Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

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minha trilha sonora – primeiro teste


Acompanhando minhas delineações de mapas e estudos astrólogicos, sempre há uma música que me leve a algum local do universo. Pink Floyd consegue isso. Eles me levam a Andromeda, às plêiades, passando pelo centro galático para, em seguida, deixar-me em casa.

Sei que o post não tem nada a ver com astrologia, mas isso é uma prévia dos novos elementos que desejo introduzir aqui. A possibilidade do recurso de vídeo me era então desconhecida até recentemente, quando vi num blog feito em homenagem a Rita Lee que era possível publicar vídeos usando um link do You tube.

Para uma mente pouco privilegiada nos segredos da informática, O processo é espantosamente simples. Assistindo o vídeo no site YouTube, ao lado dele há um texto em linguagem de programação da internet, html. Basta copiá-lo e introduzí-lo no texto do post do blog referente ao vídeo. Foi assim que fiz, e deu tudo certo na primeira vez!

Ao invés de clipes de rock psicodélico, os próximos vídeos poderão ser sobre astrologia medieval. De fato, este vídeo é um teste, e com a banda que mais gosto.

“Paintbox” pertence ao disco “Relics” do Pink Floyd, em 1974. Ele contém singles e gravações desprezadas pela banda inglesa em discos anteriores.

Enjoy!

Astrologia Highlander

No post anterior, nos deparamos com a grande quantidade de significadores relacionados a uma casa. Hoje nós vamos aprender como escolhemos um deles para representá-la em técnicas preditivas.

Assim como o Highlander, filme protagonizado Cristopher Lambert, quando se analisa uma casa, se a maioria dos significadores dela estão fracos, só pode haver um. Na verdade esse extremo nem sempre tão verdadeiro, mas quando todos estão fracos é muito difícil a realização dos assuntos de uma casa nos períodos regidos por esses planetas.

Uma casa possui em torno de cinco regentes (ver posts anteriores). Nem todos podem finalizar os assuntos dessa casa, pois estarão fracos. Fraqueza em astrologia é definida como:

  1. Aspectos tensos de Saturno e marte ao regente – conjunção, quadratura e oposição.
  2. Cadência (o regente posicionado nas casas 3, 6, 9 e 12 – leve em conta os signos a partir do ascendente também – por exemplo, o 12o signo a partir de Áries (peixes) pode indicar cadência numa pessoa com Ascendente Áries, mesmo que o planeta em peixes se encontre na casa 11).
  3. Debilidade zodiacal – O planeta em seu detrimento, queda, ou peregrino (signo no qual não tem dignidade alguma) com dispositor fraco (de acordo com as condições 1 e 2).
  4. Oposição ou conjunção ao sol: que gera a retrogradação e a combustão, respectivamente, grandes indicadores de fraqueza do planeta.

Listar todos as combinações de debilidade acima seria impossível. Cada planeta terá um determinado tipo de fraqueza, que deve ser comparada aos outros regentes. Às vezes trata-se da questão de escolher o regente menos fraco. Quando uma casa contém muitos regentes debilitados, temos de escolher aquele que é relativamente mais forte que os outros. Força não é algo absoluto em si, é uma grandeza relativa.

No exemplo acima, se quiséssemos escolher um regente para a casa 2, temos várias opções. Perceba que júpiter é o regente da casa 2 (em peixes) e se encontra aflito pela quadratura com Saturno. sua angularidade é excelente, mas passamos a análise de outros regentes na tentativa de encontrar um “menos pior”. Vênus se exalta em peixes, sendo o segundo regente da lista. Ela está angular, mas combusta e em detrimento.

Depois de perceber que o domicílio e a exaltação de peixes se encontram fracos, passamos aos regentes das triplicidade que não se repetem, já que o primeiro é a já citada vênus em escorpião. Marte é o planeta mais próximo da cúspide da casa dez, mas se encontra combusto pelo sol, a despeito de estar em seu domicílio, escorpião. O terceiro regente da triplicidade se encontra longe de todas essas aflições, é a lua, está exaltada em touro, angular, mas recebe uma oposição de marte em escporpião. Como a oposição é um aspecto pior que a quadratura, e na configuração dada não há recepção, estamos diante de um dilema, no qual todos os planetas estão aflitos.

Quando isso acontece, há uma opção não referida no esquema que apresentei acima. Devemos escolher uma parte árabe que possua relação com o assunto em questão. E qual não seria a parte mais adequada para assuntos financeiros, senão a mais famosa das partes, a parte da fortuna ou pars fortuna?

Perceba que a parte da fortuna está em leão, aspectada pelo principal regente, o sol. Estou muito inclinado a encarar o Sol como significador financeiro dessa nativa: se um regente do signo na qual a parte se encontra a aspecta, ele ganha representação sobre os assuntos da parte. Todos os planetas que fazem conjunção com o sol não o afligem, pois marte está dignificado em escorpião. O sol está longe de receber uma quadratura de saturno. Chegamos a conclusão de que as finanças da nativas são fortes, posto que seu significador está angular, mas não tão fortes quanto um planeta em seu domicílio. O sol no exemplo está peregrino, e seu dispositor, marte, está combusto, indicando desse modo que as coisas pioram com o tempo.

O que podemos esperar? Nos períodos regidos pelo sol, a nativa desfrutará de um aumento no seu patrimônio. Como ela nasceu de dia, os períodos planetários começam pelo sol. Dessa forma, percebe-se que ela desfrutará de uma maior substância na sua infância. Quando a profecção do mapa chegar a casa 10 e entrar em conjunção com o sol, ela terá um aumento da sua renda.

Quando se ativar o período do regente principal da casa dois, júpiter, uma questão importante sobre dinheiro pode vir a tona, mas júpiter não tem poder como o sol para promover aumento da renda da nativa – perceba que ele está aflito por Saturno, indicando que as casa regidas pelo maléfico podem espoliar seu patrimônio. Isso significa que, nos períodos de Júpiter, a questão financeira importante não será um aumento da renda, mas sim uma perda. As casas que causariam aflição no exemplo são a 7 – parceiro, a 1 (aquário, regido por Saturno) e a 12 (inimigos secretos, internações, frustrações). A casa de libra pode contribuir para isso, pois saturno é candidato a Almuten da nove. Esse é o papel que o regente aflito de uma casa possui. Proceda assim com todos os planetas referentes a casa, e você terá um panorama para toda a vida dos altos e baixos de uma determinada área da vida.

Gabriela nasceu em 05 de novembro de 2006, dois dias atrás antes desse post.

Quanta coisa!

Uns dizem para olhar a casa, outros o significador primário, e outros mais o Almuten do assunto. O que fazer?

Nós sempre devemos partir da informação mais específica a hora de nascimento. Se quero saber do pai da pessoa, olhar a casa 4, planetas que a ocupam e seu regente é a primeira coisa a se fazer, por que a hora de nascimento restringe aqueles planetas e aquela cúspide a um grau específico. Ninguém no mundo terá a mesma configuração.

A partir dessa escolha de prioridade, passamos ao estudo dos regentes e ocupantes da casa quatro. Se todos estão em mal estado, ainda temos dois recursos interessantes: a parte árabe referente ao pai, seu regente e o significador essencial do pai nas figuras.

No caso do pai, temos o sol e saturno como significadores essenciais de paternidade. Ou seja, em qualquer figura eles são importantes para descrever o pai, mas a um segundo plano, se os regentes e ocupantes da casa quatro estão aflitos. Se a pessoa nasceu de dia, olho para o sol, buscando para saturno em nascimentos noturnos.

A parte do pai é dada pela distância do Sol a Saturno em natividades diurnas, esta distância somada ao ascendente. Em natividades noturnas, inverta: saturno até o sol pela ordem zodiacal somado ao ascendente. Tanto a parte quanto seu regente são importantes: analise da mesma forma que os outros regentes da casa 4: eles indicam áreas nas quais o pai busca realização, ou indicam eventos adversos do pai.

Todos os pontos listados acima devem ser analisados numa sequência de priorização. Se um ponto está aflito, passamos ao seguinte. Apesar da priorização, todos os pontos são importantes dentro do conjunto, visando uma descrição mais detalhada do pai. O regente da casa quatro, se estiver em bom estado e determinado a uma casa boa da figura, mostra uma expressão do pai que encontra êxito. Os outros regentes podem mostrar detalhes não revelados por esse regente, mas como senhor domiciliar é o mais importante, qualquer aflição dos outros é secundária. Esses outros planetas só serão mais importantes que o regente do domicílio se ele estiver aflito.

A sequência dos planetas acontece tal qual um homem que procura maneiras de sobreviver, recorrendo uma após a outra até encontrar sustento numa.

um aspecto, vários eventos – organizando a interpretação

É comum o hábito de se ler o mapa pelas posições planetárias e aspectos. Minha prática consistia em interpretar no mapa planeta por planeta, partindo dos “núcleos centrais” sol, lua e ascendente.

Na medida em que você sofistica a sua prática, adotando o conceito de regência para cada planeta, o tipo de delineação acima torna-se confuso demais. É preciso então, interpretar o mapa casa-a-casa.

Pegue um aspecto como marte em trígono com júpiter. Além de estarem em duas determinadas casas por posição, ambos regem duas outras casas. Só aí há a combinação de seis setores do mapa!. Se mantermos a velha prática de se ler o mapa pelos planetas e aspectos, isso se tornará extenuante e cheio de erros.

um exemplo e uma explicação:

Marte na casa um, em escorpião, fazendo quadratura com a lua em leão na X. A lua rege a casa 9, Marte a casa 1 e 6.

Ao intepretarmos a casa um, marte a ocupa e representa o nativo. Marte está forte no mapa, angular e domiciliado, sinônimo de que o regente da casa 1 se encontra nela mesma. O nativo (marte) está com algum conflito com sua carreira, por que a lua está posicionada na dez e quadra marte. Mais do que isso, o nativo está com algum conflito com seus estudos universitários, por que a lua rege a casa nove. A lua está minguante, portanto maléfica, e tenta prejudicar marte. Marte está angular, domiciliado, e rege a casa seis, portanto a doença vem até ele como motivação primária de vida.

Ou seja, se analisarmos a casa um enquanto a felicidade do nativo, seu corpo e sua energia, ela está relacionada ao talento para se lidar com doença, é prejudicada por coisas que acontecem na carreira ou assuntos acadêmicos e religião, viagens ou estudos universitários, mas no fim sua vontade prevalece, por que está mais forte que a lua. Por serem casas boas, as casas nove e dez muitas vezes indicarão períodos no qual se exige muito esforço do nativo de atividades boas, como viagens e estudos. a quadratura é difícil, mas só é realmente má se envolve casas difíceis como a sete, doze, seis e oito.

Se analisarmos o aspecto lua-marte a partir da casa X, ele adquire contornos bem diferentes. A lua falará da primeiramente da carreira, mas ela pode se relacionar a mãe. A mãe do nativo pode ser uma pessoa que tem atritos com o filho (coisa que poderia ter falado antes, na casa um, mas não quis ser repetitivo), mas também pode ser vítima de uma doença, pois marte rege a casa seis. A lua enquanto regente da casa nove pode apenas contribuir para a interpretação de que ela é muito religiosa, ou veio de longe (em relação ao local onde o nativo vive). Isso por que estamos nos fixando a mãe dele, e não devemos perder o foco.

A lua pode ter conflito com qualquer casa derivada da um e da casa seis, posições natal e da regência de marte, respectivamente . Se a casa um for considerada a quatro da mãe, o conflito pode ser dela com o seu pai. Se a casa seis for a derivada para a casa da religião da mãe (9 a partir da 10), o conflito é entre ela e a religião desta.

A casa X pode ser também o pai da parceira, e ele pode, da mesma forma, ser vítima de uma doença, pois marte é regente da casa seis.

Perceba na figura que a regência de outras casas dadas por marte é posta em cinza, uma cor de visualização mais difícil que as outras da figura. Isto serve para representar que as outras casas que marte rege são irrelevantes no momento, por que estamos nos concentrando apenas na casa um, ocupada e regida por ele. Se a casa um estivesse vazia, também usaríamos marte para delinear os principais eventos dela. Eu só usaria as outras delineações de marte quando estivesse detido isoladamente a análise da casa três e seis.

Existem muitas combinações, e não é possível ser completo na delineação. É melhor nos restringirmos a coisas relevantes, mas mesmo assim as casas do nativo podem se misturar com as casas relacionadas a parentes e associados dele! Abaixo eu descrevo o que aconteceu realmente, colocando entre parênteses as casas relacionadas.

Em 2005, o dono do mapa (casa 1) iniciou um período de estudos teórico-práticos intensos dentro da faculdade de medicina (casa 9). Nas férias desse internato , seu sogro (casa X) teve um acidente vascular encefálico (AVE – casa 6). O nativo ofereceu suporte a ele por três dias, mas por estar extremamente cansado, viajou com sua família (casa 9). Sua namorada (casa 7) não entendeu o que fez e decidiu terminar com ele (casa 1). No mesmo período sua mãe (casa X) também teve um AVE (casa 6), de poucas sequelas. É gente, foi hard, mas tudo verdadeiro!

A lua também rege por exaltação a casa 07. O uso da exaltação é comprovado por inúmeros astrólogos, às vezes suprimido para não tornar as coisas complexas, mas pode fazer falta em alguns casos. Nesse caso, como delineamos apenas um aspecto, não se nota que venus, regente principal da casa sete (parceira), está conjunta a lua e quadra marte da mesma forma.

O aspecto, portanto, é portador de inúmeras questões. O fato de duas casas serem regidas pelo mesmo planeta faz com que seus assuntos muitas vezes se manifestem ao mesmo tempo. Pode haver relação entre esses dois assuntos, mas nem sempre ela é observada.

Desejos não realizados e a astrologia

Pedro é um desenhista muito talentoso que recebe a infeliz alcunha de amador. Ele aprecia histórias em quadrinhos japonesas, e está concluindo (aqui é importante o tempo gerúndio…) um roteiro para a sua primeira história, um misto de ficção científica biotecnológica com magia medieval.

O tempo passa, Pedro entra na universidade, e não conclui a história. A faculdade de engenharia lhe consome muito tempo, e ele posterga o desenvolvimento do esboço da história para suas férias.

O segundo período da faculdade começa. Pedro já delineou o início da história, mas ainda não passou nanquim sobre ela, o que os desenhistas chamam de Arte-Finalização. Ele a guardou num canto do armário, e agora as aulas de Cálculo lhe consomem tempo o suficiente para se manter afastado da prancheta que ganhara no seu vigésimo aniversário. A prancheta às vezes lhe tem serventia para estudar, não desenho artístico, mas cálculo, trigonometria e Física mecânica.

Nas férias entre o segundo e terceiro períodos, Pedro procura seu projeto de história inacabado e não o encontra. Sua mãe, uma cristã pentecostal recém-convertida, decide expurgar de sua casa toda a “aparência do mal”, e isso inclui os esboços de Pedro, cujos personagens ostentam glifos pagãos e chifres demoníacos.

Por estar entre uma faculdade que lhe exaspera, e uma mãe dogmática, Pedro desiste do projeto momentaneamente. Agora, no quinto período, ele faz o que sempre fez, apenas esboços de desenhos na carteira da universidade. Consegue a admiração de todos os seus colegas pelo que faz, e já é a terceira vez que desenha a camiseta da sua turma. Pedro não deixou de ser feliz, mas apenas se lamenta às vezes por deixar seu projeto incacabado.

Essa história nos serve para entendermos os desafios que alguns desejos nossos encontram para serem realizados. Em virtude desses embargos, nós sempre estamos em vias de realizá-los, mas não conseguimos.

O que seria uma grande frustração, contudo, dá lugar a outras coisas, outras tentativas de concretização. Pedro se formou engenheiro, e desfruta de um emprego federal estável. Se casou, tem filhos, e de vez em quando senta no seu computador e esboça alguma coisa, pinta aos poucos e publica num site de desenhistas amadores.

O que a astrologia usa para representar esses dramas quotidianos? Quando olhamos para as pessoas ao redor, o que é mais fácil encontrarmos? Projetos incacabados, como o de Pedro, ou pessoas cem por cento realizadas? A resposta a essa pergunta parece triste, mas não é. As pessoas sempre procuram realizar algum sonho, nem todos são possíveis, e é por isso que a primeira alternativa me parece mais plausível. Enquanto a maioria dos astrólogos vaticina grandes catástrofes nos mapas das pessoas, deveriam aprender a enxergar dinâmicas quotidianas como a de Pedro. Existe uma mediocridade que passa invisível aos olhos de muitos astrólogos.

Se encontrarmos Pedro na rua, tomando um café e batendo papo com seus amigos, eu não diria que encontraria uma pessoa que se lamente muito pelo que deixou de fazer. Espero encontrar alguém feliz. Talvez em seu pensamento ele se orgulhe dos talentos que têm.

É por essas razões que o estudo da astrologia não deve ser triste. Quando comecei a interpretar mapas à luz da teoria de Morin, eu me assustei com a questão das dignidades. Quanto mais dignidades um planeta tem, mais a pessoa é capaz de realizar até o fim determinado assunto. Assim, eu sempre encontro mapas com pouca dignidade, e até pouco tempo achava que os donos dos mapas eram infelizes. Eu mesmo teria pena de Pedro, mas hoje não, por entender que a felicidade depende muito mais do que simplesmente um planeta em mal estado cósmico.

É muito provável que o talento de Pedro para o desenho seja representado por um planeta em mal estado cósmico, significando que, apesar do grande talento que possui, ele nunca vai até o fim com seus projetos. Seu talento é apenas uma promessa, um potencial latente, sempre vislumbrado, mas nunca efetivado. Seus desenhos ficam apenas no esboço. Literalmente.

Que isso fique em mente. Planetas debilitados indicam coisas que não se cumprem. Se for um casamento, este não vai “até que a morte o separe”, se for um talento, a pessoa não se profissionaliza e o deixa de lado, se for uma amizade, idem. Aprenda a associar a dinâmica do “não cumprimento” às casas a qual o planeta está determinado.

Existe uma crença entre os astrólogos medievais de que o planeta debilitado representa uma tentativa de realização que é deixada de lado para nunca mais ser procurada pelo nativo. A experiência prova nem sempre isso acontece. Em alguns casos, O planeta em mal estado cósmico sempre se manifestará, mas por ser debilitado, sua nova tentativa é tão breve quanto a anterior. Para entender isso, basta olhar o exemplo de Pedro, com quarenta e cinco anos de idade, ele ainda compra programas de desenho, tem uma prancheta e um scanner em seu escritório, mas nunca se profissionalizou, e jamais colheu os louros do seu dom.

Semelhanças entre o antigo e o moderno.

Recentemente discutia com Paulo Silva, amigo e excelente astrólogo, portador do site astrologia medieval (ver link ao lado direito da tela) sobre a questão das qualidades positivas de um marte dignificado.

Existem autores que dão aos maléficos a reputação de representarem sempre eventos adversos. O estado cósmico deles representaria, portanto, o quanto cada indivíduo será capaz de driblar tais problemas sem receber muitos danos, ou de resolvê-los definitivamente.

Paulo, contudo, discorda dessa opinião frequente, baseando-se nas mesmas fontes dos autores acima. Exemplos como esse nos mostram o quanto um texto pode ser interpretado de modos diversos.

Para Paulo, os planetas maléficos Marte e Saturno, se regem casas boas da figura e estão em bom estado cósmico, são planetas acidentalmente benéficos. Uma vez chegado a tal conclusão, o leitor poderá recorrer ao primeiro parágrafo para entender qual foi a minha dúvida. Agora, então citarei qualidades benéficas de marte e saturno.

Marte
A casa onde ele se encontra representa em bom estado cósmico representa um grande desgaste de energia, iniciativa, ímpeto, coragem e audácia.

Saturno
A casa onde se encontra mostra um local de foco, concentração e disciplina.

Perceba que Saturno e marte, regendo casas boas da figura e estando em bom estado cósmico, tendem a apresentar tais características. Perceba também que tais características revelam um estado de espírito. Não falamos de eventos, mas de uma qualidade ou modo de agir. Tal qualidade de agir nos remete ao tema do post: semelhanças entre o antigo e o moderno. Vamos entender o porquê.

Perceba que marte e saturno adquirem contornos bastante modernos nessa abordagem. Nas condiçõs acima eles representam estados modos de agir. Trata-se de uma delineação bastante similar as intepretações modernas. É bastante comum ver os astrólogos “modernos” reputarem a marte e a saturno tais atributos. Essa percepção traz consigo um insight: os autores modernos enfatizam as características boas dos planetas em detrimento das difíceis.

De onde vem essa visão seletiva? ignorando-se as nuances do estado cósmico planetário, desconhecemos como um planeta se manifestará.

Breve análise de uma casa

Uma casa no mapa possui vários regentes:

1 – Regente do signo da cúspide da casa;
2 – Regente que se exalta no signo da cúspide;
3 – Regentes das triplicidades do elemento da casa;
4 – Regente do termo da cúspide da casa;
5 – Regente da face da cúspide.

Você descobre os regentes lendo as tabelas de graus encontrados no site http://www.astrologiamedieval.com. Vá até a sessão de downloads (arquivos) e baixe as tabelas em pdf.

Há um total de sete pontos para cada casa, mas em alguns deles um planeta sempre se repete. Por exemplo, você pode ter um regente do termo igual ao regente da exaltação. Dessa forma, como isso sempre acontece, temos em média quatro a três planetas regendo um determinado ponto do zodíaco.

O estudante precisa transcender as usuais críticas a astrologia medieval e perceber que esse número de planetas não complica a interpretação. Ao contrário, ela oferece expressões possíveis para cada casa, caso o regente tradicional (do signo) esteja combusto (em conjunção com o sol), recebendo aspecto tenso de Saturno ou marte, e/ou retrógrado, além de estar numa casa cadente ou maléfica (casas 6, 8, 12, e em menor grau as casas 3 e 9): são as aflições , que impedem a realização de um planeta.

A teoria é melhor explicada através de exemplos. Supondo que eu tenha uma casa 2 (posses) em touro. A posição do regente da casa 2 (vênus) vai indicar onde conseguimos renda. Se esse regente está aflito, então temos de ver outro regente. Esse indicará a área da vida que possibilitará o melhopr fluxo de capital.

Uma coisa que devemos perceber é a similaridade entre a vida e a técnica de interpretação do mapa: na vida, olhamos as opções apresentadas e escolhemos uma dentre elas para nós. Algumas opções vem acompanhadas de dificuldades, sendo evitadas. O mesmo raciocínio procede na escolha de um planeta.

Nem sempre a opção escolhida será também fácil, mas ela foi, para nós, a melhor escolha dentre outras mais flitas ainda. Com o mapa natal, é a mesma coisa.

Quer dizer que você, um homem do século XXI, de um…

Quer dizer que você, um homem do século XXI, de uma época cercada de inteterminismo e liberdades individuais, opta por uma prática astrológica de mais de mil anos. Por quê?

Apesar da pergunta sugerir a obsolescência dos métodos medievais, concluo que o estudo da astrologia medieval e clássica tem um propósito muito atual: a busca da precisão astrológica.

Há vinte anos atrás algum astrólogo publicaria um método novo de progressão dos planetas; esse método se espalhava febrilmente pela comunidade astrológica. Muitos viam nele a princípio como a panacéia astrológica, que extirparia da arte o germe da imprecisão. A matemática e a acurária das efemérides eram a espada e o escudo, protegendo e atacando esse flagelo. Astrólogos como Alexander Marr criavam sistemas de casas novos a fim de buscar o método preditivo mais correto, aquele que melhor se sincronizava com a vida do indivíduo.

Há cerca de dez anos atrás, inicia-se um processo que perdura até hoje. Textos de astrologia datados de mais de quinhentos anos são traduzidos e disponibilizados para estudo a comunidade astrológica.

Quando observamos a acurária dos métodos medievais e clássicos, percebemos algo interessante. Persegue-se esses métodos na esperança moderna de encontrarmos a técnica astrológica mais precisa. Por mais infantil que seja esse raciocínio, só fechando nossos olhos para negar o clima de excitação que pairava sobre a comunidade astrológica com o início dos estudos de astrólogos clássicos. Os jornais especializados da época só faltavam resumir essas pesquisas como a “busca pelo cálice sagrado”.

Será que encontrarão aquilo que desejaram no início da busca? Não preciso ter a experiência de Robert Hand para concluir que NÃO. Ao longo dos meus estudos, percebo que a acurária de uma técnica antiga isoladamente é igual ou menor que uma recente. o ideal de perfeição neoplatônico implicava em certos “recursos matemáticos” conhecidos por nós até hoje. Um deles é o arredondamento… Frente a essas observações, o que a astrologia medieval nos possibilita?

Quando comecei a estudar, a resposta veio doce aos meus ouvidos… Seu estudo nos possibilita um ganho incomensurável de sabedoria na prática astrológica. Ela só vem a confirmar prátcas existentes até hoje, como a necessidade de mais de uma técnica na hora de se fazer um julgamento. Mais do que isso, trouxe-nos de volta a oportunidade de julgar um mapa com mais objetividade, coisa praticamente abolida pela subjetividade da astrologia psicológica.

Sistema signo = casa

A astrologia sofreu muitas modificações desde a sua gênese, o que não se trata de nenhum absurdo, pois consiste na adaptação deste saber ao pensamento dos homens de cada tempo. Contudo, não é uma adaptação geralmente tolerante com antigas tradições, se estas ferem os paradigmas filosóficos desses povos que incorporam a astrologia. Desse modo, as adaptações acabam por relegar certas técnicas ao esquecimento.

Felizmente, com as pesquisas do projeto Hindsight, retomou-se conceitos antigos, e estamos agora digerindo todas as descobertas a fim de revisar a prática astrológica. Uma dessas redescobertas é o sistema de casas de signos inteiros, em inglês, whole-sign houses.

O sistema é simples: cada signo corresponde a uma casa. O ascendente é o marcador da hora, em grego horoskopos, é o ponto terreno que sinaliza qual é o primeiro signo, e portanto, qual a primeira casa. O meio do céu também é um outro marcador, que sinaliza a área da vida na qual a pessoa ganhará seu sustento e terá trabalho. Para um ascendente áries, a casa dois é o signo inteiro de Touro, a três o signo inteiro de gêmeos, e por aí vai, até o décimo segundo signo=casa, peixes.

O que não muda nesse sistema é que os signos a partir do ascendente sempre se referirão a um mesmo assunto. O nono signo sempre terá relação com viagens, educação superior e a espiritualidade do nativo, mesmo que o meio do céu se encontre nele. A presença do zênite nessa casa, portanto, representa que o nativo pode ter sustento dessa área: talvez um sacerdote, alguém que ganha dinheiro de viagens, dentre outros significados.

Dessa forma, a interceptação dos signos inexiste. Interceptação ocorre em latitudes muito distantes do equador, é uma consequência negativa e inevitável do sistema de quadrantes que aplicamos hoje. A interceptação proporciona certos absurdos como a presença de duas casas dentro de um mesmo signo, e, como consequência, dois outros signos dentro de uma mesma casa.

Sempre se lidou com a interceptação considerando os signos fora da cúspide como regentes secundários. Ás vezes, tais regentes nem são utilizados. Eu me pergunto: e quando leão é interceptado? podemos desconsiderar o sol, ou colocá-lo numa posição secundária?

A preservação do sistema de signos inteiros não é uma questão de manutenção inútil das tradições. Ela nos dá indícios que não teríamos na carta natal usando as regras do sistema de quadrantes. Em verdade, esse sistema é excelente para observarmos a força de um planeta. quanto mais perto do ascendente e do meio do céu, mais força tem um planeta para agir representando seus assuntos. Quanto mais cadente dos ângulos, menos força.

Como todos sabemos, o sistema de quadrantes possui inúmeras variações, e para entendê-las na prática, recomendo os livros de Bob Maransky sobre direções primárias, disponível na internet. Existem mais de quinze sistemas de casa quadrantes, mas os mais antigos são o sistema de casa iguais, o sistema porfírio, e o sistema Alcabitius semi-arco.

O sistema Porfírio é muito simples. Basta descobrirmos por cálculos a posição do ascendente e do meio do céu, e dividimos os espaços entre esses dois pontos por três. Dependendo do dia, contudo, ainda há risco de interceptação.

O sistema de casas iguais é mais simples ainda. Se o meu ascendente é 21 de sagitário, todas as cúspides estarão no grau 21 de cada signo. Neste, dos dois erros mais comuns nos sistemas quadrantes, a interceptação vai-se embora, restando apenas um: o risco de errarmos a casa onde o planeta se encontra, pois o limite entre as casas ainda é, como em todos os métodos desse sistema, as cúspides. Discorrerei sobre o problema a seguir.

Usando meu mapa como exemplo, temos marte em libra, o sétimo signo a partir do meu ascendente Áries. Marte se encontra antes da cúspide da casa sete, o que nos leva a considerar que este planeta, apesar de se encontrar em libra, ainda está na casa seis.

Existem muitas considerações sobre marte na casa seis que fazem sentido no meu mapa, porém exite uma característica do tipo de parceria que atraio não representada eficazmente pelo sistema de quadrantes. As parcerias que faço geralmente são com mulheres altamente belicosas.

Se aplicarmos o sistema de signos inteiros, marte se encontra no sétimo signo a partir do ascendente, o que o torna como um dos planetas que descrevem a natureza das parcerias que realizo.

Esse é um dos exemplos que mostra como a aplicação desse sistema pode simplificar a interpretação. Antes de mostrar nossos mistérios, o mapa tem mostrar coisas evidentes na nossa vida.

O sistema de signos inteiros é aplicado na astrologia védica até hoje. Apesar das inúmeras diferenças entre a astrologia védica e a ocidental, como o uso do zodíaco sideral, não é difícil de perceber grandes similaridades. O que é mais evidente, porém, é percebermos na Índia os resquícios preservados de uma prática astrológica muito antiga. Essa percepção não seria possível sem as descobertas do projeto Hindsight e de outros historiadores. Devemos a eles esse período de efervescência na astrologia.

A Sabedoria na interpretação

Quando o estudante inicia a delineação do mapa natal à luz da teoria das determinações de Morin, ele se perde em milhares de combinações possíveis dentro do mapa. De fato, este assunto rende um curso inteiro de astrologia, e, mesmo assim, é necessária a boa foice da experiência para ceifar toda a gama de eventuais combinações inúteis que encontramos no mapa.

Apesar da grande dificuldade inicial em nos orientarmos no mapa, o estudante pode contar com uma lâmpada para lhe guiar: as analogias planetárias. Vejamos o quão simples é esse conceito, e as dúvidas que surgem dele.

Pegue um planeta qualquer do seu mapa, anote os significados mais tradicionais dele e compare o planeta com os significados das casas com as quais ele tem relação de regência e posição. Supondo que marte esteja debilitado na casa oito, regendo as casas cinco e doze, temos as seguintes combinações:

Marte – Guerra, conquista, sangue, morte, ambição.
Casa VIII – Morte, angústia, heranças.
Casa XII – Confinamento, exílios, inimigos secretos.
Casa V – Sexo, prazer, filhos, entretenimento.

Podemos observar que há uma associação entre marte e as casas que ele rege, exceto a casa cinco. O fio condutor é desgraça, se pudermos resumir isso com uma palavra, mesmo que esta deixe os astrólogos new age de cabelos em pé… De fato, a casa V é regida pelo planeta vermelho, mas estamos aqui inclinados a pensar que marte nesse mapa terá um papel muito destrutivo, por quatro razões:

a)Ele é um maléfico essencial;
b)Ele está em queda;
c)Ele está posicionado numa casa maléfica;
d)Ele rege uma casa maléfica.

Somos levados a concluir que marte, por “maioria de votos”, possui no mapa em questão um papel nocivo por posição e dominação, e nos indagamos se ele é capaz de cuidar dos assuntos de casa cinco, cuja cúspide recebe o signo de Áries. Os períodos que marte representa podem representar momentos de muita angústia e perdas ao nativo em questão.

Exceções a regra

O segundo exemplo que possuímos pode ser dado pela minha própria carta natal. Nela encontramos mercúrio, regente das casas três (comunicação, parentes e vizinhos) e seis (doença) na casa doze (hospitais, confinamento). Temos então os seguintes significados alinhados:

Essencial de Mercúrio: comunicação, intelecto, escribas.
Casa III: Comunicação, irmãos, parentes em geral, carro.
Casa VI: doença, empregados, servidão.
Casa XII: Confinamento, hospitais.

Essa é uma configuração mais complexa que a anterior, e é preciso bom senso para julgá-a. Ela pode se manifestar simultaneamente de diversas formas, que podemos expor pela experiência do nativo. Antes, contudo, vamos levantar de qual forma esse mercúrio pode se manifestar:

a)mercúrio está em detrimento.
b)Seu dispositor é Júpiter, e se encontra angular na casa sete.
c)Está conjunto a parte do espírito;
d)Ele se encontra uma casa maligna;
e)Rege uma casa maligna;
f)Rege uma casa “neutra”, que representa irmãos e parentes, além da comunicação.

Como mercúrio está em detrimento, não podemos esperar coisas boas de sua posição. Isso faz com que a interpretação seja norteada para significados no mínimo complicados. Como ele não se encontra aflito por um maléfico, isso torna as coisas menos piores: não diríamos que seja algo fatal. Entretando, mercúrio fala aqui mais a favor de doença. O leitor deve se fiar na frase anterior para entender o próximo parágrafo.

Revelando como a configuração se manifestou, o nativo do mapa teve, no período de mercúrio, a sua entrada na faculdade de medicina. Estudou, comunicou e aprendeu em diversas instituições de confinamento, como manicômios, hospitais e laboratórios; teve a morte de dois vizinhos muito chegados, dois tios e um primo; passa a vida num isolamento constante devido a sua profunda introspecção. Todavia, nesse período, a sua comunicação “isolada” pela internet lhe rendeu muitas amizades e parcerias generosas, um namoro que o deixou muito feliz, e uma grande pesquisa do “oculto”, representada pela busca astrológica e a psicanálise. Ele encontrou no ensino e aprendizado da astrologia um grande prazer.

Todos os posicionamentos de mercúrio se manifestaram, os bons e os ruins. Dessa forma, é preciso aprender a julgar uma carta com essa inteireza no olhar. Soma-se a isso que os posicionamentos difíceis subjulgaram os posicionamentos bons e neutros, e isso se deve em muito ao predomínio de casas maléficas sobre benéficas. Por exemplo, os parentes sofreram doença e hospitalização (casas 6 e 12).

Posicionamentos ambíguos não se anulam, mas acontecem simultaneamente. Essa é a grande lição da mãe experiência.

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