Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Como interpretar Revoluções Solares – o método moriniano

Estou há alguns meses sem escrever por aqui, então aqui vai a razão.

Penso em escrever um livro com minhas idéias mais elaboradas, que merecem ser desenvolvidas num texto mais amplo do que um artigo de blogue. Apesar de gostar muito de astrologia indiana e medieval, o livro seria focado apenas na última, mais especificamente nas revoluções solares, mas com elementos sutis da jyotisha, como na interpretação de casas.

Como eu usaria elementos de ambas as astrologias, não sei se poderia chamar o livro de astrologia medieval. Os puristas torceriam o nariz. Entretanto, os métodos que ensinarei no livro são claramente medievais e renascentistas. A única coisa que eu incluiria da jyotisha seriam alguns significados de casas que considero interessantes e que, se a pessoa analisasse mais a fundo, fazendo referências cruzadas com textos helênicos, poderia até considerá-los plausíveis dentro da astrologia medieval.

Então, vou repetir: o livro não mistura astrologia medieval e jyotisha. Ele é essencialmente medieval, mas considera alguns significados de casas da astrologia indiana.

Mudança de estado

Vamos escolher um fato banal, sem grandes arroubos emocionais, para mostrar que a técnica também é capaz de perceber eventos moderados. No ano de 2013, me mudei do Rio para São Paulo, devido ao meu relacionamento e a questões profissionais. Seria possível prever isso?

As primeiras técnicas a serem analisadas são aquelas que abarcam grandes períodos de tempo, como Firdāriyyah e direções primárias. No meu aniversário em 2013, tinha acabado de entrar na Firdāriyyah da Lua, regente da Casa 4, que significa mudança de residência.

Mapa Natal

As direções primárias não traziam algo diferente. O Sol é almuten do meu Ascendente e, por direção, ainda está sob influência do promitor Lua – como dito, regente da 4 – com o qual entrou em conjunção, por direções primárias, em 2010. (Lembre-se de que as direções valem enquanto o significador não faz aspecto com nenhum outro promitor. O Sol só vai fazer aspecto novamente com outro planeta em 2017, e até lá está sob a influência do promitor Lua ).

Como essas técnicas indicam períodos de tempo superiores a um ano, precisamos analisar as revoluções solares para estreitar o período de tempo, definindo em que ano os eventos ocorrem. Durante muito tempo, essa foi a parte que mais me deu medo, porque era muito complicada. Mas observando o método que Morin usa no seu livro 23 (sobre revoluções Solares), percebi que os princípios da mesma são extremamente simples. Morin fazia nada mais do que procurar na revolução os mesmos sinais presentes nas direções, ainda que fossem significados por planetas diferentes.

Por exemplo, se a Firdāriyyah indica mudança de residência para o nativo, precisamos identificar nas revoluções solares durante esse período momentos em que qualquer significador do nativo interaja com qualquer significador da casa 4. As regras nesse ponto são extremamente flexíveis, podendo ser:

  1. Conjunção ou aspecto dos regentes das casas envolvidas na revolução
  2. Conjunção ou aspecto dos regentes das casas natais envolvidas, mas na revolução
  3. Aspecto entre os significadores do mapa natal e os significadores da revolução, como numa sinastria.

Se você não entendeu, aí vai exemplos para cada um dos casos acima, no mapa de 2013:

Revolução de 2013

  1. Casas 1 e 4 (ou seus regentes) na Revolução interagem? o regente da 1 na Revolução está domiciliado na 6 (marte em Áries) e é dispositor de Saturno, regente da 4 na Revolução. Além disso, seria suficiente perceber que o regente da 4 na RS (Saturno) está na 1 da RS.
  2. Regentes das Casas 1 e 4 do mapa natal, porém posicionados na Revolução, interagem? Sim! Tanto marte, regente da 1 natal, quanto o Sol, almuten da 1 natal, fazem oposição com a Lua, regente da 4 natal. 

Roda dupla: Natal no centro, revolução de 2013 na periferia.

3. Há algum interaspecto entre a figura natal e da revolução dos respectivos regentes, independente do mapa analisado? Sim. Marte da Revolução Solar (regente da 1 natal, no mapa da periferia) faz oposição a Saturno natal (regente da 4 da RS, mas posicionado no mapa central)

Como você pode ver, há combinações das Casas 1 e 4 nas três perspectivas. Isso é sinal forte de que eu me mudaria em 2013, e a mudança seria significativa, porque a Firdāriyyah e as direções  indicam eventos significativas.

Uma pitada de ceticismo

Auto-crítica é a melhor forma de solidificarmos nosso aprendizado. O exemplo acima é maravilhoso para comprovar minha teoria mas, se pelos mesmos princípios, eu concluir que vou me mudar num ano em que isso não acontecerá, a técnica é apenas uma fantasia.

Revolução de 2014. Note que o Ascendente natal está muito próximo da cúspide da 4, em Áries. Entretanto, não houve mudança de residência nesse ano. A resposta para isso pode estar na quantidade de sinais indicando um mesmo evento.

Para testá-la, vamos usar os mesmos princípios para o mapa de 2014, quando já estou morando noutro estado e tanto a direção Sol-Lua quanto a Firdāriyyah da Lua ainda estão ativas. Soma-se a isso que o ano praticamente está acabando para mim (faltam três meses pro meu aniversário em 2015) e eu não tenho planos de me mudar novamente.

Ainda usando as três perspectivas acima (significadores da revolução, significadores natais dentro da revolução e aspecto entre o mapa natal e a revolução), será que o ano de 2014 indica mudança?

Observando a figura, vemos que a Lua é significadora natal da 4 e em 2014 está em trígono com marte, regente do ascendente natal e regente da 4 na revolução. O Ascendente do mapa natal está na Casa 4 da Revolução Solar, que seria outra indicação.

Afora esses dois sinais, não há nada mais palpável. Compare com os quatro sinais da revolução de 2013 e perceba que há muito mais evidência de mudança. Com isso, concluímos que a técnica ainda tem esperança de ser útil e que talvez seu modo de ação consista em identificar os anos nos quais  há vários sinais do mesmo evento na revolução solar para que as promessas das direções e da Firdāriyyah ocorram no mesmo ano.

Conclusões

Astrologia não é uma coisa preto-no-branco, tudo-ou-nada, binária. Não me surpreende encontrar sinais de mudança em anos em que elas não ocorram. Uma solução plausível para encontrar os anos corretos seria o número de contatos entre os significadores. Perceba em 2013 quatro sinais indicando o mesmo evento, enquanto na revolução de 2014 temos apenas dois.

O tipo de aspecto entre os significadores deve ser igualmente importante. Trígonos e sextis não seriam suficientes para indicarem mudanças significativas, e o contrário se supõe de quadraturas, oposições e conjunções. Na figura de 2013, todos os significadores se uniam por conjunção ou oposição, enquanto na de 2014, os significadores se unem por trígono.

Mais um detalhe importante: as direções e a Firdāriyyah podem indicar um tipo de evento que ocorre várias vezes, enquanto elas estiverem ativadas. Eu posso me mudar de casa duas vezes ou até mais durante a período da Lua, se as revoluções concorrerem  para o mesmo evento.

Não há uma resposta clara para sabermos a quantidade de vezes em que um tipo de evento pode ocorrer durante o período de atividade da sua direção, mas uma boa análise natal dos significadores envolvidos pode ser interessante. No meu caso, com a lua em signo fixo, a probabilidade de eu me mudar mais de uma vez na Firdāriyyah lunar é pequena. Espere que promitores em signos cardinais indiquem uma multiplicidade de eventos do mesmo tipo, enquanto signos fixos apenas um.

Dashas de Jaimini: como não usar

Eu fiquei um pouco receoso de escrever um tema desse para meus leitores, porque tende a ser muito específico e pode se tornar uma leitura pouco clara para a maioria. Decidi levá-la a cabo depois de pensar que essa pode ser a primeira vivência que alguns leitores podem ter com a astrologia de origem indiana , chamada de Jyotisha. Ver na prática como ela funciona, através do exemplo que será dado abaixo, pode elucidar instantaneamente vários conceitos, que demandariam várias postagens sucessivas.

Em se tratando de prever o futuro, a astrologia indiana nos presenteia com uma centena de opções. Estou falando sério: deve haver tantas técnicas preditivas na Jyotisha quanto há religiões na Índia. Apenas estudando um autor já podemos ter noção do número de técnicas. Jaimini, por exemplo, nos deu 12 dashas em sua obra.

Essa enormidade de técnicas preditivas pode ser um confortável travesseiro de justificativas para o astrólogo explicar tudo depois dos fatos. Por outro lado, se usado adequadamente, pode ser uma das melhores ferramentas preditivas na face da Terra.

Se você tem 12 dashas e os usar da maneira mais flexível possível, qualquer evento que aconteceu ao nativo pode ser explicado depois de ocorrido. O desafio é prever, e não “pós-ver”… Portanto, antes de começar, vamos agradar os leitores céticos e dizer como não se deve usar esses dashas. Você pode ainda não saber como calculá-los nem como interpretá-los mas, se já souber o que não se deve fazer, iniciará sua prática num sólido alicerce.

O que são Rasi Dashas?

Na maioria dos Dashas indianos, se dá intervalos de tempo para que os planetas administrem: a vida toda do nativo é dividida em períodos (Dashas) de Marte, Vênus, etc.  No caso das técnicas de Jaimini, ao invés de planetas, se usa Signos – chamados na índia de Rasis. Portanto, toda vez que um dasha usar signos, ele é chamado de Rasi Dasha.

Por exemplo: de 2001 a 2008, usando o Dasha Chara Navamsa, minha vida foi representada por Leão. A partir de 2008 até hoje, Virgem assume. Mas não existe apenas o tal do Chara Navamsa. Existem mais 11 Rasi Dashas além dele.

Mesmo com todos esse dashas, muita coisa importante não acontece nas nossas vidas. Durante anos, voltamos do trabalho pra casa e vamos da casa ao trabalho, sem nada demais acontecer. Mas o trabalho apenas é uma dimensão da vida da pessoa, lembre-se disso. E esses dashas oferecem a possibilidade de perceber não somente mudanças significativas (quando dois ou mais deles dizem a mesma coisa), mas sutis flutuações nalguma área da vida (quando apenas um dos dashas indicar o evento).

Você pode trabalhar na mesma firma por vinte anos, e quem olhar de fora pensa que nada mudará neste período. Entretanto, cada ano pode ter mudanças na estrutura da empresa que o fazem agir e sentir coisas diferentes, ou intensificações das mesmas, mudanças de setor, de atividades, etc.

Os dashas são capazes de mostrar tanto as pequenas flutuações quanto as grandes mudanças, mas primeiramente precisamos aprender a separar o joio do trigo dentro deles, senão ficaremos completamente perdidos na hora de interpretar, com tantos símbolos e mapas que podem ser usados simultaneamente. Não sei se você sabe mas, além do mapa natal, a Jyotisha lança mão de mais 16 mapas derivados!

Ainda bem que há restrições – a regra de ouro

A regra de ouro para se interpretar Rasi Dashas é a seguinte:

Eventos relevantes dos Rasi Dashas são dados apenas pelo que estiver dentro do signo atual do dasha, e não pelos aspectos ou por onde se encontrar o regente do signo. 

Por exemplo: se o Chara Navamsa Dasha atualmente for Sagitário para o nativo, e se Sagitário for o signo da casa 10 no mapa natal, podemos deduzir que a carreira será um tema importante nesse momento. Os planetas que aspectam Sagitário apenas dirão como isso é fácil ou não. Qualquer coisa que influencie esse signo estando fora dele não é capaz de introduzir temas.

Ainda no exemplo de Sagitário: Se a casa 10 estiver dentro do signo, então a carreira será importante nesse período. Se Júpiter aspectar Sagitário, melhor ainda, porque ele é, ao mesmo tempo, Júpiter e o regente do signo e, segundo Jaimini, toda vez que o regente do signo, Mercúrio ou Júpiter aspectá-los, isso é sinal de que as coisas dentro do signo vão muito bem e são proeminentes na vida da pessoa no período estudado.

Agora, se Júpiter rege também a casa 1 no mapa natal e ao mesmo tempo aspectar Sagitário, eu não posso dizer que as coisas da casa 1 serão importantes, porque aspectos não introduzem novos temas.

Depois dessa introdução, fica claro que os 12 dashas não são ferramentas inúteis para astrólogos de blogue justificarem qualquer coisa depois de acontecer. Mesmo usando todos os 12, se aplicarmos esse critério rígido – o de usar apenas o que está dentro do signo – pode haver épocas da vida da pessoa em que nada de novo acontece.

Vejamos um exemplo

Como eu disse lá em cima, eu vivo no momento o chara Navamsha dasha de Virgem. Vamos analisar apenas esse dasha, e você vai ficar surpreso com a quantidade de informação relevante que apenas uma técnica pode dar – imagine as 12 juntas!

Usando uma janela com 12 dos 16 vargas possíveis, vamos ver apenas o que está acontecendo dentro do signo de Virgem. Se você não sabe qual dos quadradinhos abaixo é Virgem, a dica é: todos os quadradinhos do canto inferior direito de cada um dos 16 mapas.

Cada um dos quadrados maiores – delimitados pela linha laranja mais grossa – é um Varga. Dentro de cada Varga, há 12 quadradinhos menores, os Signos.

Não serão todos os mapas divisionais (Vargas) acima que mostrarão eventos importantes. Apenas aqueles que abrigarem em Virgem planetas que representam o nativo – Sol, Atmakaraka, Regente do Ascendente do Varga – devem ser importantes. Os outros você pode desprezar com segurança.

Para não tornar muito extensa a postagem, vamos analisar o dasha apenas os seis primeiros. O mapa 1 (que seria o mapa natal, chamado de Rasi) não está na lista, mas poderia.

No mapa 2 (Hora, o primeiro da lista da direita pra esquerda e de cima pra baixo), Virgem contém Mercúrio, que é o meu Atmakaraka. Portanto, no período de Virgem, as coisas significadas por Hora são importantes – responsabilidades de um modo geral. Como Mercúrio está dentro do signo e ao mesmo tempo está domiciliado e exaltado, e sem aspectos de maléficos, se trata de um momento muito bom para eu cuidar das minhas responsabilidades. Nenhum planeta aspecta Virgem nesse mapa.

No mapa 3 (Drekkana, o segundo da lista) não há nenhum planeta que me represente em Virgem. Com isso, não há nada de importante nesse período. Como a Drekkana representa irmãos e cooperação, não posso esperar muitas dessas coisas. De fato, meu irmão ficou no Rio de Janeiro e nos falamos menos do que gostaríamos.

No mapa 4 (Chaturthamsa), Mercúrio está novamente dentro de Virgem, com excelente condição zodiacal. Esse mapa é importante para questões financeiras e de prosperidade, que vão muito bem nesse período, obrigado. E nenhum planeta aspecta virgem pra estragar/ajudar a festa…

O mapa 7 (Saptamsa) Não contém nenhum planeta pessoal, e portanto podemos considerar que o período de Virgem não trará mudanças significativas para esse mapa, que representa filhos e relacionamentos sexuais. Nada de crianças até Virgem acabar (2015), a menos que um ou mais dos outros 11 dashas sinalizem o contrário (quanto mais, melhor).

O mapa 9 (Navamsa) vem logo em seguida, é o mapa que representa casamento e dharma, e vê-se que há a presença de Júpiter, o dispositor do Atmakaraka no mapa natal. Portanto, esse tema será importante nesse período – Virgem começou em 2008, eu me casei em 2009, me separei em 2011 e estou morando com minha noiva em 2013, de casamento planejado.

O mapa 10 (Dasamsa) representa carreira e os grandes feitos da pessoa. Nesse mapa, Virgem contém mais uma vez Júpiter, o dispositor do Atmakaraka natal (lembre-se, meu mercúrio natal está em Peixes, signo de Júpiter) e a cúspide da casa 4 (indicada pelo número azul dentro do quadrado), além de Rahu. Foi um período importante para carreira, que mereceria um estudo a parte pela sua complexidade.

Conclusão

Se você não entendeu alguma coisa desse post, escreva nos comentários sua dúvida. A Jyotisha pode ser muito complicada, mas praticamente todas as dúvidas mais elementares podem ser resolvidas apenas dando uma rápida busca no Google. Digo isto porque infelizmente não podemos explicar aqui todos os conceitos. Se você não entendeu quase nada do que escrevi, é melhor anotar suas perguntas, procurar na internet e depois voltar aqui para reler o post.

Mais uma vez, esse post não tem a intenção de ensinar a interpretar Rasi dashas. Ele serve apenas para mostrar como não se deve usá-los. Perceba que eu usei apenas aquilo que estava dentro do signo de Virgem em todos os mapas divisionais. Usar Rasi dashas assim aumentará sensivelmente sua eficiência em prever eventos.

Eu sou muito mais grato aos astrólogos que me ensinaram o que não se fazer numa técnica ao invés daqueles que não põem limites em nada do que ensinam. Precisamos ter restrições no modo como interpretamos para que possamos ter foco na hora de interpretar.

Como prever se um evento será ruim ou bom?

Essa é mais uma das perguntas que parecem tolas à primeira vista mas, quando se trata de previsão, ela é capital. Vamos recapitular alguns conceitos.

Os planetas são divididos em maléficos e benéficos. Os planetas maléficos são normalmente associados a detalhes desagradáveis da nossa existência, enquanto os benéficos são associados ao oposto.

A princípio, seria de se esperar que benéficos indicassem eventos necessariamente bons, e maléficos ruins. Mas essa é uma conclusão errada, baseada na confusão dos termos “bom” com “agradável” e “ruim” com “desagradável”. Eles não são sinônimos.

Se você está vivo hoje por ter os braços furados durante um mês para tomar antibióticos intravenosos e se livrar de uma infecção generalizada, vai entender que nem tudo que faz bem a nós é agradável. Na verdade, talvez uma porcentagem muito grande da manutenção da nossa existência se deva a fazer coisas que não estejamos com vontade, que demandem esforço e sejam estressantes. Desculpe-me o moralismo, mas a vida é assim!

Portanto, os maléficos são desagradáveis, mas eles podem representar coisas boas para nós. Mutatis mutandis para os benéficos. Então vamos analisar uma época interessante da minha vida, que nos fará questionar o conceito de benéfico ser bom e maléfico ruim.

Como vocês devem saber, em 2007 eu caí de um muro e sofri uma fratura grave de tíbia e fíbula, cuja redução cirúrgica gerou (provavelmente) duas osteomielites, que me custaram quase um mês de internação cada. Logo em seguida (2008-2009), minha perna apresentou um desvio de eixo que me rendeu mais duas cirurgias de correção: uma para inserir um fixador externo, e outra para retirá-lo.

Somente quase dois anos após minha queda (junho de 2009) que tive plena recuperação e hoje ando normalmente, porém apresento uma artrose no joelho e a condição de ser portador de uma bactéria encapsulada na medula da tíbia direita, que pode proliferar toda vez que minha imunidade baixar, gerando outra osteomielite.

Inadvertidamente, seria de se esperar que o período entre 2007 e 2009 fosse representado por maléficos em meu mapa, mas isto está longe de ser verdadeiro. Nessa época, olhando simplesmente pelas direções dos termos, eu vivia a direção do Ascendente pelos termos de Mercúrio, iniciada em 2002, e que duraria até 2009.

Meu mercúrio natal se encontra na Casa 12 (internações, hospitais, presídios) em queda, uma porcaria de planeta. Felizmente, é salvaguardado pelo testemunho de Júpiter em trígono: ainda que o aspecto entre ambos seja separativo, é garantia de que os males mercuriais são reparáveis.

Dentro dos termos de mercúrio, o Ascendente dirigido avança e passa, em 2003, ao aspecto de Júpiter em Escorpião, na casa 7, no oitavo signo, regente das casas 12 e 9, em oposição a Lua, regente da casa 4, indicando um período de mudança de residência (4), viagem (9), relacionamentos (7) mas também de crises pessoais (8) e internações (12).

Se analisarmos Mercúrio e Júpiter apenas pelas suas significações essenciais, eles indicam coisas boas. Mas um período nunca é puramente bom ou ruim, a despeito dos regentes ativados serem maléficos ou benéficos. De fato, este foi o período em que eu mais me relacionei, (chegando a me casar), me mudei de residência, mas também sofri um acidente e penei para tratar suas consequências no meu corpo.

No exemplo acima, as casas onde se encontram os planetas – bem como aquelas que eles regem – indicam muito mais o que aconteceu do que apenas seus significados essenciais. Diante disto, cabe-nos a questão: qual a utilidade do conceito de maléficos e benéficos?

A resposta é simples. Mesmo que esse conceito não nos sirva para definir o quão bom ou ruim um evento será, sua utilidade é grandiosa na interpretação natal. Pessoas que tem benéficos aspectando o Ascendente tendem a ser mais bonitas que pessoas cujos ascendentes são vistos por maléficos, e esse é apenas um dos exemplos. Em previsões, porém, não levaria muito esse dado em consideração.

De fato, casas com benéficos contém assuntos mais agradáveis do que casas que contenham maléficos. Mas as casas não mudam seus temas apenas por possuírem planetas que contradigam seus significados. Cada dia a mais percebo que planetas são totalmente subjugados às casas onde se encontram. Para entender isso, vamos ao que seria o exemplo mais extremo: como seriam planetas benéficos (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Júpiter) dentro de uma casa maléfica (6, 8, 12).

Eu tenho mercúrio na casa 12. Ele significa estudos, e a casa 12 representa hospitais e reclusão. Socialmente falando, é bom estudar medicina. Mas os significados da casa 12 ainda estão lá: Temos de ver cadáveres, gente sofrendo, sentir odores pútridos, ouvir segredos nefastos e incessantes reclamações mas, sendo um mercúrio um benéfico, vivi isso da melhor forma possível: estudando esses problemas para ajudar as pessoas a se curarem. Mesmo quando o planeta apresenta sua melhor expressão, aquilo que a casa maléfica representa ainda está diante de nós.

Mas as direções primárias do Ascendente mostraram que mercúrio não significa apenas medicina no meu mapa… Como estamos falando de uma técnica de previsão de longa duração, a direção do Ascendente pelos termos de mercúrio abre uma janela muito ampla de significados de casa 12. Quanto mais tempo um planeta administrar a vida do nativo numa técnica preditiva, maior a chance dele manifestar todos os significados da casa que ele rege, ao invés de apenas um ou dois. Para saber qual será o significado exato, deve-se analisar as revoluções solares anualmente. Então, durante o período que o Ascendente ficou sujeito à simbologia de mercúrio (2002-2009), não apenas me engajei numa faculdade de medicina, mas também sofri internações hospitalares.

Portanto, cabe-nos a pergunta: se um benéfico numa casa maléfica não nos impedirá de vivenciar os males indicados por ela, o que pode nos proteger dos significados das casas maléficas nos gerarem grande mal? Até agora, existem duas variáveis que podem virar o jogo para alguma vantagem ao nativo:

  1. A casa maléfica receber o aspecto de benéficos.
  2. A posição do lote da fortuna e do espírito dentro da casa maléfica

Se você tiver um benéfico numa casa maléfica os males ainda acontecem, materializados nos significados do planeta em questão. Entretanto, se este mesmo benéfico tiver o aspecto de um outro benéfico – o primeiro item da lista – isso tende a proteger o nativo dos males da casa, livrando-o de maiores consequências. Devido ao aspecto de Júpiter, eu consegui me safar da minha condição hospitalar sem maiores consequências. Outras pessoas não tiveram a mesma sorte que eu, sendo submetidas a condutas médicas erradas ou desleixadas, progredindo suas infecções e tendo que amputar seus membros.

O segundo item da lista já é citado por Vettius Valens, no século II d.C. Segundo ele, se a casa maléfica contiver um dos dois lotes mencionados, os significados dela podem se tornar lucrativos para o nativo. E é por isso que, tendo o lote do espírito na casa 12 conjunto a mercúrio, consegui juntar algum patrimônio pela profissão médica!

Portanto, os significados de uma casa acontecerão independentemente do tipo de planetas que estiverem dentro dela. A diferença consiste no nível de expressão daquele planeta: benéficos fazem com que a pessoa lide de forma mais positiva com os males da casa, mas não se engane: ainda assim eles vão acontecer ao nativo.

Alemanha x Argentina: métodos de previsão

Acredite, a data original da publicação foi no dia da final da copa, umas 14 horas antes da partida. Tive de fazer uma pequena alteração e o blog colocou a data para o dia quinze, dois dias depois.
Existem muitos métodos de se estudar o progresso de uma equipe esportiva. Seria interessante citar e descrever alguns para análise, aqueles que mais aparecem nos grupos de astrologia da internet.
Aqui eu não presumirei saber algo que desconheço. Com tanta coisa a se estudar na astrologia, eu sempre negligenciei o estudo dos esportes. O que vou apontar aqui neste artigo são hipóteses para se estudar seleções e suas possibilidades de vitória nas copas. E como o número de técnicas é tão grande ou maior que o número de escolas de astrologia, com certeza há um método bom que não será citado nesse artigo. Deixo a sugestão para os leitores. 

O estudo dos trânsitos

Esse método é o mais humilde. Ele presume desconhecer um mapa que represente a seleção ou o país. Mas ele estuda os trânsitos dos momentos passados, quando a seleção foi campeã, e procura ver se os trânsitos atuais são parecidos. Como a copa é um evento que ocorre de 4 em 4 anos, ela se sincroniza bem com trânsitos de Júpiter, cuja revolução ocorre em 12 anos. Sem contar que Júpiter representa vitórias e eventos esportivos – o que pode ser encontrado já na obra de Rhetorius (século VI d.C.).
Baseando-nos nos trânsitos de Júpiter, vejamos quais estavam ativados quando o Brasil, Argentina e Alemanha foram campeões.
O Brasil venceu as copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Em 58, Júpiter estava em Libra; em 62, Peixes; em 1970, novamente em Libra; em 94, escorpião e, em 2002, Câncer.
Perceba que não há padrão claro dos trânsitos de Júpiter. Portanto, esse método não é muito satisfatório. Enfatizo isso porque tem gente usando esses ciclos para dizer que a Argentina será campeã. Vejamos o porquê:
A Argentina venceu as copas de 1978 (Júpiter em Câncer) e 1986 (Júpiter em Peixes). Baseado nisso, há quem defenda que ela tem chances de vencer essa copa, porque temos no momento Júpiter em Câncer da mesma forma que em 1978.
Vejamos o caso da Alemanha. Ela foi campeã nas copas de 1954 (Câncer), 1974 (Peixes) e 1990 (Câncer). Por esse mesmo critério, a Alemanha tem as mesmas chances que a Argentina, pois ao que parece Júpiter em Câncer tende a beneficiar as duas seleções. Mas beneficiou o Brasil também em 2002, então tecnicamente isso é uma besteira.
Pelo fato da Argentina ter ganhado apenas duas copas, sua amostragem é menor do que a da seleção brasileira ou alemã e, portanto, qualquer coisa similar que se repita nos céus já aparenta falsamente ser um sinal celeste de vitória da seleção do Plata. Não, meus caros: se for pra Argentina ser campeã, não será explicado pelos trânsitos. Como vimos, a julgar apenas pelo Júpiter em Câncer, qualquer seleção – inclusive a nossa, já (humilhantemente) eliminada – poderia ganhar.

O método do mapa de nascimento do país.

Para repúblicas Sul Americanas, cujas independências ocorreram no século XIX, é mole encontrar um “mapa natal”, que seria geralmente a data da sua independência. Mas em se tratando da Alemanha, qual seria? A data da queda do muro de Berlim? Da unificação alemã? Do Sacro Império Romano-Germânico?
Percebe-se que, quanto mais velho um país, mais mapas seriam possíveis. Você pode estudar todos os mais prováveis, e ver se a maioria deles corrobora com a vitória da seleção. É bem trabalhoso.
Você pode ter êxito com essa técnica? Claro que sim. Muitos usam e fazem previsões corretas para astrologia política, sendo a maioria dos praticantes da mesma astrólogos modernos. Não é uma técnica tradicional strictu-sensu: essa coisa de se fazer mapa de nascimento de um país data do século XIX e vem como inspiração o livro de Astrologia Mundana de Raphael (que pode ser encontrado na Amazon para download em ebook). Como não gosto de técnicas modernas, não me aventuraria muito nessa seara. Prefiro astrologia mundana do estilo Abu Ma’Shar, no máximo William Ramsey.
Não vou puxar a brasa para a sardinha dos medievais: é possível acertar com essa técnica, mas fica bastante complicado definir o começo de um país. Além disso, ela não é medieval e eu não costumo gostar de astrologia feita a partir do século XVIII. Por isso, paro por aqui. Existem duzentos blogues de astrologia moderna. Se eu divulgar a técnica deles, quem divulgará as técnicas tradicionais?

O método de cartas de ingresso

Esse método é o segundo mais humilde. Ele presume desconhecer quando a Alemanha ou a Inglaterra, o Brasil, a CBF, a FIFA ou qualquer país/entidade nasceu – DANE-SE se a Alemanha nasceu com a Unificação Alemã ou com a queda do Muro de Berlim. Entretanto, ao contrário dos trânsitos, aqui temos a análise de um mapa cujo cálculo é fácil: a carta de ingresso do Sol em 00ºÁries01′.
A desvantagem clara desse método é quando duas seleções de países vizinhos disputam o campeonato. O Ascendente da carta de ingresso da Alemanha para esse ano não difere muito do Ascendente para a França, pois as latitudes das suas capitais são relativamente próximas. Isso não constitui um problema muito grande no final dessa copa, quando a França foi eliminada e restam apenas dois países separados por milhares de quilômetros de distância… Se fosse na copa de 1990, seria mais complicado definir o campeão por essa técnica, já que a final foi entre Inglaterra e Alemanha, e ambos os países não são tão distantes assim para se mudar muito o Ascendente anual.
Outra desvantagem é não saber direito quais casas usar. Em astrologia mundial, as casas podem ter diferenças de significação, se comparadas com o estudo de mapas natais. Seria preciso muita cautela. Esportes seriam representados pelas casas 5 ou 3, sendo a primeira mais preferida, por ser uma casa relacionada a entretenimento. A casa 3 teria a ver com esportes porque um dos seus significados seria de equipes, mas isso não é ratificado pela astrologia medieval ocidental, e sim pela jyotisha. Enfim, não sei qual casa usar. Espero que tolerem minha incerteza, e ofereçam sugestões.
Em astrologia mundial, os critérios de seleção do regente do ano são diferentes daqueles empregados nos mapas natais. Normalmente é um planeta angular e com dignidade nos ângulos (na verdade, é bem mais complicado que isso, mas não vem ao caso). Um regente do ano benéfico e em boa condição significa um período de euforia para o país. Em se tratando de países sul-americanos, isso tem muito a ver com futebol, dado o grande alinhamento entre esse esporte e a política.




A Carta de Ingresso para Berlin esse ano mostra a casa 3 em Sagitário e Júpiter no meio do céu em Câncer, exaltado. Uma das interpretações para isso seriam equipes (casa 3) exaltadas. O regente da 5 é Saturno, prestes a receber o aspecto da Lua em queda, que transfere para Saturno a luz de Vênus e de Júpiter. O regente do ano significa o bem estar da população e, nesse ano, é também o “significador do Rei” – no caso, Júpiter em Câncer.

A carta de ingresso da Argentina tem o regente da 3 em queda e em signo de Júpiter, com seu dispositor no Ascendente, que é o regente do ano por estar ali e exaltado. Júpiter no Ascendente dá muita euforia para a população, e a causa são eventos das casas que ele rege, e do que ele significa essencialmente: casa 9 (estudos, religião, filosofia) e 6 (trabalho). Mas Júpiter naturalmente significa esportes, pela sua associação com os pés (vide Rhetorius).

Em ambos os mapas, Júpiter é regente do ano. No primeiro mapa, significa ao mesmo tempo a presidente da Alemanha e seu povo. No mapa argentino, sua posição é mais conectada à população. Conclusão: ambos tem o mesmo regente, ambos indicam um período de euforia para a população, e apenas uma delas será campeã. Adiantou muito? Usando os meus critérios, não. Ou se aprende a usar cartas de ingresso de uma outra forma, ou simplesmente elas não adiantam muito em Copas do mundo…

Mapa com a hora e local da partida.

Consiste em se levantar uma horária para o momento em que a bola começa a rolar. Mas fica bem difícil definir qual casa representa qual seleção (principalmente se a seleção não for “da casa”). O que se faz por aí é atribuir a casa 1 a quem inicia a partida, ou quem é o time da casa (se isso for possível):
Quem vai dar a partida seria representada pelo Ascendente, que é regido por Saturno, retrógrado na casa 11, indicadora de títulos. Saturno sobrepuja a lua numa quadratura à direita da mesma. Coincidência ou não, a Lua rege a 7 – a casa do adversário. 

Lua é recebida por Saturno, o que indica uma vitória do time lunar… isso se saturno não retornasse a luz à lua, indicando que a recepção não é efetiva. Entretanto, o retorno é lucrativo para a Lua, pois ela não está cadente, nem combusta. O que o retorno de luz indicaria numa partida de futebol? Talvez que a seleção indicada por Saturno comece ganhando e depois a lua diminua a diferença. Não sei.
As configurações mostram uma luta em campo, onde a seleção representada por Saturno sobrepuja fortemente a outra, indicada pela Lua. O time indicado pelo planeta mais lento será superior em técnica e dominará o time lunar. Se a Alemanha iniciar a partida, será ela a campeã. Caso contrário, a Argentina.

Horária de um torcedor

Essa é a técnica com menos dúvidas na interpretação. Se torço para o Brasil, faço uma horária para o momento em que indago se a seleção ganhará, e atribuo a ela a casa 1 do mapa. Como o Brasil foi pro saco e tenho mais empatia para a Alemanha, a casa 1 será dela nessa figura:


Na figura, o regente do Ascendente (Alemanha) está na casa 7 (argentina), em detrimento, e é recebido por Vênus, que rege a seleção da argentina. Ter o significador da equipe pra qual eu torço na casa do adversário, e sendo recebido por ele, pra mim soa que a Alemanha terá a faca e o queijo na mão para ganhar essa Copa: a Argentina lhe facilitará, não propositadamente, óbvio. Não será uma goleada como foi com o Brasil mas provavelmente não irá para os pênaltis.
A menos que as regras para esportes sejam muito diferentes das regras para qualquer outro assunto, a recepção é um sinal de benesse para o significador recebido. Com isso, Alemanha vence a Argentina. 

Conclusão

Os métodos menos confusos são a horária de um torcedor e, em segundo lugar, o mapa da hora e local da partida. Todos os outros não produzem resultados binários (sim/não), e isso é tudo que mais precisamos para uma questão como essa.
O regente do ano das cartas de ingresso mostram que tanto a Alemanha quanto a Argentina passam por um momento de euforia. Cá entre nós, mesmo que a Argentina não ganhe, só de chegar à final no país do seu principal rival já é um motivo de grande euforia. Portanto, o regente do ano dá uma resposta mais qualitativa (como está o povo argentino) do que binária (vai ganhar a copa ou não?).
Infelizmente, os métodos mais precisos pecam por não serem previsíveis a longo prazo. Ou seja, não posso fazer, antes da copa começar, uma sondagem de todas as partidas fazendo mapas para a hora delas. Existe uma coisa chamada “saldo de gols”, que define o destino dos times, e não se pode prever o número de gols de um time numa partida. Igualmente, não posso fazer horárias seguidas perguntando coisas como meu time ganhará as oitavas/quartas/semi-final/final?
Anotem pra depois jogar na minha cara: eu previ que a Alemanha vence a partida de hoje. Tanto a horária de um torcedor quanto o mapa da hora da partida mostram superioridade de uma das equipes sobre a outra, nada de empate – embora o mapa da partida seja um pouco mais equilibrado do que a horária. Como estamos falando de duas equipes fortes, isso tem de ser adaptado – não seria um vergonhoso 7 a 1 Alemanha, como foi com a selecinha brasileira.

uma horária de objetos perdidos.

O título denuncia. Eu perdi, ao mesmo tempo, um fone de ouvido e um ipod. Mas na hora em que abri a horária, estava muito preocupado com o fone e fiz o título da mesma apenas o citando, mas não importa: horárias não são validadas pela pergunta escrita, mas sim pela que você mentaliza.

Julgando a horária pelas regras usuais, temos o seguinte: marte está angular, rege o ascendente e receberá uma quadratura do sol e um trígono de Vênus, que o recebe em libra.

Não sei ao certo, só de analisar a figura, qual dos dois aspectos – marte-sol ou marte-vênus –  será perfeito primeiramente. Mas a coisa que mais me chamou atenção foi o sextil Lua-Sol.

Por quê? Bem, a Lua é rápida e será o primeiro aspecto levado à perfeição. Não preciso nem consultar as efemérides para saber isso. A Lua significa também o consulente, embora, pelas regras usuais, eu deva preferir marte, que rege o Ascendente e está angular.

Ao mesmo tempo do sextil lua-sol, há uma quadratura lua-vênus. Ambos são levados à perfeição simultaneamente. A quadratura é meio complicada: a Lua está na queda de Vênus. Quando isso acontece, o planeta em cuja queda está o aplicante tende a destruir a questão.

Todas essas coisas ocorrendo ao mesmo tempo, e a coisa que mais me chamou atenção foi o sextil. Nele, a lua em Virgem recebe o sol em Câncer, uma bela recepção. Baseando-me apenas nisso, concluí que teria o fone de volta no dia seguinte. E foi o que ocorreu. Recebi o fone de volta aproximadamente às nove e meia da manhã, pedindo à enfermeira se poderia abrir o armário dos “achados e perdidos”.

Trata-se de uma horária potencialmente difícil de ser julgada. Posso dizer que tive sorte em apostar que teria o fone de volta, porque não considerei uma série de testemunhos que complicam a questão. Mas o sol angular está tão explícito que sua Gestalt praticamente rouba a atenção do observador.

Nessa figura, o Sol não tem um testemunho muito claro para objetos. Ele rege a casa cinco, que tem apenas a ver com prazer e diversões.

Como não tenho muito costume de levantar horárias para objetos, fiz uma pequena reflexão, que desejo compartilhar com os leitores. Será que devemos considerar como co-significadores dos objetos as casas que teriam a ver com suas utilidades? Se a pessoa tem um objeto que lhe proporciona entretenimento (como fones de ouvido ou ipods), será que deveria analisar o regente da casa 5 e ver se ele faz aspecto com o significador do querente? É apenas uma indagação minha.

Mas até mesmo o sinal que me deu certeza (o sextil sol-lua) pode ser questionado. A Lua é almuten da casa 2, que significa objetos. O Sol é almuten do ascendente, que me significa. Por esse viés, o sextil indicaria que eu consigo o objeto – entretanto, usar almutens para horárias não é um expediente muito comum. Praticamente 99% dos exemplos de horárias que ficaram para a posteridade não usam exaltações como co-regentes das casas.

 

Da localização dos objetos perdidos

Nessa parte, podemos usar o mapa como uma bússola, e definir a localização dos objetos no espaço.

O fone e o ipod estavam num armário, numa sala que tem uma pia, mas não estava perto de nenhuma fonte de água. O hospital onde trabalho fica a nordeste do local da pergunta. Entretanto, quando julguei a figura, considerei que o sol em câncer fosse o significador do objeto perdido e julguei que os desaparecidos estariam a norte ou próximo ao norte. Como tudo na astrologia, seria uma estimativa grosseira e não deveria ser levado ao pé da letra. Foi assim que deduzi dos objetos estarem no hospital, ainda que este se localize a nordeste. Mesmo usando um significador altamente questionável – o sol – eu acertei a questão.

Há uns cinco anos eu fiz um estudo sobre a localização da minha carteira de identidade, onde a direção por casa se mostrou mais eficaz que a direção por signo. Aqui, fica um pouco difícil discernir qual seria o papel de cada um, porque os signos estão alinhados com as casas de mesma direção. Para um ascendente Áries, Câncer está na casa 4, mas ambas representam a direção norte.

Se fôssemos precisos, qual seria o melhor indicador da direção do objeto? Vênus está na casa 3, muito próximo ao norte, mas tendendo ao leste. E – lo and behold – Vênus rege a casa 2, que significa objetos…

Conclusões

  1. O regente da casa 2 está indicando melhor a localização do objeto perdido, como consta na literatura clássica. Nada a transgredir dos nossos antecessores…
  2. O Sol nesse mapa fornece um testemunho adicional, embora não tenha nada a ver com a pergunta. Simplesmente porque ele é o próximo aspecto da lua, e indica os eventos futuros. Então o sol angular e recebido pela lua é um bom prognóstico, embora muito inespecífico, de que as coisas vão acabar bem.
  3. Acredito que a resposta seja positiva devido a Vênus se aplicar a marte em trígono e em perfeita recepção. Ainda que o aspecto tenha orbe de 9 graus de distância entre ambos, isso apenas indica que nove unidades de tempo após a pergunta ter sido feita, eu teria o objeto perdido em mãos.
  4. Acertar a horária (e inclusive a localização) com um significador errado… Isto lhe soa familiar? Pra mim, explica o porque de termos dezenas de astrologias por aí sendo aplicadas com um sucesso relativo.
  5.  É por essas e outras que temos muita pouca vida para aprender tantos segredos, o que pode ser representado pelo dito em latim ars longa, vita brevis…. 

 

Parem de criticar os horóscopos

É comum astrólogo ou estudante de astrologia torcerem o nariz quando se fala em horóscopos. Não à toa, do lado do turbante, do incenso patchouli e da música new age, eles são o clichê que dão a péssima reputação da astrologia.

Também é comum se ouvir por aí que horóscopos são frases selecionadas aleatoriamente por jornalistas, e talvez seja verdade em muitos jornais que querem economizar não contratando um astrólogo. Mas horóscopos sérios se baseiam numa técnica, assim como os dashas e as revoluções solares. E, pasmem: tanto essas técnicas, quanto as técnicas empregadas no horóscopo, tem uma coisinha comumente esquecida pelos deslumbrados, chamada de MARGEM DE ERRO. Em outras palavras: tanto o astrólogo figurão estóico, que só lê o mapa à luz das regras de Morin, quanto o escritor de horóscopos podem errar. A diferença é que a margem de erro do “horoscopista” é muito maior – mas isso não invalida a técnica.

Não vou falar aqui do problema filosófico dos horóscopos, que foram uma estratégia de massificação da astrologia adotada no início do século XX no New York Times. Há quem ache isso suficiente para desprezá-los por completo. Mas eu os considero como uma técnica “rule of thumb” (em outras palavras, uma técnica de previsão grosseira). A astrologia indiana está cheia de técnicas assim e nem por isso são desprestigiadas. Veja, por exemplo, o Prasna Marga e suas várias técnicas rapidinhas de resultados grosseiros.

O horóscopo cria o chamado “mapa solar”. Ele considera o Sol da pessoa como um Ascendente, e os planetas são lidos dessa perspectiva. Muitas pessoas vêem que seus horóscopos funcionam, e isso pode não ser mera sugestão psicológica. Pasmem: horóscopos podem funcionar!

Mas é claro que a margem de erro de um horóscopo é muito maior. Quanto mais eu individualizo a previsão, menores as chances de se errar. Afinal de contas, não se pode calcular dashas, revoluções solares e direções para milhares de leitores do horóscopo da Folha de São Paulo!

Astrologicamente, existe um modo de explicar/justificar quando os horóscopos (sérios) funcionam e quando não? Pela ótica de Morin de Villefranche, sim. Isso seria explicado à luz da teoria das determinações.

A grosso modo, Morin acreditava que um planeta precisa estar determinado a uma casa para que seus efeitos se referissem a ela. Portanto, segundo Morin, horóscopos funcionarão para as pessoas que tivessem o sol fortemente determinado ao ascendente – a Casa que representa a pessoa. Essa determinação pode ser dada por posição (sol dentro da Casa 1). Portanto, toda pessoa que nasceu um pouco antes, durante ou depois do nascer do sol, teriam a benesse de poder ver suas previsões no segundo caderno do jornal…

Para os indianos, há muitos mais motivos dos horóscopos funcionarem. Primeiramente, o Sol é considerado o karaka (produtor) da alma, ou atma. Portanto, independentemente do mapa analisado, o sol significará a alma da pessoa e sua inteligência. Os indianos costumam fazer paka lagnas, que são ascendentes secundários dentro do mapa da pessoa. Assim, quando um jyotishi (astrólogo) queria delinear a vida da mãe do nativo, ele considerava a lua como o Ascendente materno, e criava casas a partir deste (ele não fazia apenas isso, claro). Portanto, o signo da lua seria o ascendente, o segundo signo a casa 2, e assim sucessivamente. Só que isso não serve apenas à mãe: qualquer planeta ou casa pode ser usada como paka lagna.

Seguindo a ótica dos indianos, qual seria o problema de se considerar o Sol como um paka lagna para a alma da pessoa? Problema nenhum. Tanto que eles já fazem isso, mas de forma anual, uma técnica que lembra muito a profecção, chamada de Sudarsana Chakra. Mas isso é papo pra outro artigo.

Portanto, para os indianos, os horóscopos de jornal seriam nada mais que os trânsitos sobre paka lagnas do Sol. As atividades dos trânsitos ao redor do Sol refletiriam as mudanças da alma do nativo – na prática, as pessoas não são tão dissociadas assim da sua alma, e portanto geralmente uma mudança da alma acaba refletindo no exterior. Por isso que os horóscopos funcionam pra muita gente.

Apenas um exemplo.

Vamos fazer um mapa solar (horóscopo) para uma pessoa com sol em aquário. Basta considerar o Sol como um Ascendente, seja lá em que casa ele estiver. Portanto, nem precisamos colocar um mapa de exemplo aqui. Basta saber onde estão os planetas em trânsito:

Sol em Câncer
Vênus em Gêmeos
Mercúrio em Gêmeos
Marte em Libra
Júpiter em Câncer
Saturno em Escorpião

Com essa informação, podemos criar um horóscopo. Como não tenho experiência com horóscopos, é claro que ele será rudimentar.

As pessoas com o Sol em Aquário passam pelos últimos dois anos a cogitar decisões definitivas na esfera profissional, pois saturno está em escorpião, 10º signo a partir da alma. Sendo Saturno regido por marte, recentemente essas decisões são motivadas devido a acusações, ou problemas espirituais, porque marte está no nono signo e aqui tem ficado por quase seis meses, devido ao seu movimento mais lento e às suas retrogradações. Aquarianos podem estar sofrendo acusações dentro do seu trabalho, e isso dará mais combustível ainda para tomar decisões definitivas na esfera profissional 

(ao ler o trecho acima, o qual se refere a marte, é natural ter descrença quanto a horóscopos. Realmente, é difícil imaginar milhões de aquarianos sendo acusados de alguma coisa: é claro que isso tem de ser generalizado milhares de vezes. Pode ser desde um político aquariano numa cpi até mesmo um pedreiro aquariano sendo acusado de chegar bêbado no trabalho – essa personalização só pode ser alcançada interpretando isoladamente o mapa natal destes indivíduos, é claro).

Nesse ano, porém, passam por uma melhora das suas condições de trabalho, porque Júpiter está exaltado na 6 (a partir do Sol), e podem ser reconhecidas pelas suas habilidades devido a isso. Agora a fase é de ser mais criativo, e quem sabe dar um toque mais estético no seu trabalho, pela passagem de vênus e mercúrio na 5. 

Agora, sem deslumbramentos: isso funcionará pra todos os aquarianos? Claro que não, né?! Se, por um lado, o paka lagna do Sol pode ser feito em qualquer mapa, nem todos os aquarianos vão sentir seu horóscopo.

Ainda não há razões claras para explicar a ausência de resposta, mas tenho a seguinte hipótese: pessoas com o Sol angular em seus mapas (nas casas 1, 4, 7 ou 10) tem uma chance maior de terem suas vidas representadas por horóscopos do que pessoas com o sol cadente ou sucedente. Claro que, para definir isso, seria necessário uma pesquisa maior, coisa que não me compete no momento.

Por isso que eu digo: falar mal de horóscopos feitos com seriedade é dar um tiro no próprio pé, pois são feitos com o mesmo raciocínio que você usa nas técnicas de previsão dos seus mapas natais. Enquanto você usa duas ou mais, o horoscopista usa apenas mapa solar.

Além do horóscopo escrito pelo Gregório Queiroz, eu não sei quais são feitos com técnica. De qualquer forma, onde estiver a técnica astrológica, ali estará o meu respeito pelo profissional que se sente diante de um computador para escrever esses tuítes de sabedoria celeste.

gravações de áudio mais chamativas (quase um off topic astrologia)

Essa é pra quem precisa gravar áudios e apresentá-los a outras pessoas – seja podcast, aula, ou interpretação de mapa gravada. Deixe um pouco a preguiça de lado para editar suas gravações no audacity, um programa de edição de áudio open source. Elas ficarão muito mais dinâmicas, prendendo a atenção do leitor.

Nesse vídeo, saí um pouco da astrologia para mostrar um modo rápido de editar seus áudios. Afinal de contas, a proposta do blog é facilitar o aprendizado e transmissão da astrologia – o que pode ser entendido num sentido mais amplo – não só ensinar astrologia ao leitor, mas também fornecer ferramentas para ajudar o exercício da astrologia.