Astrosphera
Ancient astrological technics uncovered.Da retrogradação (em trânsitos)
Os planetas retrógrados em trânsitos podem gerar eventos perceptíveis. o que me deixa dúvidas é prever se estes serão bons ou ruins.
Mercúrio entrou em retrogradação na segunda-feira, aproximadamente. Esse evento pontual sugere outra verdade: para uma corpo parar, ele tem de se desacelerar gradativamente. Essa desaceleração representa um período de atividades mais intensas na casa onde o planeta se encontra.
Para entender essa afirmativa, pense numa viagem de carro pelo interior do Brasil. Imagine que você é localizado num mapa por um sistema de GPS, e alguém fica lhe observando e anotando o tempo que você fica em determinada cidade. Pois bem, esse observador constata que você fica mais tempo em algumas cidades.
Muitas pessoas que olham o mapa pensam que vocês pararam de verdade, que não estão fazendo nada, mas você é humano, tem necessidades fisiológicas, e precisa ocasionalmente parar para se alimentar e dormir. Para fazê-lo, você pára em determinada cidade.
Mas isso não implica que você parou no tempo e no espaço! Dentro da cidade, você está agindo, conforme a sua natureza. Pode passear, conhecer as redondezas. Comprando souvenirs dessa terra, comendo e se hospedando você está investindo nesse município.
Imagine que você “passa batido” no mapa do GPS: por acaso estaria investindo ou melhorando alguma cidade com seu dinheiro? ´Se você passa rápido, não há tempo o suficiente para isso!
A mesma coisa com os planetas. Minha dica é que você anote os eventos ao redor do dia da retrogradação. O dia da mudança de sentido é muito importante, é o período em que o planeta fica com velocidade zero, o que recebe o nome de “estacionário”, representado nos programas de astrologia pela letra “S” (do inglês stationary). Resta enfatizar que os efeitos dependerão da natureza do planeta no seu mapa! Imagine o mesmo radar GPS instalado na motocicleta de um bandoleiro assassino!
Esse conhecimento não é muito enfatizado pela astrologia medieval, que não prioriza trânsitos em sua abordagem. A astrologia védica enfatiza uma série de fatores nos trânsitos (chamados de gochara) além dos aspectos e posições por casa, sendo a retrogradação um deles.
maléficos… Para quem?
Algumas pessoas acostumadas com astrologia tradicional do ocidente, e que ainda não tem muita experiência, acharão a afirmativa anterior absurda. Para a astrologia que praticamos no aqui, essa informação é um paradoxo: sendo Saturno um maléfico, ele nunca traria coisas boas, mesmo regendo casas boas. Se o leitor chegou a essa conclusão, saiba que está errado. A astrologia védica pode ter muitas coisas diferentes da nossa, mas essa é uma grande similaridade! Vejamos o por quê.
-Cara, tô precisando de um trampo… Perdi aquele plantão!
-Ih, tem uma vaga lá onde eu trabalho… Topa?
-Claro!
Foi um movimento fácil, e a oportunidade surgiu como num passe de mágica. Nesse momento, se a pessoa crê em algum Deus, talvez se sinta abençoado. Ele pode estar num período de vida no qual as oportunidades de trabalho são fáceis e abundantes, devido a presença de Júpiter na casa dez.
Os planetas maléficos, se estão em casas boas, e regendo casas igualmente boas, representarão coisas boas, a serem conseguidas com sua natueza maléfica, indicada por esforço, concentração, brigas e disciplina. Os aspectos tensos desses planetas não indicam impedimentos graves, embora ofereçam desafios.Se os planetas maléficos regem casas que indicam experiências difíceis (casas 6, 8 e 12), então o nativo enfrenta problemas sérios que devem ser encarados com cuidado. Os problemas geralmente estarão relacionados a casa na qual o maléfico se encontra, ou na casa onde o planeta aspectado pelo maléfico se encontra.No primeiro exemplo de Saturno, ele está numa casa boa, e pelo que aconteceu, talvez ele tenha regência sobre casas igualmente boas. No segundo exemplo, Saturno rege a casa da morte e da angústia, a casa oito, o que faz com que as coisas não corram bem no casamento, porque ele aspecta o regente da sete.
combinando técnicas medievais
Vamos analisar o principal regente da Firdaria, Mercúrio. Ele está mediano na revolução solar, e péssimo no mapa natal. Dessa forma, esse ano mercúrio ajuda o nativo a melhorar a mente, a saúde, e até a superar adversidades, mas talvez por pouco tempo, dada sua debilidade. Na revolução, mercúrio rege amigos, prazer e dinheiro. Essas coisas talvez ajudem o nativo a se superar.
Júpiter, segundo regente da Firdaria, indica uma parceria cujo objetivo é ganhar dinheiro, vencer adversidades e conhecer novos horizontes, sejam eles espirituais ou não. Na RS, o grande benéfico se encontra bem, em seu domicílio, na casa oito, a rege peixes na onze. As coisas que Júpiter rege no mapa natal e revolução serão melhores para ele. Dinheiro feito via parcerias será bom para os amigos e grupos. O ensino universitário será tranquilo. As adversidades serão vencidas.
Nesse ano, o nativo terminará a gravação de um CD com sua banda. Há de se formar na faculdade de medicina em meados do ano. Vejamos se os prognósticos estão corretos!
os significadores
Para cada assunto de nossas vidas, existe um ou mais significadores. Eis aí o problema. A confusão do estudante reside na falta de diferenciação da qualidade de cada um. Para o mesmo assunto, um significador pode estar em mal estado, enquanto outro pode estar bom. Se o aluno entrar nesse estudo achando que apenas um deles deve prevalecer, cometerá um erro de julgamento. Se o regente do domicílio da casa dois estiver aflito na casa seis, doença pode gerar problemas financeiros. Mas se o regente da exaltação da dois estiver em bom estado na casa quatro, família e imóveis podem gerar dinheiro para o nativo. Ao final da análise de todos os regentes (domicílio, exaltação, triplicidade, termo e face), sintetizamos um julgamento daquela área da vida.
É importante ressaltar que não podemos julgar pela aflição das casas a questão quantitativa. A casa dez aflita pode trazer impedimentos a fama, mas não podemos concluir somente com esse dado que a pessoa não será famosa. Técnicas para avaliar o quão rica ou famosa será a pessoa não passam por essa análise de casas. Uma pessoa famosa pode ter a casa dez aflita, indicando que apenas ela sofrerá alguma difamação nalgum período de dua vida.
Almuten domus
O uso desse significador foi amplamente divulgado pelos árabes. Almuten ou Almutem é o planeta que mais tem dignidades num ponto qualquer do zodíaco. Por exemplo, se quiséssemos saber qual é o Almuten do ascendente a 19 de áries, basta enumerarmos todos os regentes desse ponto – domicílio, exaltação, triplicidade, termo e face. Cada regente possui um valor, que varia de 5 a 1:
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Domicílio: marte – 5 pontos
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Exaltação: Sol – 4 pontos
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Triplicidade: Sol – Júpiter – Saturno – 3 pontos
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Termo: mercúrio – 2 pontos
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Face: Sol – 1 ponto.
Ao contarmos quantos pontos cada planeta possui naquele grau, concluímos que o sol possui a maior pontuação, com 4 pontos de exaltação, três de triplicidade e 1 de face, no total, 8. O sol é o planeta que tem mais dignidades (ou honras) no Ascendente. Isso o torna um bom representante do Ascendente; aquele que sintetiza melhor seu julgamento.
Quando analisamos apenas um grau do zodíaco, o Almuten normalmente é o regente do domicílio ou da exaltação do signo. Isso gera uma confusão quanto ao seu papel: ele seria o mesmo que o dos principais regentes da casa? Decerto que não. Fosse assim, para que usar esse método de eleição? Há, contudo, Almutens envolvendo dois ou mais pontos do zodíaco, não tornando óbvio o planeta que representa aquela questão. É com basse nisso que concluímos o papel dessa técnica: o almuten representa a síntese de uma questão. O Almuten pode ser analisado como qualquer outro regente, mas é fundamental percebermos nele sua posição em relacção aos ângulos e o seu nível de impedimento, para termos uma síntese do quão impedido ou favoreceido está a questão estudada.
Como é na prática atual?
Os autores antigos estabeleciam uma ordem para se julgar uma casa, a começar pelos planetas que mais dignidades tinham na cúspide dessa. Uma vez enumerados os planetas em ordem decrescente de honras, procedia-se a avaliação do estado celeste (signos e aspectos) e terrestre (ângulos) de cada um, a fim de se eleger um ponto capaz de produzir os assuntos da casa. Esse planeta, o mais “saudável”, seria o significador do assunto em questão. Se todos os regentes sofrem algum tipo de aflição, então o assunto em questão carece de poder para realizar. Isso não é lido de modo invertido com casas maléficas: os regentes da casa 12 angulares falariam a favor de inimigos secretos poderosos, mas se o planeta estiver ali dignificado por signo, é provável uma vitória sobre adversidades oriundas desses mesmos inimigos.
A descrição acima parece simples, mas o autor confessa não encontrar terreno prático para elas ainda. Há muito que se aprender, e no momento creio na capacidade de um planeta de exercer múltiplos papéis ao mesmo tempo: ao mesmo tempo que a lua rege a casa quatro, ela é significadora financeira por ocupar a casa dois e se relaciona com a casa sete por aspecto a júpiter ali residido. Como cada corpo celeste exerce miríades de papéis simultaneamente, a solução é analisar um assunto por vez, enfocando os planetas que cumprem algum papel importante na questão.
A análise do assunto em questão deve ser baseada naquilo que desejo em determinada casa, pois um mesmo setor do mapa também abriga diversos assuntos. A casa seis pode representar os servos, mas também a técnica e as doenças do nativo. Será que todos esses assuntos se submetem aos mesmos regentes? A priori sim, mas as partes árabes para um tema específico delimitam a análise. Se busco na casa seis temas referentes a doença, usarei a parte da doença, e não a parte dos servos, pois possuem cálculos diferentes.
A análise árabe foi a técnica mais sofisticada que a Terra já presenciou. Não a domino, embora ache espantosamente minuciosa. Lentamente aprendemos.
Mais uma vez, Morin.
O fato de duas casas estarem ligadas por essa relação indica alguns fatos extraoridinários, sem dúvida, contudo, nem todos os eventos relativos a um setor se manifestarão na dependência da outra casa, aquela onde se encontra seu regente. Podemos, então, analisar a condição do regente de uma casa independentemente do significado da casa onde ele se encontra. Por exemplo, se o regente da sete recebe uma quadratura de marte, isso pode implicar em certa agressividade dos parceiros, redundando em conflitos (É importante lembrar que a recepção abate a malícia desses contatos). Aqui se ignora o local onde marte se encontra e as casas que ele rege. Por aspectar o regente da casa sete, marte qualifica os assuntos de casa sete de acordo com sua natureza belicosa. Essa teoria é amparada pela prática e pelos ensinamentos de Morin de Villefranche no livro 21 da Astrologia Gallica. Deixe a determinação local de marte para um detalhamento de alguns eventos, mas não serão todos.
A natividade acima é um bom exemplo. Marte aflige Saturno, o significador do descendente, as parcerias e o público. Apesar de marte estar em condição zodiacal boa (triplicidade de terra) , não há recepção entre ele e Saturno, logo a configuração é tensa. Quanto ao grande maléfico, este se encontra peregrino, a princípio não faz nem mal nem bem a parceira, e pode indicar que o parceiro é de longe (sim, essa dignidade pode ser lida literalmente!). Marte se aproxima de Saturno em conjunção corpórea, qualificando o parceiro como “indomável, agressivo” segundo a leitura das qualidades marcianas. A nativa é médica e pode lidar com pessoas muito agressivas em plantões. Pensa em fazer psiquiatria, e temo que seus pacientes sejam muito agressivos, requerendo controle com medicação pesada.
Ignorando-se a posição de marte, já temos algo que qualifica a casa sete. Os relacionamentos serão marcados por conflito. Numa segunda etapa, vasculhamos a determinação local e por regência de marte: essas casas podem afligir o parceiro. Aqui entramos num terreno de amplas possibilidades, angustiante para o astrólogo, pois a análise combinatória produz muitas probabilidades de eventos e torna a delineação extremamenta trabalhosa. Até mesmo Morin reconhece o problema, e afirma ser essa a grande razão da dificuldade em se realizar astrologia preditiva. Por exemplo, os relacionamentos podem se afligir com todas as casas que marte representa por posição de regência: dinheiro da nativa (2), universidade, religião e viagens (9), e família (4). Nesse caso, o astrólogo pode se despir da condição de adivinho e interrogar a nativa se essas coisas apresentam um papel nocivo em seus relacionamentos ou não.
Quando essas múltiplas possibilidades ocorrem, você pode escolher qual casa será mais importante. De fato, todas as casas que marte representa podem afligir a Saturno, significador específico de parceiras, porém uma delas terá um efeito maior. Morin dá critérios para identificar qual casa será mais influente através do conceito de analogia, mas devo advertir que nem sempre esse conceito é útil.
Vejamos o exemplo. Marte é um planeta agressivo, indomável, e dessa forma não se relacionaria a espiritualidade, embora Abu Ali em sua obra classifique marte como significador de viagens. A casa nove, portanto, ganha um ponto de analogia frente as outras.
Marte é Almuten da casa sete, que representa parceiros, mas também inimigos declarados. A casa sete também poderia ter uma relação de analogia com marte, assim como tem por regência, ratificando que as parcerias, os adversários e o público são agressivos.
A casa dois é a que possui menor relação com o pequeno maléfico, e no entanto ele se encontra ali. Descartar a importância da casa dois é um sacrilégio, pois posição é mais forte que regência.
Marte rege também o ângulo da terra, chamado atualmente de fundo do céu. Nesse caso ele não tem nenhuma analogia com família e residência. Se não há mais nenhuma indicação no mapa, a casa quatro afligirá com uma frequência muito menor a casa sete via marte. Não há analogias muito evidentes.
Conclusão: o conceito de analogia nos ajudou a priorizar duas casas e a reduzir em importância uma. Quanto mais ligações uma casa tem com um planeta, com maior representação ele agirá sobre seus assuntos. Alguns autores dizem que o significador de uma casa inconjunto a essa (sem fazer nenhum aspecto por signo) tira a sua representação, mas o autor do blog apenas conclui que isso é ruim para a casa.
Exemplo de profecção

Essa técnica me fascina por duas coisas: o poder da natureza do número, e a sua simplicidade. As profecções podem ser usadas em qualquer ano e, combinadas a revolução solar, produzem bons resultados.
Para saber como usar a técnica, é muito simples. Os autores antigos atribuem o movimento de um signo por ano a cada ponto do mapa. Robert Zoller se posiciona de um modo diverso em seu curso. Ele ensina a maneira tradicional de se realizar profecções, mas ensina a dele, que, segundo o autor com trinta anos de experiência, produz igualmente bons resultados. O autor desse blog percebe as duas abordagens e no momento se abstém de concluir algo sobre o assunto, porém tem verificado até o presente momento que as profecções de Zoller, embora mais simples, requerem uma interpretação mais complexa.
No exemplo que darei, com base em minha própria natividade, priorizarei o modo antigo de se “profectar”, mas vou ensinar o raciocínio de Zoller, if God wills.
Seguindo a frase em negrito acima, todos os anos o meu ascendente (não-retificado) fica a 19 graus e 32 minutos do signo seguinte, pois esse é o seu grau natal em áries. O ascendente é o corpo do nativo, sua motivação primária, o que ele busca, e seu movimento ao redor do mapa espelha isso, com nuances particulares devido ao posicionamento de todos os regentes do ascendente (domicílio, exaltação, triplicidade, termo e face).
Com 25 anos de idade (em 2007), o ascendente fica a dezenove graus e trinta e dois minutos de Touro. Uma vez sabendo o grau onde ele se encontra, recorremos à tabela de dignidades essenciais para termos uma noção dos planetas que regem o ascendente nesse ano:
- Domicílio: Vênus.
- Exaltação: Lua.
- Triplicidade: Vênus, Lua e Marte.
- Termo: Júpiter
- Face: Lua
Esses planetas constroem a interpretação do modo como será esse ano. No presente momento o autor ainda conclui que os planetas que imprimem de um modo indelével suas características no ano são aqueles do topo da lista, domícilio e exaltação, mas os seguintes tem importância também.
Uma vez sabendo os planetas referentes ao ano, vasculha-se o mapa a procura da determinação local de cada um. O ano terá um foco grande sobre a questão financeira (pois a profecção sobre o ascendente está na casa 2), e envolve parcerias com amigos (vênus na 11, regendo a 7), o temperamento mais introspectivo do nativo (Lua na casa 1, regendo a casa 4), trabalho extenuante e em péssimas condições (marte na seis), Uma parceira que more longe ou se interesse por astrologia, mas que esconda algum segredo do nativo ou esteja sofrendo muito (júpiter na sete regendo a 9 e a 12).
Uma vez sabendo do que o ano se trata, buscamos saber quando os planetas se ativarão. Em astrologia psicológica, os planetas estão sempre ativados, non-stop, a cada minucioso ato que realizamos, mas numa astrologia de eventos mundanos, como a medieval, os planetas são deuses que dormem, para serem acordados em épocas específicas.
Para realizar essa localização temporal, basta criarmos mentalmente um sistema de casas iguais para o ascendente profectado. A primeira casa refletirá o primeiro mês do aniversário, e a partir dele cada casa será um mês, dessa forma saberemos em que casas-meses estão os planetas listados.
Por exemplo, vênus acontecerá no décimo mês a partir de março, janeiro de 2008. A lua acontecerá em fevereiro de 2008, marte no quinto mês a partir do aniversário, júpiter no sexto mês. Assim temos um panorama eficaz de localizarmos e mensurarmos a verdadeira natureza de cada planeta em nossas vidas. Da próxima vez em que eles se manifestarem, saberemos como será a qualidade da ação, mesmo desconhecendo os eventos reais. Estudar astrologia não torna a vida um tédio, muito pelo contrário!
ERRATA – dos inconjuntos.
O autor desse blog não é um especialista em Astrologia mundial, mas prefere tomar o que escreve como exercício. A publicação de uma besteira é um risco, maior porém nesses casos é o risco de se aprender. Agradeço pelas correções atentas de Paulo Silva e Yuzuru, que em muito me auxiliam. No momento o autor confessa não entender um comentário feitos por Yuzuru, pelo simples fato de desconhecer princípios de astrologia helenística, como o conceito de “fall amiss“, mas isto não é uma discordância – apenas uma declaração da minha fascinação por Steven Birchfield, autor que é um dos maiores referenciais em astrologia clássica no momento, que é o mesmo de Yuzuru.
Seguindo a carta de ingresso para o Brasil em 2007, Saturno rege a casa 3 (capricórnio) e se encontra em leão no MC. No presente momento, o autor ainda considera Saturno como o responsável dos assuntos representados pela casa 3, ainda que o grande maléfico esteja em um signo que não aspecte seu domicílio – Leão e Capricórnio estão inconjuntos.
Para o leitor leigo, um signo inconjunto é aquele que se encontra a seis ou oito signos a frente de um signo inicial. Por exemplo, Áries é inconjunto a Virgem e a Escorpião. Vários autores modernos tentaram criar uma significação para o aspecto kepleriano entre dois planetas nesses signos – o quincúncio – mas em astrologia tradicional ele significa apenas que os dois signos não se vêem!
Como não há visão entre esses dois signos, se o regente de um destes se encontra no outro, isso é péssimo para os assuntos dessa casa. É como se o dono de uma propriedade estivesse incapaz de saber o que acontece com ela! E é exatamente o que ocorre com Saturno em Leão. Todavia, isso não tira definitivamente Saturno em Leão da responsabilidade sobre a casa 3. Eu posso estar errado, mas ávido por ser corrigido!
Espero que os leitores entendam que nada é estático, muito menos astrologia clássica…
Mais erratas num próximo post.
Brasil 2007: (L)ulalááá…
Na Astrologia, o zodíaco é o referencial de tempo. O ano-novo astrológico se inicia com o Sol a zero grau de Áries, tradição repetida até hoje. O mapa que representa as condições do ano (contado a partir de 20/21 de março) é a carta de ingresso, um mapa que deve ser levantado quando o sol entra a zero grau de Áries.
Esse mapa não é necessariamente o único. Se o ascendente da carta de ingresso recebe um signo cardinal (áries, câncer, libra e capricórnio), devemos fazer quatro mapas para o ano. Se for um signo mutável (gêmeos, virgem, sagitário e peixes), dois mapas. Se for um signo fixo (touro, leão, escorpião e aquário), apenas um mapa. Os mapas além do ingresso de áries devem ser realizados quando o sol entra nos solstícios (câncer e capricórnio) e no equinócio de outono ( libra). Ou seja, se o ascendente do ingresso for Áries, eu preciso fazer mais três cartas: uma no solstício de verão do hemisfério norte (0 de câncer), outra para o equinócio de outono (libra) e outra para o solstício de inverno (0 de capricórnio).
Felimente só precisamos de um mapa para analisar como começa o ano astrológico no Palácio do Planalto, já que um signo fixo ascende. Após verificar isso, sou levado a observar os planetas mais poderosos da carta – os angulares. E eis que encontro señor Saturno numa das casas mais poderosas do mapa!
Saturno em Leão, um maléfico em detrimento – péssimo caráter – e grande poder para agir, já que é angular. Por estar na casa X, representa o nosso presidente. Saturno rege as casas três e quatro. Uma eventual crise no Palácio da Alvorada, que repercute nos assuntos de casa quatro e três – as terras, agricultura e os recursos minerais do país, além do sistema de transportes e as relações com países vizinhos ao Brasil. Saturno da dez está em oposição a marte, regente da casa 1, denotando que o povo se voltará contra o seu presidente. Marte, enquanto significador primário de violência, fala de um provável risco do presidente sofrer um atentado. Toda a configuração pode ser salva por Júpiter na casa dois, e grande parte da malícia do presidente é melhorada pela trígono que Júpiter manda a Saturno em Leão. Um maléfico em detrimento que recebe um trígono tem sua malícia abatida. Poderia dizer que Lula seria muito mal-caráter esse ano, mas Júpiter em trígono com Saturno refrea minha língua…
Um maléfico na casa dez fala a favor de um governo corrupto, mas isso no Brasil é até um pleonasmo… Nesse caso temos de adaptar a interpretação ao contexto brasileiro. Esse Saturno fala de algo pior do que as usuais pastas rosas, dossiês pizza-delivery, mensalões e mensalinhos… Uma crise política que compromete o patrimônio nacional e a relação com os vizinhos! Felizmente, Júpiter abranda esse mal.
Morin de Villefranche diz em sua obra que Saturno em Leão representa a pessoa que experimenta a subida ao poder, mas tem uma queda trágica. Seguindo esse viés, uma grande crise política pode se instalar novamente, que culminaria com um possível impeachment logo no primeiro ano de mandato do nosso querido presidente reeleito. O que abranda- e muito – esses sinais é o trígono com Júpiter… Dessa vez não envolve os parlamentares, pois a casa nove está ausente da configuração. Especularia aqui um esquema de corrupção envolvendo o Ilmo. Sr. Lulalá, mas pelas casas envolvidas (principalmente a três, regendo nossos vizinhos), pressinto uma crise diplomática.
Ressaltei tanto Júpiter, mas ainda nem sequer o delineei. O grande benéfico, especificamente nessa figura, fala de uma situação excelente para o patrimônio Brasileiro. A casa dois representa o dinheiro que circula, bens de consumo. A situação vai bem, moderada, tranquila, e ajuda muito o setor de entretenimento do ano, além das relações que o Brasil tem com o exterior – a casa cinco, regida por Júpiter, fala ao mesmo de dois assuntos um tanto díspares, entretenimento, cultura e embaixadores! Talvez as relações diplomáticas brasileiras diminuam as consequências das besteiras que Lula disser contra nossos vizinhos. Saturno representa ignorância e servidão, e na casa dez se aplica perfeitamente ao nosso presidente metalúrgico!
O tempo dirá, mas esse Saturno na casa do rei promete escândalos alla Fernando Collor de Melo!
Rodolfo Veronese não estranhou a própria interpretação da carta de ingresso para 2007 até a parte do atentado a Lula… Será?
filosofia e astrologia
É comum atualmente associar-se uma filosofia a astrologia para justificá-la perante o raciocínio moderno. Mais comum é vê-la de mãos dadas ora com Jung, ora com Freud. Vocês mesmo perceberão que o autor do blog recorreu a Freud para explicar um ponto no mapa chamado Almuten Figuris, há alguns posts atrás.
Essa constante recorrência a conceitos modernos negligencia algo importante sobre a astrologia: o modo como os constituintes dessa ciência (planetas, signos, casas, números, elementos) estão dispostos traz em si uma filosofia e religiosidades inerentes. O conhecimento desses saberes antigos poderia nos ajudar a entender como deveríamos encarar a astrologia, antes de criarmos mais um raciocínio baseado num filósofo moderno. Uma vez sabendo o que cada elemento representa, saberíamos o que esperar do céu com maior exatidão. O que se faz hoje em dia é se desfazer da tradição interpretativa astrológica em prol de uma filosofia que levante o estandarte dos conceitos modernos (dentre eles o livre-arbítrio), porém mantém-se toda a estrutura anterior – planetas, casas e signos – quando na verdade se cria uma grande incoerência entre o discurso e a estrutura!
Então qual seria a filosofia e a religião por trás da astrologia? Essa resposta pode ser encontrada no hermetismo e no Egito!
A associação entre o Egito e a astrologia não é nova, mas as mais recentes traduções de livros antigos reavivaram essa associação. Vettius Valens é o registro mais antigo de uma prática astrológica grega. Em diversos trechos de sua Antologia, ele cita trechos do que seria um livro de astrologia, cujo autor seria um “Rei”. Não há explanação maior do que essa em seu tratado, mas, para alguns tradutores, esse Rei nada mais foi do que um Faraó!
Se você está interessado no que seria o “Hermetismo”, procure no site de Robert Zoller, postado no link ao lado. Seus artigos são baratos (cerca de dez reais), e vão lhe dar uma bons resultados de estudos da história da astrologia.
Rodolfo Veronese é um futuro médico que acha prescindível conhecer psicologia analítica e filosofias pós-modernas para se estudar astrologia.


