Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Archive for February, 2007

combinando técnicas parte 2

Esse é mais um post sobre o assunto que não tem mais fim: como combinar as diversas técnicas preditivas da astrologia medieval?
Você pode ignorar várias coisas, mas anualmente é fundamental ver o estado cósmico de dois planetas: o regente do ano na revolução solar e o regente do ano na profecção. Em que mapas eu vejo os dois? No mapa natal e na Revolução Solar, oras!
Vejamos o exemplo da minha revolução para 2006. O regente do ano da RS é Saturno. Ele se encontra na casa 6, em detrimento. Realmente, foi um ano de trabalho pesadíssimo, cuja causa foi problemas financeiros (sol em áries na casa dois). No mapa natal, Saturno está na casa sete e rege as casas dez e onze. Esse ano o trabalho intenso do nativo prejudicou (e muito) um relacionamento e sua vida social, redundando no seu fim. Dessa forma, chegamos a uma regra de ouro:
“Se o planeta analisado encontra problemas na revolução solar,
ele prejudica seus significados no mapa natal. “

O regente do ano da profecção é Marte, pois com 24 anos, todas as pessoas do mundo voltam com o ascendente projetado a casa 1. Ele se encontra na casa seis, indicando um ano cheio de trabalho semi-escravo. A condição de marte na revolução é até boa: na casa cinco, em gêmeos, e regendo as casas três e dez, dispondo de Júpiter e do Sol na casa dois. Marte está determinado a prazer e sexo, e a estudos. Esse ano houve grande expansão do seu hobby, que é escrever sobre astrologia. Soma-se a isso que a vida sexual foi intensificada. Sem comentários…

Nesse caso, o regente da Revolução apresentou um resultado mais concreto que o regente do ano da profecção na descrição do ano em questão. Foi facílimo para mim perceber que o trabalho intenso (saturno na casa seis) prejudicou minha vida amorosa. Eu conheci esta técnica meses depois do episódio, mas eu sempre dizia isso às pessoas que me perguntavam o porquê do namoro ter-se acabado. Isso mostra que a técnica tem substância, penetra no âmago da realidade do nativo.
Curiosamente, o regente do ano da Profecção indica coisas semelhantes ao regente da Revolução Solar. Marte está na seis, assim como Saturno da RS. Quando analisamos a condição de Marte na RS, porém, ela é bem diferente do mapa natal. Como combinar a casa 6 com a casa 5? Não houve nenhum fato durante o ano que confirmasse a combinação dos significados dessas casas. Todavia, o ano em questão apresentou uma grande expansão da vida sexual do nativo, além do seu hobby. Para quem não entendeu, podemos sintetizar mais uma regra:
“Nem sempre os significados natais do regente do ano da
profecção será combinado com seus significados na Revolução Solar. Apesar dessa
aparente contradição, o planeta da Revolução que é o regente do ano da Profecção
ganha destaque em seus significados, tanto na RS quanto no mapa natal.”
Mesmo não conseguindo combinar, como foi fácil na Rs, o planeta que rege o ano pela profecção tem seus significados ressaltados para o ano. Ele se expressa ao mesmo tempo que o regente do ano na Revolução Solar, e o efeito de um não anula o do outro. No mesmo ano, experimentei um fim de relacionamento, mas em seguida tive uma fase de galinhagem.
Comece a aplicar isso nos seus mapas. Qualquer dúvida, mande um comentário ou uma mensagem para o email rtveronese@gmail.com.

De visu novo

Descobri que posso modificar o padrão do Template. Finalmente consegui postar minha imagem criada para o título de um site que visava produzir. Agora só falta o blog permitir uploads. Quando isso acontecer, terei tudo que imaginava para um site de astrologia.

Penso em postar os meus estudos de astrologia num arquivo do Rapid Share, ou outros “Shares” da internet. Gostaria de receber sugestões e críticas, como a de Yuzuru. Espero que tenham gostado.

Eu, pelo menos, adorei a nova formatação, rs…

conferindo a natureza dos planetas em seu mapa

A melhor maneira de se estudar astrologia é correlacionar os eventos terrestres com o céu do momento em questão. Deixe de pensar no que poderia ter sido, para enxergar o que realmente foi. Essa constatação solidifica o modo correto de se interpretar.
Uma das grandes lições que tive em astrologia védica é perceber a importância das casas que um planeta rege. Por si só, isso é mais relevante do que a natureza planetária. Por exemplo, Júpiter pode reger a casa 12, mas se você pensar que ele sempre tem natureza benéfica, há de se decepcionar quando o contrário acontecer, já que a reg~encia sobre a casa 12 dá a ele uma natureza desintegradora. Na astrologia védica, júpiter seria maléfico por reger a casa 12, independentemente do seu estado cósmico. Na astrologia ocidental, Júpiter só seria elevado a condição de maléfico acidental se estivesse retrógrado, em queda ou detrimento, e regendo casas maléficas (6, 8 e 12, eventualmente a 7, de inimigos declarados). Perceba que a astrologia ocidental tradicional é mais rígida para transformar um benéfico em maléfico. Mesmo assim, nos chamam de pessimistas!
Talvez vocês queiram o meu mapa como exemplo, basta procurá-lo nos posts anteriores (por motivo de força maior, não o publicarei aqui). No ano de 2003, completei 21 anos, e a profecção chegou a casa dez do meu mapa. O evento prometido pelo regente do ano era adversidades em parcerias, já que a casa 10 é regida por Saturno, que se encontra em Libra na casa 7.
Contando-se os meses a partir da casa 10, o evento Saturnino poderia ter-se desencadeado em janeiro de 2004. Nesse período, porém, estava com uma nova namorada, no início de um relacionamento que durou um ano. A adversidade de Saturno não ocorreu, mas houve um evento durante o ano de 2003 muito difícil para mim, envolvendo relacionamentos, a partir de julho e até setembro. Não vou discutir por que a profecção não funcionou na data certa, isso é assunto para outro post. Vejamos os meses de acordo com a profecção do ascendente:
  1. 27 de Março 2003: Casa 10 – O nodo sul se encontra aqui, prometendo angústia e pesar durante o ano. A influência da primeira casa do ano se estende para todo o período até o próximo aniversário. No primeiro mês, contudo, não senti nada, embora estivesse mais magro e malhando. A natureza marcial do nodo sul talvez emagreça a pessoa, quando determinada a casa do corpo físico (ascendente) , mesmo por profecção.
  2. 27 de abril de 2003: Casa 11 – Conheço uma mulher e começo a namorar – Vênus está na cúspide da casa 11. As circunstâncias pelas quais eu a conheci se adequam exatamente na configuração representada por vênus de casa 11: fui jantar com um grupo de amigas. Não havia um homem sequer além de mim!
  3. 27 de maio de 2003: O namoro continua, sem maiores intercorrências. A profecção chega na casa 12, com mercúrio e Sol ali posicionados. Nenhuma lembrança significativa no período.
  4. 27 de junho de 2003: No fim desse período, namoro terminou subitamente. Os meses que se sucederam foram angustiantes para mim. Experimentei angústia até outubro, aproximadamente. Não me lembro ao certo qual foi o pior mês desse período. A lua em escorpião, significadora das emoções e do nativo por estar na casa 1, está em oposição a Júpiter natal, retrógrado e regente da casa 12, a casa do desespero. Soma-se a isso que a lua era regente do subperíodo da Firdaria, intensificando a ação lunar.

Perceba que júpiter está retrógrado, porém não se enquadra nos requisitos ocidentais para transformá-lo em maléfico. Não sei se a retrogradação aqui tem um caráter que debilite o grande benéfico a ponto de torná-lo maléfico. Será que o movimento direto tiraria a malícia jupiteriana? Há muito o que aprender, mas no momento presto muito mais atenção às casas que o planeta rege. Graças a astrologia védica, sou mais rígido com planetas que regem casas maléficas. Sua natureza pode ser realmente assustadora.

Experimente você também no seu mapa. Pegue eventos bons e ruins e correlacione com a profecção do período. Seu aprendizado astrológico dará um salto quântico. Estou aberto a dúvidas e sugestões pelo email rtveronese@gmail.com.

Mercúrio Retrógrado – Relato de Caso

Neste período em que observamos a retrogradação de Mercúrio em Peixes, correlaciono este dado com eventos da minha vida. Essa observação é importante para aprendemos a relevância dos trânsitos. Por mais que eles indiquem eventos corriqueiros, aprendemos muito sobre a capacidade do planeta transitante representar eventos conforme sua determinação local natal. Também observo seu papel em outros sistemas, como o zodíaco hindu, o que tem gerado impressionantes descobertas para um astrólogo ocidental como eu.
Desde o início da retrogradação experimentei uma viagem à terra natal de minha namorada que durou oito dias, em outro estado da região sudeste. Passei por cidades que nunca percorri antes. Pelo tempo de duração da viagem, parece que falamos da casa nove, mas fui a um local onde havia conhecidos meus e dela, misturando-se com significados de casa três, contudo a maioria se tratava de parentes dela, voltando para a casa nove (parentes da parceira). Conheci também a religião na qual se criara, o espiritismo, que seria ortodoxamente regida pela casa três (religião da parceira), porém como envolveu a minha experiência, seria também um fenômeno de casa nove (experiências espirituais). Fiquei distante do computador nesses dias, não escrevi quase nada, tampouco li. Diante de todas as considerações, qual casa você escolheria para representar esse momento? A 3 ou a 9? A casa nove é regida por Júpiter, a três, mercúrio.
Na astrologia védica, tenho ascendente peixes, e mercúrio rege as casas quatro e sete, se encontrando na 12. Dentre outras considerações que não cabem aqui, no trânsito sobre peixes, mercúrio volta a sua posição natal e retrograda, algo que representa uma intensificação das casas o planeta rege e a sua posição natal. Essa intensificação, portanto, tem de ser percebida pelas casas 4, 7 e 12.
A casa 4 para os hindus representa imóveis, educação e a figura materna, a sete, parcerias e moradia no exterior (não me perguntem o porquê…), e a 12, karma e “prazeres de cama”, o “velho e bom entra e sai”, como diriam os drugues no filme Laranja Mecânica…
Posso dizer a vocês, dentro da boa e velha discrição cabível na discussão de tabus, que o significado mais intenso vivido por mim no período foi a casa 12, em combinação com a sete… Me parece que a casa quatro não apresentou nenhuma importância, embora o nativo tenha trabalhado com sua mulher no carnaval numa clínica de psiquiatria e deu-se a conhecer a carreira da parceira (casa quatro é a décima da parceira).
Na astrologia ocidental, mercúrio não possui nenhuma relação com a casa sete, salvo por ser dispositado por Júpiter, que se encontra no descendente. Normalmente desprezo essa relação, mas agora vejo que ela pode ser muito útil para entendermos a razão de um trânsito. o dispositor de um planeta indica a causa da ação por ele representada. Todas as coisas geradas por mercúrio, portanto, encontraram razão de expressão neste júpiter de casa sete: a viagem, o trabalho no carnaval, o conhecimento de uma nova religião, foi tudo trazido pela parceira. A determinação local de Júpiter em trânsito também foi importante para entendermos todo o fenômeno, uma vez que ele se encontra na casa nove, reforçando significados de casa nove.
Quando começamos a buscar no mapa o que acontece lá fora, respeitando-se as regras, a astrologia per se começa a nos ensinar.

Da retrogradação (em trânsitos)

Os planetas retrógrados em trânsitos podem gerar eventos perceptíveis. o que me deixa dúvidas é prever se estes serão bons ou ruins.

Mercúrio entrou em retrogradação na segunda-feira, aproximadamente. Esse evento pontual sugere outra verdade: para uma corpo parar, ele tem de se desacelerar gradativamente. Essa desaceleração representa um período de atividades mais intensas na casa onde o planeta se encontra.

Para entender essa afirmativa, pense numa viagem de carro pelo interior do Brasil. Imagine que você é localizado num mapa por um sistema de GPS, e alguém fica lhe observando e anotando o tempo que você fica em determinada cidade. Pois bem, esse observador constata que você fica mais tempo em algumas cidades.

Muitas pessoas que olham o mapa pensam que vocês pararam de verdade, que não estão fazendo nada, mas você é humano, tem necessidades fisiológicas, e precisa ocasionalmente parar para se alimentar e dormir. Para fazê-lo, você pára em determinada cidade.

Mas isso não implica que você parou no tempo e no espaço! Dentro da cidade, você está agindo, conforme a sua natureza. Pode passear, conhecer as redondezas. Comprando souvenirs dessa terra, comendo e se hospedando você está investindo nesse município.

Imagine que você “passa batido” no mapa do GPS: por acaso estaria investindo ou melhorando alguma cidade com seu dinheiro? ´Se você passa rápido, não há tempo o suficiente para isso!

A mesma coisa com os planetas. Minha dica é que você anote os eventos ao redor do dia da retrogradação. O dia da mudança de sentido é muito importante, é o período em que o planeta fica com velocidade zero, o que recebe o nome de “estacionário”, representado nos programas de astrologia pela letra “S” (do inglês stationary). Resta enfatizar que os efeitos dependerão da natureza do planeta no seu mapa! Imagine o mesmo radar GPS instalado na motocicleta de um bandoleiro assassino!

Esse conhecimento não é muito enfatizado pela astrologia medieval, que não prioriza trânsitos em sua abordagem. A astrologia védica enfatiza uma série de fatores nos trânsitos (chamados de gochara) além dos aspectos e posições por casa, sendo a retrogradação um deles.

maléficos… Para quem?

Na astrologia védica, os planetas maléficos que regem casas benéficas são chamados de benéficos funcionais. Em alguns ascendentes, como por exemplo Touro, Saturno é um planeta extremamente benéfico, por que rege as casas nove e dez. Quando um planeta rege duas casas boas, uma angular (casas 1, 4, 7 e 10, chamadas de kendras) e outra do triângulo do ser (casas 1, 5 e 9, chamadas de trikonas) é chamado de yogakaraka, e sua posição traz muitos benefícios para a casa onde se encontra. Nesse caso, um aspecto de Saturno a qualquer planeta é excelente para os assuntos que esse planeta rege.

Algumas pessoas acostumadas com astrologia tradicional do ocidente, e que ainda não tem muita experiência, acharão a afirmativa anterior absurda. Para a astrologia que praticamos no aqui, essa informação é um paradoxo: sendo Saturno um maléfico, ele nunca traria coisas boas, mesmo regendo casas boas. Se o leitor chegou a essa conclusão, saiba que está errado. A astrologia védica pode ter muitas coisas diferentes da nossa, mas essa é uma grande similaridade! Vejamos o por quê.

Os maléficos tradicionais são Marte e Saturno. Eles geralmente indicam adversidades, impedimentos e conflitos. Essas palavras geram temor nas pessoas, como se sempre algum evento angustiante fosse indicado. Definitivamente, não é bem assim.
Os dois planetas recebem a alcunha de maléficos porque indicam um modo de agir mais difícil em relação aos benéficos. Para os últimos, as experiências geralmente são tranquilas, fáceis e agradáveis. Seriam movimentos que a pessoa faz para conseguir algo com facilidade.
Por exemplo, uma pessoa pode conseguir um emprego simplesmente conversando com amigos numa mesa de bar:

-Cara, tô precisando de um trampo… Perdi aquele plantão!
-Ih, tem uma vaga lá onde eu trabalho… Topa?
-Claro!

Foi um movimento fácil, e a oportunidade surgiu como num passe de mágica. Nesse momento, se a pessoa crê em algum Deus, talvez se sinta abençoado. Ele pode estar num período de vida no qual as oportunidades de trabalho são fáceis e abundantes, devido a presença de Júpiter na casa dez.

A mesma pessoa pode, em outra ocasião, conseguir um emprego através de um concurso. Vai estudar muito, perder noites de sono, ter paciência, manter o controle para não desistir, ficar estressado, mas pode até gostar desse estilo de vida, se sentir produtiva, gerar muitos progressos. Ela pode estar passando por um período de Saturno na casa nove, a casa do ensino superior.
Outra pessoa pode ter um ano sofrível sentimentalmente, com uma separação que lhe causou muita angústia. Saturno pode estar afligindo o regente da casa sete, ele regendo a casa oito, a casa da morte.
Não sei se você percebeu a diferença entre o saturno do segundo exemplo, com o do último. Se não conseguiu, releia os dois parágrafos anteriores, e perceba as casas envolvidas. A casa oito é uma casa maléfica, a nove benéfica. Chegamos a uma importante lição de astrologia:
Os planetas maléficos, se estão em casas boas, e regendo casas igualmente boas, representarão coisas boas, a serem conseguidas com sua natueza maléfica, indicada por esforço, concentração, brigas e disciplina. Os aspectos tensos desses planetas não indicam impedimentos graves, embora ofereçam desafios.
Se os planetas maléficos regem casas que indicam experiências difíceis (casas 6, 8 e 12), então o nativo enfrenta problemas sérios que devem ser encarados com cuidado. Os problemas geralmente estarão relacionados a casa na qual o maléfico se encontra, ou na casa onde o planeta aspectado pelo maléfico se encontra.
No primeiro exemplo de Saturno, ele está numa casa boa, e pelo que aconteceu, talvez ele tenha regência sobre casas igualmente boas. No segundo exemplo, Saturno rege a casa da morte e da angústia, a casa oito, o que faz com que as coisas não corram bem no casamento, porque ele aspecta o regente da sete.
O estudante de astrologia medieval começa a prática geralmente extremamente fatalista e mórbido. À medida em que ganha experiência, analisando mapas e eventos passados, percebe eventos regidos por maléficos que foram excelentes para o nativo, embora impregnados de esforço, lutas e concentração. A experiência obtida nessa análise apenas nos mostra que o termo maléfico significa coisas que o ser humano naturalmente não gosta muito de fazer, mas que podem gerar excelentes resultados. Um dia de folga sem fazer o que se gosta ainda é melhor do que um dia de trabalho prazeroso, embora alguns workaholics discordem disso…
Concluindo: os maléficos ainda representam experiências difíceis, impedimentos, morte, separação e despesas, mas precisamos ter em mente quando eles representam eventos bons. Que esse artigo ajude você a detectá-los nessas circunstâncias.