Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Archive for casa XII

conferindo a natureza dos planetas em seu mapa

A melhor maneira de se estudar astrologia é correlacionar os eventos terrestres com o céu do momento em questão. Deixe de pensar no que poderia ter sido, para enxergar o que realmente foi. Essa constatação solidifica o modo correto de se interpretar.
Uma das grandes lições que tive em astrologia védica é perceber a importância das casas que um planeta rege. Por si só, isso é mais relevante do que a natureza planetária. Por exemplo, Júpiter pode reger a casa 12, mas se você pensar que ele sempre tem natureza benéfica, há de se decepcionar quando o contrário acontecer, já que a reg~encia sobre a casa 12 dá a ele uma natureza desintegradora. Na astrologia védica, júpiter seria maléfico por reger a casa 12, independentemente do seu estado cósmico. Na astrologia ocidental, Júpiter só seria elevado a condição de maléfico acidental se estivesse retrógrado, em queda ou detrimento, e regendo casas maléficas (6, 8 e 12, eventualmente a 7, de inimigos declarados). Perceba que a astrologia ocidental tradicional é mais rígida para transformar um benéfico em maléfico. Mesmo assim, nos chamam de pessimistas!
Talvez vocês queiram o meu mapa como exemplo, basta procurá-lo nos posts anteriores (por motivo de força maior, não o publicarei aqui). No ano de 2003, completei 21 anos, e a profecção chegou a casa dez do meu mapa. O evento prometido pelo regente do ano era adversidades em parcerias, já que a casa 10 é regida por Saturno, que se encontra em Libra na casa 7.
Contando-se os meses a partir da casa 10, o evento Saturnino poderia ter-se desencadeado em janeiro de 2004. Nesse período, porém, estava com uma nova namorada, no início de um relacionamento que durou um ano. A adversidade de Saturno não ocorreu, mas houve um evento durante o ano de 2003 muito difícil para mim, envolvendo relacionamentos, a partir de julho e até setembro. Não vou discutir por que a profecção não funcionou na data certa, isso é assunto para outro post. Vejamos os meses de acordo com a profecção do ascendente:
  1. 27 de Março 2003: Casa 10 – O nodo sul se encontra aqui, prometendo angústia e pesar durante o ano. A influência da primeira casa do ano se estende para todo o período até o próximo aniversário. No primeiro mês, contudo, não senti nada, embora estivesse mais magro e malhando. A natureza marcial do nodo sul talvez emagreça a pessoa, quando determinada a casa do corpo físico (ascendente) , mesmo por profecção.
  2. 27 de abril de 2003: Casa 11 – Conheço uma mulher e começo a namorar – Vênus está na cúspide da casa 11. As circunstâncias pelas quais eu a conheci se adequam exatamente na configuração representada por vênus de casa 11: fui jantar com um grupo de amigas. Não havia um homem sequer além de mim!
  3. 27 de maio de 2003: O namoro continua, sem maiores intercorrências. A profecção chega na casa 12, com mercúrio e Sol ali posicionados. Nenhuma lembrança significativa no período.
  4. 27 de junho de 2003: No fim desse período, namoro terminou subitamente. Os meses que se sucederam foram angustiantes para mim. Experimentei angústia até outubro, aproximadamente. Não me lembro ao certo qual foi o pior mês desse período. A lua em escorpião, significadora das emoções e do nativo por estar na casa 1, está em oposição a Júpiter natal, retrógrado e regente da casa 12, a casa do desespero. Soma-se a isso que a lua era regente do subperíodo da Firdaria, intensificando a ação lunar.

Perceba que júpiter está retrógrado, porém não se enquadra nos requisitos ocidentais para transformá-lo em maléfico. Não sei se a retrogradação aqui tem um caráter que debilite o grande benéfico a ponto de torná-lo maléfico. Será que o movimento direto tiraria a malícia jupiteriana? Há muito o que aprender, mas no momento presto muito mais atenção às casas que o planeta rege. Graças a astrologia védica, sou mais rígido com planetas que regem casas maléficas. Sua natureza pode ser realmente assustadora.

Experimente você também no seu mapa. Pegue eventos bons e ruins e correlacione com a profecção do período. Seu aprendizado astrológico dará um salto quântico. Estou aberto a dúvidas e sugestões pelo email rtveronese@gmail.com.

Mercúrio Retrógrado – Relato de Caso

Neste período em que observamos a retrogradação de Mercúrio em Peixes, correlaciono este dado com eventos da minha vida. Essa observação é importante para aprendemos a relevância dos trânsitos. Por mais que eles indiquem eventos corriqueiros, aprendemos muito sobre a capacidade do planeta transitante representar eventos conforme sua determinação local natal. Também observo seu papel em outros sistemas, como o zodíaco hindu, o que tem gerado impressionantes descobertas para um astrólogo ocidental como eu.
Desde o início da retrogradação experimentei uma viagem à terra natal de minha namorada que durou oito dias, em outro estado da região sudeste. Passei por cidades que nunca percorri antes. Pelo tempo de duração da viagem, parece que falamos da casa nove, mas fui a um local onde havia conhecidos meus e dela, misturando-se com significados de casa três, contudo a maioria se tratava de parentes dela, voltando para a casa nove (parentes da parceira). Conheci também a religião na qual se criara, o espiritismo, que seria ortodoxamente regida pela casa três (religião da parceira), porém como envolveu a minha experiência, seria também um fenômeno de casa nove (experiências espirituais). Fiquei distante do computador nesses dias, não escrevi quase nada, tampouco li. Diante de todas as considerações, qual casa você escolheria para representar esse momento? A 3 ou a 9? A casa nove é regida por Júpiter, a três, mercúrio.
Na astrologia védica, tenho ascendente peixes, e mercúrio rege as casas quatro e sete, se encontrando na 12. Dentre outras considerações que não cabem aqui, no trânsito sobre peixes, mercúrio volta a sua posição natal e retrograda, algo que representa uma intensificação das casas o planeta rege e a sua posição natal. Essa intensificação, portanto, tem de ser percebida pelas casas 4, 7 e 12.
A casa 4 para os hindus representa imóveis, educação e a figura materna, a sete, parcerias e moradia no exterior (não me perguntem o porquê…), e a 12, karma e “prazeres de cama”, o “velho e bom entra e sai”, como diriam os drugues no filme Laranja Mecânica…
Posso dizer a vocês, dentro da boa e velha discrição cabível na discussão de tabus, que o significado mais intenso vivido por mim no período foi a casa 12, em combinação com a sete… Me parece que a casa quatro não apresentou nenhuma importância, embora o nativo tenha trabalhado com sua mulher no carnaval numa clínica de psiquiatria e deu-se a conhecer a carreira da parceira (casa quatro é a décima da parceira).
Na astrologia ocidental, mercúrio não possui nenhuma relação com a casa sete, salvo por ser dispositado por Júpiter, que se encontra no descendente. Normalmente desprezo essa relação, mas agora vejo que ela pode ser muito útil para entendermos a razão de um trânsito. o dispositor de um planeta indica a causa da ação por ele representada. Todas as coisas geradas por mercúrio, portanto, encontraram razão de expressão neste júpiter de casa sete: a viagem, o trabalho no carnaval, o conhecimento de uma nova religião, foi tudo trazido pela parceira. A determinação local de Júpiter em trânsito também foi importante para entendermos todo o fenômeno, uma vez que ele se encontra na casa nove, reforçando significados de casa nove.
Quando começamos a buscar no mapa o que acontece lá fora, respeitando-se as regras, a astrologia per se começa a nos ensinar.

Marte, Casa XII e as drogas

Na Astrologia dos séculos XX e XXI, o planeta vermelho foi domesticado. Só se atribui a energia marciana a esportes e pequenas contendas. Ele virou uma energia pequena, e hoje se reputa o caos a Urano. O caráter destrutivo de Marte foi esquecido.

Marte em mal estado sempre foi interpretado como algo poderoso, destrutivo e descontrolado, principalmente em mapas diurnos, pois de dia não se moderam suas qualidades quentes e secas, estas ficando poderosamente enfatizadas.

Existem outras nuances dadas a marte que foram perdidas no tempo, porque a astrologia psicologica usa o mapa todo para delinear o comportamento, o contrário do que ocorria antigamente, quando descrições complexas de comportamento eram atribuídas a apenas um ou dois planetas.

Apesar da discrepância entre o antigo e o novo, muitas reflexões pós-modernas sobre o que Marte representaria podem nos ajudar a entender o que ele representou para os astrólogos medievais, e o melhor: essas descrições podem ser usadas até hoje, com as devidas adaptações culturais.

Para os psicólogos, marte representaria uma instância psíquica na qual tentamos conseguir tudo o que desejamos, o quanto antes possível. É o significador principal de impaciência e competitividade. É simples ligar essas características a um ato que seria a demonstração do seu excesso: assassinatos e roubos.

Marte na casa 12 em mal estado cósmico, se determinado a casa 1, pode representar que o nativo possui um comportamento auto-destrutivo. Tenho visto esse posicionamento em usuários de drogas e bebedores pesados. Marte na seis tendo relação com a casa 7, fala que o parceiro(a) possui esses hábitos. A impaciência e o desejo marcianos, quando determinados à casa da auto-destruição, toma a forma de comportamento compulsivo. Em menor grau, não necessariamente indica dependência, mas pode representar que o nativo faz algo para saciar seu desejo escondido dos demais (casa 12).

Mas as razões para atribuirmos drogas a marte podem ser mais simples do que a abordagem psicológica. O pequeno maléfico sempre teve relação com o fogo e materiais cortantes, além de todo o processo que lide com esses materiais, dando vazão a um´grandioso número de profissões e objetos que podem se relacionar a marte: de cozinha a engenharia química. Experimente pedir a quem tem marte na casa um para cozinhar. Você pode se assustar com a sua perícia! Ele lida de um modo excelente com facas e fogões.

Dentre os objetos acima citados, encontramos produtos químicos e injeções. Ao percebermos a determinação marciana por posicão na casa 12, e por regência a casa 1, podemos verificar se isso é literal na vida do nativo: ele (1) usa essas coisas (marte) contra si mesmo (12).

Estaria na expressão “usar contra si mesmo” um juízo de valor preconceituoso contra as drogas? Se elas dão prazer, e podem ser usadas com cautela, não deveriam ser representadas pela casa 5? Ou seja, atribuir “drogas” a casa 12 seria condenar essas substâncias a ilegalidade, mesmo quando elas podem ser usadas por alguém e esta pessoa manter sua vida normal?

Não tenho experiência para responder agora a essa questão. A casa 12 pode ser lida não somente como coisas ilegais: ela representa coisas escondidas, e não podemos ter idéia se alguém é usuário de drogas apenas pela sua aparência. A casa cinco envolve coisas escondidas também, pois sexo virou um tabu e hoje é compartimentalizado num local propício a ele, o quarto.

Há diferenças significativas entre a casa cinco e a doze, capazes de dissipar nossa dúvida recém-criada: atribui-se a última casa toda a sorte de comportamentos e condições sociais que podem ser reduzidos às expressões “misantropia”, “sarjeta” e “falta de dignidade”. Perceba que esses conceitos passam longe dos significados usuais da quinta casa, na qual enfatiza-se o prazer e a criatividade.

No momento atual, creio que se as drogas levam o indivíduo a fazer coisas escondidas e a “sarjeta” o encontra, não vejo casa melhor para representá-las do que a 12.