Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

profecção védica: estranhas coincidências


Aquilo que repito de hora em hora pra vocês, a profecção, é chamada de
muntha na Índia. Agora que tenho o editor de palavras hindi, ela se escreve assim: मुन्था. A muntha é usada com o Varshaphal (वर्शाफाल), nada mais do que a nossa Revolução Solar. Postar algo assim só teriasentido se trouxesse alguns insights para nossa prática. É o que faremos.

Na profecção medieval, nós progredimos qualquer ponto trinta graus por ano. O mais comum é o ascendente. Na profecção védica, nada mudou nesse sentido também. Adiantando às mentes ansiosas como a minha, existem muitas diferenças entre a astrologia védica e a ocidental, mas eu gostartia de aproximar o que é semelhante, e dessa forma trazer questionamentos para o modo como praticamos astrologia. Uma dessas coisas que são “semelhantes, mas diferentes” entre as duas é a escolha do regente do ano na profecção.

Na profecção medieval, o regente do ano é conseguido por processo seletivo, que já demonstrei num dos meus artigos, que podem ser baixados no BOX à direita desse texto. Não custa nada repetí-lo aqui:

  1. Olhe para o signo anual onde o ascendente está. Se há um planeta ali, este é o regente do ano.
  2. Caso não haja nenhum planeta nesse signo, procure um nesse mesmo signo mas em outro mapa: a revolução solar do ano.
  3. Por fim, se não há nenhum planeta no signo nos dois mapas, o regente do signo é o regente do ano.

Na astrologia védica, o método é diferente mas estranhamente familiar. Dentre uma série de planetas que listarei a seguir, aquele que possuir o melhor estado cósmico consagra-se regente do ano. São eles:

  1. Regente do signo da profecção do ascendente
  2. Regente do ascendente da Revolução Solar
  3. Regente do ascendente natal

Entenda por “familiar” como um tipo de raciocínio que usamos para a escolha de um significador na nossa astrologia ocidental e medieval. Sempre escolhemos o planeta com melhor estado cósmico para alguns assuntos, e os hindus querem isso para a profecção. Se eles estão certos ou não, só a prática dirá. A meu ver, resultados semelhantes são obtidos nas duas escolas de astrologia (a ocidental e a védica) pela interposição de técnicas e coincidências. Determinado pode ter um regente da profecção em bom estado, e dessa forma o nativo se beneficia em ambas as leituras, que terão um resultado similar.

É bom lembrar que os hindus usam o zodíaco sideral! Para eles, o autor desse blog não passa de um pisciano. De qualquer modo, há muitas coincidências entre as técnicas e raciocínios das duas escolas.


Vamos aplicar separadamente as duas técnicas acima no meu mapa de 2006. Foi um ano que experimentei muito dinheiro e uma quantidade avassaladora de trabalho, prejudicando minha saúde com insônias recorrentes. Em 2006 o ascendente chega a casa1, pois completei 24 anos. E lá havia o sol no primeiro signo. Ele é o regente do ano. Está na casa 12, rege a casa 5 e aspecta o almuten da 10, marte. Como ele possui analogia com fama, e aspecta uma casa de fama, aqui vemos o nativo com uma chance de evoluir na sua carreira, e de fato isso aconteceu. Agora devemos recorrer à revolução solar para avaliarmos a situação do sol em ambas as figuras:

Lá está o sol, na casa 2, representando dinheiro. Esse ano representou a libertação de certas restrições financeiras para mim, mas o trígono com saturno implica num ritmo pesado de trabalho, que não impede nada, posto que a interação se dá por trígono.

Na muntha, os regente são esses:

  1. Regente da muntha: marte
  2. Regente do ascendente da Revolução Solar: Saturno
  3. Regente do ascendente natal: marte

O estado cósmico dos planetas em questão é péssimo nas suas respectivas figuras. Marte da revolução solar, entretanto, é mais adequado, embora não saibamos se a escolha é correta, pois as regras nos advertem a avaliar o estado cósmico de cada regente no seu respectivo mapa. De qualquer forma, se tivermos de escolher o menos pior acima, este seria Saturno que, a despeito do seu estado em detrimento, é recebido pelo sol. A recepção não melhora completamente o que senti durante o ano (uma ENOOOORME melancolia, um relacionamento desfeito e trabalhos penosos), mas traz compensações claramente financeiras, pois estamos falando do sol exaltado na casa 2!

Estranhamente, chegamos ao mesmo resultado com as duas técnicas! Essa é a interposição da qual eu tanto falo. Sendo um pouco preciosista, Saturno representou melhor o ano do que o sol. Podemos, através dos critérios védicos, escolher um regente do ano que não subverta os princípios que aprendemos. Essa estranha semelhança nos remete aos tempos de Alexandria, onde havia uma biblioteca maravilhosa, cheia de livros de astrologia, coletando e difundindo esse conhecimento dos quatro cantos do mundo conhecido.

Bibliografia


Galatic Center – Varshaphal

2 Comments»

  Astro wrote @

Não é nem um comentário sobre o assunto, é uma observação:"É bom lembrar que os hindus usam o zodíaco sideral! Para eles, o autor desse blog não passa de um pisciano."Não é bem assim, pois o signo solar tanto na védica quanto no jyotsh(pois há diferenças enormes de uma e outra ciêcia)não seria igual como no ocidente, a frease está mal colocada 2 vezes, primeiro que não precisa ser indiano para ser astrólog védico e segundo a denominação de pisciano, ariano e etc, é dado onde está o Lagna da pessoa e não o Sol.

  Dr. R wrote @

na época em que escrevi esse texto, o termo astrologia védica era usado de maneira intercambiável com o termo jyotisha (ciência da luz). Depois aprendi que, sendo preciosista, um não deveria ser sinônimo do outro. A correção foi implícita nos textos a partir de 2008. Pelo que conheço de Jyotisha, nem mesmo os autores indianos dessa ciência conhecem alguma coisa sobre astrologia Védica. Se você aponta uma distinção entre uma e outra, suponho que você conheça a segunda, o que suspeito ser inverídico.sobre a minha frase citada:"É bom lembrar que os hindus usam o zodíaco sideral! Para eles, o autor desse blog não passa de um pisciano."em primeiro lugar, a maioria dos hindus usam o zodíaco sideral. Evidentemente, o fato de uma pessoa ser indiana não implica automaticamente o uso desse tipo de zodíaco, mas estava fazendo uma referência à origem da Astrologia Jyotisha, que é indiana.Em segundo lugar, eu já sabia que os indianos em grande parte valorizam o Rasi lagna, MAS TAMBÉM o Chandra Lagna (e portanto sua colocação foi parcialmente correta) mas este é um blogue de um ocidental e escrito para ocidentais, portanto a ilustração do Sol em Peixes no zodíaco sideral foi uma espécie de licença poética para facilitar o entendimento por parte de um ocidental ignorante a respeito da diferença entre os zodíacos tropical e sideral.


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