Astrosphera

Ancient astrological technics uncovered.

Archive for May, 2005

Obrigado a viver

Existe a ditadura da vida.

Ninguém pergunta a um paciente se ele quer viver ou não. Está implícito, diriam aqueles que acham essa uma pergunta absurda.

A vontade de viver se constitui atualmente como sagrada. Parece o último dogma cristão ossificado em uma sociedade que tenta emergir de um passado recente onde a igreja, com suas mãos insidiosas, manipulava as decisões do estado, no que tange à ética.

A morte é evitada, e aqueles que a defendem são considerados os responsáveis por uma hipotética hecatombe da raça humana, posto que, caso se infrinja esses “estatutos essenciais”, a espécie homo sapiens sapiens não se fiará em mais nada racional, ficando à mercê de sentimentos de ira ou vingança. Como se a ética da vida, testamentada a todos e acessível até mesmo em conversas informais, de tão impregnada que está nas mentes, fosse de fato unânime.

Acho que deveríamos dar o direito de morrer a todos que assim a desejam. A morte é usada como indicador de incompetência da sociedade, do estado, e dos antidepressivos, mas não é dessa morte que estou falando.

Mensagem-teste 1 (mudanças que gostaria de fazer na página)

Essa é uma mensagem de teste, para entender porque o último post não foi publicado.

Gostaria de deixar o blog mais pessoal. Ao invés de comments, como em outros blogs que já vi, queria colocar uma frase mais sacaninha ou coisa do gênero. Sei que isso é possível; basta realizar mudanças no template. É preciso fuçar!

Com o passar do tempo espero que o blog adquira uma linha mais pessoal e única, que seja, como o nome diz, nem planta nem leão, mas a síntese de uma coisa a partir dessas duas. E de outras milhares. Digo isto porque há uma tendência a tornar as informações meio desconexas: conjugar astrologia e críticas ‘a medicina faz parecer que o blog é escrito por duas pessoas, que ele tem a sua personalidade fragmentada, que não é uma obra enxuta. Todavia, assim como um jornal tem a sua seção de esportes, pode ter sua seção de saúde…

Enfim, espero que esse post apareça!

A capacidade de cagar regra

Fico espantado com a minha capacidade de não ser informal nas horas em que fica ao meu critério sê-lo. Posso jurar a vocês que isso me é espontâneo. Começo a relacionar tal verborragia a períodos de medo e intimidação intelectual, como por exemplo, a tensão ao se criar algo novo – e pior – que será publicado.

Fluência no texto se ganha com o tempo – e vocabulário também – então peço as únicas leitoras desse blog um pouco de paciência, não para “cagar regra” melhor, mas para criar um texto mais informal, e nem por isso, feio.

Uma coisa a se pensar é como vou noticiar a existência do blog. Vou perguntar algumas coisinhas a Marina, minha namorada (nome fictício).

Minha vida perante a medicina (Título alternativo: Plantaleão e os palm-tops)

Para definir minha posição quanto a minha escolha vocacional preciso assinalar aqueles que não se parecem comigo.

Não sou como Clementino Fraga Filho, que em uma entrevista concedida à equipe de História da Medicina da FioCruz revelou que nunca pensara em ser outra coisa.
Igualmente não sou como Aldir Blanc, que ficou indeciso entre a medicina e a música até o fim da faculdade, e no último período, largou. Eu me situo num limbo entre Crementino Fraga e Aldir Blanc. Gosto de medicina, mas me sinto impelido a um destino mais criativo.

Falando da minha postura na faculdade: não sou muito dado a eventos, congressos, porque acho isso dispensável para mim atualmente, enquanto sou estudante. Eu mal formulei os conteúdos básicos na minha cabeça ainda, quanto mais ir a congressos! Não vou muito a chopadas e encontros dos estudantes de medicina, porque sempre fui caseiro e minhas preferências não são muito coniventes com o gosto preponderante nessas reuniôes. Também não nutro antipatia por ninguém, trato a todos com simpatia e procuro ajudar caso precisem de algo que saiba fazer. Normalmente, eles é que me ajudam.

Irrito-me com modismos que bombardeiam a medicina e impelem as pessoas, de um modo irracional, a adquirir quinquilharias ou realizar sacrifícios em vão. Só durante os três anos de medicina que já fiz promoveu-se na minha turma a ida a congressos desnecessários, um curso de sutura, e agora há uma onda insidiosa de compra de palm tops! Felizmente não dinheiro o suficiente pra entrar nessas ondas.

Aos detectores de inveja: adoro tecnologia, gostaria muito de adquirir um palm top, mas acho que a tão falada, na medicina, “relação custo-benefício” só me dá motivos para postergar essa compra. Não é por falta de dinheiro: quando vemos que é importante um objeto, fazemos de tudo para adquirí-lo, nos endividamos, vendemos nossas roupas…

Uma coisa é certa: essa compra de parafernália, inserida nesse contexto que falei, é muito suspeita, psicologicamente falando. Parece uma tentativa de consumar a angústia de alcançar a excelência. Quem percebe a impossibilidade dessa tentativa, como eu já percebi, pula do bonde rapidinho.

Em um meio onde as pessoas deveriam ser mais sensatas, pela quantidade de informação disponível, entram facilmente em compulsões populares sem se dar conta.

Vai ver que é muita informação e pouca reflexão.

O infalível Doutor Topeiramato

Acabei de sair de uma prova de psiquiatria, e já estou (em tese) atrasado para uma aula.

Três professores aplicaram a prova. Um deles me faz rir mais que outros pois me lembra de algumas associações nonsense que criei dele.

Seu nome é Max, é baixinho, tem olhos verdes, cabelo de surfista e tem os dentes levemente protusos, dando o aspecto de toupeira engomadinha que pega onda em itacoatiara nos fins de semana.

Em suas aulas ele indicou muitas vezes o anticonvulsivante Topiramato como tratamento de transtornos de personalidade borderline, dentre outros, a ponto de eu associar indistintamente o remédio a pessoa.

Como ele tem cara de topeira, atribuí-lhe o nome de Doutor Topeiramato, e revelo esse furo cômico em primeira mão aos leitores, antes mesmo dos meus amigos e namorada (que também é amiga, ora!). Afinal de contas eles são também leitores do blog, e no momento em que escrevo esse post talvez sejam os únicos!

Doutor Topeiramato seria também um bom etiquetador de supermercado, pois é especialista em dar rótulos aos costumes em geral, distribuídos por categoria de transtornos classificados pelo DSM-IV e pelo CID-X . Quem tem blog, por exemplo, é potencialmente esquizóide: é que o esquizóide não gosta de se relacionar com ninguém e na internet adquire desenvoltura para construir um personagem.

Ele também é dono da pérola de que o borderline é bissexual porque nesse transtorno as pessoas não possuem uma auto-imagem bem definida. Até aí você não se assusta muito, mas então Topeiramato generaliza isso a todos os bissexuais, com o estamento de que “no fundo, bissexualismo não existe, ele está doente”. Ora, o bissexual se define como bissexual, catzo! Espero que um psiquiatra não use isso como um critério dentre os famosos “Ao menos três desses sinais durante três semanas classifica a doença”.

Não podemos levar Dr. Topeiramato tão a sério assim. Afinal de contas eu também, na situação dele, adoraria ser um showman e insuflar meu ego, que já não é pequeno. Fazer piadinhas, estereotipar as pessoas, tudo isso é muito divertido. Só espero que ninguém fique chateado com ele.

Eu mesmo, tenho um blog e nem por isso sou esquizóide. Um pouco ansioso e obcessivo, isso sim, confesso.

O porquê do nome

“Plantaleão”, para quem me conhece, não diz respeito a nada na minha vida. O processo criativo que deu origem a ele, isso sim, muitos amigos meus reconhecerão nele a aleatoridade característica dos “sinais” nos quais me fio para nortear algumas escolhas.

Simplesmente foi uma frase de meu amigo que foi mal entendida, mas o mal-entendido foi tão bonito que me senti impelido a utilizá-lo. Nome sintétrico e original, junção de duas coisas e paródia de terceira.

Prontamente passei a esmiuçar sua simbologia íntima a mim. “Planta”, para mim, reflete assimilação, e “leão”, reflete imposição da vontade e da criatividade. O leitor talvez se indagará como eu cheguei a esses dois significados, mas eu me baseio nas interpretações mais convencionais de yin-yang, passividade-atividade, percepção-ação, estática- movimento. Planta yin, leão yang.

Voltando ao raciocínio do segundo parágrafo, a junção de duas coisas que evoca uma terceira me lembra tese, antítese e síntese, ou ação, reação e interação, enfim, há inerente ao neologismo uma tríade que nos remete às tríades que explicam fenômenos, sejam eles físicos ou abstratos.

Tudo isso contido em um nome, torna a existência deste muito mais rica, o que reflete outra característica minha, a de impregnar as coisas de significado, muitas vezes oculto, misterioso… Porque o essencial é invisível aos olhos, alguém já disse.

Realmente, após tudo isso, plantaleão tem muito a ver comigo.

BOM DIA!!!

Domingo nublado na casa da namorada. Escapando das tentativas inúteis de escrever algo retumbante, aqui está meu primeiro post.
Sempre achei interessante a idéia de ter um blog, publicar suas idéias, uma crônica virtual por dia, mas meu modo de agir me impedia sua continuação.
Sou um produtor de obras inacabadas.
É claro que sempre pretendemos não repetir as condutas do passado. Dessa vez não é diferente.
E assim continuamos a exigir de nós mesmos uma certa constância.
Não sou poeta, não sou desenhista, não sou astrólogo, mas é bem capaz de vocês encontrarem nesse blog algo do gênero.
E tenham um pouco de tolerância, porque não sou humorista.

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