Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

cansaço filosófico

Não sei se vocês sabem, mas sou moderador de uma comunidade do orkut chamada “astrologia sem censura”. Durante algum tempo lá, tem surgido muitas discussões filosóficas acerca da astrologia. Existem pessoas gabaritadas para isso, que levantam temas sobre as bases filosóficas da nossa arte, como Alexey Doodsworth Magnavita, uma ser cuja alma é incomparável, e nem sei se ele acredita nesse conceito, com bagagem niilista que possui.
Até aí tudo bem. Inicialmente, eu me detive nas discussões, mas sem escrever muito. Não sou filósofo e mal li uns trechos de Foucalt e Niesczhe (nem sei se escrevi corretamente). Comprei o Timeu de Platão, mas não consegui terminar, achei entediante e concluí que prefiro ler comentários de filosofia. Alguém podia criar “Filosofia para Dummies”.
Por conta de tudo isso, eu poderia me sentir bastante inferiorizado numa discussão filosófica sobre qualquer tema, mas meus estudos de história da medicina e das ciências me ajudaram a criticar qualquer discursso que se impõe como predominante. E o que vemos são pessoas dentro da astrologia que querem ratificar uma dada postura perante o mapa através da filosofia. Eu sempre dei margem a essas pessoas, pelo próprio tipo de espaço que o orkut é, mas agora preciso dar a minha modesta opinião sobre essa interação astro-filosófica.
Para mim, tudo que pode ser constatado na prática usual de leituras de mapas deve ser o substrato para que possamos chegar a uma base filosófica da astrologia. Um exemplo disso é a questão do homossexualismo nos mapas: existe? é possível?
Em primeiro lugar: se a pessoa é gay, poderá ela mudar de opção sexual durante a vida? Se ela for heterossexual, isso também é possível? Todas as escolhas são sucedidas por comparações de como a vida atual é melhor sexualmente do que antes. Desse modo, é pertinente perguntar: A sexualidade é mesmo uma escolha, ou a pessoa sempre ocultou seu desejo latente dos outros?
Para o sexo, “escolha” é um termo muito perigoso. Se fosse realmente uma esclha consciente, muita gente gostaria de ter nascido hétero. Dá menos trabalho, a família sofre menos, você é mais socialmente aceito em sociedades latinas como a nossa… Uma beleza. Acredito que um hétero experimente o mesmo sexo por curiosidade, a mesma coisa um gay mas essa “eleição”, para mim, é desde o início “fraudada” pelo desejo imperioso que reinará até a pessoa morrer.
Essa conversa de sexualidade definitiva irrita a quem “gosta de meninos e meninas”. O bissexual normalmente odeia o preconceito usual que tanto os héteros quanto os gays têm deles: como se tivessem de decidir entre um lado e outro! Ora, mas eles já se decidiram: gostam dos dois!!!
Perante a base acima, qual o problema de acharmos no mapa se a pessoa é gay ou não? E se eu testar os aforismos antigos e perceber que eles tinham razão? Qual é o maldito problema de tudo isso? Isso que me cansa em eventuais filosofias astrológicas: impedir a construção de um conhecimento que pode se mostrar interessante por conta de um moralismo pós-moderno.
Já encontrei mapas que se encaixavam perfeitamente nos aforismos E eram gays. Ao contrário da astrologia moderna, eles são mais complexos e você pode atestar pela prática se são verídicos ou não. Isto porque existe toda uma tradição herdada de Ptolomeu (ou do falso ptolomeu dos árabes, que é muito importante também) com poucas alterações nos aforismos. Não há muito que fugir dali. Isso é bom para testá-los. Na astrologia moderna, cada autor tem a sua idéia do que é um mapa de gay, e isso só diz que ele atrai um tipo de ser humano, gay ou não, com aquela configuração!
Conclusão: antes de julgar se uma coisa é possível ou não, teste-a. O resto é filosofia da astrologia, sem praticidade. Estou filosoficamente cansado!

8 Comments»

  yuzuru wrote @

Hmmm, nunca dei meu palpite nessas discussoes “filosoficas” do sem censura… obvio que cada um tem o direito de falar sobre o que quiser, principalmente nessa comunidade em particular, reinada por dois ou tres chefinhos e seus seguidores.”eu poderia me sentir bastante inferiorizado” nao vejo porque, porque nenhuma das pessoas em questao sabem o minimo de filosofia, tipico picareta.E, sinceramente, só entre nós dois e quem for ler esse comentário e sabe a quem estou me referindo, mesmo entre os poucos que sabem filosofia, sao consideracoes totalmente irrelevantes a pratica astrologica, e que portanto só servem pra propagandear uma postura de “intelectual”, de astrólogo com baixa auto-estima que quer ser reconhecido como “academico”.Creio que já existe filosofia para dummies, a serie dummies é enorme… me deram de aniversario uma vez Buffy e a Filosofia, mas apesar de ser divertido, os comentarios sao todos muito pobres ;-)Sugeriria para uma leitura que voce comecasse por Schopenhauer, o menos pretensioso dos filosofos, leia Dores do Mundo. A questao da homossexualidade nao é filosófica… é cultural e técnica.Cultural no sentido que homossexualidade é um constructo cultural: como diria Foucault no inicio existia a “carne”. Com quem voce trepa, e se isso é importante, é um conceito puramente cultural, o proprio fato de voce achar esse problema importante ou nao para ser investigado é um construto cultural (e portanto nao é neutro).Agora o que acho divertidissimo nas comunas de orkut é astrologo moderno, ao invés de ter uma postura humilde, que eles tanto pregam, colocar sua incompetencia metodológica ao nível de restricao epistemológica ! Vejo sempre comentários de “tal coisa nao pode ser descoberta” e depois eu descubro uma maneira de fazer, ou pelo menos alguem que faz !E dai o povo coloca a culpa no livre arbitrio pela propria incompetencia, em vez de se calar e procurar estudar outras maneiras de fazer a Arte.Minha sugestao é que voce perde muito tempo ouvindo os papos das “otoridades” que se levam muito a sério e nao sabem a diferenca entre parte da fortuna e roda da fortuna… sugiro passar mais tempo lendo o que gente como o Robert Hand, Zoller e Schmidt, astrojin, Deborah Hand, Birchfield tem a dizer, que a nossa “elite” brazuca.

  Rodolfo Veronese wrote @

Na verdade, quando existe uma discussão dessas, eu nem entro… Não suporto falta de praticidade. Mas dá vontade de escrever uma coisa bem impactante, pois essa é a minha opinião. Sou um cara que precisa ter certeza de onde pisa, e o terreno da filosofia para mim é muito escorregadio. Não tive uma formação que propiciasse isso. Na faculdade de medicina, os professores dão o saber mas renegam a fonte, como se fossem mestres Jedis da área de humanas. Somente uma professora me deu o caminho das pedras: chama-se Maria Regina Cotrim Guimarães, professora de história da medicina, e devo muito da minha visão de mundo ao que aprendi com ela.Por achar o terreno muito escorregadio, acabo com medo de dizer as coisas sem saber e depois levar piaba de filósofos, ou pior, de pseudo-filósofos… Falar o que não sabe é chamado de pretensão, né? Enfim, de pessoas pretensiosas, o inferno está cheio. Eu busco minha redenção estudando em silêncio. Acredito que muitas pessoas da comunidade preencham esse critério… Permita-me dizer que suas palavras refletem exatamente o que quero dizer a algumas pessoas da comunidade: “colocar sua incompetencia metodológica ao nível de restricao epistemológica “… Sintético e impactante!Preciso dizer que durante muito tempo confiei a verdade da astrologia àqueles astrólogos devido a minha inexperiência. Tinha medo de seguir um caminho que desse com os burros n’água. Eu me considero, junto a você, um pioneiro da medieval na Internet Brasileira, e como todos os pioneiros, podemos ser capturados e devorados por uma tribo de astrólogos-psicológicos-filosóficos!Apesar de tudo que disse acima, acredito de verdade no Alexey. O cara estuda filosofia pra caramba, e à medida que estuda mais e mais, fica mais em silêncio na comuna. Achei essa uma postura muito interessante dele, parece estar mais sereno consigo mesmo, com suas verdades, e isso é muito legal. Quando eu comecei a estudar medieval, entrava em discussões imbecis, criadas por mim mesmo, a fim de provar que a técnica da expectativa de vida funcionava. Hoje percebo que poderia ter deixado de ouvir ofensas e continuado a estudar sozinho, sem nenhum idiota pra encher o saco em cima de algo que funciona tão bem quanto estatística… E eles aceitam as malditas estatísticas, com suas margens-justificadoras-de-erro!

  Rodolfo Veronese wrote @

De fato, o estudo da sexualidade é um constuctio cultural que persiste desde épocas remotas. Não fosse isso, os aforismos de autores gregos sobre homossexualismo, como Dorotheus de Sidon, não teriam sido passados a nós.

  yuzuru wrote @

“pioneiro da medieval na Internet Brasileira, e como todos os pioneiros, podemos ser capturados e devorados por uma tribo de astrólogos-psicológicos-filosóficos!”pioneiro é uma palavra um pouco forte, diria que somos amadores apaixonados e sinceros ;-)quanto a ser capturado, eu uso a regra do “que me importa”. Escrevi um topico sobre hyleg, dai vem qualquer menina Contigo pra dizer que o tema é de “mal gosto”. Sequer tem argumento de que é errado, anti-ético, imoral, engorda, apenas que é “mórbido”. Vou me importar com a panelinha dos outros ?Por isso que sou contra a “profissionalizacao” da astrologia… profissionalizar seria dar a um bando de idiotas o poder discricional de dizer aos outros o que podem ou nao fazer.Se eu já acho eticamente complicado em psicologia, onde eles tem um bom trabalho mantendo as concepcoes do campo distantes das concepcoes pessoais, imagine em astrologia, com um bando de gente que só tem leitura em pseudo-espiritismo, literatura new age e pseudo-filosofia ? eu hein !

  Rodolfo Veronese wrote @

Yu, mesmo que sejamos amadores, ainda assim somos pioneiros! Quem publica um blog de astrologia medieval ou clássica na internet E é brasileiro? Não acho que ser pioneiro gera tamanha responsabilidade, ao contrário, ele pode fazer a coisa de qualquer jeito pois não há um referencial para comparar!Brincadeiras a parte, preciso corrigir os erros de português das qualidades da alma, blergh.

  Gi wrote @

Uma vez eu vi essa comunidada lá e nem imaginava que fosse você o moderador. Bem, é que conheci antes de começar a ler seu blog.Também sou assim, de não gostar de pisar em ovos. Só falo sobre o conheço. Apesar de comentar sobre todos os assuntos dessa vida maldita-e-bela, abstenho-me de falar mais profundamente sobre o que não domino. Você escreveu “Nietzsche” errado. hehe Aliás, até acho que saber escrever Nietzsche é melhor do que ler o mesmo, ops, no caso das discussões internéticas. ;-)) Conselho: quando esquecer algum nome, “fale alto” pra si mesmo. Nietzzzccxxeeee. Sobre o homossexualismo: Rodolfo, vá se acostumando porque num mundo chato como esse nosso mundo atual de “sexualidades declaradas” e “política de bandeiras pra ´lá e pra cá”, qualquer pessoa que venha a analisar algo é logo acusada de antiisso e antiaquilo ou no teu caso, de “sei lá o quê”. Concordo com você e não vejo nada demais “ver homossexualidade no mapa-astral”. Quanto à opção, realmente não é algo que se faz conscientemente, mas é pra isso que existe o psicanalista. A psicanálise nunca disse que homosssexualismo é doença, mas durante a vida nós fazemos escolhas e a sexualidade é uma coisa consciente sim; o erotismo não é só psique. Em todo caso, o ser humano é bissexual em “termos civilizatórios”. Por isso minha crítica a essa “sociedade de banderoles” tout le temps par tout à la fois! Está chato conviver. Cansa demais dizer quem eu sou e se sou sado ou maso ou os dois ou se assovio e chupo cana ao mesmo tempo. Falam em diferenças como se fosse uma banana na feira. Fala-se em respeito mas como “quebra da análise”. Não quero e não aceito. No dia em que a crítica e a análise forem defeitos, sinceramente, .. uffffff.. vou me internar.

  Gi wrote @

“Asssobio”, corrigindo..

  rodolfo_veronese wrote @

Concordo. É chato ser certinho pós-moderno. Falta reflexão frente a leniência de se tolerar qualquer postura.


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