Astrosphera
Ancient astrological technics uncovered.Archive for June, 2005
A ocidentalização do Mangá
Paira sobre alguns desenhistas brasileiros a crença de que a anatomia dos personagens de mangá reflete o biotipo da mulher e do homem japonês. Eu concordo em parte com essa afirmação, porque para que o leitor se identifique com a história você precisa recriar a figura do “homem comum”, que represente as angústias e alegrias de seu país, sua geração, faixa etária ou de quem tem um problema, seja ele social, sexual, ou de saúde.
Na criação desse homem comum, estabelece-se um biotipo e uma indumentária peculiar, que reflita o grupo do qual ele pertence.
Como exemplo do que foi exposto podemos citar keitarô, o protagonista de Love Hina, que tem as características típicas da figura construída do japonês adulto jovem: franzino, cabelos lisos, óculos grandes e retangulares, roupas em tom pastel, geralmente calça e camisetas com ou em estampas.
Apesar de se buscar essa identificação, a cultura japonesa entra em interseção com culturas estrangeiras, estabelecendo uma teia de opções que possibilitam, ao jovem keitarô, tornar-se representativo do jovem mundial.
Evidentemente nós podemos achar ridícula a postura de keitarô frente ao sexo, pois os japoneses postulam uma conduta muito mais recatada socialmente para certos rituais que são triviais aos ocidentais, como o beijo na boca em público. Essa é a parte fora do conjunto interceptado de fatores das interculturalidades, uma peculiaridade que pode causar, a dois brasileiros diferentes, excitação e indiferença.
“Love Hina”, a série de quadrinhos da qual se origina Keitarô, não possui só personagens com biotipo japonês, embora o autor se refira a todas as personagens, com exceção de duas, como japonesas; daí eu não concordar inteiramente com a assertiva do primeiro parágrafo. Apesar dessa construção inverossímil, há nessa configuração uma repercussão estética e outra sobre a cultura de massas da qual os quadrinhos participam.
A repercussão estética trata do elemento que todo desenhista busca constantemente: atrair os olhos do leitor. Isso é possibilitado pelo contraste gerado pela diversidade de alturas, cortes de cabelos, biotipos diferentes, estilos de moda diferentes, na construção de um grupo de personagens. Imagine, em um quadrinho em preto e branco, só desenhar personagens de cabelo preto e com poucas opções de corte de cabelo!
As influências culturais que permearam o Japão no pós-guerra trouxeram uma estética mais cosmopolita, incorporando conceitos de beleza estrangeiros, como o fetiche americano por seios grandes (às vezes gigantescos!). O homem japonês também prefere, então, se excitar com essa parte avantajada da anatomia tanto quanto o norte americano (e quiçá o brasileiro), criando mais uma interseção que possibilita às editoras de mangá a segunda repercussão que eu comentara anteriormente: a maior aceitação de seu produto no ocidente.
Finalmente, acima de qualquer padronização e/ou coletivização, está a preferência individual, que pode gerar a busca por elementos de outra cultura sem que o estrato social representativo possa eventualmente ter essa inclinação.
Apesar de ressaltar as semelhanças entre culturas diferentes, há muitas diferenças que impossibilitam a difusão do quadrinho em outros territórios, que aliás constituem grande parte do globo. Retratar o homem dos grandes centros em detrimento do homem rural pode concentrar a distribuição do quadrinho para áreas muito estreitas. O único preceito que antagoniza essa impopularidade é a questão individual, que fará com que uma criança do sertão que possua algum dinheiro busque um quadrinho para saciar sua sede de fantasia. E enquanto isso não acontece, o mangá encontra seu nicho predileto nas classes médias das metrópoles.
Para ampliar suas áreas de influência é que se sugere a inclusão de mais personagens negros e pardos no mangá, a fim de aumentar a representatividade do povo brasileiro. O número de personagens negros nos mangás sempre foi pequeno; o desenhista brasileiro precisa criar suas próprias referências para desenhar o negro brasileiro em mangá, dada a sua escassez. Não tenho uma resposta para a questão: se o japonês coloca tantos biotipos ocidentais (caucasianos e latinos) em suas revistas, porque não insere com mais frequência o negro e todos os subtons existentes?
Para o desenhista brasileiro, o desafio é retratar toda a beleza da etnia negra, adaptando-a ao mangá.
Eu desenho Mangá
Gosto muito de mangá; não sei se deixo isso transparecer em meus escritos. Sempre desenhei dessa forma. É a coisa simples mais difícil que já fiz. Um mangá engana muito quem o assiste, pois à primeira vista os desenhos são simples. Quem se embrenha por esse estilo chega a uma conclusão diferente. É muito tênue a diferença entre um braço sinuoso, bonito, esguio, e outro com saliências que não existem, com um traço espesso, feio às retinas.
Há quem diga que devemos perceber as formas ao nosso redor para desenharmos bem. Pois eu lhes digo que o mangá em alguns momentos faz o olhar do observador aceitar piamente formas não humanas. A escola da observação dá lugar, após anos de aprendizado, a um estilo próprio que, mais evidentemente do que em outros estilos de desenho, recria a forma e a plasticidade.
A caricatura é o principal atributo, mas ela é confeccionada de um modo tão particular que não se trata simplesmente de uma caricatura ocidentalizada. O desenhista erra se for por esse viés.
O princípio magno de quem desenha história em quadrinhos simples como a banda desenhada (quadrinho europeu) ou o mangá é o tudo-ou-nada, o contraste, a exclusão do meio tom e de formas medianas. É preciso explicar esse princípio, pois uso vocabulário que pode confundir com outros conceitos.
Estou me referindo à acentuação de formas grandes, e a exclusão de formas pequenas. Se uma forma pequena ou mediana torna-se indispensável ao olhar nós precisamos exagerar sua reduão frente às formas maiores.
Este é o primeiro item de uma série de artigos sobre mangá, expondo meu ponto de vista. A seguir, escreverei sobre “Ocidentalização do mangá” e finalmente, “A criação de um roteiro astrológico”.
falando ao leitor
encargos dessa vida
meu amigo otimista
Você, que vive despretensiosamente, com calma, sem fazer alarde, deve ter um amigo como o meu, que passa por coisas que ele acha dificílimas, que são um sacrifício, etc. e tal. Ele gosta de falar daquele jeito “meudeusdocéu como sofro nessa faculdade” quase deve gozar com isso, principalmente diante de três ou mais pessoas que são do mesmo período que o dele. Os enforcados morrem suspensos.
Só teremos perspectiva de mercado cinco anos depois de formados, que médico é como sal, barato e tem em qualquer lugar, cinquenta e tantos por cento dos médicos se concentram no Sudeste, a residência tem de fazer 60 horas por semana, você ganha R$ 1.440 mas isso é uma ajuda de custo que não passa pelas leis trabalhistas, a solução é ir para o interior mas eles te prometem um salário de R$ 30.000 e você não recebe, enfim, um martírio.
Quão humilde é o médico! Desprovido de ambições e paixões, luta duro, na lida do dia-dia, despretensiosamente, apenas pelo prazer de ajudar o próximo! Oh! Bravo dever!