa natal acontecerem. Preciso dizer que algumas abordagens são muito chatas para mim, e essa é uma delas. Costumo procurar na RS o que há de diferente do mapa natal, e não o similar!

Quando Morin explicita que devemos procurar essas similaridades, ele está sendo bastante racional. Se o mapa natal não promete riqueza, não adianta ter Júpiter na casa dois da revolução, pois em qualquer ano de minha vida serei pobre. Na verdade, eu creio de um modo menos radical que Morin. Talvez eu acredite do mesmo modo que ele, mas é importante explicar com as minhas palavras como eu concebo as idéias dele: A revolução solar não contraria nunca o mapa natal, porque ela funciona dentro dos limites da primeira. Quando há uma contrariedade, ela nunca excede ao “limite” natal. Se minha natividade é de um catador de papel, no ano em que Júpiter está na casa 10, os negócios vão de vento em popa! – Talvez consiga ser presidente da cooperativa de catadores de papel. Júpiter na casa 10 da RS de George W. Bush pode sim representar o ano em que ele chegou ao “pináculo da glória”, pois em seu mapa natal o Lote da Exaltação (um truquezinho grego para ver se a natividade é de alguém que será uma figura importante) está na décima casa do Lote da Fortuna, indicando um destino como autoridade.

Já Steven Birchfield diz algo diferente de tudo que já ouvi… Seria ideal repetir suas palavras aqui, mas como sou muito certinho, isso implica em mandar um e-mail pedindo permissão a ele, para em seguida esperar uma ou duas semanas… Melhor reproduzir com minhas palavras. Pelo que entendi, o entendimento de Steve é o oposto de tudo que já escrevi nesse artigo. Para ele, o mapa natal precisa ser confirmado pela Revolução Solar, caso contrário ele dorme, inativado! Se você estuda astrologia medieval, perceba que em certas Firdarias (períodos planetários) não acontecem nada demais. Isto porque os planetas que regem o período estão em posições bastante antagônicas em relação ao mapa natal. Mais fácil seria explicando.

Por exemplo, em 2004 eu passei pelo período Mercúrio-Saturno. Mercúrio é o aprendizado, o intelecto, e como ele está na casa 12 regendo a 3 e a 6, isso acontece em hospitais. Saturno rege a casa 10 e 11, e se encontra na casa 7. Pela lógica da Firdaria, Saturno tem de realizar aquilo que mercúrio representa: eu deveria encontrar uma parceria de trabalho em grupo (Saturno) que trouxesse novos aprendizados sobre doença (mercúrio), e de fato isso aconteceu, pois namorava uma menina que fazia psicologia e tinha visões sobre saúde e doença bem diferentes das minhas naquele momento. Nesse mesmo período, um vizinho meu morreu de Câncer: mercúrio são os vizinhos (casa 3) que eu encontro no hospital onde estudo (casa 12). Saturno está na casa 7, mas rege a casa 10 e 11. Para os vizinhos, esses setores equivalem respectivamente às casas 5 (diversão, filhos, sexo), 8 (morte) e 9 (religião, viagens). Fica muito difícil perceber quais casas se manifestam com maior força às vezes. Geralmente a constatação após o fato nos ajuda a aprender. Como Saturno tem maior analogia com a morte, ele funcionou muito forte para delinear a morte do meu vizinho. Quanto aos outros significados, nem tanto.

A Firdaria acima ilustra claramente o que aconteceu, sem usarmos nenhuma técnica além. Em verdade, isso é muito raro de acontecer. Geralmente passamos ilesos por Firdarias muito perigosas, e a justificativa para isso é encontrar como o planeta que rege a Firdaria está na Revolução Solar. Talvez no caso acima os planetas na revolução de 2004 estivessem muito similares ao mapa natal, mas não me interessa no momento. Quando isso não acontece, geralmente a disposição do regente da Firdaria funciona conforme seu estado na Revolução. Houve questões muito mais difíceis para mim em 2004 que a Firdaria não mostrou, e talvez a análise dos regentes do período na Revolução mostre melhor. É por isso que eu procuro na Revolução aquilo que não está prometido no mapa natal!

Um colega de astrologia, Yuzuru, teme pela sua Firdaria lunar, já que sua lua natal está em capricórnio na casa 10 oposta a Saturno em Câncer na 4. [A lua na casa 10 regendo a quatro sugere mudanças na carreira que implicam em mudanças de residência. Como ela é almuten da 2, também há gastos financeiros. a angularidade da Lua pode fazer com que ela produza dinheiro e uma mudança de residência, mas prometendo muito mais do que realmente pode dar ao nativo]. Toda minha interpretação entre colchetes pode não se realizar: não há como sabermos se isso tudo é verdade sem analisarmos a disposição anual da Lua na RS. Segundo Steven Birchfield, Yu pode ter um ano excelente se a lua estiver em bom estado cósmico no mapa anual. Se a RS confirmar a firdaria, então o que está entre os colchetes realmente pode acontecer.

Para finalizar, preciso contar sobre o livro que comprei ontem a 10 Reais, “Seu horóscopo, seu destino”, de Marion March e Joan McEvers, da editora Pensamento, publicadora de verdadeiras heresias astrológicas que eram moda nas décadas de 80 e 90. Eu o comprei porque precisava ouvir o que as autoras achavam sobre a Revolução Solar. Eis que me deparei com a “velha” e radical visão de esquecer o mapa natal em detrimento do mapa anual. A coisa é tão absurda que o sistema de casas empregado na natividade não é o ascendente natal, mas sim o da revolução! Ou seja, elas analisam um planeta natal na casa em que cai na RS, esquecendo a casa natal. Dão especial ênfase ao regente do ascendente da RS, natal ou anual. Por exemplo: para elas, se o ascendente do ano é Touro, olhamos em que casas da RS cai vênus anual e a natal. Daí combinamos as duas casas e chegamos a uma interpretação. Se a vênus natal está na casa 4 da Rs e a anual na 9, então talvez você receba alguém de longe na sua residência. Em alguns exemplos que as autoras dão, elas chegam a resultados muito lúcidos com essa técnica. Por isso não é bom sair criticando tudo que é moderno, podemos aprender com eles, embora eu me recuse a aumentar o número de planetas. Mesmo assim, eu confesso que muitos casos do livro eram claramente visíveis pela profecção combinada às revoluções, técnica que insisto em trabalhar aqui e que fornece resultados muito bons. Vou repetí-la nos próximos posts.

Algumas idéias que expuz nem cheguei a aplicar, por falta de tempo. Cabe o bom senso e a organização quase obcessiva para interpretar dois mapas ao mesmo tempo, com planetas e suas regências duplicados…

4 Comments»

  yuzuru wrote @

Eu vi meu nome aqui citado em vao ;-)Estou honrado que ganhei uma categoria só pra mim !!!!mas tenho que pensar um pouco antes de responder, afinal o assunto merece uma certa consideracao.

  Gi wrote @

Rodolfo, quando você diz “tal planeta é Almuten de tal casa”, eu não sei o que isso significa.

  yuzuru wrote @

Gi, almuten, ou “al mutez” significa o vencedor… some todas as dignidades da cuspide de uma casa e veja quem tem mais pontos.Por exemplo, vamos supor que a tal casa começa em cancer… a lua tem 5 pontos, jupiter 4, as triplicidades 3 (lua, venus, e marte) o termo 2 e o decano tem 1.Existem variacoes do metodo, por exemplo contar todas as 3 triplicidades, ou apenas uma, etc, mas o metodo em geral é assim.

  Gi wrote @

Isso eu já fiz: deu quase empate entre Saturno e Mercúrio e antes achei que era Mercúrio, mas depois vcs disseram que 14:45 é dia, apesar daquela tebalea mostrar o contrário, aquela que eu vi, dos horários, noite e dia. O que não entendi é nesse contexto, analisando o mapa e dizendo “almuten da tal casa”. O que eu fiz foi “almuten figuris” de tudo, não foi esse?


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