Astrosphera
Ancient astrological technics uncovered.Archive for September, 2006
Quer dizer que você, um homem do século XXI, de um…
Quer dizer que você, um homem do século XXI, de uma época cercada de inteterminismo e liberdades individuais, opta por uma prática astrológica de mais de mil anos. Por quê?
Apesar da pergunta sugerir a obsolescência dos métodos medievais, concluo que o estudo da astrologia medieval e clássica tem um propósito muito atual: a busca da precisão astrológica.
Há vinte anos atrás algum astrólogo publicaria um método novo de progressão dos planetas; esse método se espalhava febrilmente pela comunidade astrológica. Muitos viam nele a princípio como a panacéia astrológica, que extirparia da arte o germe da imprecisão. A matemática e a acurária das efemérides eram a espada e o escudo, protegendo e atacando esse flagelo. Astrólogos como Alexander Marr criavam sistemas de casas novos a fim de buscar o método preditivo mais correto, aquele que melhor se sincronizava com a vida do indivíduo.
Há cerca de dez anos atrás, inicia-se um processo que perdura até hoje. Textos de astrologia datados de mais de quinhentos anos são traduzidos e disponibilizados para estudo a comunidade astrológica.
Quando observamos a acurária dos métodos medievais e clássicos, percebemos algo interessante. Persegue-se esses métodos na esperança moderna de encontrarmos a técnica astrológica mais precisa. Por mais infantil que seja esse raciocínio, só fechando nossos olhos para negar o clima de excitação que pairava sobre a comunidade astrológica com o início dos estudos de astrólogos clássicos. Os jornais especializados da época só faltavam resumir essas pesquisas como a “busca pelo cálice sagrado”.
Será que encontrarão aquilo que desejaram no início da busca? Não preciso ter a experiência de Robert Hand para concluir que NÃO. Ao longo dos meus estudos, percebo que a acurária de uma técnica antiga isoladamente é igual ou menor que uma recente. o ideal de perfeição neoplatônico implicava em certos “recursos matemáticos” conhecidos por nós até hoje. Um deles é o arredondamento… Frente a essas observações, o que a astrologia medieval nos possibilita?
Quando comecei a estudar, a resposta veio doce aos meus ouvidos… Seu estudo nos possibilita um ganho incomensurável de sabedoria na prática astrológica. Ela só vem a confirmar prátcas existentes até hoje, como a necessidade de mais de uma técnica na hora de se fazer um julgamento. Mais do que isso, trouxe-nos de volta a oportunidade de julgar um mapa com mais objetividade, coisa praticamente abolida pela subjetividade da astrologia psicológica.
Sistema signo = casa
A astrologia sofreu muitas modificações desde a sua gênese, o que não se trata de nenhum absurdo, pois consiste na adaptação deste saber ao pensamento dos homens de cada tempo. Contudo, não é uma adaptação geralmente tolerante com antigas tradições, se estas ferem os paradigmas filosóficos desses povos que incorporam a astrologia. Desse modo, as adaptações acabam por relegar certas técnicas ao esquecimento.
Felizmente, com as pesquisas do projeto Hindsight, retomou-se conceitos antigos, e estamos agora digerindo todas as descobertas a fim de revisar a prática astrológica. Uma dessas redescobertas é o sistema de casas de signos inteiros, em inglês, whole-sign houses.
O sistema é simples: cada signo corresponde a uma casa. O ascendente é o marcador da hora, em grego horoskopos, é o ponto terreno que sinaliza qual é o primeiro signo, e portanto, qual a primeira casa. O meio do céu também é um outro marcador, que sinaliza a área da vida na qual a pessoa ganhará seu sustento e terá trabalho. Para um ascendente áries, a casa dois é o signo inteiro de Touro, a três o signo inteiro de gêmeos, e por aí vai, até o décimo segundo signo=casa, peixes.
O que não muda nesse sistema é que os signos a partir do ascendente sempre se referirão a um mesmo assunto. O nono signo sempre terá relação com viagens, educação superior e a espiritualidade do nativo, mesmo que o meio do céu se encontre nele. A presença do zênite nessa casa, portanto, representa que o nativo pode ter sustento dessa área: talvez um sacerdote, alguém que ganha dinheiro de viagens, dentre outros significados.
Dessa forma, a interceptação dos signos inexiste. Interceptação ocorre em latitudes muito distantes do equador, é uma consequência negativa e inevitável do sistema de quadrantes que aplicamos hoje. A interceptação proporciona certos absurdos como a presença de duas casas dentro de um mesmo signo, e, como consequência, dois outros signos dentro de uma mesma casa.
Sempre se lidou com a interceptação considerando os signos fora da cúspide como regentes secundários. Ás vezes, tais regentes nem são utilizados. Eu me pergunto: e quando leão é interceptado? podemos desconsiderar o sol, ou colocá-lo numa posição secundária?
A preservação do sistema de signos inteiros não é uma questão de manutenção inútil das tradições. Ela nos dá indícios que não teríamos na carta natal usando as regras do sistema de quadrantes. Em verdade, esse sistema é excelente para observarmos a força de um planeta. quanto mais perto do ascendente e do meio do céu, mais força tem um planeta para agir representando seus assuntos. Quanto mais cadente dos ângulos, menos força.
Como todos sabemos, o sistema de quadrantes possui inúmeras variações, e para entendê-las na prática, recomendo os livros de Bob Maransky sobre direções primárias, disponível na internet. Existem mais de quinze sistemas de casa quadrantes, mas os mais antigos são o sistema de casa iguais, o sistema porfírio, e o sistema Alcabitius semi-arco.
O sistema Porfírio é muito simples. Basta descobrirmos por cálculos a posição do ascendente e do meio do céu, e dividimos os espaços entre esses dois pontos por três. Dependendo do dia, contudo, ainda há risco de interceptação.
O sistema de casas iguais é mais simples ainda. Se o meu ascendente é 21 de sagitário, todas as cúspides estarão no grau 21 de cada signo. Neste, dos dois erros mais comuns nos sistemas quadrantes, a interceptação vai-se embora, restando apenas um: o risco de errarmos a casa onde o planeta se encontra, pois o limite entre as casas ainda é, como em todos os métodos desse sistema, as cúspides. Discorrerei sobre o problema a seguir.
Usando meu mapa como exemplo, temos marte em libra, o sétimo signo a partir do meu ascendente Áries. Marte se encontra antes da cúspide da casa sete, o que nos leva a considerar que este planeta, apesar de se encontrar em libra, ainda está na casa seis.
Existem muitas considerações sobre marte na casa seis que fazem sentido no meu mapa, porém exite uma característica do tipo de parceria que atraio não representada eficazmente pelo sistema de quadrantes. As parcerias que faço geralmente são com mulheres altamente belicosas.
Se aplicarmos o sistema de signos inteiros, marte se encontra no sétimo signo a partir do ascendente, o que o torna como um dos planetas que descrevem a natureza das parcerias que realizo.
Esse é um dos exemplos que mostra como a aplicação desse sistema pode simplificar a interpretação. Antes de mostrar nossos mistérios, o mapa tem mostrar coisas evidentes na nossa vida.
O sistema de signos inteiros é aplicado na astrologia védica até hoje. Apesar das inúmeras diferenças entre a astrologia védica e a ocidental, como o uso do zodíaco sideral, não é difícil de perceber grandes similaridades. O que é mais evidente, porém, é percebermos na Índia os resquícios preservados de uma prática astrológica muito antiga. Essa percepção não seria possível sem as descobertas do projeto Hindsight e de outros historiadores. Devemos a eles esse período de efervescência na astrologia.