Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Archive for July, 2006

novamente, às debilidades essenciais…

Quando eu vejo a debiidade essencial de algum planeta, sinto logo alguma coisa ruim, mas essa coisa ainda me é inespecífica. Falta ganhar corpo, falta ganhar uma estruturação teórica, falta exemplos… Quanta coisa!

Precisamos instanciar o que é ruim. E nos planetas debilitados, vemos uma sensação de impotência. Ele quer expressar sua natureza mas se encontra num contexto (o signo) sem condições para isso.

Conversando com um grande amigo e eminente astrólogo, Paulo Silva, portador do maravilhoso site astrologia medieval, cujo link eu posto com orgulho, ele me fizera vislumbrar numa interpretação de meu marte em libra que nunca tive percepção antes. Vou compartilhar dela com vocês.

Um planeta deve ser “antropomorfizado”, ou seja, transformado em ser humano, com todos os comportamentos e reações esperadas de um humano em situações de estresse ou de controle. Assim, quando o planeta está debilitado, ele se encontra num contexto no qual deseja agir expressando a sua melhor natureza, mas o contexto o impede. Outra maneria da debilidade se expressar é a inadequação do planeta no contexto: ele quer fazer um tipo de coisa no lugar errado. Seria por exemplo, querer permanecer nu em público, ou tomar banho de terno e gravata.

Vejamos o exemplo de marte em libra. Vamos transformar o planeta em um dos seus significados: ambição. Dessa forma, a ambição está em lugar ou momento errados. Ela deseja algo que o contexto diz não ser adequado para o momento. Seria a figura do estagiário pondo os pés pelas mãos na ascensão profissional. Ele quer subir rapidamente, se esquecendo de que, para cada coisa, há um tempo certo. Marte nessa posição, portanto, acaba por se frustar, representando a ansiedade, caraterística típica dos nativos regidos pelo planeta vermelho em detrimento ou queda. Marte em signo de vênus deveria aprender a ceder, dar a vez ao outro, mas isso é um banho de água fria na natureza do planeta, que acaba por se expressar em características aberrantes.

Nos próximos dias, darei uma palhinha com cada planeta, o que ele representa, e assim vamos entendendo como as debilidades podem ser aplicadas no quotidiano.

ajuda a um amigo

Se uma amigo reclamasse da vida amorosa contigo, que tal descobrir através do mapa astral em que área tem maiores chances de conquistar alguém?

Esse meu amigo é uma pessoa que admiro muito. Com o regente da casa 1 conjunto ao ascendente, ele não se fia em nada nem a ninguém. Ascendente escorpião, signo muito preocupado com segurança emocional, em se defender com marte.

Conhecendo a fundo meu amigo, dá pra entender como esse marte se expressa. Vamos chamar meu amigo com o nome fictício de Márcio, pra facilitar.

Para tudo que acontece, e o que vier a acontecer, Márcio possui uma defesa, estrategicamente elaborada, tal qual um algoritmo, com todos os seus percursos e alternativas esboçadas e ensaiadas em seu córtex cerebral. O signo de escorpião é passivo – quer se defender para proteger sua profunda vida emocional. E ele se defende com Marte, não um marte ariano, que jorra sua energia espontaneamente, para produzir fogos de artifício. Um marte deveras disciplinado, um ninja que age na calada da noite para conseguir seu objetivo maior – não sofrer.

Mas há um problema. Eu vejo aqui uma carreira que envolve nutrição emocional, que o nativo produz e tem como objetivo a notoriedade – a lua em leão na X. Vejo também, conjunta a lua, vênus, lumiar do sexo e da sensualidade, também no signo de leão na X. Os dois símbolos do feminino estão no glamouroso e radiante signo de fogo, signo real, no meio do céu, que talvez dará a meu amigo penhor admnistrativo, mas estes dois astros estão severamente afligidos por marte via quadratura.

Marte está dignificado, podendo ser encarado como um benéfico. Um conflito entre dois benéficos pode ser talvez um conflito entre coisas boas, todavia a lua e vênus estão em signos peregrinos, portanto em menor dignidade que marte. Márcio é uma pessoa muito séria, honesta, respeitadora da honra alheia. Não haveria um exemplo melhor de marte em dignidade. Vênus e Lua, aflitas por marte. O que poderia ser isso?

Tudo que a lua e vênus significam, naturalmente e por regência, são desafiados pelo planeta vermelho. Talvez seja algo que ameace a integridade de Márcio, e por isso ele se defenda dos ataques que imagina sofrer. Vênus rege as casas 7 (parceira) e 12 (inimigos secretos), representando que essas duas dimensões da vida do meu amigo caminharão para uma posição superior a ele. Uma figura de autoridade. A lua rege a casa nove (religião, universidade), trazendo esses temas para a arena da 10.

Além do mais, os inimigos secretos e suas parceiras evoluirão, ao longo do tempo, para um estado de conflito com ele. A causa desse conflito poderia ser o local onde se encontra o regente da lua e de vênus – o sol. A causa é digna de um sol em queda (libra), a perda das qualidades solares de gentileza, generosidade, brilho, notoriedade, dos amigos (casa 11).

Onde ele pode arranjar mulheres? No estado, no governo, em posições de autoridade representadas pela casa X- tanto a lua quanto vênus possuem relação com a casa 7, esta por regência e aquela por almuten, mas lá ele encontrará conflitos. Serão estes devido a sua natureza marcial e defensiva? Não sabemos. O fato é que esse marte, por afligir lua e vênus, exagera um pouco ao ser tão defensivo.

off topic – midpoints

O blog é de astrologia tradicional, mas o autor não se furta em omitir técnicas modernas que funcionam de alguma forma, mesmo não sendo antigas.

Há quem diga (se não me engano, foi Robert Hand) que os midpoints já eram usados na renascença, mas como eu não disponho dos autores que os citaram, prefiro concluir que se trata de uma técnica recente, do século XX.

Para quem não sabe, a metade da distância entre dois planetas é um ponto sensível e que abriga o significado de ambos. Os autores enfatizam que, se houver aspecto entre os dois planetas, a manifestação do midpoint é mais nítida. Eu discordo dessa afirmativa, pois no caso que relatarei a lua não faz aspecto com vênus.

No mapa natal de exemplo, em meados de julho, o aspecto de sesquiquadratura, entre Saturno transitante e o meioponto lua-vênus natal, atingiu sua exatidão.

O entendimento do midpoint é facílimo: basta unir os significados dos dois planetas, num todo coerente. Assim, se a lua representa as necessidades emocionais, e vênus a vida afetiva, a união desses dois pontos representa a necessidade de afeto dentro de uma relação de conteúdo sexual e afetivo.

Saturno, o astro que muitas vezes traz castração, no caso privou o indivíduo de qualquer contato de natureza emocional com sua parceira no momento. Segundo seus relatos, parecia que estava a falar com uma “parede de chumbo”. Ou seja, as necessidades emocionais claramente não são supridas, e as reações dependerão não do midpoint per se, mas de outros fatores do indivíduo. No caso referido, isso causou por um curto período de tempo muita revolta, pois todos os contatos feitos por ele, nas tentativas frustradas de reconciliação, eram respondidos com “monossílabos” pela sua “ex”.

Saturno, aparentemente, sempre castra em decorrência de uma exigência “real”, mas, nas palavras de Robert Hand, também ele em si pode ser a “ilusão do real”, se o indivíduo quer se iludir, achando que a sua ex tinha muitas coisas para fazer, e por isso quis “dar um tempo”. Nem o autor, tampouco o nativo, sabem quais seriam as razões para esse comportamento, todavia Saturno representou essa privação de carinho, e isso que importa ao indivíduo. No momento o autor prefere concluir que saturno representa uma sensação de peso, mais do que uma decisão séria a ser tomada em alguma área da vida. Saturno sempre será melancólico, ou no mínimo sério e discreto, na astrologia medieval tal comportamento era claramente atribuído ao astro. Existem muitas decisões sérias que passam pelo crivo do planeta de chumbo, decisões que podem nos deixar felizes, e todos os planetas na astrologia medieval podem ser benéficos, a depender de sua configuração, contudo, para chegarmos a esses frutos, às vezes é necessário muito esforço, o “peso” saturnino na rotina e nas decisões, como, por exemplo, as decisões sobre a vida afetiva.

No caso, ao investigar mais sobre a vida do nativo, ele observara que semanas antes do fim, este já sentia uma grande falta de retorno às suas demandas emocionais. No instante da decisão, a iniciativa foi dele, já que “não suportava mais a indiferença” dela.

O meio ponto lua/vênus não foi o único a ser atingido por Saturno no mês de julho. Observe a área circundada por uma linha preta. Temos em seqüência uma série de midpoints que representam relacionamentos íntimos, como o nodo norte, asc, mc e o mais importante, o meio ponto sol/lua, este indispensável a meu ver, mesmo se o astrólogo não for adepto da escola cosmobiológica. Um midpoint isolado pode receber um trânsito e representar alterações na área da vida que ele rege, porém, normalmente, as eventos mais importantes são representados por configurações como a da foto. O nativo refere, no mesmo período, que a sua vida social foi restrita também entre amigos. Quais as razões para isso? Escolha a sua. Podemos culpar as demandas da existência, a falta de tempo, mas no exemplo o nativo dispunha de tempo para se encontrar com quem quisesse. Então atribuímos isso a um desejo inconsciente do nativo, algo que ele insiste incoscientemente em repetir na sua vida.

Se quisermos traçar um prognóstico, temos ótimas razões para crer que tudo ficará bem, esteja com quem ele estiver. Note a área circundada por uma oval vermelha: em agosto de 2006, o nativo receberá um trânsito de júpiter, pelos mesmos pontos onde Saturno passara relegando a ele um estado de “penúria afetiva”. Júpiter, provavelmente, representará felicidade e satisfação. Duvidamos se o mesmo quadro se repetirá em dezembro de 2006 (área vermelha da extrema direita), já que vemos Plutão se aproximando cada vez mais do meio ponto lua/vênus. Certos trânsitos de júpiter passam completamente despercebidos na vigência de um trântito de plutão, combinados a trânsitos de saturno em outras áreas do mapa. Como mostrei apenas um fragmento, fica difícil avaliar. É preciso ver o mapa como um todo.

Da Lua em Escorpião

Como os astrólogos pós-modernos lidam com a interpretação de planetas debilitados? Vejamos o caso da lua em escorpião.

A lua, lumiar da noite, no signo zodiacal de escorpião, encontra-se em posição de queda. As dignidades e debilidades essenciais são pouco consideradas pela astrologia moderna. Mas até que ponto suas interpretações são influenciadas por esse conceito antigo?

Trago citações de autores modernos sobre esta posição zodiacal, para em seguida compará-las às citações da Lua em Touro, posição na qual a lua está exaltada.

Segundo Anna Maria da Costa Ribeiro (em “O Conhecimento da Astrologia”):

Lua em escorpião: Fecha-se, reservada, ligação difícil com a mãe, leva a sério seus assuntos pessoais, ciúmes, rancor, vingança, não esquece ofensas, dominadora, cura, capaz de sacrifício, segue instintos, capacidade de pesquisa…

lua em Touro: Em geral pensa bem de si, o que pode trazer preguiça ou preconceito. Quer coisas agradáveis da vida e precisa ser estimulada a agir, senão pode se acomodar: exige pouco de si e dos outros, aí agrada a todos. Não quer coisas complicadas. Charme, afável, afetuosa(…)Reações emocionais lentas, mas tem uma longa memória de rancor(…)

Segundo Robert Hand, (em “planets in youth”):

Lua em escorpião: você tem sentimentos muito intensos, os quais podem ser uma grande força em sua vida, mas você pode achar difícil entendê-los, por que eles são muito profundos e complicados. Ora você está muito zangado, ora extremamente trsite, ora totalmente feliz. Você nunca se sente moderado, e quer qeu a sua vida inteira seja intensa e muito profunda. Os outros podem não estar aptos a entenderem suas flutuações, por que nem você as entende.

Lua em Touro: Você gosta do calor, do conforto e da segurança dos arredores familiares. Você gosta de estar perto da lareira, na sua cadeira favorita, e desfruta de boa comida. Você é uma pessoa muito amável, e precisa de amor e atenção das pessoas ao seu redor. É importante para você saber que tudo ao redor vai como sempre. você não é muito adepto das mudanças, especialmente em seu pequeno mundo.

Perceba nas referências acima um elemento de descontrole da lua em escorpião. O indivíduo tem emoções muito fortes. Ele se fecha, a sua popularidade é menor por isso, enquanto a lua em Touro “precisa de carinho das pessoas ao redor”.

O significado da lua

Todos os planetas tem casas nas quais eles se regozijam, e podemos deduzir dessas casas os significados dos planetas, caso tenhamos alguma dúvida do que o planeta representa.

A lua tem seu gozo na casa 3. Essa casa representa qualquer tipo de relação comunitária não hierárquica, como aquela apresentada entre vizinhos. Hoje em dia nos entregamos à rede computadorizada de uma “aldeia global”, (que, a meu ver, possui uma grande relação com o eixo 3/9), menosprezando a força do significado de se ter vizinhos, de se morar numa comunidade específica. A força de uma aldeia estava na casa três, a capacidade de todos se comunicarem e se ajudarem, a hospitalidade, a cordialidade, a troca. Realmente, a lua traz consigo muitas dessas qualidades na casa e no signo onde se encontra. A casa da lua mostra onde trocamos e somos empáticos ao meio.

Como o indivíduo não se relaciona facilmente com as pessoas, a lua em escorpião traz um prejuízo dessa interação não-hierárquica, e, além disso, representa uma relação difícil com a mãe. Já ouvi casos de uma relação simbiótica entre mãe e filha ser representada por essa lua, mas sou extremamente cauteloso em se tratando da correlação entre astrologia e psicopatologia. E por que o indivíduo não se relaciona bem com as pessoas? Por que simplesmente nem ele entende suas emoções, ora frias, ora intensas.

É interessante notar que ambos os posicionamentos trazem consigo algum elemento prejudicial. A lua em Touro traz a indolência; a lua escorpiônica traz a tormenta emocional, a intensidade desmedida das emoções.

Percebemos que a única correlação entre a lua em escorpião moderna e a debilidade essencial clássica é a dificuldade do indivíduo em expressar os atributos lunares. Como a lua tem a ver com os sentimentos e o feminino, em Touro vemos a fácil expressão das emoções, do carinho e do cuidado. Com isso, a pessoa ganha “adeptos”. É por essa razão que esse lumiar é o significador natural de popularidade.

Talvez a lua em Touro, se aflita, leve o indivíduo a indolência com maior probabilidade. Existem vários posicionamentos que podem representar isso. O que seria a lua em touro em oposição a mercúrio em escorpião, senão a dificuldade da lua em se posicionar harmonicamente em relação aos significados de mercúrio? Mercúrio rege a comunicação, o intelecto, a vida acadêmica, de tal forma que essa lua pode ser extremamente preguiçosa nesses temas, e a razão do indivíduo pode ser contra a sua popularidade, sem contar a dificuldade da lua em falar a verdade as pessoas, por que ela insiste tanto em agradar que pode se exceder, falando o que queremos ouvir, ao invés da verdade.

Achando o Hileg e o Alcohoden – mapa 1 – Maria

O objetivo dessa série de posts é pesquisar o tempo de vida nos mapas estudados. Hoje vamos eleger o planeta que representa os anos de vida no mapa de Maria (nome fictício).

Como o mapa é diurno, pesquisamos primeiramente o Sol: está na casa nove, em signo feminino, e portanto é descartado (o sol na nove deve estar em signo masculino).

Em segundo lugar, pesquisamos a lua. Ela se encontra quase na segunda casa. Opto por ela pois as únicas restrições a sua escolha são a posição em setores cadentes (lua nas casas 3, 6, 9 e 12) e em signos masculinos. Como ela está em signo feminino e é angular, quase sucedente, a lua é o Hileg.

Agora precisamos ver se a Lua é aspectada (qualquer aspecto) pelos regentes de Virgem. Costumo usar os regentes mais importantes, (domicílio, exaltação e triplicidade) e se estes não a aspectam, recorro ao regente do termo no qual a lua se encontra, apenas por uma questão de praticidade.

O signo de Virgem possui os seguintes regentes:

Domicílio: Mercúrio
Exaltação: Mercúrio
Triplicidade (segundo Dorotheu): Vênus (dia), Lua (noite), e Marte (participante)

Ao analisarmos a figura, percebe-se que Marte quase aspecta a lua (por dois graus), porém quando isso acontece nós podemos usar o planeta como Alcohoden. Marte foi escolhido.

Como Marte está numa casa sucedente, damos ao indivíduo seus anos médios, 40 anos e seis meses. Júpiter está em oposição a marte, então um benéfico em aspecto difícil não adiciona nem retira anos. Interessante notar que marte está sendo recebido por júpiter. Será que isso adicionaria anos a marte? Como disse anteriormente, isso é uma pesquisa, então apenas com a confirmação da fonte de dados é que ousaremos deduzir qualquer achado.

conclusão: 40 anos e 6 meses

Se a pessoa nasceu em maio de 1945, a data aproximada do óbito é novembro de 1985.

A relação entre o ocupante do signo e seu regente

Observe mais fragmentos das obras de Johannes Schoener, Três livros sobre o Julgamento das Natividades e Abu Ali Al-Khayyat, autor de “O Julgamento das Natividades”, respectivamente:

“Os regentes das casas so Sol, de dia, e de Saturno, a noite, significam os futuros acidentes do pai [do nativo]“

“Mas se o Sol estiver num local adequado em natividades diurnas, e os regentes da sua triplicidade estiverem em casas malignas, isso significa que o pai estará em circunstâncias apropriadas no momento da natividade, mas [se encontrará] em circunstâncias infelizes no futuro.”

O que nós vemos implícitos nesses trechos é o santo graal da interpretação astrológica. Os regentes indicam circunstâncias futuras em relacão aos assuntos da casa, além de uma relação de ação (planeta ocupante) e causa (planeta regente).

Para que o leitor entenda, basta observar a figura ao lado. Temos a lua em escorpião na casa 2. A lua está em queda, representando que os apetites do nativo voltados para a conquista material (lua na casa 2) poderão levá-lo a uma posição de queda. Se analisarmos o regente da casa escorpião e dispositor da lua, marte, ele se encontra em Leão, peregrino na casa onze (apoio dos amigos e grupos).

O que isso representa: em primeiro lugar, o nativo mantém apetites quase instintivos para a aquisição de bens (lua em escorpião). Isso caminha para um desdobramento tal que leva a brigar com seus amigos e grupos – marte na casa 11. Robert Zoller diz que planetas na casa onze, mesmo sendo maléficos, acabam se tornando “amigos” do nativo. Poderíamos dizer então que o comportamento lunar das posses tembém pode levar ao indivíduo fazer amizades com pessoas “marcianas”: que falam alto, que são agressivas, conquistadores.

Às vezes somente o nativo entenderá a relação entre regente e ocupante. Ela se desdobra numa série de manifestações, porque o símbolo astrológico é multifacetado. por exemplo, se você tem o regente da casa nove na onze, seus amigos podem ter conexão com o estrangeiro, com a vida universitária ou com religião, por que uma casa abriga vários assuntos, com um mesmo significado subjacente. No exemplo acima, talvez indivíduo, querendo ganhar mais e mais, se envolva com pessoas tão ambiciosas quanto ele, na tentativa de conseguir mais posses pelo esforço conjunto.

Esse princípio pode ser aplicado a qualquer regente, incluindo os planetas regentes de partes árabes. Veja esse trecho, de Johannes Schoener:

“O regente da parte da mãe, e o regente da parte dos servos (ambos são marte na décima primeira casa), predizem que vantagens virão através da sua mãe e dos seus servos.”

Se um planeta está no segundo signo da casa, o regente dele ainda é considerado o regente da cúspide. Por exemplo, se eu tenho júpiter em escorpião na casa 7, cuja cúspide se encontra em Libra, então vênus é seu regente, e não marte. Todavia, alguns autores defenderão a participação de marte sobre o estado cósmico de júpiter.

Podemos, no exemplo da figura acima, deduzir mais uma informação: a relação entre causa e efeito. A lua em escorpião traduz-se no efeito de marte em leão. Ou seja, o nativo possui uma perda de bens ou de recursos, representada pela lua em escorpião. E qual é a causa disso? Marte em Leão, as brigas com amigos e grupos. A casa onze pode ser também as posses do estado (a segunda casa a partir da décima), então isso pode representar que o nativo tenta usurpar o patrimônio público, gerando com isso perda de recursos pessoais. Talvez o mativo perca dinheiro em processos movidos pelo estado, indenizações…

Comece a usar as regências. Elas aprimoram a interpretação.

Entendendo o conceito de Almuten

Em se tratando de astrologia antiga, o grande aprendizado que o leitor deve ter é perceber que um assunto possui vários significadores.

Por exemplo, se pensamos em casamento, existe, cinco pontos que nos chamam atenção:

1 – A cúspide da casa 7;
2 – Planetas dentro da casa 7;
3 – Vênus de dia (ou a Lua a noite), para significar a mulher em mapas masculinos;
3 – Sol de dia (ou Saturno a noite), para significar o homem em mapas femininos;
4 – A parte do casamento. (distância entre vênus e saturno, projetada no asc);
5 – Seu regente.

O leitor pode parecer confuso com tantos indicadores para um mesmo assunto, porém existe uma abordadem quantitativa dos significadores que não deve ser menosprezada. Se todos ou grande parte dos indicadores estiverem aflitos, é sinal de que esta área da vida pode até não existir.

Todos os significadores de casamento estarão em um ou mais signos. Cada signo possui vários regentes, que significam o desfecho final da posição daquele planeta (veja o próximo tópico “a relação entre o ocupante do signo e seu regente”). Se pudéssemos eleger um planeta que mais aparecesse como regente dos significados de casamento, seria aquele que regesse o maior número de significadores maritais, pois seria muito provável que ele ditasse o futuro do assunto. Não falei anteriormente que o regente diz o modo como o planeta ocupante do signo evolui no futuro?

O planeta que mais possui dignidades sobre um determinado assunto chama-se Almuten, que significa, em árabe, “o vitorioso”.

Se o Almuten está debilitado, não esperamos um bom desfecho, o assunto em questão talvez não se sustente. Se o Almuten briga com outros regentes, é como se ele brigasse com outros assuntos do mapa. Assim, se o Almuten do casamento briga com o regente do ascendente, é sinal de conflitos maritais.

Você pode, por si só, fazer um Almuten de qualquer assunto, desde que saiba:

1 – A cúspide do assunto;
2 – O regente da cúspide do assunto;
3 – O significador natural do assunto;
4 – A parte árabe que possui relação com o assunto;
5 – O regente da parte árabe.

Certos autores tornam a questão mais complicada. Schoener computa Almutens com regentes da triplicidade da casa em questão, mas opto pela simplicidade de Abu Ali Al khayyat.

O significador profissional segundo Abu Ali Al-khayat:

Encontre planetas no seu mapa que preencham os seguintes requisitos:

1 – O significador profissional é o planeta que se encontra no ascendente ou no meio do céu, oriental ao sol e ocidental a lua.

2 – Procure em natividades diurnas (pessoas nascidas de dia) aquele ao qual a lua se aplica logo após a lua nova ou cheia precedendo a natividade.

3 – Em natividades noturnas, olhe a Parte da Fortuna (de noite, pegar a distância da lua ao sol e adicioná-la ao ascendente),

4 – Olhe para o planeta ao qual a lua se aplica na hora da natividade.

5 – Olhe o regente da casa 10, se a natividade é diurna.

6 – Se for noturna, olhar o planeta ao qual a lua se aplica, principalmente se ele tiver dignidade no signo onde a Parte da Fortuna se encontra.

Você deve encontrar, dentre todos os planetas acima, o que se encontra em melhor estado cósmico (por casa e signo, em movimento direto, oriental se superior e ocidental se inferior). Isso que é interessante. Podem haver dois ou mais planetas que se enquadrem nos aforismos acima, porém apenas um deverá ser escolhido, pela sua força comparada aos outros. Havendo dois planetas em estado muito parecido, opte aquele que se encontre mais elevado (o mais perto do MC) ou esteja num signo masculino, ouque comande.

Se o planeta selecionado de acordo com os métodos acima estiver nos ângulos, oriental, em bom estado cósmico. e em bom aspecto com o sol ou a lua (a depender do período do dia no qual o indivíduo nascera) isso fala a favor do prestígio do nativo, de acordo com a natureza do planeta. Se for marte, prestígio nos significados marciais, militares, a metalurgia, o esforço físico, a conquista, a cirurgia. Os ângulos mais favoráveis são o ascendente e o meio do céu. Planetas no fundo do céu e no descendente possuem os mesmos significados, porém em menor grau de prestígio. Vá em escala descendente até as casas cadentes.

Guido Bonatti, astrólogo medieval italiano, se aproxima da maneira pela qual Abu Ali delineia as áreas da vida de um nativo. Schoener, em contrapartida usa em menor grau o conceito de planetary sect, que será explicado com melhor cuidado num próximo post.

Bibliografia:
Abu Ali Al-Khayyat: The Judgements of Nativities. Translated by James Holden, AFA.

Casa XII

Esse momento representa o nascer do sol, belo, ainda tímido, respeitando nossas retinas e a umidade da noite. Um espaço de beleza, na minha opinião. Como um momento tão belo pode representar situações tão difíceis?

A casa XII representa exílios, agonias, sofrimentos da alma, locais distantes e animais selvagens. Todo espaço no qual existe sofrimento e/ou isolamento é representado por este setor. É a casa dos reis que são exilados, e desfrutam de uma vida confortavelmente entediante, mas também é local daqueles obrigados a se exilarem, vivendo em péssimas condições. De fato, as condições de um planeta na casa XII nos ajudam a entender como o planeta lidará com o exílio.

A situação de exílio é apenas uma na qual se configuram outras dezenas, com o mesmo significado subjacente. Para entendê-lo, vamos nos valer de uma imagem.

Se o ascendente é o indivíduo, os planetas nascem ali, e lentamente se afastam do horizonte – o nosso indivíduo do exemplo. Esse afastamento simboliza mais que a perda de algo, mas sim a perda de controle sobre as situações regidas pelo planeta. Os planetas que estão na casa um representam elementos da vida sob os quais eu tenho controle. No exemplo da foto, os assuntos que vênus representam se afastam cada vez mais do nativo, o bonequinho da casa 1.

É desse raciocínio que advém o significado da casa XII. Pode-se justificar os malefícios dessa casa através da ausência de aspectação, ou seja, a casa 12 não é vista pelo ascendente, de modo que não esperamos seus assuntos nas nossas vidas. Eu diria ao leitor que tal assunção é deveras correta, todavia não se deve deixar aqui lacuna para julgamentos errôneos. A casa II não é, da mesma forma que a XII, aspectada pelo ascendente, e possui significado de substância, posses, coisas que esperamos da vida tanto quanto um casamento ou uma carreira. Apesar desta similaridade, a casa II possui significado positivo pois todos os planetas que se encontram nela partem rumo a casa 1, portanto, ao controle do nativo sobre os elementos em questão. Todas as casas acinzentadas da figura, com exceção da sétima, não são aspectadas pelo ascendente, daí se derivando seus significados maléficos para a maioria delas, exceto a nove, que contudo é reportada por Manillus como o “Portal de Hades”.

No exemplo da foto, o nativo perde o controle sobre suas parcerias, ou elas estão causando-lhe uma sensação de impedimento: vênus está na casa 12. A lua, ao contrário, está na casa 2, em Touro, representando as posses do nativo.

O estado cósmico dos planetas e a interpretação

Observe o fragmento abaixo, extraído do livro “O Julgamento das Natividades”, de Johannes Schoener, traduzido por Robert Hand. No contexto, o autor delineia o grande indicador de morte, ou Almuten da morte, no mapa do Imperador Maximiliano I de Hapsburgo:

Quarta conclusão: Todavia, ele morrerá entre seus conhecidos, na sua própria terra, em riquezas e honra. Isto é arguído por que o significador de morte está em sua exaltação.

O significador da morte no mapa do imperador é o sol, que se encontra exaltado no signo de Áries. O sol representa notoriedade, brilho e autoridade. O que Schoener faz é simplesmente seguir os tratados de astrologia à risca. Veja como grande parte dos astrólogos descrevem a condição dos planetas:

Um planeta em exaltação é como um convidado sendo recebido com honras numa casa.

Os astrólogos medievais ensinavam através de metáforas, assim como todo o ethos medieval era metafórico. Enquanto hoje queremos descrições objetivas sobre determinada posição planetária, os astrólogos medievais buscavam a transposição de determinada dinâmica em situações variadas representadas pela mesma posição planetária, ao ponto da comparação ser observada de um modo quase literal. Ou seja, grande parte dos textos de astrologia medievais comparam um planeta em exaltação a um convidado ilustre, ou alguém que será exaltado entre os seus, e na interpretação da morte de Maximiliano o Sol em Áries foi interpretado de um modo similar às descrições de um planeta em exaltação. Isso é motivo de alerta: talvez o nosso raciocínio contemporâneo subestime as descrições medievais, achando-as demasiadamente subjetivas, mas até que ponto elas deixam de ser assim para descreverem objetivamente uma situação?

Tomando como exemplo o extremo oposto ao melhor estado cósmico, o planeta em detrimento: tradicionalmente, a ele é reputado a falta de forças para agir. As descrições clássicas o comparam a “um homem entre inimigos”.

Especulando: se as condições da morte do imperador fossem descritas por um planeta em tal situação, provavelmente Schoener delinearia a morte em terra estrangeira, entre os inimigos.

Será que as mesmas transposições tem valor atualmente?

BIBLIOGRAFIA

Schoener, Johannes. Three Books on the Judgement of the Nativities. Book 1. ARHAT, translated by Robert Hand.

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