Astrosphera
Ancient astrological technics uncovered.Archive for October, 2006
um aspecto, vários eventos – organizando a interpretação
É comum o hábito de se ler o mapa pelas posições planetárias e aspectos. Minha prática consistia em interpretar no mapa planeta por planeta, partindo dos “núcleos centrais” sol, lua e ascendente.
Na medida em que você sofistica a sua prática, adotando o conceito de regência para cada planeta, o tipo de delineação acima torna-se confuso demais. É preciso então, interpretar o mapa casa-a-casa.
Pegue um aspecto como marte em trígono com júpiter. Além de estarem em duas determinadas casas por posição, ambos regem duas outras casas. Só aí há a combinação de seis setores do mapa!. Se mantermos a velha prática de se ler o mapa pelos planetas e aspectos, isso se tornará extenuante e cheio de erros.
um exemplo e uma explicação:
Marte na casa um, em escorpião, fazendo quadratura com a lua em leão na X. A lua rege a casa 9, Marte a casa 1 e 6.
Ao intepretarmos a casa um, marte a ocupa e representa o nativo. Marte está forte no mapa, angular e domiciliado, sinônimo de que o regente da casa 1 se encontra nela mesma. O nativo (marte) está com algum conflito com sua carreira, por que a lua está posicionada na dez e quadra marte. Mais do que isso, o nativo está com algum conflito com seus estudos universitários, por que a lua rege a casa nove. A lua está minguante, portanto maléfica, e tenta prejudicar marte. Marte está angular, domiciliado, e rege a casa seis, portanto a doença vem até ele como motivação primária de vida.
Ou seja, se analisarmos a casa um enquanto a felicidade do nativo, seu corpo e sua energia, ela está relacionada ao talento para se lidar com doença, é prejudicada por coisas que acontecem na carreira ou assuntos acadêmicos e religião, viagens ou estudos universitários, mas no fim sua vontade prevalece, por que está mais forte que a lua. Por serem casas boas, as casas nove e dez muitas vezes indicarão períodos no qual se exige muito esforço do nativo de atividades boas, como viagens e estudos. a quadratura é difícil, mas só é realmente má se envolve casas difíceis como a sete, doze, seis e oito.
Se analisarmos o aspecto lua-marte a partir da casa X, ele adquire contornos bem diferentes. A lua falará da primeiramente da carreira, mas ela pode se relacionar a mãe. A mãe do nativo pode ser uma pessoa que tem atritos com o filho (coisa que poderia ter falado antes, na casa um, mas não quis ser repetitivo), mas também pode ser vítima de uma doença, pois marte rege a casa seis. A lua enquanto regente da casa nove pode apenas contribuir para a interpretação de que ela é muito religiosa, ou veio de longe (em relação ao local onde o nativo vive). Isso por que estamos nos fixando a mãe dele, e não devemos perder o foco.
A lua pode ter conflito com qualquer casa derivada da um e da casa seis, posições natal e da regência de marte, respectivamente . Se a casa um for considerada a quatro da mãe, o conflito pode ser dela com o seu pai. Se a casa seis for a derivada para a casa da religião da mãe (9 a partir da 10), o conflito é entre ela e a religião desta.
A casa X pode ser também o pai da parceira, e ele pode, da mesma forma, ser vítima de uma doença, pois marte é regente da casa seis.
Perceba na figura que a regência de outras casas dadas por marte é posta em cinza, uma cor de visualização mais difícil que as outras da figura. Isto serve para representar que as outras casas que marte rege são irrelevantes no momento, por que estamos nos concentrando apenas na casa um, ocupada e regida por ele. Se a casa um estivesse vazia, também usaríamos marte para delinear os principais eventos dela. Eu só usaria as outras delineações de marte quando estivesse detido isoladamente a análise da casa três e seis.
Existem muitas combinações, e não é possível ser completo na delineação. É melhor nos restringirmos a coisas relevantes, mas mesmo assim as casas do nativo podem se misturar com as casas relacionadas a parentes e associados dele! Abaixo eu descrevo o que aconteceu realmente, colocando entre parênteses as casas relacionadas.
Em 2005, o dono do mapa (casa 1) iniciou um período de estudos teórico-práticos intensos dentro da faculdade de medicina (casa 9). Nas férias desse internato , seu sogro (casa X) teve um acidente vascular encefálico (AVE – casa 6). O nativo ofereceu suporte a ele por três dias, mas por estar extremamente cansado, viajou com sua família (casa 9). Sua namorada (casa 7) não entendeu o que fez e decidiu terminar com ele (casa 1). No mesmo período sua mãe (casa X) também teve um AVE (casa 6), de poucas sequelas. É gente, foi hard, mas tudo verdadeiro!
A lua também rege por exaltação a casa 07. O uso da exaltação é comprovado por inúmeros astrólogos, às vezes suprimido para não tornar as coisas complexas, mas pode fazer falta em alguns casos. Nesse caso, como delineamos apenas um aspecto, não se nota que venus, regente principal da casa sete (parceira), está conjunta a lua e quadra marte da mesma forma.
O aspecto, portanto, é portador de inúmeras questões. O fato de duas casas serem regidas pelo mesmo planeta faz com que seus assuntos muitas vezes se manifestem ao mesmo tempo. Pode haver relação entre esses dois assuntos, mas nem sempre ela é observada.
Desejos não realizados e a astrologia
Pedro é um desenhista muito talentoso que recebe a infeliz alcunha de amador. Ele aprecia histórias em quadrinhos japonesas, e está concluindo (aqui é importante o tempo gerúndio…) um roteiro para a sua primeira história, um misto de ficção científica biotecnológica com magia medieval.
O tempo passa, Pedro entra na universidade, e não conclui a história. A faculdade de engenharia lhe consome muito tempo, e ele posterga o desenvolvimento do esboço da história para suas férias.
O segundo período da faculdade começa. Pedro já delineou o início da história, mas ainda não passou nanquim sobre ela, o que os desenhistas chamam de Arte-Finalização. Ele a guardou num canto do armário, e agora as aulas de Cálculo lhe consomem tempo o suficiente para se manter afastado da prancheta que ganhara no seu vigésimo aniversário. A prancheta às vezes lhe tem serventia para estudar, não desenho artístico, mas cálculo, trigonometria e Física mecânica.
Nas férias entre o segundo e terceiro períodos, Pedro procura seu projeto de história inacabado e não o encontra. Sua mãe, uma cristã pentecostal recém-convertida, decide expurgar de sua casa toda a “aparência do mal”, e isso inclui os esboços de Pedro, cujos personagens ostentam glifos pagãos e chifres demoníacos.
Por estar entre uma faculdade que lhe exaspera, e uma mãe dogmática, Pedro desiste do projeto momentaneamente. Agora, no quinto período, ele faz o que sempre fez, apenas esboços de desenhos na carteira da universidade. Consegue a admiração de todos os seus colegas pelo que faz, e já é a terceira vez que desenha a camiseta da sua turma. Pedro não deixou de ser feliz, mas apenas se lamenta às vezes por deixar seu projeto incacabado.
Essa história nos serve para entendermos os desafios que alguns desejos nossos encontram para serem realizados. Em virtude desses embargos, nós sempre estamos em vias de realizá-los, mas não conseguimos.
O que seria uma grande frustração, contudo, dá lugar a outras coisas, outras tentativas de concretização. Pedro se formou engenheiro, e desfruta de um emprego federal estável. Se casou, tem filhos, e de vez em quando senta no seu computador e esboça alguma coisa, pinta aos poucos e publica num site de desenhistas amadores.
O que a astrologia usa para representar esses dramas quotidianos? Quando olhamos para as pessoas ao redor, o que é mais fácil encontrarmos? Projetos incacabados, como o de Pedro, ou pessoas cem por cento realizadas? A resposta a essa pergunta parece triste, mas não é. As pessoas sempre procuram realizar algum sonho, nem todos são possíveis, e é por isso que a primeira alternativa me parece mais plausível. Enquanto a maioria dos astrólogos vaticina grandes catástrofes nos mapas das pessoas, deveriam aprender a enxergar dinâmicas quotidianas como a de Pedro. Existe uma mediocridade que passa invisível aos olhos de muitos astrólogos.
Se encontrarmos Pedro na rua, tomando um café e batendo papo com seus amigos, eu não diria que encontraria uma pessoa que se lamente muito pelo que deixou de fazer. Espero encontrar alguém feliz. Talvez em seu pensamento ele se orgulhe dos talentos que têm.
É por essas razões que o estudo da astrologia não deve ser triste. Quando comecei a interpretar mapas à luz da teoria de Morin, eu me assustei com a questão das dignidades. Quanto mais dignidades um planeta tem, mais a pessoa é capaz de realizar até o fim determinado assunto. Assim, eu sempre encontro mapas com pouca dignidade, e até pouco tempo achava que os donos dos mapas eram infelizes. Eu mesmo teria pena de Pedro, mas hoje não, por entender que a felicidade depende muito mais do que simplesmente um planeta em mal estado cósmico.
É muito provável que o talento de Pedro para o desenho seja representado por um planeta em mal estado cósmico, significando que, apesar do grande talento que possui, ele nunca vai até o fim com seus projetos. Seu talento é apenas uma promessa, um potencial latente, sempre vislumbrado, mas nunca efetivado. Seus desenhos ficam apenas no esboço. Literalmente.
Que isso fique em mente. Planetas debilitados indicam coisas que não se cumprem. Se for um casamento, este não vai “até que a morte o separe”, se for um talento, a pessoa não se profissionaliza e o deixa de lado, se for uma amizade, idem. Aprenda a associar a dinâmica do “não cumprimento” às casas a qual o planeta está determinado.
Existe uma crença entre os astrólogos medievais de que o planeta debilitado representa uma tentativa de realização que é deixada de lado para nunca mais ser procurada pelo nativo. A experiência prova nem sempre isso acontece. Em alguns casos, O planeta em mal estado cósmico sempre se manifestará, mas por ser debilitado, sua nova tentativa é tão breve quanto a anterior. Para entender isso, basta olhar o exemplo de Pedro, com quarenta e cinco anos de idade, ele ainda compra programas de desenho, tem uma prancheta e um scanner em seu escritório, mas nunca se profissionalizou, e jamais colheu os louros do seu dom.
Semelhanças entre o antigo e o moderno.
Recentemente discutia com Paulo Silva, amigo e excelente astrólogo, portador do site astrologia medieval (ver link ao lado direito da tela) sobre a questão das qualidades positivas de um marte dignificado.
Existem autores que dão aos maléficos a reputação de representarem sempre eventos adversos. O estado cósmico deles representaria, portanto, o quanto cada indivíduo será capaz de driblar tais problemas sem receber muitos danos, ou de resolvê-los definitivamente.
Paulo, contudo, discorda dessa opinião frequente, baseando-se nas mesmas fontes dos autores acima. Exemplos como esse nos mostram o quanto um texto pode ser interpretado de modos diversos.
Para Paulo, os planetas maléficos Marte e Saturno, se regem casas boas da figura e estão em bom estado cósmico, são planetas acidentalmente benéficos. Uma vez chegado a tal conclusão, o leitor poderá recorrer ao primeiro parágrafo para entender qual foi a minha dúvida. Agora, então citarei qualidades benéficas de marte e saturno.
Marte
A casa onde ele se encontra representa em bom estado cósmico representa um grande desgaste de energia, iniciativa, ímpeto, coragem e audácia.
Saturno
A casa onde se encontra mostra um local de foco, concentração e disciplina.
Perceba que Saturno e marte, regendo casas boas da figura e estando em bom estado cósmico, tendem a apresentar tais características. Perceba também que tais características revelam um estado de espírito. Não falamos de eventos, mas de uma qualidade ou modo de agir. Tal qualidade de agir nos remete ao tema do post: semelhanças entre o antigo e o moderno. Vamos entender o porquê.
Perceba que marte e saturno adquirem contornos bastante modernos nessa abordagem. Nas condiçõs acima eles representam estados modos de agir. Trata-se de uma delineação bastante similar as intepretações modernas. É bastante comum ver os astrólogos “modernos” reputarem a marte e a saturno tais atributos. Essa percepção traz consigo um insight: os autores modernos enfatizam as características boas dos planetas em detrimento das difíceis.
De onde vem essa visão seletiva? ignorando-se as nuances do estado cósmico planetário, desconhecemos como um planeta se manifestará.
Análise do mapa de um amigo
Nesse tópico vou começar a delinear o mapa do meu amigo, já postado anteriormente há uns dois meses, se não me engano.
Muita coisa mudou desde aquele post, e espero compartilhar dessas mudanças na minha interpretação com vocês. Vamos chamá-lo pelo nome fictício de José.
Ascendente
Escorpião ascendente, então a motivação primária de existência é a necessidade de segurança emocional (água) voltada para dentro (signo fixo). Ou seja, é uma pessoa que esconde seus sentimentos e necessidades para evitar sofrer, e acaba ser confidente de outras pessoas, guardando seus segredos.
Precisamos analisar se algum planeta aspecta o ascendente. Eles complementarão a descrição da motivação primária. Vemos que Júpiter e a lua aspectam o ascendente. Júpiter está na casa 11 e a lua está na casa 10, em quadratura com o ascendente. José busca sua motivação primária de um modo jupiteriano (liberal e expansivo) entre amigos, usando métodos virginianos (segurança material através do intercâmbio – negociações, acordos). Além disso, pela quadratura com a lua, ele realiza de um modo exagerado suas necessidades emocionais voltadas para a carreira, visando glória e reconhecimento (lua em leão).
Agora, precisamos ver quem é o regente do ascendente, para termos uma noção de como ele realizará sua motivação primária. Com o regente do ascendente em escorpião, ele não confia em ninguém para realizar suas motivações, apenas em si mesmo. E ele as realiza de um modo marciano – não se afasta do perigo, mas corre em direção a ele, sempre de um modo secreto e estratégico (escorpião). Pelo fato de estar muito dignificado, ele tem sucesso na sua empreitada. A casa seis é regida por marte (áries), então vemos que ele confia muito na sua técnica marciana, e que doença é um dos temas correntes para satisfazê-lo. A lua e vênus quadram marte, dessa forma, poderíamos pensar que melhoram o estado cósmico planeta introduzindo prazer (vênus) e satisfação das necessidades emocionais (lua) na sua carreira, às custas de excesso, dada a quadratura.
Vamos ver os outros regentes do ascendente para complementarmos o quadro tecido até agora. Escorpião não possui planeta exaltado, então passamos em seguida para os regentes da triplicidade, vênus e lua, já que marte fora delineado. Vênus está na casa dez, então o nativo busca prazer na sua carreira como motivação primária de vida, usando métodos leoninos – glória e aclamação do eu. Como vênus está peregrina, precisamos ver se realmente ela vai realizar o que promete analisando seu dispositor, o sol. Vemos que o sol está debilitado em Libra, e cumpre apenas 50% do prometido. Dessa forma, ele não realiza vênus totalmente, e o prazer na carreira vira apenas uma promessa. O Outro regente é a lua, e temos o mesmo problema, a fraqueza do seu dispositor.
Júpiter rege os termos do ascendente, o que representa a segunda motivação primária dele, que é a busca de uma vida social(casa 11) expansiva (júpiter), usando métodos virginianos (intercâmbio material visando segurança material). Júpiter está debilitado em virgem, e seu dispositor está peregrino na onze. De fato, a promessa Jupiteriana será difícil de ser cumprida.
Portanto, agora temos de escrever tudo acima numa linguagem isenta de jargão astrológico. E crio, portanto, o seguinte texto:
José naturalmente oculta seus segredos, e guarda segredos dos outros. Ele não o faria de outra forma, senão se sentiria mal consigo mesmo. Para realizar seus objetivos, ele confia apenas em si mesmo, e usará de métodos estratégicos e secretos para conservar essa atmosfera de mistério. Lidar com sua técnica faz parte de sua motivação de vida, e ele tem grande domínio dela, a qual vamos delinear na sessão de profissões. outra coisa que dá grande sentido para ele é buscar uma carreira que lhe dê prazer e aclamação popular, e para conseguir isso ele é um pouco excessivo para as pessoas ao redor. Gostaria que seus amigos lhe libertassem das suas restrições financeiras, mas essa apenas é uma esperança vazia de realização.
Breve análise de uma casa
Uma casa no mapa possui vários regentes:
1 – Regente do signo da cúspide da casa;
2 – Regente que se exalta no signo da cúspide;
3 – Regentes das triplicidades do elemento da casa;
4 – Regente do termo da cúspide da casa;
5 – Regente da face da cúspide.
Você descobre os regentes lendo as tabelas de graus encontrados no site http://www.astrologiamedieval.com. Vá até a sessão de downloads (arquivos) e baixe as tabelas em pdf.
Há um total de sete pontos para cada casa, mas em alguns deles um planeta sempre se repete. Por exemplo, você pode ter um regente do termo igual ao regente da exaltação. Dessa forma, como isso sempre acontece, temos em média quatro a três planetas regendo um determinado ponto do zodíaco.
O estudante precisa transcender as usuais críticas a astrologia medieval e perceber que esse número de planetas não complica a interpretação. Ao contrário, ela oferece expressões possíveis para cada casa, caso o regente tradicional (do signo) esteja combusto (em conjunção com o sol), recebendo aspecto tenso de Saturno ou marte, e/ou retrógrado, além de estar numa casa cadente ou maléfica (casas 6, 8, 12, e em menor grau as casas 3 e 9): são as aflições , que impedem a realização de um planeta.
A teoria é melhor explicada através de exemplos. Supondo que eu tenha uma casa 2 (posses) em touro. A posição do regente da casa 2 (vênus) vai indicar onde conseguimos renda. Se esse regente está aflito, então temos de ver outro regente. Esse indicará a área da vida que possibilitará o melhopr fluxo de capital.
Uma coisa que devemos perceber é a similaridade entre a vida e a técnica de interpretação do mapa: na vida, olhamos as opções apresentadas e escolhemos uma dentre elas para nós. Algumas opções vem acompanhadas de dificuldades, sendo evitadas. O mesmo raciocínio procede na escolha de um planeta.
Nem sempre a opção escolhida será também fácil, mas ela foi, para nós, a melhor escolha dentre outras mais flitas ainda. Com o mapa natal, é a mesma coisa.