Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Errando que se aprende – parte 2892347926384762



Intuição, clarividência, premonição? Que nada, bicho. A minha astrologia tá na fase racional!”

Para ser um astrólogo medieval, não é preciso fazer peregrinações ao caminho de Santiago, ser um muçulmano xiita ou guardar o shabat. Nossa técnica é claramente racional. Assim, como o Tim Maia entrou na fase racional, eu também estou nela. Use a cabeça: pratique e estude muito.
Um exemplo de prática regular consiste em se arriscar, fazer previsões. Até porque constatações após o fato é deselegante. Não tenha dúvidas disso. Nossa arte deve sempre anteceder. Isso não impede de aprendermos com nossos erros, voltando atrás em mapas cujos prognósticos não deram certo. Retrocesso, só se for didático.

O mapa acima é um exemplo claro disso. Foi coletado do último teste Dimock, site que visa testar os astrólogos de diversas partes do mundo. Ele te dá um mapa e você tem de adivinhar o que aconteceu com a pessoa, em determinada data, dando cinco ou quatro opções. Quem acerta tem a honra de ter o seu nome e explicações publicadas no site. Pela minha introdução desse post, dá pra ver que eu não estou lá novamente… Calma, gente, é o meu segundo teste.

[Vou lhes confessar uma coisa: eu prefiro errar com lógica do que postar raciocínios como aqueles das pessoas que acertaram. Com gratas exceções, não entendo uma linha das explicações dos vencedores. Além diso ser explicado pelo fato do inglês da maioria ser uma merda, isso é um diagnóstico claro de que as técnicas modernas tendem a ser vagas, sendo os poucos que acertam bastante intuitivos. Se jogassem búzios ou fizessem leituras dos grãos de café talvez acertariam da mesma forma… anyway, é inegável o mérito deles… Mas será que suas técnicas podem ser ensinadas a outras pessoas sem intuição? Esse é o desafio com o qual me comprometi desde que entrei nesse trem viciante chamado astrologia.]

Um erro astrológico tem suas justificativas mais usuais. A primeira é o astrólogo não saber interpretar o mapa devidamente com suas técnicas preditivas, a mais comum. Em seguida, vem a efetividade da técnica, pois acredito que algumas são muito vagas e não nos dão segurança. Em terceiro lugar, os dados podem não ser confiáveis. Costumo errar devido a primeira delas: ignorância e falta de experiência, que atrapalham o julgamento. Além desses fatores nocivos, existe mais um que é importantíssimo: não ler os textos didáticos com atenção, pois se eu tivesse lido com calma o capítulo sobre profecções, veria que Robert Zoller nos ensina o seguinte:

“Uma vez que a casa correspondente ao ascendente profetado foi identificada, Bonatti nos adverte a olharmos para o signo no qual está o ascendente profetado: “por esse planeta, a disposição do estado do nativo naquele ano é mostrada a você“. Mas qual regente usar? Eu tenho bons resultados com o regente do signo, às vezes com o regente da exaltação (patindo-se do princípio de que o signo tenha um). O Almuten também nos dá insights normalmente despercebidos. Da mesma forma, o regente do ano pode não ser o Almuten, mas sim o planeta com a melhor posição dentre todos os
regentes, incluindo o Almuten do signo/casa

O trecho em negrito é revelador. Olhar o planeta com o melhor estado cósmico e terrestre, dentre todos os regentes pode nos fornecer insights importantíssimos! Vejamos como isso definiria o resultado do teste.
Precisamos olhar no mapa como a mulher se casou em 1994. Esse é o gabarito do teste proposto por Dimock, mas o que encontrei? Defendi no meu e-mail ao astrólogo australiano, com toda a minha humildade, que a nativa se ganhou uma herança. Vamos dissecar o mapa dela através de técnicas preditivas.
Em 1994, a profecção dela chegou à casa 11, com Câncer na cúspide. Minha experiência tem mostrado que é inútil confiarmos na interpretação da casa projetada, esqueça-a. Mais importante do que isso é sabermos pelo regente do ano o que ele promete, mas a pergunta que não quer calar é: qual o regente? Uma casa tem vários regentes, além das partes árabes referentes aos assuntos dela!
Seja simples. Considere que uma casa tem apenas os regentes mais importantes: domicílio, exaltação, triplicidade (3) e termo, totalizando 5. O ano será uma mistura de todos esses regentes, mas é claro que o mais proeminente ganha em importância e, no exemplo acima, o mais proeminente regente de câncer não é a lua! Por conta disso, errei.

Júpiter é o regente que se exalta em Câncer e também é mais forte que a lua. (Não me interessa saber qual é o Almuten da casa, pois no sistema egípcio de termos, este sempre será o regente domiciliar ou da exaltação). O grande benéfico está em seu domicílio e angular, porém retrograda. A lua, contudo, está numa casa inconjunta ao ascendente e peregrina. A retrogradação de Júpiter, portanto torna-se algo pífio frente ao estado da lua, o que nos leva a considerá-lo como regente do ano.

Agora, a interpretação. Júpiter rege as casa 4 e 7 e, por exaltação a casa 11. Ele está em oposição a vênus, um aspecto ruim entre benéficos acidentalmente fortes, totalizando um efeito bom. A pergunta que você faria é: Júpiter se relaciona mais a casa 7 ou a 4? O aspecto de Vênus a ele o determina a assuntos sexuais e amorosos. Como ele rege a casa 7, esse é o empúrrãozinho que faltava para percebermos que ele representa um casamento! É extremamente comum encontrarmos combinações entre as casas 7 e 4 representando casamento, por motivos óbvios: em 99% dos casos, quando as pessoas se casam, vão morar juntas.

A Firdaria do período era de Saturno-Sol, convertendo-se em Agosto de 1994 para Saturno-vênus. O primeiro está na 12, rege as casas 6 e 5 e é Almuten da 2, enquanto a segunda está na 10, rege as casas 2 e 9 e é Almuten da 7. É evidente que vênus se relaciona mais a casa 7, o que confirma um pouco o nosso raciocínio acima, e Saturno tem muita relação com a casa na qual está posicionada, a 12, representando muitas adversidades, ainda mais pelo detrimento em leão. Sendo assim, as outas casas se submetem as duas principais. A nativa pode enfrentar adversidades, exílio e limitações no exterior, mas nesse subperíodo pode se casar com um estrangeiro que possua relação com sua profissão, diminuindo a sensação de solidão.

As direções primárias mostram nesse ano Vênus em trígono com o ascendente e sextil com o descendente, confirmando mais ainda nossas suspeitas de matrimônio.

Mais uma vez, aprendendo com os erros. Fiz questão de postar um trecho do meu curso de astrologia medieval para mostrar a vocês não se trata de mera deturpação minha para a técnica dar certo, coisa comum em astrologia.

Bibliografia

Robert Zoller – Diploma Course in Medieval Astrology.

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