Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Archive for Casa VII.

Bhavat Bhavam: o segredo das casas.

“Bhavat Bhavam” é Sânscrito. Pode ser traduzido como ‘a casa da casa’.

A regra é simples:
Para saber qual casa é bhavat bhavam da outra, pegue uma casa qualquer e conte a partir dela seu número.

Assim, por exemplo: a casa 4. Se contarmos o mesmo número de casas a partir dela, chegamos à casa 7 – a quarta casa a partir da 4.
Exemplos de Bhavat Bhavam:
  • Casa 3 – é a 2ª a partir da 2.
  • Casa 5 – é a 3ª a partir da 3 e a 9ª a partir da 9.
  • Casa 7 – é a 4ª a partir da 4 e, ao mesmo tempo, a 10ª a partir da 10.
  • Casa 9 – é a 5ª a partir da 5
  • Casa 11 – é a 6ª a partir da 6. Ao mesmo tempo, é a 12ª da 12.
  • Casa 3 – é a 8ª a partir da 8.

Função do Bhavat Bhavam
Os autores divergem (como sempre!).
Sanjay Rath diz que a casa que é bhavat bhavam da outra revela a manifestação concreta da casa anterior. Assim sendo, enquanto a casa 8 representa a experiência da morte, a Casa 3 indicaria o local da morte e os detalhes.
Por exemplo, Mahatma Gandi tem o sol na Casa 3 em Virgem (zodíaco sideral) e ele morreu com um tiro (Sol) num jardim (jadins figuram dentre as designações indiana de locais regidos por Virgem).
Já outros autores dizem que a casa Bhavat Bhavam revelam funções alteradas da casa anterior. Por exemplo, enquanto a Casa 5 representaria filhos, a 9 indicaria filhos conseguidos por métodos fora do convencional, ou seja, adotivos.
Ernst Wilhelm apenas usa a Casa Bhavat Bhavam com a mesma função da casa anterior. Ou seja, se o período é regido por um planeta regente da casa 9, além das coisas comumente atribuídas à casa 9, devemos ficar vigilantes quanto ao nascimento de crianças. No momento, compactuo mais dessa perspectiva.
Uma atenção especial à casa 7. Ela é uma casa tão misteriosa que mereceria um estudo à parte. Situações envolvendo a casa 7 sempre dizem respeito a uma miríade de eventos, que devem ser suspeitados pela natureza dos planetas envolvidos.
A casa 7, enquanto Bhavat Bhavam, é a 10ª da 10 e a 4ª da 4. Sempre que ela for ativada, pode-se experimentar simultaneamente mudanças de residência e profissionais, sendo às vezes uma determinada pela outra.
Fora do contexto do Bhavat Bhavam, a casa 7 é a 12ª da 8 e portanto é destruidora de vitalidade (casa 8), sendo por isso considerada maraka. Períodos envolvendo a casa 7 podem representar a morte da pessoa.
Há muitas coisas que a 7 pode fazer e o astrólogo precisa ser astuto para discerní-las.

De volta a ativa… Uma pequena dica por hoje

Tenho o prazer de informar aos amigos leitores que estou em casa novamente. Não tive osteomielite. Sinto dores em toda a minha cintura escapular devido às muletas, pois perdi o costume de usá-las. Devido a isso, caminhar pequenas distâncias é difícil porque minhas costas doem. Nada que um relaxante muscular não dê jeito. Longe disso ser uma reclamação, apenas expressa meu alívio em perceber que a área da cirurgia está livre de qualquer complicação terrível. Assim que puder, postarei uma foto para que vocês entendam que diabos foi a minha cirurgia.

Vivo um período da minha vida que serve para aprender o quão difícil pode ser um período planetário de dois planetas maléficos em detrimento e cadentes dos ângulos. Vivo a Firdaria Mercúrio-Marte e senti no rasgar da minha carne o quanto a Astrologia Medieval é competente para descrever as circunstâncias de vida e do meu corpo físico. Essa Firdaria terminará aproximadamente em junho. Do jeito que as coisas funcionaram, talvez acabará com ela o meu martírio de internações, antibióticos e junto disso tudo toda minha lassidão – provocada, segundo a medicina chinesa, por quatro cirurgias em um ano aproximadamente.

O que gostaria de falar é uma dica rápida – que poderia ser dada pelo podcast – mas tenho vontade de escrevê-la.

O mapa todo está certo.

Quando comecei a estudar Astrologia Clássica, percebi inúmeras indicações contraditórias da mesma coisa. Num mesmo mapa, percebi que Vênus dava apenas um Casamento, enquanto a Lua ou o regente da Casa VII possibilitavam três. Diante desse quadro, vinha a mim a pergunta: qual sinal é o mais correto? Da Lua, de Vênus, do Regente da VII ou do regente da Parte do Casamento?!

Eu demorei a perceber que todos os sinais eram corretos! Uma pessoa com todas as configurações acima não se restringirá a apenas um Casamento!

Interpretar o mapa assim fica mais divertido porque nós gastamos considerável energia mental em perceber o que é o correto. O grande problema nisso é que o mapa todo é correto, e não apenas um pedacinho dele. Não devemos crer que o mapa é contraditório porque tudo que estiver escrito nele há de acontecer, ainda que por pouco tempo. Pensando desse modo, a neurose obsessiva de “filtrar a informação correta” vai embora. A interpretação vira um passeio no parque.

Vejamos um exemplo. Uma pessoa pode ter Vênus em signo fixo, mas cadente e aflita por maléficos; por outro lado, ela pode ter o regente da Casa VII em bom estado e numa Casa angular. Longe de termos de escolher entre um e outro, Vênus dirá acerca de um relacionamento (pois está em signo fixo) que pode durar pouco tempo (signo cadente) e que não foi oficial (maléficos em aspecto com Vênus em Casa cadente). Por outro lado, o regente da Casa VII em excelente estado sugere que, em algum momento da vida desse nativo, houve um casamento bom e lucrativo. Um casamento nos moldes ditos “oficiais” da sociedade e com o qual ele lucrou e foi feliz, posto que o regente da Casa VII está numa Casa angular e domiciliado/exaltado.

Na verdade, essa combinação aparentemente “contraditória” pode se manifestar de um modo diferente na vida do cliente mas, só de você percebê-la valerá a pena. Com o tempo, os clientes lhe revelarão como posicionamentos como esses podem acontecer, mas em tempo algum você fará “previsões depois do fato” se levar em conta que todos os fatores acontecem sem se anularem. Essa pessoa pode ter um bom casamento mas em alguma época da sua vida ter cometido adultério, ou simplesmente ter passado por um período com um relacionamento polêmico que não durou muito.

Perceba nessa abordagem que todos os planetas representam alguma coisa em algum tempo da vida. Para saber quando eles acontecerão, usamos de alguns parâmetros. Um planeta oriental ao Sol geralmente representa coisas mais cedo na vida. Um planeta ocidental ao sol, coisas mais tardias. Com esse simples método podemos posicionar grosseiramente quando os planetas acontecem na vida da pessoa. A “sintonia fina” do método é dada pelas técnicas preditivas.

Falamos de Casamento, mas a mesma coisa pode ocorrer em se tratando de crianças. Ptolomeu e Paulus Alexandrinus propõem que benéficos nas Casas IV, V, X e XI representam crianças para o nativo se estiverem em signos férteis, mas isso não acontece em vários mapas de pessoas com filhos. Nesse caso, o que ocorre? Simplesmente existem outras técnicas além dessa… A seguir, apresento algumas alternativas:

  • A Parte dos Filhos pode fazer aspecto com algum planeta benéfico, ainda que este não esteja numa das Casas citadas (IV, V, X, XI). Já vi benéficos na 12 representarem filhos para uma pessoa porque todos eles faziam uma quadratura com a Parte dos Filhos. Como eles estavam numa das piores Casas do mapa, o nativo viu a morte de alguns filhos. Sinais aparentemente contrários revelam uma história muito mais complexa do que simplesmente dizer que um anula o outro!
  • O regente da Casa V (que representa crianças) pode simplesmente fazer aspecto com um benéfico. Quanto mais fértil o benéfico for (e isso depende do signo no qual ele se posicionar), mais filhos ele representará. Benéficos em signos de água geralmente dão filhos pra caramba, principalmente se for Júpiter. Aliás, Júpiter é exceção a regra: na maioria dos signos, ele dá filhos pra caramba. Certo professor meu tem Júpiter em trígono com a Parte dos Filhos e tem cinco filhos, um número crítico pra nossa sociedade de natalidade controlada.

Essas foram algumas dicas que podem ser usadas para qualquer área da vida. Quando você pegar um bom livro de Astrologia Medieval, há de entender o porquê desse post. Os autores costumam usar de várias técnicas e significadores para o mesmo assunto. Apenas faça como eles e não se restrinja.

O pensamento de Vettius Valens

Para quem desconhece, Vettius Valens foi um Astrólogo natural de Antioquia (território hoje pertencente à Turquia) e contemporâneo de Ptolomeu, no século I d.C. Sua obra faz parte dos tesouros mais bem guardados da Astrologia atualmente, porque simplesmente a tradução da Antologia de Valens do grego arcaico para o inglês não está disponível. Felizmente, algumas boas almas nos ajudam a suprir essa carência, disponibilizando material indireto que nos proporciona algum entendimento sobre o modo como Valens pensava a Astrologia. Uma dessas almas é a Astróloga Clelia Romano. Seguindo esse link, você terá acesso ao material no qual me baseei para escrever esse texto.

O pensamento de Valens “ecoa” em algumas obras de períodos que se sucederam a ele. Pode-se reputá-lo como autor dos ecos pois não há outro registro mais contundente e completo de Astrologia Helenística além do autor em questão. Os resquícios da obra permeiam registros subsequentes e são um sinal claro da influência do autor.

Encontramos na Antologia de Vettius Valens o estudo mais aprofundado que se tem notícia acerca dos significadores essenciais. Além disso, impressiona-me a simplicidade como o autor analisa certos temas dentro de uma natividade. Tal simplicidade só será compreendida por nós se entendermos os conceitos de “domificação” e de “determinação planetária” como foram empregados por Valens, nomes empregados por mim para sintetizar conceitos subjacentes na obra do autor grego e que serão explicados a seguir.

Domificação

Conceituo como domificação as diversas maneiras de dividir o céu em setores ou casas, estas a representar significados particulares que alteram a interpretação de um planeta. Para Valens, não existia apenas uma maneira de domificar. Na Astrologia Contemporânea Ocidental, a construção de Casas a partir do Ascendente é a principal (senão única) domificação, seguida da derivação de Casas, que também pode ser encontrada na Antologia.

Em se tratando da Antologia, havia outras formas de domificação a depender do assunto analisado. No artigo de Clelia Romano, encontramos algumas delas, dentro do tema “Casamento”:

  • Domificação do mapa a partir do significador essencial de Casamento, Vênus;
  • Domificação do mapa a partir da Casa que representa o Casamento, a Casa VII;

Estas formas podem ser encontradas em passagens como esta:

Se Vênus estiver na Casa XII com Saturno, o nativo se casará com uma pessoa doente.

A Casa XII representa doença as doenças do parceiro. Vênus, portanto, é interpretada do ponto de vista da Casa VII, constituindo uma derivação de Casas.

As derivações de Casas são comuns na Astrologia Árabe e até hoje, porém costuma-se reservá-las apenas para leitura do regente da Casa estudada. Por exemplo, se o regente da Casa VII está na Casa X, a pessoa pode ser muito preocupada com terras e com sua família porque a Casa X é a quarta Casa a partir da sétima. O que Valens nos propõe é levemente diferente, pois ele lê o significador essencial de Casamento – Vênus – do ponto de vista da Casa do Casamento (VII), a despeito de Vênus reger a Casa VII ou não.

Determinação Planetária por Aspecto ou Regência
Este conceito não foi criado ou percebido por mim pela primeira vez. Sua primeira citação advém de Morin de Villefranche, no livro 21 da Astrologia Gallica.

Quando um planeta “A” aspecta um ponto que representa um determinado assunto, “A” passa automaticamente a se determinar àquele assunto. Nesse caso, então, o Astrólogo seleciona um significado de “A” que tenha a ver com o tema em questão. Por exemplo: se mercúrio aspecta a parte do casamento, o nativo pode vir a gostar de mulheres cultas, intelectuais.

O que é bastante claro na obra de Valens é que esse tipo de determinação pode se estender à combinação entre planetas. Veja o trecho abaixo:

Se o Indicador de Casamento estiver em aspecto com Saturno, o nativo ficará viúvo. Se Júpiter aspectar a Saturno, porém, o nativo se unirá a um nobre, rico ou alguém importante. Se ao invés de Júpiter, Saturno se relacionar com Mercúrio e Marte, o parceiro será estéril ou mutilado.

Ora, o Indicador de Casamento é um Lote criado por Valens para analisar como será o parceiro do nativo. Ter esse Lote aspectado por Saturno faz com que o grande maléfico se determine ao Casamento, representando coisas tristes no matrimônio. Até aí, não há nada de novo ou surpreendente: trata-se do mesmo tipo de determinação que Morin enfatiza no seu texto. Na segunda frase da citação, porém, vemos que a determinação de um planeta é alterada se ele aspecta outro planeta: ao ser aspectado por Júpiter, significador de riqueza, Saturno altera seus significados. Nesse caso, Saturno se manifestará em sua melhor forma (que se pode ser encontrada em qualquer livro básico de Astrologia), a saber, terras, propriedades e tradição.

Ainda estudando a mesma citação, perceba que o prognóstico muda completamente se Saturno é aspectado por Marte e Mercúrio: sem o aspecto de Júpiter, Saturno volta a representar tristezas ou limitações. Somado a Marte ao mesmo tempo, essas limtações são encontradas na mutilação do parceiro (Marte). Com a presença de Mercúrio, a mutilação diz respeito ao sexo do nativo – isto porque mercúrio é um planeta assexuado!

Perceba no parágrafo anterior que cada planeta acaba por determinar o significado do outro e que a única domificação empregada é o Indicador de Casamento. Valens não deixava sua interpretação ser “cristalizada” pela domificação do Ascendente, como ocorre atualmente. Caso fosse assim, apenas pessoas com a Casa XII aflita teriam parceiros com problemas de saúde porque essa Casa é a sexta (doença) a partir da VII. Na Antologia, porém, ter a Casa XII aflita é apenas uma das maneiras de se representar algum problema de saúde com o parceiro. Outras formas consistiam simplesmente na análise de um ponto como o Lote do Casamento e os planetas que aspectassem o Lote.

Apesar do tema se referir apenas à Casamento, as conclusões desse texto podem ser generalizadas a qualquer área analisável mediante a leitura do mapa natal.

Um exemplo de Determinação Planetária por Regência pode ser encontrado neste trecho:

“Se Vênus reger a Lote da Fortuna, Mercúrio reger a Casa VII e Saturno aspectar a ambos, a nativa será uma prostituta ou promíscua”

A despeito do conteúdo polêmico do aforismo acima, ele traz subentendido um raciocínio importante e que pode ser generalizado para outros temas. Perceba que não é necessário haver relação de aspecto entre mercúrio e Vênus: Basta que ambos tenham regência sobre dois pontos representantes de Casamento (sim, o Lote da Fortuna para mulheres é importante na análise matrimonial) e que sejam aspectados por Saturno para representar prostituição. Por quê? Ora, o Lote da Fortuna representa o Casamento e o sustento da nativa; ter Vênus regente da Fortuna indica que há alguma relação do sustento da nativa com sexo; Saturno é significador de miséria; mercúrio representa polêmicas, comércio e servidão. A regência ou relação desses planetas em conjunto sobre o casamento da nativa sugere que ela vende ou menoscaba do seu corpo.

O exemplo acima consiste numa determinação de planetas por Regência, um modo de se saber o que um planeta representa dentro de um tema, baseado no contexto em que ele se insere perante outros significadores do mesmo assunto. Esse tipo de interpretação permite uma síntese interessante sobre todos os pontos que possuam relação com um tema. Talvez a idéia possa ser estendida a outros temas dentro do mapa natal, como profissão, irmãos, família, etc.

As Casas da Morte.

Quando se pensa em morte na Astrologia Moderna, após uma série de desculpas e desembaraços para se lidar com o tema, vem a nossa mente a Casa VIII. Na Astrologia Medieval, essa também é a Casa usada para a questão, porém existem mais duas que tem participação na delineação da morte: As Casas IV e VII. Como muitas coisas dos livros antigos, elas são citadas porém não são explicadas. Tal qual um rabino dedicado ao estudo do Torá, temos de buscar algum sentido para aquilo se quisermos “digerir” os aforismos. Caso contrário, estes passarão incompreensíveis ao nosso entendimento.

A Casa VII é o lugar onde os planetas se põem, e portanto guardam uma representação simbólica de morte. Autores gregos também consideram planetas na VII como representantes de eventos que acontecerão no fim da vida do nativo.

A Casa IV marca o fim de um ciclo, pois a partir dela o planeta volta a “subir” rumo ao Ascendente. Muitos autores usam a Casa IV para simbolizar as coisas que acontecem ao nativo depois que ele morre, bem como o seu processo de “desencarne”.

Perceba que há algum sentido para considerar as duas Casas citadas como representantes da morte. Bem ou mal, elas representam o fim de um ciclo: A VII o fim do dia e a IV o “cume” da noite. Fazendo o mesmo exercício com a Casa VIII: se quiséssemos estabelecer uma ligação entre a disposição espacial da Casa VIII e sua simbologia, ela seria mais fraca que as relações encontradas nas Casas VIII e IV. De fato, na Casa VIII o sol começa a perder seu brilho, mas isso é bem diferente de morrer. O sol ainda brilha lá. Considerando essa observação, a Casa VIII poderia representar a senilidade, mas não é o que os autores falam. Por que há, então, o uso disseminado da Casa VIII para representar a morte?

Alguns autores respondem de um modo razoavel a essa questão: há registros de um sistema de divisão celeste em 8 Casas anterior ao sistema de 12 Casas atual, na qual a última representaria a morte do nativo. A grosso modo, essa “Casa 8″ compreenderia o espaço entre as Casas 11 e 12 atuais. Com razão, esse sistema antigo era chamado era chamado de Oktopos. Com a mudança do sistema de 8 para 12 Casas, a Casa VIII manteve o significado soturno, mas ocupa um espaço diferente na disposição espacial do sistema: ao invés de continuar onde hoje ficam as Casas 12 e 11, ela fica acima da Casa VII.

Após essa retrospectiva histórica, a pulga da praticidade vem nos irritar: afinal de contas, qual das três Casas citadas (IV, VII e VIII) funciona melhor para questões mórbidas? Uma boa resposta será adquirida com a boa e velha prática. É preciso, porém, nos aproximarmos dela com alguma pré-concepção, de preferência algo fundamentado em autores anteriores. Baseado nos aforismos de autores árabes, o autor crê que todas as três casas possuam um papel na morte, e dá uma sugestão de como as Casas devam ser interpretadas:

  • Casas IV e VII: A elas normalmente se atribui o tipo de lesão que levou a morte, mas não a sua causa. Abubequer, autor árabe, diz que Saturno em signos de água na Casa IV em aspecto com maléficos pode representar morte por afogamento. Saturno tem uma grande conotação com água nos textos antigos. Soma-se a isso que a Casa IV, em termos espaciais, é considerada o lugar mais fundo do mapa, e por isso com tendência a acumular água. Quanto a Casa VII: Pululam aforismos nos quais a este setor representa morte por queimadura: segundo eles, é requerido que marte esteja nesta Casa em signo ígneo em aspecto com o Regente da Casa IV, o que nos traz uma importante observação: Como a Casa VII também representa mulheres, o autor sentia a necessidade de que um outro planeta representante da morte aspectasse o planeta ocupante da VII para que este representasse morte, algo que lembra o que foi discutido no post anterior.
  • Casa VIII: A Casa VIII não representa o tipo de lesão, mas sim a Causa primária da morte. Supondo que uma pessoa tenha sido assassinada por ter cometido adultério: A Causa primária da morte foi o adultério e esta é representada pela Casa VIII e seu regente; o tipo de lesão corporal que levou o nativo a morte é representado pela Casa VII ou IV e seus regentes. Além de representar morte, a Casa VIII é comumente encontrada em configurações na qual a pessoa não morre, mas passa por muita angústia. Normalmente esse detalhe passa longe das Casas IV e VII na prática usual.

Talvez seja interessante parar de se observar somente a Casa VIII e atentar para estas duas casas, normalmente dadas como pacatas.

Astrologia Médica segundo Ptolomeu

Antes de criticar Ptolomeu, leia o Tetrabiblos e você se surpreenderá. Muita coisa pode ser aplicada. Continuando o artigo anterior, vamos postar aqui como ele nos ensina a delinear as doenças pelo mapa natal.
Para Ptolomeu, doença é representado por maléficos ocupando ou fazendo aspecto difícil com casas 6 e 7. Eu diria que não somente a casa, mas o sexto e sétimo signos a partir do ascendente. Essa afirmativa requer mais estudo.
Cada planeta representa uma parte do corpo específica, assim como os signos das casas mencionadas. Quais são importantes na hora da análise? Ptolomeu não dá dica nenhuma aqui. Temos de aprender na marra a priorizá-los. Ele diz que as partes do corpo atingidas pela lesão podem ser deduzidas:
  • dos signos das casas 6 e 7;
  • dos planetas que afligem essas casas;
  • dos planetas aflitos pelos maléficos acima relacionados, se isso acontecer.
Logo penso nas alternativas que fogem à técnica: e se uma pessoa não tiver quadratura ou oposição de maléficos às casas seis e sete? Significa que ela será saudável e terá poucas doenças? Talvez sim, não posso dizer com certeza. Nesse caso, acho que deveríamos analisar com carinho a casa onde se encontra o maléfico, ver que signos ele aflige por quadratura e oposição, mesmo que estes não sejam o sexto e sétimo signos, enfim, eu só chegaria a alguma conclusão depois de muito testar.
No meu mapa, virgem e libra são o sexto e sétimo signos a partir do meu ascendente, respectivamente. Em libra, eu tenho marte e Saturno, ambos se opõem ao Ascendente. Saturno está exaltado em libra, e dessa forma duvido sobre sua ação maléfica no sétimo signo, ambora marte se aplique a ele por conjunção de orbe larga. Marte, ao contrário, está em detrimento, retrógrado e faz uma oposição ao sol. Então temos quatro elementos: o signo de Libra, Marte, Saturno e o Sol. Marte está oriental, mas está muito próximo do ocidente: está dúbio de ele representa doenças ou lesões.
Vamos listar aqui o que cada signo planeta representa em astrologia médica, segundo o Tetrabiblos:
  • Sol: parte direita do corpo, o olho direito, o coração, cérebro e sinews (não procurei ainda uma tradução inglês-português para isto).
  • Marte: orelha esquerda, rins, veias e genitais;
  • Saturno: Ouvido direito, baço, bexiga, fleuma (uma categorização medieval de fluídos que representa tanto a “água do cérebro” quanto os vasos linfáticos, dentre outros) e os ossos;
  • O signo de Libra: Quadris, rins.
É coisa pra caramba… Muitas partes listadas do meu corpo nunca tiveram doenças, entretanto dêem um grande desconto por estar com 25 anos ainda. Por isso que a melhor coisa é pegar mapas de pessoas bem vividas.
Existe outro planeta no meu mapa que faz aspecto de oposição com a casa VI. É mercúrio. Ele foi deixado por último para reflexão: será que poderíamos contar com ele? Mercúrio está na casa XII, em Peixes. É um benéfico, mas por virtude de estar numa casa maléfica e em detrimento, ele pode ser considerado um maléfico acidental. Ele se opõe a casa seis, Virgem e não faz aspecto com planeta algum. O que deveríamos esperar de mercúrio? Voltemos ao Tetrabiblos:
  • Mercúrio: discurso, pensamento, língua, bile, nádegas;
  • Virgem: Vísceras baixas (intestinos delgado e grosso, apêndice).
Esses símbolos indicam doenças mais adequadas a minha realidade. Tenho uma tendência clara a melancolia. Várias vezes minha analista pensou em me indicar a um psiquiatra, mas venci muitas coisas sozinho. Mercúrio rege o pensamento. Outra parte regida por ele, as nádegas, não possui nada, mas não tenho problemas em afirmar que apresento muito sangramento anal se minha dieta se descuidar. Virgem traz um risco de patologias envolvendo vísceras, mas graças a Deus isso ainda não me ocorreu.
Um insight me ocorreu agora, se poderíamos usar os dispositores dos maléficos para qualificarmos que tipo de lesão as partes do corpo recebem. Mercúrio em Peixes rege as nádegas e o pensamento (duas coisas completamente díspares entre si, convenhamos…), ele é dispositado por Júpiter e assim as lesões nas nádegas (mercúrio) consistem em sangramento (Júpiter) anal (Escorpião). Marte e Saturno estão em libra, e dessa forma dispositados por Vênus, indicando que as lesões marciais e Saturninas são melhor indicadas por problemas venusianos nessas áreas:
  • Vênus: rege o sentido do olfato, o fígado e as carnes (músculos e gordura que modelam o corpo e nos deixam bonitos).
  • Aquário: rege a circulação e os tornozelos.
É, os pontos listados não ajudam muito. Soma-se a isso que Vênus não indica uma coisa que possa ser encontrada dentro das partes do corpo indicadas por eles, mas sim fora! Ela representa o fígado. Será que o nativo terá problemas naquelas partes do corpo devido a problemas hepáticos e musculares? Ainda está cedo para dizer. De fato, quando há uma lesão muscular intensa, a pessoa corre o risco de dano renal, porque as proteínas do músculo são eliminadas via renal, assim como grande parte dos produtos de degradação do organismo. Pode ser uma metástase de um câncer hepático para aquelas regiões também.
Confesso que prever doenças para si é um pouco desagradável… Melhor mesmo é testar essa técnica em outros mapas, de pessoas mais velhas.
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