Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Os aspectos

Aspectos são relações angulares entre os planetas. Como você pode ver pelo mapa do site, o zodíaco é uma cincunferência na qual se inserem os planetas e o sol. Quando determinado planeta se encontrar distante de outro um número característico de graus, ele chegará ao aspecto considerado. Por exemplo, no trígono os planetas se distanciam 120 graus um do outro.

Até aí se acabam as concordâncias entre os astrólogos. E começam as milhares de descrições que pululam nos livros de astrologia. No que tange à significação de cada aspecto, e baseados em que tipo de processo eles se inserem, há muitas divergências e contradições . A grande questão é: como surgiram os aspectos? Porque eles surgem?

Existem duas visões que provavelmente formaram os conceitos de aspectação: o ptolomaico e o da observação das fases da lua. Vamos nos ater primeiramente a este, já que depende apenas da observação humana.

A lua muda de forma no seu relacionamento com o sol, à medida em que se desloca pelo zodíaco. De nova, passa a crescente, fica cheia e míngua. Se o estudante observar as fases da lua no mapa astral, o que encontrará? Descobrirá que eles se tratam de aspectos, as linhas que se traçam entre o sol e a lua. Nas fases da lua, os pontos críticos correspondem à conjunção (0 graus), nas luas crescentes e minguantes, às quadraturas (90 graus), e na lua cheia, à oposição (180 graus) . Esses valores são encontrados dividindo-se o círculo por 1, 2 e 4.

Dane Rudhyar diz em sua obra (nos livros O Ciclo de lunação e Astrological aspects: a process-oriented approach, este não disponível em português) que baseado nessa relação sol-lua em que se abstraiu o relacionamento do sol com os outros planetas, e dos planetas entre si, haja visto que, se a lua muda de estado, os outros corpos celestes devem também mudar.

Existem outros valores além dos resultantes da divisão por 2, 4 e 1 que não foram reportados por mim e que os leitores mais familiarizados com astrologia reconhecerão, como o trígono (120 graus) e o sextil (60 graus), mas como abstraiu-se tal divisão se, quando o sol realiza tais relações angulares com a lua, não se nota diferenças em sua forma?

A origem desses padrões muito provavelmente advém das influências da geometria euclidiana sobre as teorias de Ptolomeu (autor do Tetrabiblos) e a construção, com o transcorrer da astrologia e da numerologia, de uma simbologia dos números usados na divisão do círculo, simbologia esta da qual até os aspectos “naturais” (quadratura e oposição) se apropriarão.
A divisão do círculo por um número gera um polígono que se insere na circunferência. A divisão por quatro gera o quadrado; por três, um triângulo equilátero; por cinco, um pentágono.
De acordo com a numerologia, os números recebem significado, ganham uma dinâmica intrínseca e relativa aos números sucessores e antecessores. Se o um é a unidade, o princípio, o dois é a dualidade, o conflito e a consciência, posto que só temos consciência das trevas na ausência de luz, e vice-versa.

A Geometria euclidiana era muito valorizada na época, como ideal de perfeição, e logo foi relacionada a astrologia: não eram as duas perfeitas? Os ângulos planetários insinuavam a formação de polígonos à luz da geometria euclidiana: se quatro planetas estão em quadratura entre si, eles formam um quadrado nos céus. Com a atribuição de significado às figuras euclidianas, passou-se a atribuir significado aos aspectos que formariam tais figuras no céu.

A perfeição era apregoada aos céus, e a imperfeição à Terra. Não se sabia que os planetas eram toscas formações rochosas e misturas de gases: a lua esburacada de Galileu, quando visualizada, séculos após a geometria euclidiana e ptolomeu, decepcionou a todos. As relações formadas pelos planetas, das quais o homem, posto que observador, abstraía significado, eram um referencial do que poderia acontecer ao que fosse “regido” pelo planeta. Acreditava-se sim, que os planetas influenciassem a vida humana, por mais que Hermes Trimegistus, no Caiballion, postulasse o axioma “assim em cima quanto em baixo” (corrijam-me se estiver errado), insinuando a idéia de sincronicidade, re-elaborada por Jung no século XX.

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